Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

IMPRENSA EM QUESTãO > CONTEÚDO PAGO

Má notícia para a mídia

Por Luciano Martins Costa em 19/03/2010 na edição 581

O estudo econômico sobre a mídia noticiosa online, que é parte do último relatório do Centro de Pesquisas Pew para a Excelência em Jornalismo (ver aqui), reserva uma ducha de água fria para as intenções das empresas de comunicação de cobrar pelo acesso a informações na internet.


Com suas lentes no mercado norte-americano, que costuma antecipar tendências, o estudo indica que a publicidade, pelo menos na forma tradicionalmente aportada aos sites, não tem agregrado valor suficiente para compensar os custos do jornalismo online.


Por outro lado, os executivos das empresas de mídia não conseguem imaginar meios inovadores de remuneração.


Enquanto isso, caem as tiragens da mídia de papel e os jovens cada vez mais consolidam sua preferência pela mídia digital.


O estudo cita uma pesquisa feita pela companhia de consultoria Accenture, que entrevistou representantes de 102 empresas de vários setores, inclusive da mídia. Constatou-se que 39% deles acreditam que o modelo predominante deve continuar baseado na publicidade, 21% acham que a receita virá de um modelo híbrido de múltiplas fontes, enquanto 18% apostam num modelo que os americanos chamam de ‘freemium’, ou seja, oferecer algum conteúdo grátis, ‘free’, para estimular os leitores a pagar por conteúdo ‘premium’, de maior interesse. Cerca de 14% ainda acreditam em receita advinda de assinatura pelo serviço informativo e 8% acham que vai predominar o sistema de conteúdo sob demanda, pago pelo leitor.


Jogo travado


Com a insuficiência das receitas de publicidade online, a grande questão segue sendo a disposição dos usuários de pagar pela informação.


Mas a disposição de pagar pressupõe um alto grau de fidelidade a uma determinada fonte de informação, e isso não parece caracterizar o público estudado.


Cerca de 71% dos internautas cujos hábitos foram pesquisados, ou 53% dos americanos adultos, costumam acessar informações online, mas apenas 35% deles têm uma fonte preferencial.


E entre esses 35% de leitores mais fiéis, que corresponderiam aos assinantes do jornal de papel, ou aos que compram diariamente o mesmo jornal, apenas 19% declaram que talvez aceitassem pagar pelo acesso.


A grande maioria – mais de 80% desses leitores mais fiéis – tratariam de buscar outros sites se sua fonte predileta passasse a cobrar pelo conteúdo.


Trata-se de uma verdadeira sinuca de bico.

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/03/2010 José Paulo Badaró

    Adorei o estudo, até porque confirma uma tese radical e maldosa que tenho, no sentido de que boa parte das pessoas, normalmente os muito ocupados, os que querem aparentar mais do que são, os que querem enganar a si mesmos, fingindo uma intelectualidade que de fato não possuem, na verdade sequer abrem o jornal que assinam. Assinar jornais e revistas, para determinadas pessoas é, antes de mais nada, sinal de status! Refiro-me, portanto, ao percentual de 35% de assinantes, dos quais apenas 19% declararam que TALVEZ aceitassem pagar pelos mesmos através de acesso via internet. É que, sem o exemplar de papel jogado na porta do “intelectual” que assina o Estadão, a Folha, a Veja, o Globo, Caras, etc., ou sem o dito cujo em papel pintado para deixar sobre a mesa da sala, em casa ou no consultório, não tem graça. Se eles não lêem o exemplar de papel, a troco de que vão pagar pelo acessa-los na internet, se o vizinho, os parentes, os clientes, os que o visitam, a namorada, etc. não vão perceber que ele é assinante dessas, com o perdão da má palavra, coisas ?! Pena que a pesquisa foi realizada nos EUA . Se tivesse sido feita aqui em vez de 19% daria mais de 50%, com certeza.

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