Terça-feira, 23 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Mais esclarecimento ao eleitor

31/08/2006 na edição 396


Alzira Abreu – Para entender o papel da mídia hoje, preocupada com o serviço público ao eleitor, fazendo um esforço para informar à população sobre quem são os candidatos na arena política, é necessário voltar um pouco atrás e ver a história e as mudanças que ocorreram nas últimas décadas.


Eu começaria lembrando de uma importante mudança que ocorreu no debate entre Collor e Lula em 1989. Esse debate na TV Globo foi um marco muito importante. A TV Globo foi acusada de ter manipulado a edição e isso criou um trauma muito grande para os jornalistas. Até hoje, estudiosos da mídia discutem esse debate.


A partir dali, os veículos de comunicação têm uma preocupação em como vão lidar com o processo eleitoral. Além disso, no período da redemocratização, também nos anos 80, a mídia começou a ter um papel fundamental na luta pela redemocratização e na luta pela busca da cidadania. Isso levou também os jornalistas a uma ação mais voltada para o jornalismo cidadão.


Marcos Coimbra – Acho muito boa a idéia de os institutos de opinião pública fazerem pesquisa nacional para saber o que pensa a sociedade brasileira. Da parte dos institutos, acho que haverá total concordância. A idéia de uma comissão específica é uma tentativa de fazer com que essa agenda de reforma política chegue mais arrumada ao Congresso, evitando que tenha de ser discutida pelos vitoriosos.


Existe uma coisa de grande importância que vai acontecer agora: a adoção, pela primeira vez, da cláusula de barreira. Com isso, vamos ter um quadro partidário muito diferente, já para as próximas eleições. Várias questões ficarão menos graves quando o número de partidos com acesso aos meios de comunicação for menor e houver mais condições para que os partidos efetivamente representativos consigam levar aos eleitores suas idéias. No quadro atual, isso é impossível, mas já tem data marcada para acabar.


Claudio Weber Abramo – A Transparência Brasil é uma organização voltada para o combate à corrupção e temos uma atitude metodológica básica: corrupção não se combate gritando ‘pega ladrão’ depois que aconteceu, corrupção se combate prevenindo suas causas e as causas estão nas instituições, nas leis, nas normas, nos regulamentos e no procedimento administrativo.


Insistimos em época eleitoral em que os candidatos se comprometam a tomar medidas no sentido de ampliar a capacidade de um Estado prevenir um ato de corrupção, por meio de levantamento de mapas de risco.


Fizemos isso nas eleições de 2002 e o resultado foi bastante desanimador quanto ao cumprimento dos compromissos assumidos pelo presidente Lula e pelo seu então adversário, José Serra. Este ano, vamos fazer uma coisa parecida, levando adiante as propostas de que a corrupção se combate pela prevenção.


Sepúlveda Pertence – Cansei de ouvir do presidente Juscelino Kubitschek que a reforma política, por definição, é a mais difícil de todas, porque é feita por vitoriosos, e os vitoriosos não mudam de método. Essa é a grande dificuldade. Creio que o nosso sistema de voto proporcional e uninominal realmente se esgotou no Brasil. Esgotou-se não só pelos seus defeitos individuais, esgotou-se pela impossibilidade de enfrentar os grandes desafios, como a democratização da propaganda eleitoral, a comunicação eleitoral dos candidatos, a tentativa de criação de partidos minimamente consistentes e o grande drama processual da democracia: o financiamento eleitoral.

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