Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

IMPRENSA EM QUESTãO > CRISE DOS JORNAIS

Mercados e notícias

Por Kenneth Maxwell em 04/12/2009 na edição 566

Quase todos os grandes jornais dos Estados Unidos passaram por forte declínio em sua circulação paga ao longo dos últimos 12 meses. As três exceções foram o Wall Street Journal, que elevou a sua circulação em 0,6%, o Seattle Times, que registrou elevação de 32,6%, e o Denver Post, cuja circulação cresceu 61,9%. Mas esses resultados representam grandes exceções à tendência geral. No caso do Seattle Times e do Denver Post, a alta na circulação foi ajudada pelo fechamento do principal concorrente local.


Resultado mais típico foi o do New York Times, cuja circulação se reduziu 7,3%. No USA Today, a queda nos últimos 12 meses foi de 17,1%, enquanto o Washington Post caía 6,4%. As perdas no Dallas Morning News, no San Francisco Chronicle e no Star Ledger, de Newark, foram de, respectivamente, 22,2%, 25,8% e 22,2%.


O declínio do USA Today foi atribuído, em larga medida, à queda do movimento nos hotéis, que respondem por parte considerável de sua circulação. Mas no San Francisco Chronicle, o número médio de leitores diários caiu agora a 252 mil, cerca de metade do total de seis anos atrás.


Dificuldades correntes


Os jornais continuam a oferecer um olhar crítico quanto ao governo. Continuam a se ver como ‘o quarto poder’, um elemento essencial no equilíbrio entre os Poderes. Cabe a eles manter honestos os políticos e empresários, bem como, ocasionalmente, os juízes e os tribunais. Mas as perdas de receita estão causando grande preocupação.


O colapso na receita publicitária dos jornais já se tornou catastrófico, atingindo 28% apenas neste ano, e não é fácil encontrar substituto para essas receitas na internet, que vê acesso crescente, mas na qual poucos jornais desenvolveram métodos seguros de explorar comercialmente o acesso a essa nova fonte de informação.


Todas as grandes redes de televisão também sofreram perdas de audiência, e o mesmo se aplica à CNN, que vem sendo uma pioneira das notícias televisivas há 30 anos, mas viu três de seus quatro programas noturnos caírem à quarta e última posição entre as redes noticiosas a cabo.


Enquanto isso, as redes de TV a cabo identificadas com causas políticas ganharam considerável vantagem, estimuladas pela rivalidade entre a Fox News Network e a MSNBC, à direita e à esquerda, respectivamente. A Fox News lidera em termos de audiência no telejornalismo com os programas de opinião apresentados por Bill O´Reilly e Sean Hannity.


Não é um quadro encorajador. E explica muito sobre as dificuldades correntes para estabelecer um consenso básico em relação a questões essenciais na política norte-americana.

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Historiador, colunista da Folha de S.Paulo

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