Quinta-feira, 15 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Mídia não dá bola para as sutilezas

Por Alberto Dines em 28/12/2007 na edição 465

Pode ser descrita como ‘resgate’ a libertação dos seqüestrados pelas Farc na Colômbia?


A imprensa e, sobretudo, o noticiário oriundo da Venezuela, insiste no termo ‘resgate’. Ora, resgate pressupõe o atendimento de exigências para a libertação de presos; neste caso é um acordo, no máximo um gesto humanitário.


Mas considerando que seqüestro é crime e as Farc são uma organização terrorista que seqüestra inocentes para libertá-los anos depois em aparatosas ações de propaganda, fica complicado falar em gesto humanitário das Farc. O correto seria falar em gesto político. Mas se a libertação dos seqüestrados ocorre sem acordo, através de uma operação militar – o que não parece o caso – poderia justificar-se a entonação de heroísmo.


A mídia brasileira não dá muita bola para estas sutilezas filológicas ou semânticas. Para não repetir palavras, ou por falta delas, os jornalistas usam indistintamente resgate, troca ou libertação, esquecidos de que palavra é informação e palavra apropriada é informação correta.

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