Mino Carta: “Morte do JT me entristece em dobro” | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
Menu

IMPRENSA EM QUESTãO > FIM DO JT

Mino Carta: “Morte do JT me entristece em dobro”

Por UOL em 30/10/2012 na edição 718

Reproduzido do UOL, 29/10/2012; título original “‘Morte do Jornal da Tarde me entristece em dobro’, diz Mino Carta, idealizador do jornal”, intertítulo do OI

O jornalista Mino Carta, 79, idealizador do Jornal da Tarde, disse ao UOL Notícias que o fim da publicação, considerada por ele “revolucionária” na época de sua criação, é uma perda para seu coração e sua alma. “A morte de um jornal sempre me entristece, mas, neste caso específico, eu devo dizer que me entristece em dobro, talvez ao cubo, pois foi um jornal que nasceu por obra que uma equipe que eu comandei.”

Mino Carta, diretor da revista CartaCapital, concebeu o jornal com a ajuda do jornalista Murilo Felisberto. Os dois foram incumbidos em meados dos anos 60 pela família Mesquita (donos do jornal O Estado de S.Paulo) de criar um novo modelo de jornal no país, mais ousado, diferente do tradicional e inspirado nas mudanças culturais e de comportamento da segunda metade daquela década. Nasceu em 4 de janeiro de 1966 o Jornal da Tarde. A publicação circulou como um vespertino até 1988, quando se tornou matutina.

“Eu tenho boas lembranças daquele tempo e tenho boas lembranças de quem trabalhou comigo. Nós revolucionamos, tanto na paginação quanto no texto. Acreditávamos que o jornalismo era uma forma de literatura, coisa que se perdeu no jornalismo brasileiro. Achávamos que a investigação era fundamental, que reportagens bem trabalhadas e profundas eram fundamentais para o êxito do jornal”, declarou Mino Carta.

Última edição

O jornalista recorda os “anos dourados” do JT com orgulho. “No meu período, nós tivemos várias edições que, como se diz agora, bombaram. Em primeiro lugar, a cassação de Ademar de Barros (em 1966), que era um inimigo tradicional do Estadão. Essa foi uma edição que bombou. Depois, a Guerra dos Seis Dias (1967), no Oriente Médio. As nossas edições foram muito bem cuidadas e bombaram. Na morte do Che Guevara (outubro de 1967), fizemos uma edição épica, e também bombou. Depois, fizemos reportagens sobre os deslizamentos de terras monstruosos na região de Caraguatatuba (também em 1967). Ganhamos vários prêmios nesse período. É uma perda, sem dúvida, para o meu coração e para a minha alma.”

O jornalismo em “forma de literatura” citado por Mino Carta é inspirado no chamado “New Journalism” (Novo Jornalismo), um gênero jornalístico surgido nos Estados Unidos na década de 60. Tom Wolfe, Gay Talese, Norman Mailer e Truman Capote figuram entre os principais expoentes do gênero.  

Grupo Estado anunciou na segunda-feira (29/10) o fechamento do Jornal da Tarde, após 46 anos de sua fundação. A última edição do periódico circulará na quarta-feira (31). Publicado pela primeira vez em 4 de janeiro de 1966, o jornal acolheu inúmeros jornalistas consagrados em seu seio, entre eles Luis Nassif, Fernando Morais, Odir Cunha, José Maria de Aquino e Celso Kinjô.

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem