Domingo, 21 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Morre Doris Gibson, fundadora da Caretas

02/09/2008 na edição 501

Morreu em 23/8, aos 98 anos, Doris Gibson, fundadora da Caretas, uma das mais importantes publicações do Peru. Doris deu início à revista há 58 anos, com dinheiro emprestado do tio e uma máquina de escrever. A publicação se chamaria, a princípio, Caras y Caretas, mas para simbolizar a repressão da ditadura militar vivida no país, o nome foi trocado para apenas Caretas. Corajosa, Doris desafiava o regime e enfrentou oito tentativas de fechamento da revista – a maioria delas durante outra ditadura, na década de 1970. Por diversas vezes, chegou a confrontar soldados que invadiam a redação; colocava fotógrafos a postos para documentar estas ações.

Doris nasceu em Lima, por acidente, em 1910. Sua mãe estava em um barco para Arequipa quando a bolsa estourou e ela precisou descer para dar à luz. Filha de Percy Gibson – poeta que se rebelou da abastada família britânica para levar uma vida literária e, segundo uma das irmãs de Doris, nunca trabalhou –, viveu uma infância de distinta pobreza.

Ainda jovem, Doris se casou com o diplomata argentino Manlio Zileri, com quem teve o filho Enrique – que virou a pessoa a ocupar por mais tempo o cargo de editor da Caretas e chegou a ser considerado o melhor jornalista do Peru. Depois de se divorciar de Zileri, ela passou a levar uma vida boêmia, cercada de artistas, intelectuais e políticos.

Nu roubado

Doris chegou a ser amante e musa do pintor Servulo Gutierrez, que a retratou nua em tamanho real e, depois de uma briga, vendeu o quadro a um rico empresário. Segundo Diana, neta de Doris, a avó foi à casa do homem com um fotógrafo da revista e disse que precisava de uma foto da pintura sob a luz do sol, e por isso a levaria. Mais tarde, quando o empresário ligou pedindo o quadro de volta, ela respondeu: ‘não quero ficar nua na sua casa’.

‘Ela era instintivamente uma lutadora’, lembra o filho Enrique, ‘e uma mulher de negócios nata.’ Doris, de fato, era independente em uma época em que as mulheres sempre dependiam de seus maridos. Como resumiu o presidente do Peru, Alan García, após o funeral de Doris, ela ‘foi uma jornalista extraordinária e uma mulher à frente de seu tempo’. Informações da BBC News [30/8/08] e da RPP Notícias [24/8/08].

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