Domingo, 22 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Murdoch anuncia cobrança por sites da News Corp

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 11/08/2009 na edição 550

Acabou-se o que era de graça. Os jornais da companhia News Corporation começarão a cobrar por conteúdo online em 2010. A medida, segundo o presidente Rupert Murdoch, deverá liderar um período de mudanças no acesso aos jornais na rede. O anúncio foi feito no fim da semana passada após a gigante de mídia ter divulgado que terminou o ano fiscal com prejuízo de US$ 3,4 bilhões. No ano anterior, os lucros foram de US$ 5,4 bilhões. ‘Temos muito o que fazer e temos que enfrentar os desafios’, disse Murdoch. ‘Temos esperanças de que iremos produzir lucros significativos com a venda de jornais online’.

O magnata reconheceu que não há nada que impeça os internautas a mudar suas preferências para jornais online que continuarem gratuitos, mas diz acreditar que os concorrentes também passarão a cobrar pelo acesso. ‘Temos que fazer nosso conteúdo melhor para nos diferenciarmos dos outros. Conteúdo de qualidade não é algo barato. Acredito que, se obtivermos sucesso, outros irão fazer o mesmo’, afirmou. O número de visitantes que acessam sites da News Corporation para ter acesso a furos de celebridades é ‘astronômico’ e Murdoch acha que as pessoas ficarão ‘felizes’ em pagar para ler tais matérias.

Críticas

Na Austrália, terra natal do empresário, a notícia não foi bem recebida, noticia Stephen Hutcheon [The Age, 7/8/09]. Uma matéria no site do jornal The Age anunciando os planos da News Corporation recebeu cerca de 140 comentários – a maior parte se opondo à idéia de cobrar por conteúdo online e ameaçando deixar de acessar os sites da companhia. Alguns leitores ainda ironizaram o fato de Murdoch dizer que conteúdo de qualidade não é barato. ‘Estamos falando da News Corporation. Pagamos hoje exatamente o que ela vale – nada’, escreveu um internauta identificado como Dean.

Executivos de mídia também não viram o anúncio com bons olhos. Para Sly Bailey, executivo-chefe da Trinity Mirror, que publica o Daily Mirror, está claro que o modelo pago já existe para conteúdo único, de alto valor e diferenciado. ‘Mas como é possível cobrar por algo que é possível ter acesso, de graça, em lugares como BBC e Google?’, indagou. ‘Não temos planos imediatos de cobrar por conteúdo’.

Charlie Beckett, diretor do instituto Polis, da Escola de Economia de Londres, também acredita que só se poderá cobrar por conteúdo diferenciado, como análises aprofundadas, e não por notícias. ‘O que tem nos jornais de Murdoch que não podemos encontrar em outro lugar?’, questiona, incrédulo.

Rob Grimshaw, chefe de redação do site do Financial Times, reconhece que o modelo de negócios pago ainda é muito novo e apenas o Wall Street Journal tem experiência bem-sucedida em cobrar por conteúdo. Vivian Schiller, ex-chefe de redação do site do New York Times que colocou fim ao programa pago TimesSelect, não acha uma boa idéia. ‘Acredito ser um erro fechar tudo atrás de uma muralha paga, à primeira vista. Isto significa que um número de pessoas irá pagar, mas o resto do mundo não, o que é contrário à missão de uma organização jornalística’, opinou.

Desafios

O lucro obtido com anúncios online não tem sido suficiente para compensar as perdas com a publicidade impressa. A News Corporation parece basear a decisão de cobrar por todos os seus sites no caso de sucesso do WSJ, que além de um bom número de assinantes na rede ainda tem seu conteúdo vendido para leitores do leitor portátil Kindle, da Amazon. A companhia de Murdoch alega, entretanto, estar decepcionada com o fato da Amazon não compartilhar os dados dos assinantes. ‘O Kindle trata os assinantes como se eles fossem deles e não nossos. Isto vai fazer com que terminemos o acordo’, revelou o empresário, acrescentando, no entanto, que não pretende criar um aparelho semelhante. Executivos da News Corporation já disseram estar em negociação com a Sony, que produz leitores eletrônicos para competir com o Kindle.

Agregadores de notícias também têm sido vistos como desafios. Em abril, o editor do WSJ, Robert Thomson, atacou sites como o Google, chamando-os de ‘parasitas’ de notícias. Em junho, o executivo-chefe da Dow Jones, Les Hinton, descreveu o Google como um ‘vampiro digital‘ que ‘suga o sangue’ da indústria jornalística. No mês passado, o executivo-chefe da News Ltd, John Hartigan, criticou blogueiros pela falta de conteúdo original e de padrões profissionais. Informações da AFP [7/8/09] e de Mark Sweney e Andrew Clark [The Guardian, 6/8/09].

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