Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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ENTRE ASPAS >

NYTimes debate domínio da floresta amazônica

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 20/05/2008 na edição 486

Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 19 de maio de 2008


 


AMAZÔNIA
Fabíola Salvador


‘NYT’ discute domínio da região


‘Reportagem publicada ontem no jornal The New York Times afirma que o Brasil está preocupado com a soberania da floresta amazônica. De acordo com o texto, escrito pelo correspondente no Rio, Alexei Barrionuevo, sugestões de líderes globais de que a floresta seria patrimônio muito além das fronteiras das nações que dividem seu território são cada vez mais recorrentes. O motivo seria a preocupação do mundo com as promessas de biodiversidade e os alertas ao aquecimento global.


Com o título De Quem É a Amazônia, Afinal?, o texto cita o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore que, em 1989, afirmou: ‘Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não pertence a eles; ela pertence a nós’. De acordo com a reportagem, tais comentários não seriam bem-vistos no País e teriam reacendido velhas atitudes protecionistas e a atenção para possíveis invasores estrangeiros.


O jornal afirma que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta aprovar uma lei para restringir a entrada na Amazônia. Com ela, tanto estrangeiros como brasileiros precisariam de uma autorização. ‘Autoridades brasileiras dizem que a lei separaria as entidades não-governamentais ruins das boas, além de deter os chamados biopiratas – que buscam patentear substâncias únicas da floresta’, diz o texto.


Especialistas são citados por alertarem que as restrições propostas entram em conflito com o próprio empenho de Lula em tornar o Brasil um país com voz maior nas discussões sobre mudanças climáticas no mundo. A reportagem lembra ainda as notícias de aumento do desmatamento na Amazônia em janeiro passado e a recente saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente, citada como uma ‘feroz advogada da preservação da Amazônia’.


O senador Jefferson Péres (PDT-AM) classificou como ‘bobagem’ a sugestão feita por líderes globais de que a Amazônia é um patrimônio mais mundial do que brasileiro. ‘Esse tipo de discussão não nos preocupa porque não há grupos organizados defendendo essas idéias. São opiniões isoladas’, afirmou. Péres é suplente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.’


 


DOSSIÊ
Denise Madueño e Felipe Recondo, Brasília


Dossiê vazou sem querer, diz servidor


‘O ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires vai sustentar, em depoimento à CPI dos Cartões, marcado para amanhã, que foi o responsável pelo envio dos dados com informações de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso com cartões corporativos a André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Aparecido deve frustrar a oposição, que busca ligação entre o vazamento e responsáveis por ordenar a elaboração do dossiê.


Em conversa com amigos, Aparecido negou que tenha recebido pedido da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, principal auxiliar da ministra Dilma Rousseff, para a elaboração de um dossiê. A mesma negativa foi feita à Polícia Federal na sexta-feira passada. Documento que contém o depoimento será aberto na CPI amanhã, em reunião fechada.


Aparecido contou à PF que enviou por distração o arquivo contendo os gastos de FHC ao assessor do senador. Ele havia recebido os dados de funcionários da Secretaria de Controle Interno, seus subordinados, que estavam cedidos à Secretaria de Administração para ajudar a sistematizar dados do suprimento de fundos a partir de 1998, período em que os gastos estariam sob análise da CPI que seria criada.


Além de negar o envolvimento de Erenice no episódio, Aparecido dirá que não existe qualquer acordo para livrar a secretária-executiva ou a própria ministra em troca de uma punição administrativa branda – e assim manter o seu emprego no Tribunal de Contas da União (TCU), de onde foi cedido à Casa Civil.


Aparecido precisará explicar à CPI, no entanto, quem selecionou o tipo de gasto que foi incluído na planilha. No relatório que chegou à imprensa constam gastos que poderiam causar constrangimentos ao ex-presidente e não, necessariamente, todas as despesas feitas com o cartão. Na planilha há compras de champanhe e outras bebidas e lixas de unha, por exemplo.


A oposição vê no depoimento apenas mais uma chance de tentar desgastar o governo. ‘O depoimento só será útil se ele disser quem foi que mandou fazer o dossiê. O importante é que ele diga isso’, afirmou Álvaro Dias. ‘Eu não tinha nenhuma expectativa de que ele dissesse isso à PF, porque tenho a convicção de que houve um acordo dele com o Planalto. Não creio que ele avance no seu depoimento’, lamentou.


Diante disso, avisou o deputado Índio da Costa (DEM-RJ), a estratégia é fazer perguntas objetivas e encaminhar as respostas ao Ministério Público. ‘Ninguém produz um dossiê como esse por conta própria.’


Aparecido deixou a Casa Civil na quarta-feira. Na sexta-feira, ele foi indiciado pela PF por violação de sigilo funcional, com base no Artigo 325, Parágrafo 2º do Código Penal.’


 


TECNOLOGIA
O Estado de S. Paulo


Microsoft retoma as conversas com o Yahoo


‘Duas semanas após ter anunciado que desistia definitivamente da compra do Yahoo, a Microsoft informou ontem que está retomando as negociações com o grupo de internet. Em comunicado, a Microsoft disse que está considerando um acordo alternativo, que não envolveria a compra do controle do Yahoo.


A gigante do software disse também que não está fazendo uma nova oferta pelas ações da empresa, mas que ‘se reserva o direito de reconsiderar essa alternativa, dependendo do desenvolvimento futuro das negociações’. Apesar da retomada das negociações, a Microsoft afirma que continua a explorar e desenvolver alternativas para melhorar e expandir seus serviços online e sua publicidade na internet.


A Microsoft anunciou em fevereiro uma oferta de US$ 31 por ação pelo controle do Yahoo, um negócio de cerca de US$ 42 bilhões. A oferta, porém, foi recusada pela direção do Yahoo, que dizia que a proposta subvalorizava a empresa. Posteriormente, a Microsoft chegou a subir a oferta para US$ 33 por ação, mas a direção do Yahoo pediu US$ 37. Sem acordo, no último dia 3 a Microsoft anunciou que desistia definitivamente do negócio.


Acionistas do Yahoo, no entanto, demonstraram insatisfação com o desfecho das negociações. O grande temor era que, sem a Microsoft, as ações do Yahoo voltassem aos patamares de janeiro, quando eram cotadas a menos de US$ 20. Grandes investidores começaram a fazer pressão para que a direção do Yahoo voltasse atrás na decisão, e o presidente da empresa, Jerry Yang, chegou a dizer que estava disposto a retomar as negociações.


Na semana passada, o bilionário Carl Icahn, acionista do Yahoo, iniciou uma campanha para trocar os membros do conselho de administração da empresa. Em carta enviada a Roy Bostock, presidente do conselho, Icahn indicou dez nomes para os cargos, acusando os diretores atuais do Yahoo de agirem irracionalmente e perderem a confiança dos acionistas e da Microsoft.’


 


PUBLICIDADE
Marili Ribeiro


Agências apostam em propaganda no celular


‘Há um mundo de possibilidades no que poderia se classificar como ‘publicidade móvel’, ou seja, aquela que é capaz de impactar o consumidor invadindo – de preferência com elegância – os aparelhos eletrônicos que todos carregam para cima e para baixo. Não só os celulares, mas principalmente eles. No Brasil, segundo os dados mais recentes da Anatel, os telefones móveis já somam 127,742 milhões.


A busca por soluções que casem propaganda com mobilidade e abram novas oportunidades de negócios movimenta seminários, debates e eventos nos últimos meses, tanto aqui quanto no exterior. Antonio Fadiga, presidente da agência Fischer América, acaba de retornar da CTIA Wireless, uma das maiores feiras do gênero realizada em Las Vegas, com a nítida impressão de que ‘agora vai’.


Ou seja, tudo o que já se ensaiou começa a virar ferramenta efetiva com uso prático, até porque os avanços, como a terceira geração (3G) nos celulares – que permite acesso rápido à internet -, criam condições para tal. Alain Riviere, diretor de Regulamentação e Estratégia da operadora de telefonia Oi, disse recentemente que os celulares 3G já somam 10 milhões de aparelhos no Brasil, embora a maioria dos consumidores nem sequer saiba que têm.


Fiamma Zarife, diretora de Serviços de Valor Agregado da operadora Claro, garante que algumas ações já vêm sendo realizadas com sucesso, porque, no caso de sua empresa, 60% da base de aparelhos é compatível com esse tipo de inovação. ‘O iPhone (que a Claro vai comercializar no Brasil), por exemplo, não opera em 3G , mas tem infinitos recursos e não inviabiliza ações de marketing. Afinal, a terceira geração é apenas uma questão de maior velocidade. Uma música no sistema anterior leva até 2 minutos para ser baixada. Já no celular 3G, demora 15 segundos’, explica.


A Claro oferece ao mercado alternativas de ações móveis. ‘No lançamento do Fiat Punto, os assinantes da empresa receberam um banner em seus celulares que dava mais acesso a informações sobre o carro, caso ele quisesse detalhes’, exemplifica ela. ‘Com o xampu que a Unilever acaba de lançar, nós também fizemos uma ação que teve bons resultados. É lógico que ainda estamos construindo um modelo de negócios e, portanto, buscamos padrões’, acrescenta. E trata-se de algo tão novo que a Claro nem divulga o que representa essa receita extra em seu balanço.


Fadiga voltou dos EUA ciente de que o faturamento com a transmissão de dados vai superar muito rapidamente o que as operadoras ganham com o trânsito de voz, e que isso, evidentemente, vai ampliar o universo de parcerias e serviços no segmento. Como conseqüência, imagina ele, haverá reflexos na forma como se aplicam as verbas publicitárias. ‘A operadora poderá oferecer um serviço sem custo em troca de parte da receita com a veiculação dos anúncios’, diz.


Um ponto com o qual concordam todos os publicitários é que a propaganda em celular, ou qualquer outro aparelho móvel, deve obedecer o princípio básico da aceitação por parte do consumidor. ‘É fundamental que ele dê permissão para o recebimento da ação, não se sinta invadido’, diz Guga Ketzer, vice-presidente de criação da Loducca Propaganda. ‘Há ações que promovem interesse porque oferecem algum valor agregado, como os games.’


Existe ampla difusão de recursos que permitem que os jogos possam ser baixados pelo computador para o celular e sejam jogados em qualquer lugar. Esse tipo de oferta vem sempre acompanhado do patrocínio de alguma marca. No exterior, é um mercado crescente. Lá também já está difundida a propaganda que chega ao celular no exato momento em que seu proprietário transita em um determinado endereço, com o anúncio de que nas redondezas há um restaurante, ou um cabeleireiro que talvez lhe interesse.


Outra ação simples, que requer apenas a disponibilidade de bluetooth – o que, segundo pesquisa divulgada na semana passada pela Nielsen, 43% dos celulares no Brasil possuem – , é a possibilidade de se baixar notícias ou músicas por meio do recurso de sincronização.


Basta o dono do celular parar diante de algum telão ou outdoor que faça transmissões e aproximar o aparelho. Em Nova York, há dois anos, a vodca Absolut fez uma ação usando o recurso. Disponibilizou músicas de um álbum do cantor Lenny Kravitz. Bastava parar diante do outdoor e sincronizar o aparelho e depois ir para casa ouvindo música no celular.’


 


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Wave quer ser o Oscar latino da publicidade


‘Com a ambição de vir a ser o grande prêmio publicitário da América Latina, começa hoje e se estende até quarta-feira no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, o Wave Festival. ‘Nos inspiramos no Festival de Publicidade de Cannes, na França, que acontece num lugar charmoso, à beira-mar, e reúne a nata dos profissionais do segmento, como faremos aqui. Só que nos focamos nos que atuam em países latinos’, diz João Carlos Salles Neto, presidente do Grupo Meio & Mensagem, patrocinador do evento.


Quatro anos depois de a idéia ter surgido e com investimentos de R$ 4 milhões, o Wave Festival in Rio vai julgar 1,6 mil trabalhos inscritos pelas agências nas categorias tradicionalmente celebradas nesse tipo de premiação: anúncios impressos; comerciais para televisão; peças para rádio; ações de promoção; estratégias de marketing direto; propaganda para a internet; e até mesmo design aplicado a produtos e serviços (que também estréia este ano no Festival de Cannes).


Entre os presidentes de júri estão os argentinos Pablo del Campo, da Del Campo Nazca Saatchi & Saatchi, e Martin Hazan, da MRM Worldwide; o chileno Tony Sarrota, da Bravo Young & Rubicam; e a colombiana Misty Wells, da Misty Wells & Zea Associados. Os outros três presidentes de júri são brasileiros. Ao todo, são 61 jurados, sendo 27 brasileiros e 34 de outros países latino-americanos.


A reconhecida fartura de premiação no meio publicitário, somada ao fato de já existir na Argentina um evento voltado para o mercado latino – o Festival Ibero-americano de Publicidade (FIAP), realizado desde 1969 -, não inibiram o Grupo M&M de levar em frente a proposta de realização de mais um evento do gênero.


‘A publicidade e os profissionais do setor no Brasil são muito respeitados e já era hora de termos aqui um prêmio voltado para o mercado latino, que vive um momento de expansão’, avalia Salles Netto. ‘Não houve qualquer resistência de fora quando começamos a viajar para conversas que viriam a viabilizar o Wave no Rio.’


Durante a corrida para o Oscar Latino da publicidade haverá também a apresentação de um ranking sobre o desempenho das agências da região. Será apresentado durante a palestra de Donald Gunn, criador e gestor do Gunn Report, uma publicação independente que desde 1999 monitora o negócio da propaganda no mundo.


O levantamento feito para o Wave Festival leva em conta, como é hábito no setor, um monitoramento da premiação das agências latino-americanas nos últimos cinco anos.


Em sua palestra, Gunn, conforme contou ao organizadores do evento, vai relatar o processo de consolidação criativa de agências como a argentina Del Campo Nazca S & S e das brasileiras AlmapBBDO, DM9DDB e F/Nazca Saatchi & Saatchi. Vai também falar os cases de sucesso, realizados por profissionais dessas empresas, que ganharam repercussão no cenário mundial.’


 


CENTENÁRIO
Thaís Pinheiro


‘Quantas revistas você vê com japonesas na capa?’


‘Neta de japoneses, a paulista Karina Eiko Nakahara, de 26 anos, foi eleita a Miss Centenário Brasil Japão, anteontem, em evento realizado no Ginásio do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo.


Essa foi a primeira experiência da cirurgiã dentista e bancária, que mora em Mogi das Cruzes e trabalha em Arujá, em concursos de beleza. Ela disputou o título criado em homenagem aos cem anos da imigração japonesa com cerca de 500 moças, de vários Estados do País. ‘Procuramos a beleza nipônica em todo o Brasil, mas em alguns lugares não encontramos descendentes’, conta um dos organizadores do evento, Kendi Yamai. Os Estados do Mato Grosso, Paraná e São Paulo foram os que tiveram o maior número de participantes, por conta da grande quantidade de imigrantes nessas regiões.


Karina não se deixa levar pela empolgação do momento. Sem planejar o futuro, ela vai tentar conciliar os dois trabalhos com os compromissos das comemorações do centenário. ‘Preciso agradecer a meus chefes, pois estou desde terça-feira aqui em São Paulo, e nem tinha certeza se teria chances ou não.’


A incerteza quase deixou a moça de fora do concurso. Quem incentivou a morena de 1,76 metro e 56 quilos foram os pais dela. ‘Eles viram o anúncio na televisão e falaram para eu me inscrever. Quase não fui à eliminatória de Mogi das Cruzes’, lembra a moça, que contou com a torcida da família e dos conterrâneos, divididos em dois ônibus só para ver a representante da cidade.


?BRASILEIRÍSSIMA?


Além do reconhecimento e de um carro Picanto, da Kia, de cerca de R$ 35 mil, que ganhou, Karina quer fazer um pouco mais por sua comunidade. ‘Aqui no Brasil ainda falta espaço para a gente. Quantas revistas você vê com japonesas na capa?’


Para ela, que se considera ‘brasileiríssima’, há um ‘bloqueio’ dos brasileiros com os descendentes, talvez pela própria característica física, e considera importante divulgar a sua cultura.


Ela sempre morou em um sítio, em Mogi das Cruzes, onde outras famílias nipônicas estavam instaladas, formando uma espécie de ‘colônia japonesa’. Por isso, as tradições ficaram tão presentes na vida dela. Tanta tradição não foi encontrada no Japão, quando ela esteve lá com a avó, aos 13 anos. ‘Parece que lá eles já estão mais ocidentalizados do que os que moram aqui no Brasil’, observa.


Com a repercussão do concurso, Kendi Yamai espera que os descendentes tenham mais visibilidade no mercado publicitário e que sejam vistos como brasileiros de fato. ‘Já estamos aqui há cem anos, só temos os olhos puxados’, brinca o organizador do evento, que já trabalha com concursos de beleza nipônica há 12 anos. O próximo passo da Miss Centenário Brasil Japão será participar da Semana da Cultura Japonesa, entre 13 e 21 de junho, no Anhembi.’


 


ÁFRICA DO SUL
Martín Fernandez


Truculência e gritaria na chegada de Joel à África


‘Torcedores aos gritos, dezenas de fotógrafos, cinegrafistas e repórteres agredidos por policiais truculentos. A área de desembarque do Aeroporto Internacional de Johanesburgo, na África do Sul, não via cenas como essas desde outubro do ano passado, quando a seleção sul-africana de rúgbi voltou da França com o título mundial da modalidade na bagagem.


Mas o motivo de tanta confusão não trouxe título algum para a África do Sul – ao contrário, é até contestado pela ausência de grandes conquistas no currículo. O centro das atenções ontem era Joel Natalino Santana, o homem que tem a missão de evitar um vexame da seleção local na Copa do Mundo de 2010. Nunca na história da competição o país sede deixou de se classificar para a segunda fase.


O ex-treinador do Flamengo foi bastante aplaudido no aeroporto. De terno e gravata, ouviu um grupo de torcedores gritar ‘Santana, Santana’. Joel, que não fala inglês, respondeu com seu melhor sorriso. E, então, foi imediatamente cercado por policiais, que não economizaram na truculência. Jornalistas foram empurrados e agredidos – um fotógrafo caiu em cima de uma mulher com uma criança de colo. A confusão por pouco não virou pancadaria.


De braços dados com seguranças, Joel atravessou os cerca de 100 metros do saguão do aeroporto – em obras para a Copa de 2010 -, entrou num Mercedes Benz dourado e desapareceu. Ao Estado, único veículo brasileiro presente, conseguiu dizer que ‘está muito feliz’ e que ‘a família vem depois’.


Passou o resto do dia em reuniões com a comissão técnica. Seus assistentes são o brasileiro Jairo Leal e o sul-africano Pitso Mosimane, os mesmos de Carlos Alberto Parreira. Eles escolherão a seleção que enfrenta a Nigéria no próximo domingo, pelas eliminatórias da Copa Africana de Nações.


Hoje, o técnico brasileiro concede a primeira entrevista coletiva, na sede da Associação Sul-Africana de Futebol (Safa, na sigla em inglês). Certamente terá de responder sobre sua falta de experiência internacional (é a primeira vez que treina uma seleção nacional) e sobre o alto salário que vai receber (cerca de R$ 550 mil por mês). São essas as principais críticas que a imprensa sul-africana fez ao treinador até agora. ‘Tudo bem pagarmos muito para alguém como Carlos (Alberto Parreira), mas para esse homem tenho minhas dúvidas’, comentou o veterano Billy Cooper, da South African Press Association.


A revista Kick Off, única publicação dedicada exclusivamente a futebol no país, fez uma reportagem de quatro páginas sobre Joel Santana, com o título ‘Salvador ou piada?’. A conclusão não é das mais positivas para o homem da prancheta. Ex-jogadores locais também criticam a contratação de outro brasileiro. A partir de hoje, Joel começa a dar suas respostas.’


 


LITERATURA
Ubiratan Brasil


Rio das Flores é um manifesto pela liberdade


‘Se pudesse cruzar o Atlântico de Zeppelin, entre a Alemanha e o Rio de Janeiro, o escritor português Miguel Sousa Tavares certamente viajaria – teria mais detalhes para acrescentar ao já robusto e absorvente Rio das Flores, romance lançado agora pela Companhia das Letras (624 páginas, R$ 49) e que terá hoje uma sessão de autógrafos na livraria Saraiva do shopping Eldorado (amanhã, ele conversa com o público no Sesc Vila Mariana).


A viagem é detalhadamente descrita no romance quando o personagem Diogo, português de família abastada, cansado das restrições de liberdade impostas pela ditadura militar em seu país, resolve vir ao Brasil, nos anos 1930. ‘A triste ironia é que ele chega ao Rio quando Getúlio Vargas decreta o Estado Novo’, conta Tavares que, como no livro anterior, Equador (Nova Fronteira), se debruçou sobre uma ampla pesquisa para narrar a história de uma vida.


Com o título inspirado em uma fazenda do Vale do Paraíba visitada pelo autor, Rio das Flores conta a história de três gerações da família Ribera Flores, desde 1915 com a primeira República portuguesa, percorrendo os principais acontecimentos políticos, sociais e culturais que marcaram Portugal, Espanha, Alemanha e o Brasil, até o final da 2ª Guerra Mundial, em 1945.


‘Em Equador, narrei uma história concreta, que me consumiu dez anos de trabalho; em Rio das Flores, porém, exercitei a capacidade de criar a partir do nada’, explica Tavares, cujo fio da meada partiu de uma conversa com o comandante de um vôo da TAP, durante um retorno para Lisboa. Era um caso familiar: o bisavô dele tinha chegado ao Brasil de Zeppelin para plantar café. ‘A história ficou retida em minha memória até inspirar o novo romance’, lembra o escritor, surpreso ao descobrir o grande número de imigrantes portugueses que rumaram para o Brasil, na virada dos séculos 19 e 20.


Mais que uma saga familiar, Rio das Flores reforça outra qualidade da obra de Tavares: seus personagens, mesmo sob adversidades, sabem desfrutar a vida. ‘Algo que também faço’, garante.


Serviço


Miguel Sousa Tavares


Saraiva MegaStore. Av. Rebouças, 3.970, Shop. Eldorado, 3819-5999. Hoje, 19h Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, 5080-3000. Amanhã, 19h30. Grátis’


 


TELEVISÃO
Etienne Jacintho


Homens às pencas


‘O SBT estreou recentemente a série Men in Trees, com Anne Heche, em sua grade da madrugada. E a atração virou Homens às Pencas. A emissora comprou também Gossip Girl, que foi transformada em A Garota do Blog e tem estréia prevista para o 2º semestre. As traduções do SBT para os enlatados que possui fazem parte do show e parecem chamar o telespectador. Diz a lenda que Silvio Santos pensou em chamar o filme Ben Hur de O Charreteiro do Rei.


Nas tardes do SBT, duas séries atingem bom ibope. My Wife and Kids – Eu, a Patroa e as Crianças, outro nome genial – chegou a 10 pontos de média de audiência, com picos de 12, na última quarta-feira, das 18h44 às 19h09. Já That’s So Raven (As Visões de Raven) obteve 10 pontos de média com 13 de pico, das 13h15 às 13h45.


Homens às Pencas vai ao ar na madrugada de sábado, às 3 horas. E, mesmo nessa faixa de horário, o SBT tem alcançado boa audiência. Arquivo Morto (Cold Case) chegou a 4 pontos de média de audiência, na última quinta-feira, à 1 hora. Smallville e Sobrenatural (Supernatural) também alcançaram 4 pontos de média na terça e na quarta-feira da semana passada.’


 


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 19 de maio de 2008


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Defesa da Amazônia


‘Na manchete ‘exclusiva’ do ‘Jornal da Band’, no sábado, ‘ministro do Meio Ambiente vai pedir a Lula que Exército assuma defesa de florestas e reservas ambientais’. E na manchete dos sites e portais de domingo, no desembarque do ministro, ‘Minc quer Forças Armadas na defesa da Amazônia’. Diz que é para ‘replicar’ medida que adotou no Rio. Mas replica o discurso de soberania do coordenador do Plano Amazônia Sustentável, Roberto Mangabeira Unger.


A AMAZÔNIA É…


Foto da reportagem ‘De quem é a floresta tropical, afinal?’, ontem na página 3 do quarto caderno do ‘NYT’ -e na home dos sites todos por aqui


‘DE QUEM?’


O correspondente Alexei Barrionuevo usou declaração de Al Gore em 89 (‘ao contrário do que pensam os brasileiros, a Amazônia não é deles, mas de todos nós’) para requentar o debate sobre internacionalização no ‘NYT’. Diz que a questão retornou com a saída de Marina Silva.


Do outro lado, para declarar ‘a Amazônia é nossa’ e defender a soberania, ele escalou Romeu Tuma Jr. E fechou seu texto acusando o temor brasileiro de ‘paranóico’.


EX-IMPÉRIO


O ‘NYT’ foi precedido, não por Gore, mas pelo questionamento à soberania nos jornais ingleses. Começou há meses, com o ‘Guardian’ saudando a decisão da Guiana de ceder a gestão das florestas e com o ‘Telegraph’ noticiando o projeto do ministro britânico do ambiente de apoiar a compra de terras na Amazônia.


Por fim, sem Marina, o editorial do ‘Independent’ cravou: ‘Essa parte do Brasil é importante demais para deixar aos brasileiros’.


‘QUEM DEVE TER MAIS VOZ?’


Dias antes de ‘NYT’ e ‘Independent’ questionarem a soberania, a BBC já o fazia na cobertura intitulada ‘O Paradoxo da Amazônia’. O ‘paradoxo’, na explicação da própria estatal britânica: ‘Quem deve ter mais voz na gestão da Amazônia? O governo brasileiro? A comunidade internacional?’. Na BBC Brasil, sintomaticamente, o nome da série foi mudado para ‘Desafio Amazônico’, sem qualquer questionamento da ‘gestão da Amazônia’.


O CLUBE BRIC


No encerramento do encontro, sexta, era o destaque na busca de Brasil no Google, com despachos de Xinhua, da indiana PTI, mais Reuters, Bloomberg. Era a reunião do ‘clube Bric’, das ‘maiores economias emergentes’, que rendeu como principal notícia, nas agências ocidentais, a própria ‘formalização’ do grupo. Na Bloomberg, o título foi para o chanceler Celso Amorim e sua visão de que o ‘diálogo Bric está mudando a ordem do mundo’.


‘ASSUMIDOS’


O jornal ‘O Estado de S. Paulo’ deu cobertura no sábado, também com destaque para Amorim, em longa entrevista, e sua declaração de que ‘o grupo se assumiu’.


‘RETARDATÁRIOS’


O ‘Wall Street Journal’, que não cobriu a reunião na Rússia, traz hoje o texto ‘Em reversão, Brics são retardatários em sua classe’, sobre aplicação em emergentes.


‘Ô, LULA’


FHC deu longa entrevista a Ricardo Kotscho, no iG, e enviou mensagem: ‘Ô, Lula, você não acha que chegou o momento de pensar maior? O Brasil está indo para outro patamar, e a política está indo para o buraco. Não dá para a gente pensar grande? Não dá para haver debate? Por exemplo, o que vamos fazer com a riqueza petrolífera?’.’


 


TECNOLOGIA
Folha de S. Paulo


Microsoft anuncia a reabertura de negociações com o Yahoo!


‘Poucos dias depois de anunciar que havia desistido de adquirir o Yahoo!, a Microsoft disse ontem que reabriu as negociações com a empresa de internet. Um acordo não resultaria necessariamente na aquisição da companhia. Segundo pessoas envolvidas na negociação, poderia ser formada uma parceria para a venda de anúncios vinculados a busca, para competir com o Google.


‘A Microsoft não está fazendo uma nova oferta para adquirir todo o Yahoo! neste momento. Mas se reserva o direito de reconsiderar essa alternativa dependendo dos desenvolvimentos e das discussões futuras que podem ocorrer com o Yahoo! ou com os acionistas das empresas’, afirmou a Microsoft em comunicado. Procurado, um porta-voz do Yahoo! não comentou o documento.


No último dia 3, a Microsoft havia anunciado que fracassara o acordo para comprar o Yahoo!, após três meses de negociações. O negócio, que giraria US$ 47,5 bilhões, foi rechaçado pela empresa de internet por ser considerado ‘insatisfatório’. A intenção do Yahoo! seria conseguir que a oferta alcançasse US$ 53 bilhões.


Na época, analistas apontaram que o próximo passo do Yahoo! seria dar prosseguimento a negociações que tinha com Google e AOL, que envolviam tópicos como a terceirização de algumas ferramentas de buscas para o Google ou mesmo a aquisição da AOL.


Um dos maiores interessados no negócio entre Microsoft e Yahoo! é o megainvestidor Carl Icahn. Ele tem trabalhado em estratégias para tentar substituir a diretoria do Yahoo! e facilitar as negociações entre as duas companhias.


Para elevar seu poder dentro da companhia de internet, Icahn chegou a investir cerca de US$ 50 milhões em ações do Yahoo! somente neste mês. Dessa forma, busca aumentar sua influência na empresa e, como acionista de maior peso, substituir os membros da diretoria do Yahoo! em sua reunião anual, que vai ocorrer em julho.


Com agências internacionais’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Tamanho da torcida vai remunerar futebol na TV paga


‘Flamengo, Corinthians e São Paulo criaram um enorme impasse para a TV Globo. Unidos, os três clubes decidiram na semana passada assinarem o quanto antes contrato com a Globosat pelos direitos de TV paga (SporTV e pay-per-view) do Campeonato Brasileiro de 2009 a 2011. Simultaneamente, decidiram manter o veto ao contrato pelo mesmo torneio na TV aberta (Globo). Sem a assinatura dos times, a Globo não poderá exibir seus jogos.


Em outras palavras, os clubes que mais têm jogos exibidos na Globo ameaçam boicotar a TV aberta e privilegiar a TV paga.


Por trás disso está, principalmente, uma nova regra, criada pela própria TV Globo (dona da Globosat): a partir de 2009, os clubes serão remunerados pela TV paga conforme a participação de suas torcidas entre os assinantes de pay-per-view. Uma pesquisa será feita entre compradores de pacotes de pay-per-view para determinar o percentual de cada clube.


Como têm maiores torcidas, Flamengo, Corinthians e São Paulo acham que serão mais bem remunerados se seus jogos forem apenas exibidos pela TV paga. Se mantiverem as bases atuais, em que praticamente a metade de suas partidas são transmitidas pela TV aberta, esses clubes, em tese, serão prejudicados, pois seus torcedores não se sentem estimulados a comprar pay-per-view.


Na verdade, os três times querem apenas aumentar suas receitas com TV, e não boicotar a Globo. Atualmente, toda a arrecadação com direitos de TV é rateada pelo Clube dos 13 entre seus sócios. Flamengo e Corinthians, por exemplo, recebem cada um aproximadamente 7% do total. Como têm mais jogos transmitidos pela TV aberta, acham o critério injusto.


No fundo, os três clubes estão usando a TV Globo para aumentarem suas cotas dentro da entidade que os representa nas negociações. Os cartolas têm em mãos dois grandes trunfos: a separação das negociações de direitos de TV aberta e paga e as recomendações da Secretaria de Direito Econômico, principalmente a que proíbe o direito de preferência à Globo na renovação de contratos.


MUTAÇÃO SEXUAL A próxima fase de ‘Caminhos do Coração’ (Record) terá um ‘romance’ gay envolvendo um mutante. Fernandão (Theo Becker), o Homem-Cobra, terá um ‘affair’ com o homossexual Danilinho (Cláudio Heinrich). Inicialmente, o mutante quer apenas dar um golpe.


SALTO A Globo News teve crescimento de audiência de 25% em abril. Registrou média de 28.751 telespectadores por minuto. O canal admite efeito do caso Isabella, mas atribui o resultado, também, ao dossiê das despesas do governo FHC e à campanha eleitoral nos EUA.


ÁGUA COM AÇÚCAR A nova novela da Band, ‘Água na Boca’ passou quase em branco no Ibope. Estreou com 3 pontos e caiu para 2.’


 


Lúcia Valetim Rodrigues


‘Bones’ ganha beijo na 3ª temporada


‘‘Bones’ é um seriado estranho. Gira em torno de assassinatos e investigações para identificar os corpos, encontrados em estado de decomposição avançada ou destruição quase total. Mas o que os fãs aguardam ansiosamente, há duas temporadas, mais de 40 episódios depois, é um beijo.


Não um beijo qualquer, porque esses houve às pencas. Mas um que role entre o casal de protagonistas: ele, Seeley Booth (David Boreanaz), agente do FBI, e ela, a dra. Temperance Brennan (Emily Deschanel), especialista em ossos -daí o título da série e apelido dela.


A situação entre eles era quente na estréia do programa, em 2005. Arrefeceu logo em seguida, e cada um deles teve casos e relacionamentos mais sérios desde então.


No final da segunda temporada, o clima voltou a esquentar, após um rompimento muito esquisito entre a pesquisadora e seu quase-marido. Eles estavam de casamento marcado.


Mas ele queria viajar pelo mundo, e ela não quis desistir de sua carreira em Washington. Um conjunto de ossos de um desconhecido vale mais que um amor. Ainda mais se não for com o mocinho da série.


Para piorar, ela, que no início da segunda temporada teve a chefia perdida para alguém de fora, agora vai lidar com a saída de seu principal assistente. Ah, e o beijo ainda não rola na estréia.


BONES – 3ª TEMPORADA


Quando: estréia hoje, às 21h, na Fox’


 


CANNES
Pedro Butcher


‘De tudo o que fiz, só pediam o Indiana’


‘É bom para Cannes, é bom para Hollywood. Todo ano, ao menos um blockbuster da temporada de verão do cinema americano tem pré-estréia mundial no festival que movimenta o balneário francês.


Assim, Cannes garante doses de glamour e tensão, enquanto os estúdios ganham prestígio e economia de promoção -o festival reúne cerca de 4.000 jornalistas e é o segundo evento mais midiatizado do planeta depois dos Jogos Olímpicos.


Desta vez, porém, o grande evento não foi um mero filme-pipoca como ‘Treze Homens e um Novo Segredo’ (2007) ou ‘O Código Da Vinci’ (2006), e sim o quarto capítulo de ‘Indiana Jones’, o ‘Cidadão Kane’ das franquias, na definição do jovem ator Shia LaBeouf.


LaBeouf, as atrizes Cate Blanchett e Karen Allen e o astro Harrison Ford concederam entrevistas à Folha e a mais 11 jornalistas em evento organizado pela Paramount, no sábado, para promover em Cannes ‘Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal’. Só um dia depois foi exibido o filme, que tem estréia mundial nesta quinta. Há muito não se via uma multidão tão grande na frente do Palácio dos Festivais.


É notório o esforço dos grandes estúdios para gerar expectativa em torno dos blockbusters e evitar críticas antecipadas, mas o intervalo de 19 anos entre o último filme da série (‘Indiana Jones e a Última Cruzada’, de 1989) e a aventura tardia fez de ‘Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal’ um caso emblemático.


Neste período, Harrison Ford chegou aos 65 anos, Indiana Jones virou uma espécie de vovô dos blockbusters, a pirataria passou a apavorar Hollywood e a internet revolucionou a forma como as informações viajam. Estaria ‘IJ4’ chegando tarde demais?


‘Não deixamos o roteiro circular, nos esforçamos para manter entre nós. Desde o terceiro filme tenho sido cobrado para fazer um novo. De tudo o que fiz, só me pedem novas aventuras do E.T. e do Indiana. Ninguém pede continuações de ‘A.I.’, de ‘A Volta do Capitão Gancho’, diz Spielberg.


Fotos e crítica


‘IJ4’ foi alvo de vários incidentes. Durante a montagem, o escritório da produção foi invadido e 300 fotos de cena foram roubadas e oferecidas a um site (a Paramount conseguiu recuperá-las a tempo). Há poucos dias, uma crítica negativa, supostamente escrita por um projecionista que viu o filme numa sessão para exibidores, entrou no ar no site Ain’t It Cool News e desapareceu misteriosamente horas depois.


O ator Shia LaBeouf, 21, nascido cinco anos após a primeira aventura de Indiana Jones, diz entender os dois lados da moeda. ‘Spielberg quer manter a magia do cinema, que inclui o prazer da descoberta pelo público. Mas eu mesmo sou blogueiro, adoro ler o Ain’t It Cool News, então entendo a curiosidade em torno do filme.’


O jovem vive um personagem cuja história foi mantida sob sigilo, um motoqueiro à James Dean, parceiro de Indiana na busca pela caveira de cristal que nomeia o filme. No caminho, o herói reencontra Marion (Karen Allen, seu par romântico em ‘Os Caçadores da Arca Perdida’) e enfrenta uma vilã russa (Cate Blanchett).


Allen resume bem a permanência de Indiana Jones por todos esses anos. ‘Tive a sensação de que o tempo não passou. Indiana me seguiu como uma sombra, um sapato velho que a gente encontra perdido no armário e que ainda é deliciosamente confortável. Acho que o público sente isso também.’


Cate Blanchett diz que superar o deslumbramento foi difícil. ‘Quando você tem um Harrison Ford no set, não precisa de mais nada. Ele é um modelo de filmes de aventura.’’


 


Amir Labake


Spielberg e Lucas celebram seu passado


‘‘Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal’ é um agradável exercício de autonostalgia. Quando Steven Spielberg e George Lucas lançaram em 1981 o arqueólogo heróico interpretado por Harrison Ford, a Guerra Fria estava perto do fim, e o domínio na nova Hollywood de blockbusters para adolescentes, apenas no começo.


‘Caçadores da Arca Perdida’ recuperava o espírito escapista do cinema de aventuras dos anos 30 e 40. Vinte e sete anos se passaram desde o primeiro filme, e nada menos de 19 desde o episódio anterior, tido como fecho da trilogia, ‘Indiana Jones e a Última Cruzada’.


O novo filme chega às telas depois de ‘Matrix’, ‘Missão Impossível’ e outras aventuras em série turbinadas pela revolução dos efeitos digitais. À época, o ritmo de ‘Caçadores’ parecia frenético. Agora, o quarto Indiana parece quase em ‘slow motion’.


O enredo segue à risca o modelo dos anteriores. A Segunda Guerra vira o auge da Guerra Fria em 1957. Saem os nazistas, entram os soviéticos. Aposentam-se os vilões de suásticas para Cate Blanchett celebrar a Lotte Lenya de ‘007 contra Moscou’ com sua oficial ucraniana Irina Spalko. O motor da ação é a busca da tal caveira de cristal na Amazônia peruana. Como reencontro é o ‘motto’, a mocinha do primeiro filme, Marion (Karen Allen), volta, junto com Mutt Williams, o Indiana Jr. (Shia LaBeouf).


A autocelebração acentua-se quando Lucas, também argumentista, introduz de saída uma seqüência moldada em seu longa de estréia, ‘Loucuras de Verão’ (73). Também não demoramos a notar o espectro de ‘E. T. – O Extraterrestre’ (82) em todo o filme. De volta a Indiana Jones, Ford, Lucas e Spielberg retornam para casa. Talvez pela última vez.


Avaliação: bom’


 


‘Não dá para negar a idade’, diz Ford, sobre cenas de ação


‘‘É bom ver o trem saindo da estação’, diz Harrison Ford, visivelmente aliviado com a proximidade do lançamento de ‘Indiana Jones 4’.


Durante os 19 anos que separaram ‘Indiana Jones e a Última Cruzada’ da nova saga, Ford foi apontado como o maior responsável pelo atraso do filme. Ele teria relutado em levar adiante uma história com cara de ‘pulp fiction’ (ficção barata) e sido a principal voz contra os roteiros anteriores (escritos por, entre outros, M. Night Shyamalan e Frank Darabont). ‘Isso é tudo especulação. Minha preocupação, assim como a de Spielberg e George Lucas, foi só que o filme estivesse à altura dos outros três’.


Na entrevista coletiva, Spielberg corroborou a versão de Ford. ‘Quem mais hesitou fui eu. Estava numa fase ‘dark’, dirigindo dramas históricos importantes para que meus filhos vissem no futuro, e todos nos envolvemos em outros projetos. Mas, a partir do momento que chegou o roteiro de David Koepp, concordamos ter chegado a uma boa história, e logo me envolvi completamente.’


Dado o sinal verde para a produção, Harrison Ford começou a se preparar para as estripulias do personagem. ‘Corro, pulo, me atiro no chão, mas não faço as mais arriscadas. Essas ficam por contas dos dublês, coordenados por um gênio chamado Gary Powell’. Mesmo nas cenas físicas, no entanto, ele procurou se poupar. ‘Não dá para negar minha idade, precisava diminuir ao máximo o risco de acidentes. Em dois dos três filmes anteriores me machuquei um tanto seriamente, o que acabou atrasando as filmagens. Não queria repetir essa experiência’.


Em relação a sua relativa ausência das telas nos últimos anos, Harrison Ford diz ser fruto de cautela. ‘Eu espero até encontrar um projeto de que goste e que o público também ache interessante. Além disso, procuro projetos de profissionais com quem tenha interesse em trabalhar, mas nem sempre há um personagem adequado para mim’, conclui.’


 


Silvana Arantes


‘Linha de Passe’ é bem avaliado pela crítica


‘Depois de calorosa acolhida do público em sua estréia, no sábado, o filme brasileiro concorrente à Palma de Ouro ‘Linha de Passe’, de Walter Salles e Daniela Thomas, recebeu ontem elogios da crítica internacional no Festival de Cannes.


‘Sólido e envolvente’ foi como o crítico Jonathan Romney, da revista inglesa ‘Screen’, adjetivou o longa, por evocar ‘a dureza que é manter corpo e mente juntos na maior cidade brasileira [São Paulo]’ e oferecer ‘uma alternativa mais realista aos românticos e estilizadamente cintilantes filmes com os quais o cinema brasileiro vem sendo identificado’.


‘Linha de Passe’ segue o cotidiano de uma família de trabalhadores da periferia paulistana. ‘[Merece] Cumprimentos o conjunto de boas atuações que torna altamente singular cada membro da família’, assinala Debora Young, da ‘Hollywood Reporter’. A resenha da ‘Variety’, por Todd McCarthy, também se refere ao retrato que o ‘Linha de Passe’ faz dos jovens que buscam uma saída para a pobreza sem cair no crime como uma visão ‘alternativa’ adotada pelo filme, que ‘toca em temas sérios sem sublinhar sua autoimportância’.


Salles disse à Folha que ‘não houve intenção de ir contra uma tendência do cinema brasileiro, e sim de falar de uma parte da juventude que não era retratada’. Ele se refere aos jovens da periferia que não têm envolvimento com a criminalidade. ‘O mundo das estatísticas [de violência] é diferente do mundo da rua’, afirmou.


‘Linha de Passe’ foi filmado na Cidade Líder, em São Paulo. ‘Não há figurantes’, diz Thomas. Os personagens laterais -jovens aspirantes a uma carreira no futebol e evangélicos- reencenam situações comuns à sua biografia, como a participação nas ‘peneiras’ dos clubes para a seleção de jogadores ou em cultos religiosos. Para Salles, ‘há indícios de que o cinema voltou a ter relação direta com a realidade’ e de que os filmes da competição em Cannes refletem ‘o desejo dos cineastas de falar do seu tempo’.


Os dois longas exibidos ontem na disputa corroboram tal afirmação. O italiano ‘Gomorra’, de Matteo Garrone, adapta o best-seller ‘Camorra’, de Roberto Saviano, sobre as operações criminosas e o poderio econômico dessa organização mafiosa. Por conta das denúncias, Saviano foi ameaçado de morte e vive sob proteção. O autor foi a Cannes com esquema de segurança reforçado.


O filipino ‘Serbis’ (serviço, como programa sexual), de Brillante Mendoza, entrelaça tipos urbanos em Manila, a partir da história de uma família que vive num híbrido de casa e cinema pornô, onde casais gays têm encontros sexuais.’


 


LUTO
Luiz Francisco e Manuela Martinez


Zélia é homenageada antes de cremação


‘O corpo da escritora Zélia Gattai será cremado hoje, e as cinzas, entregues à família na próxima quarta, para serem depositadas no mesmo local onde foram colocados os restos mortais do escritor Jorge Amado (1912-2001), uma mangueira no quintal da casa onde os dois viveram por quase 40 anos, no Rio Vermelho, em Salvador.


Zélia Gattai, 91, morreu anteontem, às 16h30, no Hospital da Bahia, em Salvador, de parada cardiorrespiratória.


Ontem, durante o velório da escritora, o movimento foi pequeno pela manhã em uma das capelas do Cemitério Jardim da Saudade -apenas familiares permaneceram no local.


Por volta das 12h, o governador Jaques Wagner (PT), que decretou luto oficial de três dias, chegou ao velório. ‘Zélia Gattai, apesar de ter nascido em São Paulo, representava muito bem a mulher baiana, por tudo o que fez em vida para exaltar o nome da Bahia.’


Às 17h40, o corpo da escritora seguiu para a ‘cerimônia de despedida’, em outra capela. Após dois minutos de meditação, o caixão desceu para o crematório, sob aplausos. Inicialmente prevista para as 16h30, a cerimônia foi atrasada a pedido de familiares -os filhos Paloma Amado e João Jorge Amado esperavam João Ubaldo Ribeiro. Amigo da família, o escritor não apareceu no cemitério.


No começo da tarde, João Jorge disse ter a intenção de criar um memorial em homenagem aos pais na casa onde serão depositadas as cinzas da escritora. O imóvel está praticamente abandonado desde a morte de Jorge Amado -há infiltrações nos banheiros, as fiações estão expostas, os banheiros apresentam vazamentos e o cupim invadiu os poucos móveis que ainda estão no local.


Ao saber do projeto, o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), disse que vai criar uma comissão para estudar a obra. Jaques Wagner disse que, ‘se for a vontade da família’, o governo da Bahia pode tombar a casa onde os dois escritores moraram.


Antes de o corpo ser transferido para o crematório, Zélia Gattai foi homenageada por quatro integrantes da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, de Cachoeira (BA) -uma confraria religiosa afro-católica, formada por descendentes de escravos. Entoaram cantos, com terços e velas.


O escritor James Amado, irmão de Jorge Amado, disse que Zélia Gattai ‘não pegou carona nas obras do marido famoso’. ‘Ela começou a escrever tarde, mas deu o seu recado de forma brilhante.’ James Amado esteve no velório com sua mulher, Heloísa Ramos, filha do escritor Graciliano Ramos.


‘A última alegria profissional de minha mãe foi receber o título de doutora honoris causa pela UFBA [Universidade Federal da Bahia], que foi dado quando ela já não estava com boa saúde. Minha mãe tinha só o curso primário e ser reconhecida pelo povo baiano foi uma grande alegria’, disse Paloma.


O artista plástico Santi Scaldaferri, amigo do casal Zélia Gattai e Jorge Amado e autor de diversas esculturas presentes na Casa do Rio Vermelho, disse no velório que ‘é muito justo que as cinzas dela se juntem às de Jorge Amado, pois a casa tem a atmosfera deles. Jorge Amado era teimoso com todo mundo, exceto com Zélia. Ele sempre a ouvia’.’


 


INTERNET
Luana Villac


Mouse remoto


‘Controle remoto ou mouse? A opção é sua. Cada vez mais a TV está migrando para a internet e atraindo usuários à procura de conteúdo gratuito sem restrições de horário. Dentro desse esquema, o site www.joost.com, dos mesmos criadores do Skype e do Kazaa, é um dos mais acessados. Ele oferece, em tela cheia, mais de 400 canais e 20 mil programas de TV que você pode ver de graça.


O conteúdo fica sempre disponível por streaming, a transmissão direta da internet, com qualidade de DVD. Ou seja: você não precisa fazer downloads e sobrecarregar seu HD. A exigência é uma conexão boa.


A programação do site é ampla e inclui diversos gêneros, como desenhos e animação, filmes, documentários, esportes e música. Mas não se anime tanto: por trás de tanta variedade estão diversos canais que poderiam ganhar o Oscar do tédio, como o Australian Food TV e o Boats on TV.


Entre os canais mais populares há aqueles dedicados à música, como o Hip Hop Jukebox e o Pop Star’s Jukebox, e o Guiness World Records TV, que apresenta bizarrices como uma entrevista com a mulher detentora do maior número de piercings espalhados pelo corpo (462, se você ficou curioso).


Mas, com boa vontade, dá para garimpar programas interessantes no site. Amantes de videoclipes vão encontrar canais inteiros dedicados a artistas como Beck e Red Hot Chili Peppers, além de programas antigos da MTV dos EUA.


Os engajados, amantes da natureza e de esportes vão curtir a programação da Green TV e do Lonely Planet Channel. Quem prefere um estilo sexo, drogas e rock’n’roll, deve ficar de olho no Indieflix: Docs That Rock. Para os cinéfilos, a seleção de filmes inclui hollywoodianos populares, filmes alternativos, mudos a até as produções indianas de Bollywood.


O Brasil comparece com o Elo Cinema Latino, que traz filmes de todo o continente, e com dois canais dedicados à música brasileira. Vale a pena entrar no Brazilian Music Channel que, graças a uma parceria com a gravadora Trama, tem programas com bandas como Mombojó, Jumbo Elektro e Hurtmold, além do clássico Ensaio gravado com Tom Zé, Tim Maia, Elis Regina e outros.’


 


 


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