Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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O amigo da onça

Por Celso Fernandes em 11/08/2009 na edição 550

Depois de tão bem articulado verbete então criado pelo cartunista pernambucano Péricles de Andrade e publicado na revista O Cruzeiro, em 1943, colocando um dos seus interlocutores em situação embaraçosa (no caso, eram dois os caçadores na floresta, em ter que matar a onça, caso ela aparecesse), tal façanha só viria a ganhar terreno nos dias de hoje. Aliás, algo que nunca saiu de moda, e não é preciso ir muito longe, nem mesmo subir aos montes porque eles, os nossos abnegáveis e muy amigos representantes em cenários não muito distantes, eles, isto sim, (só não pisque dobrado ou sorria agora) se multiplicam à deriva. Seja dito!

Tapinhas nas costas serve mesmo como de massagista em começo de carreira. Instantâneos. Basta uma farrinha e você tem logo que engolir de forma collorida. Ops. E bem dentro do vozeirão do aceno de algum senador que não corre mais o risco de passar por impeachment. Ora bolas, como diria o velho Jânio pouco antes de cair na marvada cachaça: ‘Se já o fui, por que sê-lo novamente?’ A primeira desce macia, a segunda… bem mais macia ainda! Tanto é que alguns adeptos sequer lembram de como começaram.

Sigamos.

Daí o resultado daquela inofensiva bichinha pintada pela mãe-natureza e pertencente ao reino dos animais, que tinha seu relógio biológico pra matar a sede. Algum índio ia lá se meter a besta (como conta a história) de se aproximar da fera nesse sagrado momento? E de algum louco de se indignar em perguntar do cão que late e que não morde? Em certos casos é olho por olho, dente por dentadura, pois temos alguns treinados e obedientes que mordem – e muito! Como é o caso do outro reino daqueles seres desprovidos de cauda (algo que também pouco antes da ‘Lei do Bafômetro’) e que não tem nada a ver com o matemático Arquimedes, que vivia fazendo contas antes de ir bebericar com os amigos aquela famosa gelada no final do expediente, bom…

Agora, que está ficando tudo a limpo?

Pois, sim, nem é bom falar dos anéis de Saturno! Como já estão chegando a Marte, vai que alguma comitiva deputadíssima queira aventurar-se em carregar outros pesos e medidas em pleno espaço, só para garantir o bem-estar da sua árvore genealógica, bem como de seu clã, não duvido. Acalmem-se, afinal ninguém está livre de correr o risco em ter que adotar algum ‘deles’ no próximo calendário eleitoral.

Mesmo que anonimamente não escapamos do imprescindível e mágico momento do ‘Confirma’. Confirma, mas engole enquanto está quente, porque depois da bronca do ‘ponto ou banca, quem cobre o lance, paga a conta ou cobre a rodada’, tudo fica sempre na ponta do lápis, digo, do dedo. Confirmou? ‘Como é que não reconheci Sicrano, agora tão diferente na foto, tão amigo da, do, …?’ Vá lá. Não é só padeiro que queima a rosquinha, não. Essa é de doer e eu quero contribuir com a próxima verba indenizatória antes que iniciem um novo capítulo nesta longa história onde a diferença entre o mocinho e o vilão deixa sempre o telespectador na dúvida. Roer as unhas não resolve. Os brutos também amam e por ora, ora bolas, eu enxugo as minhas mãos. Que a picadura, idem, não é só a do mosquito. Ou por acaso já esquecemos daquela do Mário!

Vale a terapia do choque? Das fitas métricas que doravante vão passar a medir não só o tamanho do rombo, como das palavras mal empregadas na folha de pagamento? Será que algumas mudanças de atitudes precisam de uma enorme motivação para acontecerem? Do latim haja sacus, aonde é que vamos parar com tantos reajustes e eu já ando é pensando em participar de alguma telenovela nacional onde as enormes somas em ‘verdinhas’ é que se empilham aos montões. Os ricos – dos outrora brutos – também amam. Dos 15 anos do real ficamos é no imaginário. Cedo para desanimar? Justamente agora que está ficando tudo a limpo, uhuuu!, e em nome daquele avô – sim, do ‘linha direta’ com o Senado – pediu, chegou! (Favor não confundir com o Sedex.)

Um ou dois sapos a mais não dói

E quer outra? Bobeou, nosso lixo empilhado em gigantes contêineres volta da Inglaterra até de submarino e ninguém percebe. Ou não temos tecnologia de ponta para despejarem aqui o que quiserem? Se a bichinha bebe, digo, a pintada, eu também quero beber. Tragam a minha para a mesa. Mesmo que no sufoco, pau é pau, pedra é pedra e não tem São Benedito que duvide. O Tomé anda é de férias prolongadas. Na troca do óleo, bom, tenha dó na hora de bombear na dosagem certa.

‘O que, trabalhar de graça pr´aquela turma toda? Ora, pois, se já não trabalhamos, sem sequer interferir no assunto…’

Via de regra, e em dezenas de outros causos, vão-se os dedos – principalmente para quem adora fazer a conta dos nove – e ficam os anéis. E nada de querer piratear ou apostar no paralelo que algum dia vão mudar o cenário da mais pura ‘Torre de Babel’ que paira sobre tão farto ‘moneyduto’ em Absulândia Brazilian (now!). Contratar mais intérpretes e experts no assunto para que, hein? Como estamos todos rodeados – e bem entre amigos – na mais santa malvadeza do assunto – engolir um ou dois sapos a mais não vai doer tanto assim. Principalmente quanto na leveza do ser de um outro alguém que, ao coaxar e (as)saltar fora do brejo, jura que engole menos ainda.

Muy amigo!

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Jornalista e escritor

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