Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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IMPRENSA EM QUESTãO > OI NA TV

O bandido que acordou a mídia

Por Alberto Dines em 24/05/2006 na edição 382

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


A votação da urna eletrônica da semana passada não foi recorde, mas registrou um número muito expressivo de votantes: 2.382 no total. O assunto era a matéria de capa da revista Veja do fim de semana anterior. Daqui a pouco você saberá os resultados exatos, mas uma coisa ficou clara – o leitor brasileiro desenvolveu um olhar crítico e já não recebe passivamente tudo o que a imprensa leva até ele. A nossa sondagem não tem validade científica, mas reflete uma tendência inquestionável: nosso cidadão-leitor já não aceita passivamente tudo o que a mídia lhe oferece. Nosso leitorado aprendeu a julgar, principalmente aqueles que querem fazê-lo de tolo.


Marcola, o bandido, mudou tudo: os cadernos de cidade finalmente foram valorizados, os repórteres de rua foram reabilitados, as autoridades descobriram que não podem continuar dizendo uma coisa e fazendo outra. Marcola desarrumou as rotinas das redações, mostrou que jornais diários devem trabalhar com igual intensidade todos os dias da semana e que não adianta fingir que está tudo bem quando na realidade quase tudo anda muito mal.


Marcola mostrou que eleições não são os únicos instrumentos de mudança. A quatro meses do próximo pleito percebe-se que as mudanças devem ocorrer agora, imediatamente, antes que seja tarde.


Marcola mostrou que a violência não se concentra no Rio de Janeiro, é um fenômeno nacional que envolve não apenas os presídios e as favelas, mas também o Congresso. A corrupção não é um ilícito isolado e confinado ao caixa dois dos partidos. A corrupção deixa seqüelas em todas as esferas da sociedade. Marcola juntou-as.


Marcola mostrou que para entender Marcola é preciso ir um pouco além das frases feitas e posturas politicamente corretas. O bandido nos acordou para as conquistas democráticas que já havíamos esquecido. Marcola relembrou a repressão e a justiça sumária nos becos escuros.


O fenômeno Marcola tem apenas 9 dias de vida. Difícil interromper o seu curso.

Todos os comentários

  1. Comentou em 25/05/2006 lazaro cardoso

    Como esta dificil ser brasileiro. Deveria ficar orgulhoso da prisão do advogado do marcola, feita de maneira espetacular durante a acareação. Nada disso, fiquei sem saber se quem deveria ser preso e algemado não seria os que decretaram sua prisão. Afinal quem desacatou quem. Desacato é ao povo brasileiro que viu todos os bandidos do mensalão serem anistiados pelos companheiros, e ainda tiveram que aceitar a liberação dos integrantes da mafia dos sanguesugas da prisão. Tudo para midia, tudo para enganar o povo. Até quando?

  2. Comentou em 23/05/2006 Nelito Carvalho

    Admirado Dinnes
    Causa-me temor o fato de a imprensa se referir a Fernandinhos Beira Mar e Marcolas como ‘grandes traficantes’. Nós, jornalistas, e mesmo com cidadãos medianamente bem informados, sabemos que eles são apenas ‘empregados’ dos grande comandantes do crime organizado, que financiam políticos, que têm investidores poderosos e socialmente conhecidos, que não estão nas favelas nem periferias, e sim no Morumbi, na Vieira Souto, até em palácios, templos. O que está acontecendo?
    Torço que seja ignorância e não cumplicidade.
    Um abraço, Nelito.

  3. Comentou em 23/05/2006 margarino santos

    Meu caro Alberto Dines. Oh! como lhe admiro. Porém citar o nome do bandido Marcola, mais de 10 vezes em sua crônica inicial do programa de hoje me deixou perplexo e surpreso. Como, um jornalista tão tarimbado como você ,caiu nessa esparrela. Não fosse você, eu diria que isso é uma apologia ao crime, uma glamorização do bandido. E isso Dines é tudo o que eles querem .

  4. Comentou em 23/05/2006 Luiz Diogo Vasconcellos

    No domingo retrasado assisti ao reporter do SBT dar a noticia (ao vivo) sobre o acordo entre as autoridades e SP e o PCC: Um respeitaria o espaço do outro, de modo a não prejudicar-se o faturamento do PCC. Com isso cessaram as hostilidades. No decorrer da semana entretanto, essa noticia foi sendo maquiada. Primeiramente se declarou que não havia acordo algum Depois se veiculou a noticia de que o acordo fora em torno de pontos de pequena importancia, como o direito a visitas de advogados na prisão. Ora, é evidente que um movimento de tal magnitude não tinha por assuntos tão banais como esse, ou como o direito de passear ao sol na penitenciaria. É evidente que a primeira notícia, a notícia expontanea do Domingo foi sendo depois maquiada. Pergunto: É certa essa manipulação (que chamo de ‘maquiagem’) das noticias consideradas de alto impacto? É normal isso?

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