Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

IMPRENSA EM QUESTãO > MÍDIA SOBRE A MÍDIA

O debate inexistente

Por Alberto Dines em 03/08/2007 na edição 444

Não há como um dia depois do outro, especialmente na imprensa diária. Na quinta-feira (2/8), dia seguinte à constatação da Folha de S.Paulo apontando os pilotos como culpados, o jornal saiu mais prudente. A matéria principal, dessa vez assinada pela repórter Leila Suwwan, foi em outra direção: a hipótese de falha humana é colocada em dúvida, pode ter sido falha no equipamento.


Tanto a Folha como seus concorrentes passaram ao largo de uma manchete que havia ocupado grande parte das atenções no dia anterior. Ninguém refutou diretamente ou discutiu a precipitada acusação da quarta-feira, como se nada tivesse acontecido. A própria questão do vazamento de uma informação sigilosa sequer foi discutida.


O Estado de S.Paulo, no máximo, permitiu-se uma contestação indireta à Folha com uma matéria a respeito do acordo internacional que proíbe a veiculação de dados sobre acidentes aéreos antes de concluído o inquérito.


Pergunta-se: qual a razão deste pacto de silêncio? Cavalheirismo ou corporativsmo? O que impede um veículo jornalístico brasileiro de comentar o desempenho dos demais? Se a imprensa reclama do ‘aparelhamento’ do Estado, por que razão ela não é mais pluralista, mais diversificada e, em última análise, mais solta?


Essa não é uma questão secundária: o debate civilizado entre veículos de comunicação é um fator de equilíbrio, evita a perigosa unanimidade.


Jornais nasceram, cresceram e se tornaram indispensáveis ao longo dos últimos 400 anos porque sempre foram combativos, principalmente contra seus competidores.

Todos os comentários

  1. Comentou em 15/06/2008 maria carmen s. b.

    Na minha opinião, uma crítica serve para nos ajudar a entender melhor o objeto criticado, seja ele de que área for, e esta que acabo de ler, é de longe, a mais interessante que tenho lido ultimamente. Parabéns Gabriel, especialmente pelo último parágrafo.

  2. Comentou em 07/08/2007 Antonio Carvalho

    É interessante o cuidado com que a mídia trata o assunto ‘causas do acidente’, afinal mesmo com o que já foi divulgado sobre o conteúdo das caixas-pretas, somente ao final das investigações é que se saberá das verdadeiras causas.
    Contudo, caso não houvessem caixas-pretas seria tudo muito mais simples, pois os grandes meios de de comunicação (GLOBO, FOLHA, ESTADÃO etc), minutos após o acidente já sabiam as causas, inclusive com a análise (ao vivo) de vários especialistas: ‘a causa do acidente da TAM foram a falta de ranhuras da pista e, conseqüentemente, do Presidente Lula’.
    É lamentável uma imprensa sem credibilidade.

  3. Comentou em 06/08/2007 Humberto Guimaraes

    Maria Natalia Lebedev M.Moreira.
    Durante a ditadura,J.Dirceu e Franklin Martins eram líderes estudantis;eles e Gabeira participaram de grupos armados.F.Martins,Gabeira e outros seqüestraram um embaixador americano e conseguiram libertar vários prisioneiros,dentre eles Dirceu. Todos estiveram no exílio.Durante a ditadura,existiam diferenças de visão de como combater a ditadura:o PCB não aceitava pegar em armas.Outros grupos achavam que era o único modo e iniciaram um processo armado.Entre os que não aceitavam o recurso às armas estava Herzog,Ferreira Gular,Alberto Dines,Weis.Muitos militantes, das 2 visões,foram mortos, presos, talvez alguns dos observadores e dos comentaristas. Durante a ditadura,Lula foi preso.Tiveram que sair do país Gilberto Gil,Caetano Veloso, Chico Buarque, Serra, FHC; até Olavo de Carvalho era contra aquele regime (apesar de, hoje se arrepender e enaltecê-lo).Todos estavam contra a ditadura.Sabiam o que não queriam.Divergiam muito sobre o que queriam.Durante a ditadura, Delfim Netto foi ministro.Todos (ou quase) todos do PFL atual apoiaram e/ou participaram da ditadura. Atualmente PSOL,Gabeira se aliam (´estrategicamente´, diriam) com PFL nas CPIs.Atualmente, a barra é menos pesada (não há prisão, tortura),mas o buraco é mais embaixo.Trata-se de definir o que queremos- tentando especificar – e não de continuar reinventando o que não queremos.

  4. Comentou em 05/08/2007 ubirajara sousa

    Caro Cid Elias, apenas um pequeno reparo: o meu nome é ubirajara e não ubajara. Este último é de uma gruta, no Ceará, a qual já tive o prazer de visitar. Traduzindo o meu comentário, quis dizer à senhora Calypso que argumentar no achismo é fácil. Difícil é fazer como você o fez, apresentando fatos. Também, a expressão ‘de vento em popa’ significa que vai tudo bem, que é o que acho que acontece com os seus hotéis, pois pareceu-me ser você uma pessoa competente. Espero ter desmanchado qualquer mal-entendido. Um abraço.

  5. Comentou em 04/08/2007 Gustavo Morais

    O papagaio cibernético alienado ataca novamente. Esta criatura ridícula, programada com o mesmíssimo e enfadonho discurso anti-Lula e PT, é a mascote do movimento “Cansei”. Cansou ? Vá dormir.

  6. Comentou em 04/08/2007 Gustavo Morais

    O suspeitíssimo metalúrgico Piccinato parece acreditar na fábula da imprensa altruísta e bem intencionada. Acreditas que o que move a imprensa é a defesa dos desfavorecidos ? Tsc, tsc… A imprensa está “preocupadinha” com o povo. Acorda bela adormecida!!!!

  7. Comentou em 03/08/2007 Mairo Zancanaro

    Caro Marco…’Democracia não se faz com ódio, mas com sabedoria e profissionalismo.’… pois é… acho que serve para você mesmo esta afirmativa sua, pois ainda não li nada seu que não seja falar mal e com ódio do governo, lembre-se… DEMOCRACIA, NÃO SE FAZ COM ÓDIO, MAS COM SABEDORIA, E PROFISSIONALISMO, e isso você não demonstra em nem uma de suas intervenções….e quer queira você ou não a maioria eleitora brasileira escolheu ……..
    abraço.

  8. Comentou em 03/08/2007 Marcos Massena

    Acrescente-se ao primeiro comentário que, assim como no acidente da Gol, na colisão entre o Tupolev e o Boeing 757, não só os controladores tiveram culpa, como os pilotos também. No caso da Gol os pilotos americanos do Legacy tiveram grande parcela de culpa. No acidente do Tupolev, o piloto russo optou por seguir a orientação do controlador, para descer, e não seguiu a ordem do TCAS(alarme anti-colisão) que o mandava fazer o contrário, ou seja, subir.

  9. Comentou em 03/08/2007 Murilo de Paula Souza

    Seu Fabrício, esses jornalistas são a prova de que jornal não informa. No máximo, entretem. A IAE International Aero Engines AG, com a qual não tenho nenhum interêsse, tem entre seus acionistas quatro dos maiores e mais reputados fabricantes mundiais de turbinas, entre eles, Pratt & Whitney e Rolls Royce. A empresa é sediada nos EUA. Olhando o site da empresa não encontrei nem escritório nem fábrica em Israel. O avião que caiu, segundo pesquisa em sites independentes da TAM, voou pela primeira vez em fevereiro de 1998 e sim, passou por empresa no Vietnã e Peru antes de ser arrendado à TAM pela Pegasus. Seu Fabricio, deve ter muita lambança por parte das empresas de auto-aviação, mas a imprensa ao invés de procurar fatos, aproveita para iludir, mistificar e incitar ira estéril no afã de faturar audiência, pois daí vem o vil metal.

  10. Comentou em 03/08/2007 Ivan Moraes

    ‘reler as capas de todos os grandes jornais de SP e RJ dos dias subsequentes à tragédia de Congonhas, nem precisa reler as matérias internas, e veja a quantidade de erros, exageros, a busca desesperadas de achar o culpado, nos 3 primeiros dias o mais óbvio, seria o Governo, a revanche do terceiro turno eleitoral’: ESPIONAGEM PAGA.

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