Domingo, 15 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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O Estado de S. Paulo

22/01/2008 na edição 469

EUA 2008
O Estado de S. Paulo

Jornalista chama Romney de mentiroso

‘O republicano Mitt Romney discutiu com um jornalista da Associated Press, na quinta-feira, quando falava sobre lobistas em sua campanha. ‘Não tenho lobistas coordenando minha campanha’, disse Romney, que foi interrompido pelo repórter Glen Johnson. ‘Isso não é verdade’, disse Johnson. ‘Ron Kaufman é um lobista.’ Kaufman, presidente de uma empresa de comunicação, é figura sempre presente na campanha do republicano.’

 

TELECOMUNICAÇÕES
Arthur Barrionuevo e Cláudio Lucinda

BrT mais Oi e o interesse público

‘A compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi modificará profundamente o setor de telecomunicações no Brasil. O negócio necessita de mudanças em regras regulatórias (PGO), contará com recursos do BNDES e terá conseqüências concorrenciais significativas. Como tal operação afeta o interesse público? Este artigo comenta as justificativas utilizadas para a fusão e avalia os seus efeitos sobre os mercados afetados, quais sejam, voz e dados em telefonia fixa e oferta de banda larga.

Embora não exista declaração de motivos para justificar a fusão, dois são citados com freqüência: 1) a constituição de grande empresa nacional que competiria com a Telefônica e a Telmex; e 2) economias de escala oriundas da junção das suas operações (regiões 1 e 2, todo o Brasil menos o Estado de São Paulo).

São duas falácias, em nosso entendimento. Embora a Telefônica e a Telmex tenham, internacionalmente, um faturamento de pelo menos quatro vezes o tamanho da BrT e da Oi somados, a competição em telecomunicações não ocorre em um suposto ‘mercado mundial’, mas em cada mercado nacional.

No que se refere ao Brasil, a receita líquida, em 2006, dessas empresas (Telefônica, R$ 12.113 milhões; Embratel, R$ 940 milhões) não é significativamente diferente das supostamente fracas Oi (R$ 14.388 milhões) e BrT (R$ 8.418 milhões). Além disso, por deter a rede de telefonia fixa em todo o País, com exceção de São Paulo, BrT e Oi detêm um poder de mercado muito mais significativo.

E a suposta internacionalização pela empresa BrT mais Oi é mera hipótese que não tem nenhum resguardo nos fatos. Tanto BrT quanto Oi já têm tamanho para atuar em todo o País, mas nunca fizeram isso. Preferiram monopolizar seus mercados regionais respectivos em vez de competir, até mesmo nacionalmente.

A internacionalização da Telefônica e da Telmex foi impulsionada pela onda de privatizações ocorrida na América Latina a partir dos anos 90, quando as redes já estabelecidas (fixas e móveis) foram vendidas e ampliadas. Qualquer novo entrante, agora, teria de ofertar novas tecnologias ou serviços, inicialmente em escala muito menor, pois as posições já estão consolidadas. Portanto, ao alcance de BrT e Oi, separadamente.

O segundo motivo pelo qual as economias de escala poderiam reduzir o custo de operação é ainda mais frágil que o primeiro. Os custos no setor são determinados pelos investimentos em ativos fixos nas redes, e, como as duas empresas atuam em áreas totalmente distintas, os ganhos de escala se restringirão aos custos administrativos, com participação insignificante no custo total.

Para discutir os efeitos da fusão no mercado brasileiro, serão abordados três efeitos: 1) concorrência no setor; 2) expansão dos serviços, em particular da banda larga, essencial para a inclusão digital; e 3) institucionais sobre a regulação.

A fusão deve gerar uma empresa com enorme poder de mercado, enfraquecendo a competição no mercado nacional, seja no de voz, seja no de banda larga. Apesar de essas empresas não competirem diretamente entre si, até o momento, elas estão entre as mais capacitadas para fazê-lo ampliando sua atuação para todo o Brasil.

As operadoras fixas locais (BrT, Oi e Telefônica) são quase monopolistas em suas respectivas áreas no serviço de voz, pois todas têm mais de 90% dos assinantes. Igualmente, elas detêm posição dominante no provimento de banda larga – essencial para inclusão digital -, com 75% do total, ante 23% das operadoras de cabo. A velocidade da penetração da banda larga no Brasil só foi acelerada com a entrada das operadoras de cabo neste mercado, pois, mesmo com capilaridade geográfica muito menor, implementaram estratégias agressivas que obrigaram as telefônicas a seguir seu movimento.

Finalmente, a constituição de empresa com tal poder dificulta o processo regulatório pelo aumento de sua influência política e possibilidade de captura do regulador pela empresa. Nos EUA, com muito maior maturidade institucional, se reconhece que a possibilidade de captura era maior quando existia um monopolista privado no setor de telecomunicações.

Concluindo, fica a pergunta de por que o setor de melhores resultados pós-privatização terá um dos pilares do modelo vencedor, a competição, enfraquecido em prejuízo de consumidores e potenciais usuários de banda larga, por motivos tão pouco robustos e que não são os de interesse do País no longo prazo?

*Arthur Barrionuevo e Cláudio Lucinda, professores de economia da FGV-São Paulo, são especialistas em concorrência e regulação’

 

Nilson Brandão Junior

Teia societária confusa atrasa acordo entre Oi e BrT

‘O anúncio do acordo para a compra do controle da Brasil Telecom (BrT) pela Oi (antiga Telemar) deve ficar para o fim deste mês. A informação é de duas fontes que acompanham a reta final das negociações. A intrincada teia societária das duas empresas de telefonia, que vem desde o período da privatização do setor, em 1998, está dificultando os acertos das participações de cada grupo no negócio, além das negociações para garantir a governança corporativa dentro do bloco de controle da nova empresa.

Na prática, o negócio se dará em duas etapas. Os sócios Andrade Gutierrez, do empresário Sérgio Andrade, e La Fonte, de Carlos Jereissati, vão consolidar o controle da empresa TmarPart, controladora da Oi. Eles terão 21% cada um da nova empresa e terão maioria, somando a fatia de 10% da Fundação Atlântica, dos empregados da Telemar. O restante da empresa ficará com o BNDES (15%) e os fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica Federal), com, respectivamente, 14%, 10% e 10%.

Em paralelo, a Oi vai adquirir o controle da BrT, representado pela Solpart, que tem o Citigroup, o Opportunity e os fundos de pensão no capital. A versão inicial do projeto prevê que a BrT será, pelo menos durante um período inicial, uma empresa controlada da Oi. Assim, o controle da TmarPart sobre a BrT será indireto. Espera-se que as duas operadoras venham a se fundir, para alcançar ganhos de escala e redução de custos.

CASCATA

Para sair do papel, as duas operações precisam reordenar e eliminar uma série de empresas formadas em cascata dentro de cada cadeia societária das duas telefônicas. ‘É uma espécie de descruzamento acionário enorme, muito maior do que o realizado entre a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Vale (em 2001)’, afirmou uma das fontes.

Um outro executivo explica que existe um passado de disputas societárias dentro das companhias, principalmente na BrT, que está elevando o grau de exigência e detalhamento dos novos acionistas do grupo na formulação de um acordo dentro do bloco de controle. Alguns temas de discussão, nesse caso, são a formação de quóruns qualificados para determinadas decisões, até mesmo as ligadas ao dia-a-dia do negócio, como a formulação de orçamentos anuais.

A operação de compra da BrT sairá por R$ 4,85 bilhões para o controle da empresa. Outros R$ 3,7 bilhões restantes estão previstos para serem usados no pagamento de direitos e ações aos minoritários. A operadora Oi tem caixa da ordem de R$ 6,5 bilhões, deverá levantar empréstimos para o negócio e existe a previsão de lançamento de debêntures no futuro para pagar o financiamento. Já a consolidação do controle da TmarPart nas mãos da Andrade Gutierrez e La Fonte deverá exigir R$ 2,5 bilhões, 60% dos quais financiados pelo BNDES.’

 

NA GLOBO
Marcelo Rubens Paiva

O dilema do Projac

‘Ao visitar o Projac, cercado por montanhas e pedras, em cujas vias circulam carts (carrinhos de golfe elétricos), conheci parte da cidade cenográfica, principal atração do centro de produção – uma fábrica de ficção encravada numa bem cuidada mata com riachos e plantas nativas, onde são produzidos programas de ficção, auditório, Big Brothers, quatro novelas (contando Malhação) e flores cenotécnicas.

A primeira parada foi na viela de A Grande Família: a casa de Nenê e Lineu, a pastelaria do Beiçola, o salão de beleza, o ginásio do Paivense, que, curiosamente, tem acesso para cadeirantes. Pude entrar na casa dos protagonistas. Percebe-se a preocupação dos cenógrafos com a veracidade: azulejos calculadamente sujos ou quebrados, fiação gasta, calçadas remendadas, cores desbotadas, cartazes, postes e pichações, como em nossas vielas. Evoluiu a direção de arte da tevê brasileira. O cenário da favela Portelinha é tão perfeito, que se vêem os fundos dos barracos, com esgoto a céu aberto de mentirinha. Não se brinca em serviço.

Cada novela está locada num estúdio próprio. A das 8, no primeiro, em cuja fachada há um outdoor indicando o que está em produção. A das 7, no segundo. O cartaz é com fotos da abertura da novela. No cenário do sebo de Sete Pecados, há livros comprados em sebos. Ótimos livros. Dá vontade de passar um tempo ali, lendo.

No switcher, sala com monitores de onde se controlam as câmeras e selecionam as imagens, vi o diretor Jorginho Fernando (Sete Pecados) diante dos novos monitores de alta definição operar a mesa de corte, correr com as mãos como um pianista, apertar botões e alavancas, sem desgrudar os olhos das telas, comunicando-se com os câmeras.

Eu não sabia que o diretor de novela é quem opera a mesa. Imaginava que, como no teatro, o diretor estivesse à beira do palco (cenário), no pé do ouvido dos atores.

Lembrei-me do switcher da minha faculdade de rádio e tevê (USP), com apenas duas câmeras P&B e quatro efeitos. Observando Jorginho, descobri que a tecnologia é detalhe, pois o procedimento – fazer um texto ser representado, afinar luz, cenário e figurino, dar a entonação certa aos atores, indicar o posicionamento e movimento da câmera, assim como o foco – é o mesmo. E o que é dito é o que faz a diferença.

A tevê de alta definição é bem-vinda, mas que revolução trará, se o conteúdo continuar o mesmo?

Normalmente, as gravações terminam às 21 h. Jorginho é dos que terminam antes. Depois de concluir a última cena e fechar a lojinha, ele contou que existem diretores que dirigem do estúdio e outros que dirigem da mesa. ‘Eu gosto de sentir a cena nos dedos’, fez mímica com as mãos e explodiu na sua gargalhada notória. Me perguntou o porquê da visita: ‘Vai entrar no ramo?’ Fiz aquela cara que sempre faço, quando me perguntam por que não escrevo novelas para tevê. É como perguntar a um piloto de helicóptero por que não pilota um Jumbo.

O salário é astronômico (R$ 200 mil para mais). O trabalho é pesado (40 laudas por dia, durante oito meses). A pressão sanguínea dos autores aumenta na mesma proporção que o seu patrimônio.

Benedito Ruy Barbosa concluiu Terra Nostra deitado no chão da sua casa em Sorocaba, pois suas costas doíam. Fui aluno de um Carlos Lombardi ‘psicado’, que fumava e falava sem parar. Foi parar duas vezes no hospital durante Pé na Jaca. Costumo encontrar Manoel Carlos na Livraria Argumento, no Rio. Lembra um correspondente de guerra chegado do front. Encontrei Alcides Nogueira na fila de um banco na Pamplona, quando ele escrevia a sua primeira novela. Contou que ir ao banco era o seu passeio semanal.

‘Não sei fazer, e acho que a linguagem de novela não gosta de novidades’, respondi. Jorginho contou que, numa conversa, Boni se queixou da falta de novidades na tevê. Mas com a concorrência cada vez mais acirrada, e o volume de capital envolvido, não há muito espaço para riscos. Pontos a menos no Ibope, milhões de faturamento a menos.

Lembramos de Bang Bang, novela incomum de Mario Prata, que foi boicotada dentro da emissora, como Filhas da Mãe (dirigida pelo próprio Jorginho). É o dilema do Projac: como renovar sem perder a audiência, enquanto os concorrentes crescem? É valido escrever um teledrama sob o comando de pesquisas internas e escravizado pela audiência?

Onde estariam a liberdade e anarquia do autor onipotente, tão necessárias para a renovação?

Escrevi já quadros de humor para Pedro Cardoso no Zorra Total e Fantástico (supervisão de Guel Arraes), escrevi para João Falcão episódios do seriado Sexo Frágil. Quando os quadros iam pro ar, eu reconhecia poucas coisas do meu texto. Pedro Cardoso os melhorava. Mas os outros… Não domino os truques da fábrica que seduz brasileiro há décadas.

Deve-se ter o maior respeito por todos os teledramaturgos. A luta e a disposição, a capacidade de inventar, bolar conflitos, personagens e especialmente de se comunicar com a grande massa são invejáveis. No País sem hábito de leitura, são eles quem mobilizam as grandes questões e levam o debate para dentro dos lares. Também nos é permitido invejar as suas contas bancárias. Mas não é preferível ir ao banco por necessidade apenas?

Na saída, dei uma última olhada para a sorridente estátua do dr. Roberto Marinho. Que figura complexa e controvérsia o senhor foi. Não se entendia por que, durante a abertura política, teimava em apoiar um regime militar que ruía. Para que se aliar a um projeto autoritário falido e em rompimento, em detrimento do prestígio jornalístico da sua emissora? Como protegia e empregava tantos comunistas e demorava tanto para se unir à sociedade civil na luta pela redemocratização? Por que constranger os seus repórteres, como no Jornal Nacional de 25 de janeiro, enquanto ocorria na Praça da Sé o primeiro grande comício das Diretas, obrigando o apresentador a anunciar ‘a cidade de São Paulo festeja os 430 anos de fundação’? Para que cercear a voz dos próprios repórteres que, num período, eram intimidados nas ruas e tinham de esconder o logo da empresa? Precisava? Como um grande empreendedor pôde ter sido tão contraditório politicamente?’

 

Shaonny Takaiama

Globo escanteia novela na Natpe

‘De 29 a 31 de janeiro, a Globo participará da primeira feira internacional do ano, o Natpe, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Desta vez, a emissora dos Marinho pretende surpreender o mercado internacional, pois apenas quatro das 12 produções a serem lançadas na feira são novelas, o tradicional carro-chefe da Globo lá fora.

‘Os clientes terão a oportunidade de comprovar em nossos outros produtos a mesma qualidade que já reconhece em nossas novelas. Vamos levar toda a nossa excelência de produção para o mercado’, diz Raphael Correa Neto, diretor de Vendas Internacionais da Globo.

A minissérie Amazônia é mais uma vez uma grande aposta. Lançada no MIP, a principal feira da Europa, a produção foi vendida para vários países em apenas três meses. Para a Globo, Amazônia conquistou o mercado internacional por dois motivos: tem Giovana Antonelli no elenco e é assinada por Glória Perez. As duas são muito conhecidas lá fora por causa da novela O Clone.

A Globo também desenvolveu uma série de documentários sobre a fauna e a flora do Brasil, especialmente para o mercado internacional. O Globo DOC tem dois episódios sobre a Amazônia e outros sobre a Mata Atlântica, Pantanal, Fernando de Noronha e o relevo brasileiro.

Entre as séries, a Globo pretende emplacar Antônia, com dez capítulos, e Carga Pesada. Já entre os seriados de comédia a emissora irá apresentar A Grande Família, Os Normais, A Diarista e Sob Nova Direção.

E em relação às novelas, o mercado norte-americano vai conhecer Paraíso Tropical, Páginas da Vida (com a indicação de Lília Cabral para o Emmy 2007), Sinhá Moça (indicação para o Emmy 2006) e Sete Pecados.’

 

 

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O Estado de S. Paulo – 1

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