Sábado, 22 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
Menu

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 28 E 29/2

O Estado de S. Paulo

01/07/2008 na edição 492

MORDAÇA
Felipe Grandin

Cremesp entrou com ação antes de entrevista

‘O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) entrou na Justiça para impedir a publicação de reportagem pelo Jornal da Tarde antes mesmo de ser ouvido. O pedido foi protocolado na terça-feira, às 11h20, mas a reportagem do JT só conversou com o presidente da autarquia, Henrique Carlos Gonçalves, às 14h. A entrevista estava agendada desde o dia anterior.

Um dos motivos alegados na ação proposta pela entidade para impedir a publicação da matéria foi exatamente ‘a obrigação do jornalista entrar em contato com a fonte dos fatos para verificar se é verídica ou não as informações antes de transmiti-las (sic)’. A entrevista estava marcada para três horas depois, em horário e local definidos pelo próprio conselho.

O pedido de tutela antecipada, que na prática impediria os jornais do Grupo Estado de publicar a reportagem que abordava denúncias de irregularidades naquele conselho – foi baseado num e-mail enviado pelo repórter na segunda-feira, em que eram pedidas explicações ao Cremesp sobre investigações feitas pelo TCU. O conselho usa como fundamento as perguntas feitas na mensagem, por ele definidas como ‘indagações nitidamente abusivas’. E afirma: ‘Nota-se que, pelo teor das perguntas, o ilustre jornalista já julgou este E. Conselho, dando-lhe um ‘prazo’ para resposta que, conforme se verifica do teor usados nos questionamentos, de absolutamente nada adiantarão’. Em nenhum momento, no entanto, o Cremesp entrou em contato com a reportagem para pedir mais tempo. Apenas marcou uma entrevista para o dia seguinte.

O documento enviado pelo Cremesp ao Judiciário, assinado pelos advogados Osvaldo Pires Simonelli e Olga Codorniz Campelo, afirma que os questionamentos ‘não deixam dúvidas de que pretende, tão-somente, denegrir a imagem do autor e de seus presidentes’ e concluem que ‘de fato, a matéria já está fechada’. Àquela altura, a reportagem não havia sido redigida e muito menos submetida à avaliação dos editores.

Por fim, pediam a condenação do réu ‘na obrigação de não-fazer, abstendo-se de publicar matérias jornalísticas que discorram acerca de irregularidades no âmbito do conselho (sic)’ e que fosse fixada multa diária para o caso de descumprimento da decisão ‘sem a justificação prévia’. Ou seja, que o jornalista tivesse que se explicar ao juiz antes de publicar a matéria.

O pedido foi acolhido no mesmo dia pelo juiz substituto Ricardo Geraldo Rezende Silveira. O magistrado atua na 5ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, mas naquele dia estava responsável pelos casos da 10ª Vara, visto que o titular estava de férias.

Em sua decisão, o magistrado intimou o Grupo Estado a prestar esclarecimentos em 72 horas e suspendeu a publicação da reportagem – que ainda não tinha sido feita – até que a Justiça se manifestasse.’

 

 

***

Direção do conselho pede extinção da ação

‘Na noite de quinta-feira, o presidente do Cremesp, Henrique Carlos Gonçalves, esteve espontaneamente na sede do Grupo Estado para tentar se explicar. Na ocasião, Gonçalves anunciou que havia recuado e entrado com pedido de extinção da ação na 10ª Vara de Justiça Federal de São Paulo. A petição foi protocolada na quinta-feira e entrou no processo ontem – mas até as 19h, quando o cartório encerrou os trabalhos, o juiz titular da 10ª Vara, Danilo Almasi Vieira dos Santos, não havia tomado uma decisão. O Grupo Estado, portanto, continua sob censura.

Durante a reunião no Grupo Estado, Gonçalves afirmou que o Cremesp havia protocolado a ação depois da entrevista com o repórter. Questionado ontem, o Cremesp afirmou que às 11h22 foi feito um protocolo de distribuição de pedido de liminar, que podia ser ou não levado adiante. E que isso aconteceu às 16h30, após a entrevista. A liminar foi concedida às 16h38.’

 

 

Fausto Macedo

Corregedor critica mídia e diz que juiz não é censor

‘O ministro Ari Pargendler, corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou ontem que ‘a imprensa agiu mal’ ao criticar juiz de primeiro grau de São Paulo que condenou veículos de comunicação ao pagamento de multa por terem entrevistado candidatos a prefeito da capital, ainda na fase pré-eleitoral. ‘Se o juiz errou, a imprensa, que não é imprensa, mas são empresas jornalísticas, que além da sua nobre missão de informar também têm interesses comerciais, pois essas empresas jornalísticas, o que têm que fazer, a meu juízo, é se submeterem ao processo judicial e recorrerem da sentença.’

Na XX Reunião do Colégio de Corregedores da Justiça Eleitoral, em São Paulo, Pargendler defendeu enfaticamente Francisco Shintate, o juiz eleitoral que condenou a Folha de S. Paulo e a Editora Abril pelas entrevistas com Marta Suplicy (PT) e Gilberto Kassab (DEM), rivais na disputa pela prefeitura. O corregedor afirmou que juiz não é censor. ‘A diferença entre o censor e o juiz está no fato de que o censor tem juízo discricionário, ou arbitrário, ele julga de acordo com a cabeça dele, ele diz isso pode, isso não pode. O juiz não faz isso, o juiz observa normas. O juiz aplica leis. Ele pode aplicar certo ou errado, isso não é uma censura. O juiz aplicou mal a lei? O recurso vai corrigir essa situação. Acontece para mim e tem que acontecer também para o dono de jornal.’

‘O interesse não era da imprensa em geral, era das empresas punidas’, insistiu. ‘Isso diz exatamente com valores muito preservados pela Constituição, mas acho que a imprensa errou quando atacou o juiz, taxando-o de censor. O juiz não é um censor. Quem quer que viva num Estado de Direito deve se submeter às leis. O papel que realmente cabia à imprensa era por meio de editorais. Manifestar opinião de modo respeitoso e, através de recursos, tentar a reforma da sentença. Mas não estou censurando a imprensa.’

Ele afirmou: ‘Os jornais deveriam se submeter àquilo que nós, os comuns, os mortais, nos submetemos, ao processo judicial, que tem todas as garantias.’ Ao comentar a decisão do TSE, que alterou a resolução sobre eleições, disse: ‘Tivemos um julgamento pela imprensa.’ E admitiu que juiz também erra: ‘No primeiro grau de jurisdição, no segundo grau e mesmo na instância especial.’’

 

 

Roberta Pennafort

‘Jornalismo ficou refém da área administrativa’

‘Nove dias depois de pedir demissão do cargo de diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Orlando Senna diz acreditar que sua saída já esteja gerando resultados positivos. Um de seus idealizadores da EBC, Senna saiu queixando-se do engessamento de sua estrutura.’Minha intenção não era prejudicar. Imagina, estou nisso há seis anos. Seria um contra-senso absoluto’, afirma o cineasta, nesta entrevista ao Estado.

O que o sr. quer dizer quando fala do engessamento da EBC?

Estou falando de dificuldades de operação, de problemas inerentes à natureza da EBC, que é uma empresa pública dependente. A EBC começou como não-dependente, mas logo foi mudada a figura jurídica. No dia-a-dia, nos demos conta de que o formato não é adequado a essa atividade, que é dinâmica. Essa inadequação empresarial gera problemas na forma de gestão.

Qual foi a gota d?água?

Os motivos que me impeliram a tomar essa atitude foram dois: um é que a direção-geral tem muito pouco poder de decisão. Uma função que deve cuidar da prática, do chão de fábrica da EBC, não tinha mobilidade para isso. Não estou culpando ninguém. Não é a Tereza (Cruvinel, diretora-presidente). Se não fosse ela, seria outra pessoa. A outra razão foi também chamar a atenção, tentar causar um pequeno choque elétrico, não só na empresa, mas no setor.

Como foram os primeiros meses da TV pública?

O que aconteceu é algo que não pode acontecer numa empresa de televisão: as áreas de programação, conteúdo e jornalismo ficaram reféns da área administrativa e financeira. Os diretores setoriais e gerentes não têm autonomia para cumprir suas missões. Os estatutos têm de ser mudados, porque concentram um porcentual inimaginável de poder decisório apenas na presidência.

Pode dar um exemplo prático?

Em sete meses de funcionamento, nós conseguimos a duras penas três programas jornalísticos novos. Isso é muito pouco. Tínhamos de cumprir um plano de pelos menos dois programas novos por mês ou a cada dois meses. Em sete meses, não conseguimos fazer nenhum piloto de programa.’

 

 

JUSTIÇA NOS EUA
O Estado de S. Paulo

Justiça faz acordo com cientista do caso antraz

‘O Departamento de Justiça dos EUA aceitou pagar US$ 5,8 milhões para encerrar um processo aberto pelo ex-cientista do Exército Steven Hatfill, que foi citado como ‘uma pessoa de interesse’nos ataques com antraz em 2001. Hatfill diz que o Departamento de Justiça violou seu direito de privacidade ao dizer seu nome à imprensa. O caso não foi solucionado.’

 

 

INTERNET
Renato Cruz

Brasil já tem 41 milhões de usuários de internet

‘Pela primeira vez, o número de usuários de internet no País ultrapassou a barreira dos 40 milhões. Segundo estudo do Ibope NetRatings, havia 41,565 milhões de internautas no fim do primeiro trimestre deste ano. O total corresponde a maiores de 16 anos que acessam a rede em qualquer ambiente, o que inclui a residência, escola, trabalho, lan houses e outros. Trata-se do maior número desde setembro de 2000, quando a empresa iniciou as medições no País.

‘O grande novo entrante é a classe C’, afirmou Alexandre Magalhães, gerente de análise do Ibope NetRatings. A redução de impostos, a ampliação do financiamento e a queda do dólar têm permitido o acesso de consumidores de renda mais baixa ao computador. No ano passado, foram vendidos 10,5 milhões de computadores no País. Pela primeira vez, as pessoas compraram mais computadores do que televisores.

‘As pessoas compram computadores porque acreditam que isso vai melhorar a vida dos filhos’, disse Magalhães. O Ibope NetRatings apontou que, em maio, 35,5 milhões de brasileiros tinham acesso em casa. Desse total, 23,1 milhões eram internautas ativos. Ou seja, acessaram a rede pelo menos uma vez no mês. O número de internautas ativos cresceu 29% em relação ao mesmo mês de 2007.

TEMPO DE NAVEGAÇÃO

O tempo médio que o internauta brasileiro passa na internet aumentou uma hora e um minuto em relação a abril, chegando a 23 horas e 48 minutos por mês. Os brasileiros continuam sendo a população que passa mais tempo na internet entre os dez países onde é feita a pesquisa da NetRatings. O Japão está em segundo lugar da lista, com 21 horas e 34 minutos, seguido da França (20 horas e 23 minutos) e dos Estados Unidos (19 horas e 46 minutos).

Do total de usuários ativos, 81,5% têm acesso de banda larga. ‘A classe C já está indo direto para a banda larga’, explicou o gerente do Ibope NetRatings. Em medições anteriores, era mais comum que o internauta com renda mais baixa começasse a usar a internet discada e, com o tempo, contratasse o acesso rápido. ‘A banda larga faz muito mais sentido, até do ponto de vista financeiro.’ O total de internautas no Brasil aumentou 4,2% no trimestre e 25,4% em um ano. No primeiro trimestre de 2007, havia 33,1 milhões de usuários da rede mundial no País.

No primeiro trimestre deste ano, havia cerca de 65 milhões de pessoas no País com mais de 16 anos e telefone fixo residencial, grupo alvo da pesquisa. Do total, 64% acessavam a rede mundial, 47,4% tinham acesso em casa, 41,2% em outros locais (como lan houses e escolas) e 22,5% no trabalho. Os porcentuais somam mais de 100% porque uma pessoa pode acessar a rede de mais de uma maneira. ‘Em nove dos dez países que acompanhamos, o acesso em lugares públicos está quase empatado com o residencial’, disse Magalhães.

SITES

O Ibope NetRatings mede a audiência de grupos de sites divididos em categorias. Por causa do Dia das Mães, a categoria Ocasiões Especiais, que inclui cartões virtuais, foi a que mais cresceu, com um avanço de 6,4%, atingindo 3,6 milhões de usuários.

Em segundo lugar, ficaram as categorias de Entretenimento e Comércio Eletrônico, com aumento de 4,7%. Os sites de entretenimento tiveram 19 milhões de visitantes únicos e, os de comércio eletrônico, 13,1 milhões.

O grupo mais visitado foi o de Telecomunicações e Serviços de Internet, com 21,3 milhões de visitantes e crescimento de 3,8%. A categoria de Finanças, Seguros e Investimentos teve um avanço de 3,7%, recebendo 9,2 milhões de visitantes únicos.

No primeiro trimestre de 2004, o Brasil tinha 33,6 milhões de internautas, segundo o Ibope NetRatings. A internet comercial foi lançada no Brasil em 1995.’

 

 

DESPEDIDA
Reuters

‘Pensarei na Microsoft todos os dias’, diz Gates

‘Chorando, Bill Gates deu ontem adeus à Microsoft, a fabricante de software que ele criou e tornou a companhia de tecnologia de maior valor do mundo. Ele deixou a Microsoft, que fundou com o amigo de infância Paul Allen, em 1975, para dedicar-se à organização filantrópica Bill & Melinda Gates Foundation, a maior instituição de caridade do mundo, financiada em parte por sua imensa fortuna.

Em um evento para os funcionários, Gates subiu ao pódio e, ao lado do presidente-executivo, Steve Ballmer, fez um breve discurso e respondeu às perguntas dos empregados. ‘Não haverá um único dia da minha vida em que não pensarei na Microsoft, nas grandes coisas que estamos fazendo e para as quais quero contribuir’, disse Gates enxugando as lágrimas, enquanto os funcionários o ovacionavam de pé.

Ballmer, seu colega em Harvard, que ingressou na Microsoft a convite de Gates, ficou sem palavras ao tentar descrever a enorme influência de Gates na companhia e na sociedade como um todo. ‘Não há palavras para agradecer a Bill. Ele é o fundador. É o líder.’’

 

 

FLIP
Ubiratan Brasil

Laços entre tela e papel

‘A sexta edição da Festa Literária Internacional de Paraty, que começa na quarta-feira, propõe o diálogo da palavra escrita com o cinema, a psicanálise, a música, o futebol e os quadrinhos. É o que justifica, portanto, a presença de nomes como o da cineasta argentina Lucrecia Martel e do jornalista americano Richard Price – enquanto ela exibe uma criatividade narrativa, alternando tempo e espaço em seus filmes, Price ostenta a condição de ser um dos grandes nomes do jornalismo americano, cuja forma de trabalho quebra moldes e dialoga com a moderna prosa de seu país.

Lucrecia propõe, em seus filmes, uma relação muito estreita com o espectador. Em seu primeiro longa, O Pântano, tudo parece fora de lugar: a instável proprietária de uma casa onde se reúne um grupo de adultos de meia-idade, por exemplo, bebe em tempo integral ao mesmo tempo em que destila seu racismo contra as índias que servem de domésticas. Seu marido, por outro lado, vive à parte, apático, só interessado em encontrar tempo para pintar o cabelo que está grisalho. ‘Quando escrevo, gosto de respeitar todos os personagens, mesmo os que têm uma pequena participação na história’, disse ela ao Estado, em entrevista realizada por telefone, de Buenos Aires.

No filme seguinte, A Menina Santa, Lucrécia confirmou a suspeita da crítica de que o mundo não lhe parece fácil. Trata-se da história da menina que sofre abuso por parte de um médico que participa de um congresso no hotel que a mãe da adolescente dirige. Ele percebe o horror e pára. A garota quer continuar e a mãe dela também quer ir para a cama com o médico casado.

Já seu terceiro filme, La Mujer Sin Cabeza, ainda inédito no Brasil, terá uma exibição especial durante a Flip. Aqui, novamente os personagens adquire uma função essencial, pois a cineasta desafia o princípio de que o envolvimento do espectador com um filme está relacionado à sua capacidade de identificar-se com o protagonista da história. Recebeu algumas vaias no Festival de Cannes e terá um novo teste em Paraty.

Richard Price desenvolve uma carreira paralela com o cinema: escreveu roteiros para o filme O Preço da Coragem e a série televisiva A Escuta, além de trabalhar com Martin Scorsese em A Cor do Dinheiro. ‘Sou bom em diálogos, mas o enredo dá mais trabalho’, disse ele ao Estado.’

 

 

GLOBO vs RECORD
Keila Jimenez

Funcionários vigiados

‘Responsável geral pela área de produção da Globo na nova gestão do Artístico da emissora, o diretor Eduardo Figueira teria sido o responsável pela descoberta de um espião dentro da rede. A Globo demitiu anteontem um funcionário acusado de passar informações estratégicas da casa, via e-mail corporativo, para a Record.

Entre as informações vazadas para a concorrência estão listas de fornecedores das cidades cenográficas e da fábrica de cenários da Globo, área comandada por Figueira. O ‘espião’ foi monitorado por cerca de três meses antes do flagrante.

Além de um processo por concorrência desleal que a Globo pretende abrir contra a Record, a tal espionagem teria gerado uma série de ações internas na emissora. Alguns diretores de menor escalão teriam perdido acesso ao monitoramento de ibope em tempo real, e novas senhas de acesso as informações do departamento Comercial, Artístico e de Produção foram implantadas. O número de pessoas com acesso a elas foi reduzido.

A Globo também começou a enviar ontem mensagens para os funcionários via computador, avisando que eles estão sendo monitorados.’

 

 

 

******************

Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

Comunique-se

Terra Magazine

Carta Capital

Agência Carta Maior

Veja

Tiago Dória Weblog

UOL Notícias

Último Segundo

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem