Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

IMPRENSA EM QUESTãO > BANDA PODRE

O jornalismo marrom

Por Alberto Dines em 22/10/2010 na edição 612

Quem quer que seja o beneficiário final das informações obtidas pela quebra do sigilo de dirigentes tucanos, uma coisa está comprovada: a participação de um jornalista – Amaury Ribeiro Jr. – na comercialização destes dados confidenciais.


Pela segunda vez consecutiva em pleitos presidenciais aparece uma banda podre da imprensa operando sem constrangimentos o comércio clandestino de informações. Em 2006, o semanário IstoÉ prestou-se a divulgar sem investigar um dossiê comprovadamente falso, o ‘Dossiê Vedoin’, pago por um grupo de ‘inteligência’ que o presidente Lula na época classificou, indignado, de ‘aloprados’.


Agora, no inquérito da Polícia Federal sobre a quebra do sigilo fiscal de dirigentes do PSDB e familiares do candidato José Serra, evidencia-se que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. pagou pelas informações sigilosas e elas não se destinavam ao jornal onde então trabalhava (o Estado de Minas).


Sobre procedimentos


Não importa a quem se destinavam as informações, neste momento é irrelevante discutir quem se aproveitaria ou se aproveitou do ilícito. Importa que certa imprensa, seduzida pelo sensacionalismo conspícuo, está aprendendo a conviver com a arapongagem (profissional ou amadora) e, aos poucos, está se transformando num prolongamento dos serviços de espionagem.


A investigação jornalística deve servir à sociedade; quando se terceiriza e presta serviços a interesses escusos torna-se parceira do crime organizado.


O jornalista em questão não é um foca, neófito, tem experiência, passou por redações de grandes empresas jornalísticas. Sabe que o jornalista não compra informações, investiga.


Aparentemente o jornalista não absorveu os procedimentos corretos e preferiu incorporar-se ao submundo, o universo dos franco-atiradores que alguns chamam de ‘imprensa marrom’.

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/10/2010 José Ximenes

    O depoimento do jornalista é arrasador. As investigações iniciadas no final de 2007 se concentravam em seguir os vestígios do grupo que, a serviço de Serra, levantava informações contra Aécio. Este é centro da questão. Relata ainda que suas despesas foram custeadas pelo jornal Estado de Minas assim como as custas para obtenção dos documentos.

  2. Comentou em 23/10/2010 Arnaldo Costa

    A forma de fazer política dos demotucanos é como a dos antigos coronéis. Suja, rasteira, autoritária. Censuram, calam seus adversários, desferem ataques para todos os lados e fazem espionagem e falsos dossiês. Até o Aécio entrou nessa. Serra é mais uma criação dessa imprensa marrom e golpista da extrema direita. Cansamos de ser enganados. Por uma sociedade mais justa, igualitária e evoluída!

  3. Comentou em 22/10/2010 Fabiana Tambellini

    Claro que interessa a quem destinavam as informações e o jornal ‘O Estado de Minas’ está metido na história até o pescoço. O jornalismo não é mais nobre que outras profissões. Assim como tem um químico, engenheiro, arquiteto ou professor que comete ilegalidade, também tem jornalista. Ultimamente nosso jornalismo é na base do ‘vazamento’ mas não é por isso que vamos ignorar o teor das bandalheiras que vazam… Grave é a manipulação da informação que a imprensa está fazendo nesse episódio.

  4. Comentou em 22/10/2010 Adelto Gonçalves

    O Sindicato dos Jornalistas ou outro órgão de classe, como a ABI, deveria discutir essa questão: é ético jornalista trabalhar como araponga em campanhas políticas? Desempregado, eu já trabalhei três meses numa campanha política em 1998 (escrevia artigos para o candidato e só), mas vi varios colegas fazendo esse serviço sujo, ainda que a justificativa fosse que os alvos eram políticos da pior espécie.

  5. Comentou em 22/10/2010 Jorge Fernando dos Santos

    Num caso como esse, tudo é relevante. O lide (ou lead) tem que estar completo: quem, o que, quando, como, onde e por que.

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