Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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IMPRENSA EM QUESTãO >

O julgamento do juiz

Por Luciano Martins Costa em 30/03/2009 na edição 530

A imprensa tratou de maneira rasa, neste fim de semana, os escândalos que ocuparam os jornais nos dias anteriores. Tanto o caso Daslu como o processo contra diretores da empreiteira Camargo Corrêa caíram na vala comum das declarações, e houve pouca evolução na investigação de fatos novos.


As revistas semanais fizeram o apanhado daquilo que os jornais trouxeram até sexta-feira (27/3), com duas visões diferenciadas, mas repetindo a estranheza com a dureza da sentença de 94 anos imposta à empresária Eliana Tranchesi. Época e IstoÉ compararam o caso Daslu com outras decisões da Justiça, na condenação de assassinos e traficantes. Veja fez um trabalho mais consistente, analisando especificamente o processo contra a dona da Daslu.


A rigor, as decisões judiciais se referem unicamente ao caso em pauta, e os magistrados costumam se referir a outros julgamentos apenas para citar a jurisprudência e fundamentar suas decisões. Portanto, comparações entre o processo contra Eliana Tranchesi e as sentenças proferidas contra assassinos e traficantes não passam de demagogia da imprensa, um apelo ao emocionalismo para dirigir a opinião dos leitores.


A controvérsia sobre a pena de 94 anos foi estendida pela Folha de S.Paulo na edição de sábado (28), com uma reportagem-debate questionando se a decisão revela uma nova tendência do Judiciário brasileiro, de punir com mais rigor os crimes financeiros.


De qualquer maneira, registre-se que a cobertura de Veja foi mais completa, mais isenta e informativa do que as de suas concorrentes, evitando a tentação da pieguice que é induzida pelo fato de a empresária sofrer de câncer.


Conflito marcado


O caso da Camargo Corrêa exige uma atenção mais cuidadosa dos leitores.


Depois de privilegiar a defesa dos partidos políticos acusados de receber doações ilegais da empreiteira, parte da imprensa tira do palco os supostos criminosos e coloca em seu lugar o juiz Fausto Martin de Sanctis.


Enquanto a Folha e o Globo avançam timidamente em suas edições de segunda-feira (30), o Estado de S.Paulo concede espaço privilegiado para o lobby da Ordem dos Advogados do Brasil, que tenta definir como absoluta a lei sobre a inviolabilidade dos escritórios de advogados.


‘O Congresso contra um juiz’, diz o título da reportagem de IstoÉ.


Pelo que se lê neste começo de semana, o conflito marcado é o da imprensa contra o juiz.

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