Terça-feira, 25 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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IMPRENSA EM QUESTãO > FOGO NO CAMPO

O mês das invasões

Por Luciano Martins Costa em 18/04/2008 na edição 481

Todos os principais jornais de sexta-feira (18/4) destacam as ações do Movimento dos Sem Terra, que promoveu na quinta uma onda de protestos e bloqueou a Ferrovia de Carajás.


Segundo a Folha de S.Paulo, foram sete horas de bloqueio. Segundo O Globo, foram cinco horas. Já a reportagem do Estado de S.Paulo registrou que o bloqueio durou oito horas. Os jornais não conseguem acertar seus relógios, mas são unânimes em
condenar as ações do MST.


O movimento, chamado pelos organizadores de ‘Abril vermelho’, lembra os doze anos do massacre de Eldorado dos Carajás, quando dezenove agricultores sem terra foram mortos a tiros pela Polícia Militar do Pará. Mas só o Estadão lembra o acontecimento com mais detalhes, observando que, dos 152 PMs envolvidos no massacre, foram condenados apenas um coronel e um major que comandaram a ação. Eles recorreram de suas sentenças e aguardam o julgamento em liberdade.


O Globo e a Folha apenas citam o episódio de 17 de abril de 1996, ajudando a colocar mais terra sobre um dos mais graves episódios do interminável conflito agrário no Brasil.


Nunca vem


Foram mais de cem ações organizadas ontem em quinze estados e no Distrito Federal, mas os jornais concentram sua atenção no bloqueio da ferrovia da Companhia Vale do Rio Doce.


A leitura das reportagens desvia da questão central – ainda o problema da reforma agrária – e induz o leitor a imaginar que os sem-terra são grupos de vândalos que vagueiam pelo Brasil destruindo o patrimônio alheio.


O Globo chega a cobrar o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, pela falta de atitude de sua pasta com relação aos protestos dos sem-terra contra a mineradora. A resposta de Cassel coloca um ponto de reflexão sobre o tema que não está presente no noticiário, nos editoriais ou nos artigos:




‘Trata-se de uma empresa privada que teve seus direitos afrontados. Tem que recorrer ao Poder Judiciário. Afinal, por que razão o governo deveria tomar partido, se as duas instituições em conflito são legais, responsabilizáveis perante a lei?’


A controvérsia poderia conduzir a uma compreensão melhor do problema se os jornais mergulhassem na questão agrária sem preconceitos. O MST e outras organizações representam cerca de 150 mil famílias de agricultores que vivem precariamente em acampamentos à beira de estradas, aguardando uma reforma agrária que nunca vem.


Enquanto esse problema não for atacado de verdade, abril será sempre o mês das invasões.

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/04/2008 Roque Sotero

    Ivan Moraes , Newark, NJ-MG – sem profissão, é exatamente isso: veja o que diz Cássia Almeida e Liana Melo em O Globo de 13/03/2008: “Movida a crédito, emprego, salário e investimento, a economia brasileira voltou a registrar recordes em 2007. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país) foi de 5,4, e a renda per capita subiu 4, os maiores saltos desde 2004, conforme informou ontem o IBGE. A economia brasileira gerou R$2,6 trilhões de riqueza no ano passado, o que, dividido pela população, significou uma renda per capita de R$13.515.”

  2. Comentou em 19/04/2008 thomaz magalhães

    E infantil essa cantilena que os proprietários de terras as tomaram da União. É coisa de quem não lê nem jornal. Que não sabe que a titulação se faz, também, pelo usucapião. Quem está em terras sem dono ou devolutas há mais de 20, 30 anos, tem direito ao título de posse. Os bandoleiros do MST não respeitam a lei, a propriedade alheia, seja particular ou do Estado; não têm, nem de longe, capacidade para trabalhar na terra; aliás, quem convive em regiões infestadas pelo pelo bando, sabe que não são chegados ao trabalho; não há quem os ponha na lavoura trabalhando alguns dias seguidos; cabo de enxada, trator, essas coisas, nem pensar. Cabo só de foice, que eles ganham novinhas e até enferrujar jamais roçam qualquer data. No mesmo nível de veracidade e qualidade, andam as informações da imprensa conivente com o bando. Aqui na matéria temos um exemplo. 150 mil ‘famílias’ acampadas. Mentira. É muito menor a massa de dessassistidos ignorantes, mantida com dinheiro público desviado por ongs com ajuda do lulo-petismo e da Igreja Católica, via suas ‘pastorais’.

  3. Comentou em 18/04/2008 Sócrates Santana

    Os dois comentários foram brilhantes e revelam o des-serviço que a imprensa brasileira presta a população. Na Bahia, estou tento a oportunidade de reconstruir a história embrionário do MST no estado, descavando dos recentes primórdios do movimento social a sua história por meio de um filme-documentário. Espero contar com a atenção de parte da imprensa no lançamento, principalmente, desta imprensa que observa a imprensa.

  4. Comentou em 18/04/2008 Sócrates Santana

    Os dois comentários foram brilhantes e revelam o des-serviço que a imprensa brasileira presta a população. Na Bahia, estou tento a oportunidade de reconstruir a história embrionário do MST no estado, descavando dos recentes primórdios do movimento social a sua história por meio de um filme-documentário. Espero contar com a atenção de parte da imprensa no lançamento, principalmente, desta imprensa que observa a imprensa.

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