Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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IMPRENSA EM QUESTãO > LEITURAS DO GLOBO

O nome do terrorista

Por Luciano Martins Costa em 27/08/2010 na edição 604

Está na edição de sexta-feira (27/8) de O Globo um belo exemplo da investigação em jornalismo. Em pleno período eleitoral, quando o Brasil celebra o amadurecimento de sua democracia, o repórter Chico Otavio desvenda um dos episódios mais obscuros do período da ditadura militar – a formação de um grupo terrorista dentro do aparato estatal, cujo objetivo era interromper o processo de redemocratização.


Sua ação mais ruidosa foi o atentado ao Riocentro, fracassado pela inabilidade de um especialista em bombas, o sargento Guilherme Pereira do Rosário. O sargento Rosário morreu na ocasião, quando explodiu em seu colo a bomba que deveria provocar uma tragédia durante um show de música popular na noite de 30 de abril de 1981, em comemoração ao Dia do Trabalho.


Meses antes, às 13h40 do dia 27 de agosto de 1980, uma carta-bomba enviada à sede da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro havia provocado a morte da secretária da entidade, Lyda Monteiro. O governo da época, dirigido pelo general Ernesto Geisel, obstruiu as investigações e a autoria dos atentados continuou restrita ao cadáver do sargento Rosário no Riocentro.


Hora da justiça


O Globo revela o nome do provável parceiro de Guilherme Pereira do Rosário nos atentados terroristas que se sucederam entre 1970 e 1980: segundo a reportagem, ele se chama Magno Cantarino Motta, tem hoje 65 anos de idade e vive na reserva como segundo-tenente.


Procurado pelo repórter, ele se negou a falar, mas certamente não deverá permanecer mudo por muito tempo. Os oficiais superiores que o protegiam e de quem ele recebia ordens são bastante conhecidos como os integrantes da chamada ‘linha dura’, que queriam manter o Brasil sob o regime ditatorial.


Os siderados de plantão vão alegar que a anistia perdoou a todos e que o criminoso deve ser deixado em seu sossego. Mas não se deve esquecer que ele, seus companheiros e líderes usavam o aparato do Estado para cometer atentados, com a intenção de aterrorizar a população.


O Brasil mudou, as Forças Armadas se afastaram de aventuras políticas e a sociedade não está disposta a tolerar o autoritarismo.


Agora é hora de todo o resto da imprensa seguir O Globo, aprofundar a investigação, revelar o passado do terrorista e de seus apoiadores, e exigir que se faça justiça, enfim, a dona Lyda Monteiro.

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/08/2010 Roberto Xavier

    Certamente, com Dilma e o PT viveremos uma democracia como nunca se viu antes nem depois dos ‘Generais’ como mostra este editorial do jornal Estadão. Autoritarismo? Totalitarismo? Não, Imaginem!!!
    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100827/not_imp601063,0.php

  2. Comentou em 28/08/2010 Carlos N Mendes

    O governo Lula é de esquerda? Mas uma das mais ‘graves’ acusações que fazem contra ele é que se coligou com Collor, Sarney, Maluf, etc, etc, etc; ou mudaram eles, ou Lula não é mais de esquerda. O comportamento político do governo Lula tem sido, na média, o de um governo de centro-esquerda, sendo que no caso, o ‘esquerda’ só se manifesta na atenção um pouco mais apurada ante as camadas menos favorecidas da população. Se alguém tem interesse de saber como é realmente a esquerda brasileira neste século XXI, vai ter que ir a alguma reunião do PSTU. Garanto, ninguém lá morre de amores por Lula, muito pelo contrário.

  3. Comentou em 28/08/2010 Luiz Henrique Quemel

    Caro Boris, salve!

    Não dá essa idéia de Receita Federal, pois esse comentário do professor Luciano já merece uma dissertação de mestrado. Será que ele teria o mesmo espaço lá no Comunique-se. Direita, volver!

  4. Comentou em 27/08/2010 Almyr Gajardoni

    Há um erro a corrigir nessa nota: em 1980 o presidente da República era o general João Figueiredo. No governo Geisel os grupos terroristas da repressão foram desmantelados numa ação drástica que começou com a demissão do comandante do II Exército, em São Paulo, e terminou com a demissão do ministro do Exército, Sylvio Frota. Tentaram se reerger com Figueiredo e deram com os burros na água.

  5. Comentou em 02/10/2008 Sara Cristina Ambrósio Cristina

    Gostaria de saber se o site disponibiliza um banco de fotos para os usuarios.

    Grata

    Sara Cristina Ambrósio

  6. Comentou em 25/12/2006 Dr. Fahed Daher

    Apenas interrogar se, como voluntário, submetendo alguma crônica ou poema à vossa apreciação, poderei ter minha matéria incluida nos seus periódicos.
    Dr. Fahed Daher – CRM-1517 PR

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