Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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IMPRENSA EM QUESTãO > 90% da audiência

‘O país dos 6 Berlusconis’: Documentário sobre a concentração de mídia no Brasil

Por Equipe do Observatório da Imprensa em 23/10/2018 na edição 1010

Paulo César Pereio personificando a mídia brasileira. (Foto: Rogério Che/Divulgação)

“O país dos 6 Berlusconis” é um documentário sobre a concentração da mídia no Brasil e seu efeito na atuação da imprensa , produzido pela Salamanca Filmes para o canal CINEBRASiLTV com estréia prevista para o primeiro semestre do ano que vem.

Alguns dos principais jornalistas do país além de pesquisadores dão depoimentos revelando bastidores dos maiores grupos de mídia do Brasil e suas relações com o poder econômico e político. O filme, em etapa de finalização, tem mais de 20 entrevistados, entre eles Noam Chomsky, Luis Nassif, Laura Capriglione, Glenn Greenwald, Ricardo Melo, Eduardo Guimarães, João Feres, Jessé Souza e Xico Sá. Foram realizadas gravações nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Belém do Pará e Barcelona (Espanha).

O diretor e roteirista do filme, Pablo Guelli, já trabalhou como correspondente da rádio CBN e Globo News na Espanha e foi motivado pela sua experiência profissional.“O país dos 6 Berlusconis” tem o apoio da agência de notícias France Press- AFP e da Canon. A trilha sonora original é de André Abujamra e o filme conta com participação especial do ator Paulo César Pereio, que fará a personificação da mídia brasileira. A cartunista Laerte Coutinho também participa com desenhos sobre manipulação midiática.

Em 2018 o projeto foi um dos nove brasileiros selecionados pela DOCSP e Doc Society para o primeiro programa de “campanha de impacto social” realizado no Brasil.

Na semana passada foi lançada uma campanha no Catarse para arrecadação de fundos para divulgação do filme nos cinemas de todo o Brasil . Além dos recursos para a distribuição, o projeto prevê uma expansão transmídia com exposição, peça de teatro e portal de denúncias de abusos contra o exercício do jornalismo.

Exposição: A proposta é realizar a exposição sobre “O papel da mídia nos golpes de 2016 e 1964” junto com o Instituto Vladimir Herzog, em abril de 2019, data que marca os 3 anos do golpe de 2016.

Lambe-Lambe: Produção de cartazes com desenhos da cartunista Laerte Coutinho com objetivo de mobilizar a população para o problema.

Delação Anônima: Criação do site “Delação Anônima” dará voz aos funcionários dos principais meios de comunicação do Brasil. Eles poderão dar testemunhos, de forma anônima e segura, sobre como é trabalhar nesses veículos.

Histórias Censuradas: Criação do “Projeto Censurado”, que vai listar anualmente as 20 principais histórias que tiveram pouco destaque, aquelas que foram ignoradas ou simplesmente censuradas pela mídia brasileira.

Peça Teatral: Exibição em São Paulo da peça “Patética”, que mostra as circunstâncias do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em 1975. Escrita pelo dramaturgo e cunhado de Herzog, João Ribeiro Chaves Neto, a obra reflete sobre ameaça à democracia, volta dos militares, aumento da violência, intolerância e censura a jornalistas.

O diretor do filme Pablo Guelli concedeu uma entrevista por e-mail ao Observatório da Imprensa.

1) Em que etapa de trabalho se encontra a produção do filme?

O filme encontra-se no processo de finalização. Já foram feitas 20 entrevistas com personagens como Noam Chomsky, Luis Nassif, Jessé Souza, Glenn Greenwald, Xico Sá, entre outros. “O país dos 6 Berlusconis” seria exibido no segundo semestre deste ano, mas decidimos mudar o cronograma devido aos acontecimentos políticos dos últimos meses. Agora o filme vai para montagem no dia 15 de novembro e fica pronto em março de 2019.

2) O filme faz parte de um projeto maior transmídia com exposições , peça teatral e canal de denúncias de jornalistas. Esse projeto de expansão será lançado ao mesmo tempo que o filme?

Sim. Vamos promover a exibição do filme concomitantemente às ações de impacto social. Elas vão começar em abril de 2019 (data que marca os 3 anos do golpe) com uma exposição junto com o Instituto Vladimir Herzog sobre o “papel da imprensa nos golpes de 2016 e 1964”. As demais ações acontecerão simultaneamente.

3) A que especificamente se destina a proposta de financiamento coletivo?

O financiamento coletivo no Catarse tem como único objetivo arrecadar verba para realização das ações de impacto: distribuição do filme em cinemas de todo o Brasil, exposição, produção de lambe-lambe, criação do site para denúncias de jornalistas, peça de teatro sobre o Vladimir Herzog e criação do “Projeto Censurado”, que vai escolher anualmente as 20 principais histórias censuradas pela mídia corporativa brasileira. O filme conseguiu verba para produção graças ao canal CINEBRASiLTV, que apoiou o projeto desde o início. Mas as ações de impacto social foram elaboradas ao longo do processo, por isso decidimos lançar agora essa campanha de financiamento coletivo.

4) Quais os dados novos trazidos pelo pesquisa do documentário?

O filme traz dados de coletivos e organizações internacionais mostrando que os 6 principais grupos de comunicação do Brasil concentram mais de 90% da audiência do país (Rede Globo, SBT, RBS, Record, Bandeirantes e Folha de S.Paulo). Traz também histórias inéditas que mostram o perigo que é trabalhar como jornalista no Brasil. Não é à toa que o país ocupa a 102a posição entre 180 países no ranking de liberdade de imprensa do RSF. Estamos atrás de países como Líbano, Kosovo, Serra Leoa e Haiti.

No entanto, acho que o dado novo mais estarrecedor é o fato de que nunca, até hoje, em pleno século XXI, foi feito um filme sobre a imprensa brasileira. Assim de simples: não existe. A única referência por aqui é um filme chamado “Muito Além do Cidadão Kane”, que foi produzido por uma empresa britânica, em 1993. Ou seja, 25 anos atrás. Esse dado por si só já mostra a gravidade da situação e a necessidade de uma mudança urgente nas estruturas da comunicação no Brasil. Nesse sentido, o primeiro passo é a conscientização da população para o tamanho do problema – daí a importância das ações de impacto social.

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EQUIPE

Realizadores

Pablo Lopez Guelli passou pela TV Cultura, Folha de S.Paulo, G1, Terra, Editora Abril, rádio CBN, Globo News, MediaPro (Madri), TV NHK (Japão), entre outros. Em 2016 criou a Salamanca Filmes, produtora voltada exclusivamente para produções de impacto social. Em 2012 Ganhou o prêmio Castilla y León com o melhor documentário sobre a imigração espanhola na América Latina. Formado em Comunicação Social (PUC-SP) e em Relações Internacionais (Ortega y Gasset, Madri), possui pós-graduação em Cinema (Pompeu Fabra, Barcelona) e um MBA em Gestão de Projetos (FGV/SP).

Diretor de fotografia Rogério Che estudou Cinema na Universidad Nacional de La Plata na Argentina. Fotografou comerciais para grandes marcas (Brastemp, WWF e Raaw Juice), dirigiu a fotografia de diversos videoclipes (Emicida, MV Bill e Blind Pigs, entre outros) e já fotografou mais de 20 curtas-metragens (quatro em Super 16 mm) e o longa- metragem Luzeiro Volante (2011).

Produtora Erika Hoffgen, publicitária com 15 anos de experiência em gerenciamento de projetos. Com pós-graduação em Gestão Cultural e passagem por diversas empresas de grande e pequeno porte, possui conhecimentos em gestão de projetos com ênfase em inovação, entretenimento, novos produtos, produção audiovisual e implementação de metodologia para gerenciamento e parcerias.

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