Quinta-feira, 21 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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IMPRENSA EM QUESTãO >

O Pentágono e sua guerra de informação

10/02/2009 na edição 524

Quando estava no Iraque, a unidade da major Alayne Conway, na capital Bagdá, produzia de quatro a seis vídeos diariamente. Todos eram enviados para organizações de mídia no mundo e postados no YouTube, e neles era possível ver imagens de explosões e mísseis em ações bem-sucedidas das forças americanas.’É preciso ter certeza de editar [os clipes] da maneira correta, para que aquele cara comum levante os olhos de seu jantar para a TV e pense ‘Nossa, as tropas americanas estão mandando bem no Iraque’’, diz a major.

Críticos alegam que o objetivo de divulgar material tão violento não é informar ao público as ações do Exército, mas sim promovê-lo. O Pentágono gasta mais de US$550 milhões ao ano em ações de relações públicas, sem contar os gastos com pessoal. O Exército alega que o investimento é justificado pelo fato de existir uma verdadeira guerra de informação com insurgentes para moldar a percepção pública do conflito no Iraque.

Nos últimos dois anos, o número de profissionais treinados pela Defense Information School (escola do Departamento de Defesa com aulas de jornalismo e relações públicas para militares) cresceu 24%, atingindo a marca de 3,5 mil. O Exército também expandiu sua presença na internet e ampliou em 33% a programação do canal a cabo gratuito Pentagon Channel.

Controle

Além de divulgar suas próprias informações, o Departamento de Relações Públicas do Exército tenta regular o que a mídia divulga sobre ele. Nos últimos anos, na medida em que a cobertura do conflito foi ficando mais negativa, as regras para que jornalistas acompanhassem de perto o trabalho das tropas militares aumentaram de uma página para quatro. Em meados de 2008, o repórter da Associated Press Bradley Brooks saía de um avião de carga em Mosul, para acompanhar as tropas, quando viu caixões de soldados cobertos com bandeiras americanas sendo carregados de ambulâncias para um avião. Brooks conversou com soldados, que mencionaram sua indignação em relação a líderes políticos, e escreveu uma matéria sobre o assunto. Menos de 24 horas depois, foi expulso da região norte do Iraque pelo Exército, por ter quebrado uma nova regra que estabelecia que os jornalistas acompanhando as tropas – chamados de ‘embedded’ – não poderiam escrever enquanto estivessem em trânsito.

Em 2008, oito jornalistas foram detidos por mais de 48 horas – mais que qualquer outro ano desde o início da guerra. Desde 2003, a agência de notícias AP sozinha teve 11 profissionais detidos no Iraque por mais de 24 horas.’Todos estes jornalistas, exceto um que está detido agora, foram soltos sem acusação formal. Isto sugere que eles [o Exército] não foram capazes de acusá-los de nada’, diz Joel Simon, diretor-executivo do Comitê para a Proteção dos Jornalistas. O Pentágono alega que comandantes têm o direito de deter qualquer pessoa que seja considerada uma ameaça à segurança e que a Constituição americana não se aplica a campos de batalha no exterior. Informações de Chris Tomilson [AP, 6/2/09].

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