Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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IMPRENSA EM QUESTãO > MARANHÃO DOS SARNEY

O poder que corrompe o jornalismo

Por Alice Pires em 11/01/2005 na edição 311

Comunicação é poder. A frase pode parecer gasta, mas não deixou de ser verdadeira. No Maranhão, a família Sarney conhece bem seu significado. Dona de um sistema de comunicação, formado por rádios AM e FM, jornal impresso e canal de televisão, o clã Sarney, como é conhecido no estado, usa os seus veículos sem o menor constrangimento a seu favor. Numa clara inversão, transformando o que é de interesse privado em interesse público.

Para conseguir os seus objetivos deixam de lado a ética jornalística, o bom senso de qualquer veículo de comunicação minimamente comprometido com o fazer jornalístico.

O alvo dos ataques do sistema nestes últimos anos tem sido o governador do estado, José Reinaldo Tavares, e sua família. Após romper politicamente com o clã, o chefe do Executivo é ridicularizado nas páginas do jornal O Estado do Maranhão, um dos veículos da família Sarney, em charges, editoriais, notas e matérias.

Nas charges, o governador é representando por um leão, referência à residência oficial, o Palácio dos Leões, cujas entradas são guardadas por leões. Numa das charges, publicada no dia 7/12/2004, o leão está sentado no colo de um de seus inimigos políticos. Quatro dias depois, o jornal estampou em suas páginas um leão visivelmente cansado sendo montado por um dos secretários de Estado.

Como marionetes

Em 27/12/2004, os chargistas do impresso desenharam um leão zonzo, tendo em punho um estilingue contra os ataques de gaivotas estilizadas (símbolo da TV Mirante, outro veículo da família Sarney) e jornais voadores. Em seus editoriais, publicados com destaque na capa, o governador é definido como incompetente, prepotente, arrogante, autoritário (22/11/2004), desastrado e joão-sem-braço. O matutino sempre se refere ao governador como o Sr. Carneiro Tavares. A esposa não escapa às críticas: ‘Alexandra Tavares, que tem como único objetivo macular a liderança incontestável da senadora Roseana Sarney (…)’ (24/10/2004).

A imprensa tem direito ao livre exercício de atuação, mas não pode ser usada para prejudicar, insultar ou manchar a imagem das pessoas impunemente. Se nem o chefe do Executivo é respeitado, o que dirá de cidadãos comuns que não podem lutar de igual para igual com estes grandes veículos de massas?

Estamos no século 21 e ainda somos tratados como marionetes pelas oligarquias que dominam a informação. Sei que o Maranhão não é um caso isolado em nosso país, mas isso não pode virar paisagem comum. Acredito que existam jornalistas sérios, que têm compromisso com a informação e honram sua profissão. É por esta razão que venho a público expressar meu descontentamento. Ou será que o jornalismo há muito é apenas um aparelho ideológico da burguesia? Ou está apenas submetido à vontade e aos interesses dos anunciantes?

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Estudante de Pedagogia e funcionária pública

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