Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

IMPRENSA EM QUESTãO > NOTAS DE UM LEITOR

O que não é a matéria da Veja sobre as Farc e o PT

Por Luiz Weis em 15/03/2005 na edição 320

Responda depois de pensar bem, para não fazer juízos precipitados: como se deve chamar a matéria de capa da Veja desta semana?

A revista diz que supostos documentos da Agência Brasileira de Inteligência – supostos porque não os mostra e porque não identifica quem diz que existem – afirmam que a organização guerrilheira colombiana Farc teria prometido doar US$ 5 milhões a candidatos petistas nas eleições de 2002.

Teria porque a própria Veja ressalva não ter provas nem da promessa, nem de que tenha sido cumprida, depois de investigar o assunto durante cinco semanas.

Textualmente: ‘[a revista] não encontrou indícios sólidos de que os US$ 5 milhões tenham saído das Farc e chegado nos cofres do PT.’

Mesmo quando o indício é gasoso, o resultado é o mesmo. A Veja cita um relatório, a que teria tido acesso, de um agente da Abin que teria participado de uma reunião numa chácara pertencente a um sindicalista, a 40 quilômetros de Brasília, em abril de 2002.

Na suposta reunião, o suposto ‘embaixador’ das Farc no Brasil, padre Olivério Medina, teria dito que os dólares seriam entregues ao PT por intermédio de 300 empresários.

Procurado pela revista, o padre negou a história. E a Veja, além de confessar que a sua investigação ‘não avançou um milímetro nesse particular’, sugere que a suposta oferta do padre pode ter sido uma bravata.

Fontes do PT acusam a Veja de requentar uma denúncia. Verdade ou não, pode ser significativo a revista lembrar que no ano passado o deputado Alberto Fraga, do PTB do Distrito Federal, apresentou a mesma denúncia e também citou como fonte papéis da Abin. Ele pediu uma CPI sobre o caso, mas não teve apoio.

Então, por que publicar uma antimatéria dessas, ainda mais como capa?

Essa pergunta traz de volta aquela do início deste texto: como se deve chamar a matéria de capa da Veja desta semana?

Para jornalistas sérios, as respostas podem ser várias – algumas delas impublicáveis, talvez. Mas nunca será esta: jornalismo.



Para edificação da Veja – e de muitos mais

Dezenas de pessoas não ouviram dizer que Brian Nicholas matou três em um tribunal de Atlanta e fugiu. Viram.

Ainda assim, veja como o New York Times e o Washington Post, para ficar só nesses, noticiaram a sua prisão um dia depois:

O primeiro: ‘Polícia captura suspeito de Atlanta em matança em tribunal’.

O segundo: ‘Preso suspeito de dar tiros em Atlanta’.

E não, jamais, em hipótese alguma, ‘matador’ ou ‘atirador’ de Atlanta.

[Textos fechados às 15h30 de 13/3/05]

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/03/2005 Ibis Luzia

    Por que exatamente o Observatório da Imprensa se doeu tanto pela matéria da Veja? O que há de tão excepcional ali que um ser humano (brasileiro ou não) de inteligência média já não tenha deduzido há muito tempo mas que apenas só veio a ser corroborado pelo conteúdo esclarecedor da matéria?
    Mais exatamente por que classificar de ‘política’ e ‘direitista’ uma matéria que critica a frente comunista formada pelo PT (www.forosaopaulo.org) com claras ligações não somente com as Farc mas também com o partido comunista cubano e outras organizações terroristas da América Latina? Qual o medo que tanto aflige o Observatório da Imprensa? E por que não classificar de políticas outras tantas matérias de veículos da esquerda comunista divulgadas quase que diariamente na nossa imprensa? Por que exatamente essa não é ‘jornalística’ e as outras são? Para completar por que somente essa recebe o rótula de ‘política’ e ‘direitista’ e as outras nunca receberam ou receberão o devido rótulo de ‘esquerdistas’ e mais precisamente ‘comunistas’ passando-se por neutras e ‘jornalísticas’, coisa que efetivamente não são.
    Estranho a postura adotada pelo Observatório da Imprensa. Procurei aqui nesse Observatório alguma matéria ou colunista que levantasse essas questões com críticas aos veículos da esquerda comunista mas efetivamente não encontrei. Está claro para mim, portanto, que não sou comunista e não compactuo com a mentira que o Observatório da Imprensa não tem a menor moral para fazer um julgamente ético da Veja, posto que este mesmo Observatório distorce a verdade para o seu lado ‘ideológico’ quando lhe convém.
    Duvido muito que este texto seja publicado pelo orgão ‘censor’ do OI pois não condiz com o viés ideológico do mesmo mas assim mesmo vou mante-lo em meu computador para futura referência de meus amigos e familiares para que todos saibam o que o OI gosta de publicar e o que ele não gosta.
    Sinceramente

    Um brasileiro de inteligência média.

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