Sábado, 20 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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O rádio em nossas mãos

Por Francisco Djacyr S. de Souza em 31/03/2009 na edição 531

Diante dos problemas que o rádio tem passado, é vital que os seus usuários (os ouvintes) tomem posição firme para fazer algo no sentido de mudar o estado de coisas e desenvolver uma luta por sua melhoria e/ou fortalecimento. O ouvinte é um usuário, um consumidor, e deve ser respeitado por isso. Infelizmente, alguns que se dizem proprietários dos meios de radiodifusão não acatam o poder de organização desta classe – que é fidedignamente o elemento vital da comunicação, pois sem ouvintes não há rádio – não há comunicação. Precisamos urgentemente desenvolver um processo de fortalecimento de medidas de respeito e consideração aos usuários de comunicação. No processo de desenvolvimento da comunicação no rádio, a opinião do ouvinte, suas dicas, suas reivindicações, seus recados, seus protestos são de importância vital para a sociedade e seu processo de organização.

O mundo moderno, com o avanço tecnológico, é marcado por uma situação ambígua onde de um lado temos modernização das comunicações e, no mesmo lado, temos um processo grande de privatização da coisa pública, entre elas o meio rádio que, apesar de ser uma concessão pública, ainda está nas mãos de grupos que cada vez mais evitam a participação dos usuários da comunicação e deixam que sejam cometidos os mais diversos absurdos no processo de emissões radiofônicas.

Porque no processo de modernização, o rádio não se moderniza no processo de democratização da comunicação e na abertura ao diálogo franco e ao poder de crítica do ouvinte. Este lado da comunicação é sempre esquecido e, no momento em que estes se organizam para lutar pelos direitos de consumidor, prontamente são agredidos, desrespeitados e ridicularizados.

Espaços para questionamento

O rádio precisa de gente que queira desenvolver seu processo de melhoria e seu avanço na comunicação ativa e na concretização de um novo modo de ver a comunicação, no qual o usuário seja respeitado como tal. A comunicação é hoje importantíssima para a sociedade, o poder da mídia é forte, porém deve ser utilizado para o bem das pessoas e para o respeito mútuo. Neste momento, precisamos fortalecer o desejo do consumidor de mídia dando oportunidades de que este tenha no aspecto comunicativo voz, conhecimento e poder.

Nosso povo não pode ficar à mercê de uma comunicação comprometida com os poderosos. A comunicação deve ser plural e democrática e somente cumprindo essa missão os meios de comunicação terão eficiência na missão de comunicar. O povo tem provado que sabe o que é resistir: as rádios comunitárias, a campanha quem financia a baixaria é contra a cidadania, as rádios livres, a criação da associação de ouvintes e outras iniciativas, como Conselho de Leitores em alguns jornais, e a luta pela Conferência das Comunicações são ações que provam que há muito a se fazer para termos uma comunicação verdadeira e adequada aos anseios populares. Porém, a luta está posta e é preciso que haja uma nova visão dos que se dizem proprietários das comunicações, abrindo espaços para o questionamento das mensagens e fortalecimento da crítica construtiva das mensagens da comunicação.

Resgatar a história e a importância

É preciso debater o rádio. Claro que temos problemas, porém mesmo assim este meio tem resistido durante anos e é utilizado em campanhas publicitárias de grandes empresas e também na divulgação das ações estatais, pois a comunicação radiofônica chega a todos os lugares. O grande problema é que, às vezes, seu uso é para privilegiar alguns em detrimento de muitos e a questão da comunicação se configura em um processo de melhoria das oportunidades de uma relação harmônica entre as partes que fazem a comunicação e no processo de desenvolvimento de oportunidades para debater e questionar o que se faz no rádio e o que se diz em suas programações.

O processo de organização dos ouvintes é desacreditado, e muitas vezes criticado, mas é preciso que se saiba que em outros países mais desenvolvidos isto é comum e a maioria das emissoras tem organização a partir do pensamento imediato da sociedade. A luta por um rádio democrático e verdadeiro faz parte de uma luta maior de quem acredita numa sociedade justa e em um processo pleno de geração de justiça, liberdade e poder do povo para o povo.

Para aprofundar esta luta, junte-se a nós; acesse o site www.aouvir.com.br, mande o panorama do rádio em sua cidade e contribua para resgatarmos a história deste meio de comunicação e sua importância hoje e sempre.

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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