Sexta-feira, 27 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº984
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IMPRENSA EM QUESTãO > JORNALISMO POLICIAL

O caso Isabella Nardoni
é uma nova Escola Base?

Por Luiz Antonio Magalhães em 02/04/2008 na edição 479

O episódio da morte da menina Isabella Oliveira Nardoni, de 5 anos, que está comovendo o país, e é um desses casos policiais repletos de mistérios e que pode até ter um final surpreendente. A partir da história contada pelo pai e pela madrasta da menina à polícia, as suspeitas se voltaram justamente contra o casal, especialmente o pai: segundo o relato, ele teria subido para o apartamento com Isabella já adormecida, colocado ela na cama, trancado a porta e retornado para a garagem a fim de ajudar sua mulher a subir com os dois filhos do casal, meio-irmãos da garota. Quando enfim os dois voltaram ao apartamento com as crianças, a porta estaria aberta, a luz do quarto dos irmãos de Isabella acesa, e a rede de proteção, cortada. Por ali a menina teria sido jogada para a morte.


Uma série de indícios, porém, colocaram em xeque a versão do pai e da madrasta: havia vestígios de sangue no apartamento, Isabella parece ter morrido por asfixia e quebrou apenas um pulso na queda. Há também o relato de vizinhos que teriam ouvido a menina gritar ‘Pára, pai! Pára, pai!’. Tudo isto deu motivo para que uma delegada que acompanha o caso tenha chamado o pai de Isabella de assassino na saída do depoimento à polícia. Segundo informação publicada nos jornais, há entre os investigadores quem acredite que Isabella sequer foi jogada pela janela.


A soma dos indícios sem dúvida pode levar o público a desconfiar da história contada pelo pai e pela madrasta da criança morta, mas não pode de maneira alguma permitir que os responsáveis pela publicação das reportagens sobre o caso tratem o casal como culpados ou mesmo suspeitos em um momento tão inicial das investigações.


Condenado a priori


Quando estourou o caso da Escola Base, hoje um exemplo estudado nas faculdades sobre o que não deve ser feito em matéria de jornalismo policial, um único jornal desconfiou da história e se recusou a dar uma linha sobre a cascata. Quando o caso foi elucidado e a inocência dos donos da escola restou provada, houve quem sugerisse que o hoje extinto Diário Popular recebesse, naquele ano, o Prêmio Esso de jornalismo pela não publicação das matérias.


Tempos depois, o Diário Popular foi vendido para as Organizações Globo e mudou de nome para Diário de S.Paulo. Pelo visto, mudou também de caráter: a primeira página reproduzida abaixo, da edição de terça-feira (1/4), configura um verdadeiro crime contra o bom jornalismo. Não se trata aqui de defender o pai de Isabella – ele pode até ser culpado pela morte da filha –, mas de constatar que a capa do Diário fere os princípios mais básicos da ética jornalística e da presunção da inocência.







Um cínico pode alegar que tudo que está na manchete do jornal é verdadeiro, o Diário não veiculou informação falsa nem acusou peremptoriamente o pai de Isabella de assassinato. Sim, e provavelmente esta capa passou pelo departamento jurídico do jornal para avaliar se ela poderia ser objeto de processo. A manchete certamente também cumpriu o objetivo de fazer o jornal vender mais. Os responsáveis pela publicação sabem, também, que esta manchete destruiu a reputação do pai de Isabella. Ainda que no final das investigações o assassino seja outra pessoa, como bem observou na terça-feira (2/4) o jornalista Clóvis Rossi na Folha de S.Paulo (ver íntegra abaixo), o pai de Isabella já foi condenado pela imprensa. No caso do Diário de S.Paulo, foi condenado e exposto com requintes de crueldade.


Lição esquecida


Para o advogado do casal, a menina realmente gritou, mas foi por ajuda: teria sido algo como ‘Pára, pára! Pai, pai!’, o que também faz sentido se ele estivesse sendo atacada por uma terceira pessoa. A quem mais ela poderia recorrer senão ao pai?


O Diário de S.Paulo apostou todas as suas fichas em uma hipótese, a de que o pai de Isabella está envolvido na morte da filha. Se ele de fato estiver, o jornal tripudiou sobre um assassino. Se não estiver, acabou com a vida de um homem inocente. O bom jornalismo poderia evitar este tipo de atitude intempestiva. Ao que parece, a lição da Escola Base já começou a ser esquecida.


***


Leviandade é crime


Clóvis Rossi # copyright Folha de S. Paulo, 2/04/08


Se o poder público brasileiro (no caso, o paulista) adotasse o devido rigor, puniria o delegado responsável pelo caso da menina Isabella Oliveira Nardoni, 5 anos, morta no sábado, por colocar o pai como suspeito.


No fundo, estamos diante de uma gênese idêntica ao escândalo da Escola Base, no qual a mídia foi crucificada, com toda a justiça. Mas faltou mais alguém na cruz: o delegado responsável pela investigação do caso.


Vamos rebobinar um pouco a fita e analisar as circunstâncias em que se deu a desumana crucificação dos responsáveis pela escola, apontados como abusadores de crianças.
Quem detinha, com exclusividade, todas as informações? O delegado.


Ninguém mais. Quem repassou as informações aos jornalistas, coletivamente? O delegado. Aos jornalistas, restava um de dois caminhos: duvidar ou acreditar (claro que me refiro aos jornalistas de boa-fé; os que têm índole sensacionalista não precisam acreditar ou duvidar de nada para dar vazão à índole).


Mais: se duvidassem e decidissem não publicar, seria preciso que todos tivessem idêntico comportamento. Um só que publicasse já estaria provocando o dano à reputação dos donos da escola.


Agora é um pouco a mesma coisa.


O delegado deu entrevista que a Rede Globo, pelo menos, pôs no ar (não vi outros telejornais, mas suspeito que todos o tenham feito).


Adiantaria alguma coisa se a Folha, digamos, não publicasse a acusação ao pai da menina?
Salvaria a face do jornal, mas não salvaria o principal, que é a reputação do pai.


Nem importa, no caso, se vier a se comprovar que o pai é mesmo culpado. Não cabe ao delegado, ao menos nesta fase da investigação, dizer quem é ou não suspeito.


Se o pai for de fato culpado, será punido ao fim da investigação. Se for inocente, já está punido.

******

Texto originalmente publicado no blog Entrelinhas

Todos os comentários

  1. Comentou em 07/12/2009 Lucia Santana

    Gostaria de saber onde posso me informar do piso salaria para vendedora de quiosque em estação de metro em São Paulo

    obrigada

  2. Comentou em 14/10/2009 Ricardo Novaes

    Rio de Janeiro, 14 de Outubro de 2.009.

    Ilmo Dr. Alberto Dines

    Como militante do P C do B e assiduo telespectador de seu programa sinto-me envergonhado pela ausência insujustificada do camarada Orlando Silva.É, já comesou mal.Por isso que sempre fui contra a realização de grandes eventos, pois sempre ( como foi dito no programa ) vários grupos se locrupletão e o povo paga.Em meu nome pesso desculpas pela indelicadesa do ocupante da pasta .

    Atenciosamente.

    Ricardo Novaes

    Tel. cel. 7667-7114

  3. Comentou em 20/07/2009 jorge carvalho pinto

    como vcs usam software de segunda implementado em servidores de terceira ou quarta categoria, sistemáticamente apresenta êrro de ‘truncamento binário’ em cada comunicação.

    claro, pode ser um outro modo de não se ‘ouvir’ vozes discordantes.

  4. Comentou em 23/04/2008 Eudes Souza

    No caso Isabela Nardoni, 5, diante das provas técnicas colhidas, os depoimentos dos acusados, chega mesmo a agredir a lógica, sem, no entanto justificar inocência, é que, a prova técnica acabará por derrubar a tese de que o assassinato teria sido cometido por uma terceira pessoa, isso certamente virá em óbice para a defesa.

  5. Comentou em 20/04/2008 Irene Gonçalves Gonçalves

    Infelizmente, o nosso cód. Penal é muito favorável aos que cometem crimes bárbaros e disfavorável à quem comete um simples furto como o famélico ou até mesmo em relação aos crimes de ordem Administrativos. Vejo que há exagero nas matérias publicadas, mas num país como o nosso só assim mesmo para que algo efetivo possa vir a acontecer. Que mundo é esse que estamos vivendo?

  6. Comentou em 20/04/2008 joana angelica

    O unico parente que expessou dor e desespero pelo asassinato da menina Isabella foi a avo paterna.Todos os outros são fleugmaticos…atitude incompativel com familais de origem latina !
    Creio que está ai, o resultado da superproteção do velho Nardoni…criou o filho pensando ser o dono da cocada preta… o rei do pedaço…

  7. Comentou em 19/04/2008 Maria Jose Simone

    Não cabe a mim aqui, julgar quem está certo ou errado em divulgar a todo instante as mesmas declarações já divulgadas infindavelmente por 99,9% dos meios de comunicação. Também não me cabe conjeturar quem é culpado, isso cabe à policia descobrir. Mas como não me indignar com a morte grotesca de um espirito iniciando sua vida. O que ela teria para viver neste mundo, quais seriam suas obrigações? Seria ela uma brilhante cientista que descobriria a cura de uma doença terrivel? Ou uma mãe de familia edudando seus filhos? Não importa, o que importa é que isso lhe foi tirado por nada. O que justifica esganar uma criança e atira-la do 6º andar de um predio? Qual a defesa? Não se admirem das pessoas se indgnarem, é uma indignação justa para quem está vivo e tem alguma moral er sangue nas veias. Só o que nos conforta, isso para quem acredita, é que é que na lei de ação e reação, alguém vai colher muito sofrimento, diante de um ato tão ediondo.

  8. Comentou em 13/04/2008 clineide vieira brito vieira brito

    infelismente a sociedade joga pedra antes de ter certeza mais isso e culpa dessa midia podre que existe eu acredito na inocencia deles pois um pai jamais iria fazer uma coisa dessa acho que o delegado esta focado neles porque nao olhar a mae pois e estranho ela esta alguns metros dali queria dizer pros nardoni que nos da minha familia acreditamos na inocencia deles que jesus possa mostrar a terceira pessoa abracos clineide

  9. Comentou em 11/04/2008 conrado bueno bueno

    Acho a mídia muito sensacionalista, ( principalmente o Datena) repete muito e cansa a gente, porém, acho que as evidência estão bem claras e apontam perfeitamente para os culpados, isto, sem querer julgar.Mas no brasil, quem é o dinheiro, e este cruel epsódio vai passar ileso. Espero que a justiça seja feita, senão onde vamos parar. Que Deus nos ajude…

  10. Comentou em 11/04/2008 ISRAEL ISRAEL

    EXTRA EXTRA EXTRA, POLÍCIA DESCOBRE ASSASSINO DE ISABELLA: FOI A MINHA VÓ…..

  11. Comentou em 10/04/2008 Rosalina Fernandes

    Infelizmente, a mídia continua transformando tragédia em espetáculo e deixa de propor que se discuta o fato em si. Saber quem matou a menina e a motivação do crime é importante, mas a polícia se encarregará de desvendar isso. Penso que se deveria refletir mais sobre a atrocidade do crime. O que leva um ser ‘humano’ a torturar e matar uma criança de 5 anos, com requintes de perversidade?

  12. Comentou em 10/04/2008 ANTONIO MARQUES JUNIOR

    QUEM NÃO SE LEMBRA COMO A REDE GLOBO CONSEGUIU REEGUER-SE DO ESTADO DE SEMI-FALÊNCIA NA DÉCADA DE 1960, AUGE DA DITADURA MILITAR, ALIANDO-SE AOS MILITARES, CONSEGUINDO AFASTAR OS DIÁRIOS ASSSOCIADOS DAS BENESSES, PASSANDO-OS PARA TRÁS E DAÍ PARA FRENTE TORNOU-SE A POTÊNCIA DE HOJE; SE ORESTES QUERCIA NÃO PASSASSE O DIÁRIO POPULAR PARA OS MARINHO, CERTAMENTE ESTARIA FALIDO, DEVIDO AOS MÉTODOS UTILIZADOS CONTRA OS
    CONCORRENTES OU OBSTÁCULOS QUE SE POSTAM À SUA FRENTE.
    O COMENTÁRIO FINAL DE CLÓVIS ROSSI DIZ TUDO.

  13. Comentou em 10/04/2008 Mario Palmeiro

    Em que este fato prejudicou os cidadãos Brasileiros, a não ser que se constatat mais um ato de violência contra a pessoa , quantas Isabellas a dengue já matou e o Ministro estava posando no superpop de herói, quantos balas perdidas , quanta corrupção , que justiça seja feita sim, mas principalmente contra os corruptos.

  14. Comentou em 09/04/2008 Gustavo Grzybowski

    Eu ,achei muito fria a mãe da menina ,cade o coração de mãe?na entrevista pelo telefone.Ela estava muito perto do apto do pai da menina. Tenho uma filha de 5anos ,espero que a justiça seja feita!
    Isto é pior que covardia,é uma brutalidade!

  15. Comentou em 09/04/2008 Manoel Ferreira Serrano

    realmente é necessário lembrar-mos à sociedade brasileira,e sobretudo, à algumas ‘autoridades’ constituídas que todos somos inocentes até prova em contrário!! A mídia não tem o direito de destruir a imagem e mesmo a vida de duas pessoas que ainda estão sob investigação, é preciso muita cautela, pois tratam-se de dois outros seres humanos e que podem, sim, serem inocentes.

  16. Comentou em 09/04/2008 Manoel Ferreira Serrano

    realmente é necessário lembrar-mos à sociedade brasileira,e sobretudo, à algumas ‘autoridades’ constituídas que todos somos inocentes até prova em contrário!! A mídia não tem o direito de destruir a imagem e mesmo a vida de duas pessoas que ainda estão sob investigação, é preciso muita cautela, pois tratam-se de dois outros seres humanos e que podem, sim, serem inocentes.

  17. Comentou em 07/04/2008 Camilla Martins

    Não! Não seria uma escola base! Tenho certeza que foi o pai que matou por causa da inveja da madrastra pela Isabella e pela mãe da Isabella!

  18. Comentou em 07/04/2008 Gislene Bosnich

    No caso Escola Base as denúncias eram simplesmente inverossímeis. Não tinham sustentação. Ninguém dispunha das fotos com crianças que supostamente haviam sido abusadas e estarem na presença de adultos que se deixaram fotografar, além de terem sido obrigadas a fumar cigarro de maconha. Conforme se ouvia à época, se vocês se lembram.
    Aqui temos um crime real. Ninguém está dizendo que Isabella sofreu isso ou aquilo. Ninguém está dizendo que viu fotos de espacamento. Há uma morte. E isso é fato. Nada tem de especulação. É fato como o caso da Suzanne Richtofen.
    Agora é verdade que a imprensa erra. E, às vezes, parece que o faz de propósito.
    Também não acho que deva haver um julgamento prévio, mas um pouco mais de informação é preciso que os presentes à tragédia dêem.
    De volta ao caso Escola Base. Apenas, o então Diário Popular não deu a matéria. E disso… também quase ninguém lembra.

  19. Comentou em 07/04/2008 Jairo Augusto dos Santos

    Adorei todo esse arrazoado do Observatório da Imprensa, parabenizo e dou graças a Deus pela sociedade brasileira refletir maduramente sobre os fatos. Concordaria se a imprensa fosse duramente punida por agravar fatos que já são dramáticos demais mas discordo em parte só da última linha do site…..culpado ou inocente o homem JÁ ESTÁ SENDO PUNIDO.

  20. Comentou em 06/04/2008 CARLOS AUGUSTO JORGE

    O Pais do Estado Democrático de Direito instituído pela CF de 88, dita cidadão está, na verdade, vivendo um verdadeiro TERRORISMO POLICIAL ou ESTADO POLICIALESCO, como muitos o chamam. A POLICIA (autoridades policiais) que viveram os anos dourados da DITADURA MILITAR, esqueceu de crescer e modernizar e para APARECER não se impostam de massacracar quem quer que seja, com culpa ou sem culpa. Defendem com unhas e dentes este procedimento investigatório chamado de inquerito policial, hoje existente em apenas tres paises autoritáros do mundo, entre eles o Brasil. Também pudera, para quem é incompetente É MAIS FACIL PRENDER PARA INVESTIGAR DO QUE INVESTIGAR PARA PRENDER. E é ai que mora a impunidade que depois jogam a culpa nos Juizes.

  21. Comentou em 05/04/2008 monica ramos do nascimento

    Em relação a culpado ou inocente elejá é culpado só por omitir os fatos.Pq para mim é + um crime odiondo onde uma criança
    foi envolvida.Pq algo me diz q nisso tudo tem haver com a vida particular q o pai deveria ter como por ex. dividas do q ele vive como vai a vida financeira dele e a da familia como todos os crimes barbaros q acontecem é sempre por dinheiro poder estatos sem ver aquem passando por cima de qualquer um .Tomara e q Deus enterceda logo para punir esses monstros …Pq merecia serem é jogados do sexto andar …….

  22. Comentou em 05/04/2008 Marco Antônio Leite

    continuação…
    Novamente desceu e foi socorrer a menina foi quando verificou que ela já não tinha mais vida. Durante todo esse processo verificou que havia um estranho nas proximidades do apartamento, o qual instantaneamente sumiu. Voltando no interior do recinto, como uma criança poderia lançar mão de uma tesoura, ir até a janela e fazer um corte arredondado na referida tela. Conseqüentemente pulou de encontro à morte, vejam os senhores, porque a desoura estava em local acessível para o alcance da menina, será que ela usou um apoio para subir e se jogar daquela altura, como a tesoura voltou ao seu local de origem. Em suma, ficaria a noite toda detalhando os indícios que possam ter originado tal “acidente”, bem como fazendo enorme relação das contradições do pai da garota, Vale dizer que não sou profissional da área policial, mas com um pouco de discernimento da para tirar conclusões objetivas do cruel assassinato,

  23. Comentou em 05/04/2008 Célio Mendes

    A função da policia e prender e investigar , a dos jornalistas informar e a da justiça julgar. A população tem o justo direito de se indignar, quando qualquer um desses protagonistas troca de papel o resultado é um potencial dano a sociedade, sou pai e também estou chocado com as informações que tem sido divulgadas sobre o caso, mas entre eu e os fatos existem diversos intermediários, o que chega aos meus olhos e ouvidos pode estar incompleto ou distorcido, nestas circunstancias qualquer avaliação que eu fizer vai estar comprometida, são raras as ocasiões em que eu concordo com o Clovis Rossi escreve, essa é uma delas.

  24. Comentou em 04/04/2008 Marco Antônio Leite

    Senhor estudante essa falácia se fosse com um membro de minha, da dele ou daquele que tem família que houvesse ocorrido um evento tenebroso como os da menina com certeza estariam também fazendo ejaculação mental sobre quem teria feito tal atrocidade. Procure não usar o sentimentalismo cristão, de dó, amor, desalento entre outro, pois devemos encarar todas as situações de frente e concretamente sem que tenhamos piedade de nada. O prato da semana é uma criança que voou do sexto andar de um prédio de classe média decadente, cuja história esta sendo contada nebulosamente. Abraços socialistas livres de sentimentalismo sejam eles quais forem!

  25. Comentou em 04/04/2008 Suzana Reis

    Ora francamente, o pai não tinha ido levar a menina que estava dormindo? Por mais esperta que seja a criança, ela não teria tempo de acordar, cortar a grade e se jogar enquanto o pai voltava com as outras crianças e a mulher…

  26. Comentou em 04/04/2008 Marco Antônio Leite

    Não vamos dar uma de ‘míngüe’, uma criança de cinco anos não teria a capacidade intelectual em criar em sua mente em formação como poderia fazer para se jogar daquela altura. É impossível acreditar que essa criança pegou uma tesoura, um banco ou quem sabe uma cadeira ou até uma escada pequena para manter seu corpinho na altura da rede de contenção e cortar de forma arredondada a referida rede. Em seguida recolher o apoio de altura, bem como guardar a peça longitudinal no local de origem e na seqüência voltar ao local e se jogar de encontro à morte. Somente um asneirico pode pensar ou raciocinar dessa maneira. Uma pessoa que foge da polícia demonstra que tem culpa nessa história. Ou não? Quanto a imprensa ela esta cumprindo corretamente o seu papel de informar o povão!

  27. Comentou em 04/04/2008 Marco Antônio Leite

    O pai disse que viu um estranho próximo ao local do crime. O pai disse que a porta estava arrombada. O pai disse que subiu para o apartamento somente com a menina. O pai disse que colocou a menina na cama, apagou a luz central e ligou a luz vigia do abajur. O pai disse que voltou para o estacionamento do prédio para pegar o restante da família. O pai disse que ao adentrar no apartamento viu que a rede de proteção estava rompida. O pai disse que viu a menina caída junto ao chão do gramado que circunda o edifício. O pai disse isso, aquilo e aquilo outro, quanta contradição nessa macabra história! No entanto, o pai não disse por que não questionou o estranho. O pai não disse que de fato a porta não foi arrombada, apenas estava trancada. O pai não disse que subiu com toda a família, não apenas com a menina. O pai não disse que colocou a menina no quarto dos outros filhos e não aonde havia dito. O pai não disse por que a rede foi cortada na altura de sua estatura mediana. O pai não disse por que uma criança indefesa seria jogada do sexto andar do prédi. O pai não disse qual o interesse e a vantagem que o homem estranho obteria para jogar a menina daquela altura. Tirem suas conclusões e verifiquem se o pai esta falando a verdade ou não?

  28. Comentou em 03/04/2008 Sabrina Travassos

    O que a imprensa esta fazendo é um julgamento próprio. A grande mídia em busca de vendas e ibope se acham no direito de juízes. Não importa se foi o pai, madrasta ou um terceiro, o que precisa ser feito é informar o caso com toda cautela para não condenar um inocente, a sociedade não consegue ser imparcial quando a imprensa não é, e consegue acabar com a reputação de qualquer um (no caso o pai).
    Vamos deixar a polícia apurar os fatos, e depois informar a sociedade a verdade.

  29. Comentou em 03/04/2008 Carlos Cassaro

    A imprensa tá com uma mania de apontar culpados antes de apurar os fatos….
    E depois que prejudica, e muito, as pessoas inocentes, abandona o caso com a maior desfaçatez.
    A justiça deveria cuidar melhor disso, se por acaso também funcionasse tão rápido como a imprensa, para julgar e condenar…

  30. Comentou em 03/04/2008 Jorge Cid

    O texto não focaliza o assassinato em si, mas a necessidade de se culpar alguém que nem foi acusado, e se o foi, que não foi nem julgado. O cerne da questão não é a morte deplorável de uma criança, mas a responsabilidade da imprensa e autoridades no novo assassinato sem condenação, ou numa condenação prévia de um suposto inocente, afinal, somos todos até se prove o contrário. Esta era uma prática comum durante os anos fascistas do pós-guerra civil na Espanha franquista. Toda acusação de comunismo era seguida de execução sumária em frente à casa do acusado pelo pelotão de fuzilamento. Resultado, centenas de milhares de mortos diante das famílias, alguns dos quais foram comprovadamente acusados por brigas de vizinhos. É isto que continuamos a fazer, ou pelo continua a fazer a imprensa. Naquela época se caçava comunistas como animais, hoje se caça pontos no ibope e cifras de vendagem. As práticas são em tudo parecidas.

  31. Comentou em 03/04/2008 Jorge Cid

    O texto não focaliza o assassinato em si, mas a necessidade de se culpar alguém que nem foi acusado, e se o foi, que não foi nem julgado. O cerne da questão não é a morte deplorável de uma criança, mas a responsabilidade da imprensa e autoridades no novo assassinato sem condenação, ou numa condenação prévia de um suposto inocente, afinal, somos todos até se prove o contrário. Esta era uma prática comum durante os anos fascistas do pós-guerra civil na Espanha franquista. Toda acusação de comunismo era seguida de execução sumária em frente à casa do acusado pelo pelotão de fuzilamento. Resultado, centenas de milhares de mortos diante das famílias, alguns dos quais foram comprovadamente acusados por brigas de vizinhos. É isto que continuamos a fazer, ou pelo continua a fazer a imprensa. Naquela época se caçava comunistas como animais, hoje se caça pontos no ibope e cifras de vendagem. As práticas são em tudo parecidas.

  32. Comentou em 03/04/2008 José Luis Accetta

    Concordo com você, Clovis, não devemos julgar sem sem que as investigações estejam terminadas, por maiores que sejam os indícios contra o pai da Isabella. Em 1999, me mudei para um apartamento num prédio que acabara de ser construído, como esse da tragédia, e também como ele haviam poucos moradores. Um dia, entraram sem arrombar no meu apartamento e roubaram uma quantia em dinheiro que eu havia deixado na sala. Qual a minha surpresa quando várias pessoas, após o roubo, me perguntaram porquê não mudei a chave, pois era comum porteiros e zeladores que participaram da obra fazerem cópias das chaves dos apartamentos.
    Quando comecei a acompanhar o caso Isabella, a primeira coisa que veio à minha cabeça foi esse roubo no meu apartamento, inclusive com relação à dificuldade que foi convencer o condomínio da veracidade do roubo!
    Será que não havia nenhum funcionário em algum apartamento vazio, e que quando viu o pai da menina descer aproveitou para invadir a apartamento, não esperando encontrar a menina em seu interior? Será que essa pessoa foi reconhecida pela menina?
    Vamos esperar para ver se a polícia descobre a verdade, mas não vamos julgar precipitadamente.

  33. Comentou em 03/04/2008 Cláudia Monteiro

    Ainda falta muito para os brasileiros se orgulharem de gozarem de cidadania de fato. Contra toda a ética e as leis, o que todos estão fazendo é pré-julgar: polícia, imprensa e opinião pública que está a reboque dos fatos, movida pela forte emoção. Ninguém pensa em como ficarão os outros filhos desse pai. Inocente ou culpado, as crianças vão ficar marcadas pelo episódio. Ninguém pensa na dor dessa mãe, que mal teve tempo de chorar a morte de sua filha e já tem de dar depoimentos, entrevistas, interrogatórios. Ninguém pensa nos coleguinhas dessas crianças que, inocentemente, vão reproduzir o discurso que estão ouvindo e condenar antecipadamente o pai da menina e também os meio-irmãos, que vão crescer sob o peso de serem filhos de um eterno suspeito ou, pior, de um assassino. Basta de tanta falta de piedade, de má-fé, de sensacionalismo, de anti-profissionalismo. Chega de linchamentos morais. Estamos vivenciando hoje o pior da nossa sociedade consumista, desapegada de valores, em que vale mais a imagem do que o fato, vale mais a suspeita do que a sentença. Eu tenho nojo!

  34. Comentou em 03/04/2008 Tania Oliveira

    Clóvis, um crime como este e você diz que ele já está punido.
    Não há pena que pague o preço de uma vida.
    Nem imaginação para tal crueldade, independente de quem seja.

  35. Comentou em 03/04/2008 Fábio de Oliveira Ribeiro

    O caso Nardoni mostra novamente que os JURISTAS e os JORNALISTAS não fazem o mesmo juizo de valor sobre as normas jurídicas e sobre os fatos. Os JURISTAS procuram ajustar os fatos às normas, mas mesmo quando pesquisam os fatos são obrigados a fazê-lo com respeito às normas (todos tem direito de defesa e aos meios de provas; todos são inocentes até prova em contrário, p.e.). Quando se deparam com um fato que pode constituir um crime, os JORNALISTAS, por sua vez, ignoram as normas e tiram dos fatos conclusões apressadas. Com o tempo as conclusões apressadas podem acabar se tornando fatos em razão da maldita metalinguagem (um jornalista lê o que o outro escreveu e considera fato as palavras). A única coisa que se pode concluir do caso Nardoni até agora é o seguinte: a criança morreu em condições suspeitas; a autoria do crime ainda é desconhecida e será apurada (com ou sem a balburdia da imprensa). O resto é especulação jornalistica motivada pela vontade de vender jornal ou de ganhar fama no meio jornalistico.

  36. Comentou em 03/04/2008 Cláudia Câmara

    Acredito na experiência do delegado.O pai tem antecedentes de agressão à mãe da menina morta e à madrasta. Talvez ele creia
    que ficará impune. Afinal de contas, é ‘consultor jurídico’.

  37. Comentou em 03/04/2008 Ruy Cezar Pinto Pinto

    Bom dia! Li, a matéria do Sr.Luiz Antonio Magalhães de 2/4/2008, me achei na obrigação de comentar , que foi um grande relato de jornalismo, humano e muito profissional, o senhor tem toda a razão meus sinceros parabéns. Abraços Ruy

  38. Comentou em 03/04/2008 virginia angelon

    quem mais faria isso??/ se houvesse um inimigo que os pais soubessem ja teriam dito isto. como pode um pai que perdeu um filho de maneira brutal ser flagrado em um bar a espera de um advogado com akela cara de que nada aconteceu.eles nao disseram à midia em momento algum que eram inocentes, e tbm pra que advogado??quem nao deve nao teme.
    a verdade sempre aparece, demore o quanto demorar e quem é inocente nao se esconde da policia.Deus conforte o coração desta probre mae.
    obrigada

  39. Comentou em 02/04/2008 salete pretto

    Esse delegado provavelmente tem ambições políticas para as próximas eleições. Ver os jornalistas enlouquecidos é de dar nojo.Esse é o tipo de jornalismo ensinado nas faculdades? Que miséria!

  40. Comentou em 02/04/2008 Dante Caleffi

    Cinismo ou hipocrisía?Clovis Róssi, amanuense da’ Folha de SP’,caluniador contumás nos seus artiguetes, consegue equilibrar-se ,num tema que exigiria do mais neófito redator,postura única:condenação
    a todo e qualquer julgamento antecipado de suspeitos reais ou artificiais.
    Exime-se de responsabilidade profissional , ao afirmar, que o delegado detinha ‘todas as informações.E jornalismo investigativo, existe,para quê?
    Ou valem apenas quando em conluio com delegados,na produção de notícias de ‘dossiês’,com decorativas ilustrações?

  41. Comentou em 02/04/2008 Paulo Azevedo

    Uma coisa é certa. Uma criança de cinco anos deve estar sob a guarda de um adulto. E estava. O prédio possuia segurança e porteiro, logo se alguem entrou no prédio, passou por ali. O consultor jurídico poderia ter mais inimigos e por motivos que ainda não foram divulgados, sua profissão assim o expoe. Ninguem atacaria uma crinaça em um período de tempo tão pequeno e não se defrontaria com os adultos na sáida do apartamento ou mesmo fizesse o que fez sem nenhum ruído. Daí, para pai, para pai é uma possível e forte realidade. Até pelos antecedentes. Pena que a pobre criança não terá mais vida e outras duas crianças estejam sofrendo ainda mais com arealidade que vivem e presenciam sem pai e sem mãe. Que Deus ocupe seus corações e de todos aqueles que estam de alguma forma envolvidos.

  42. Comentou em 02/04/2008 Roberto Ribeiro

    Mais ou menos prevendo essa linha de ‘investigação’ assisti a ‘entrevista’ ao delegado no Aqui Agora do SBT. Um monte de jornalistas perguntando dez vezes a mesma coisa: ‘Quem o senhor acha que é o culpado?’, e vem o primeiro, o segundo o terceiro, até à nauzea. Depois ‘o senhor acha que o pai da menina está mentindo’, um, dois, três… dez. Ora, as respostas começavam razoáveis do tipo ‘pode ser que sim, pode ser que não’ que é a única resposta que uma autoridade policial pode dar, mas aí vinha a insistência: ‘mas o senhor acha que sim ou que não?’ ‘em que porcentagem sim ou não?’ e as palavras iam sendo torcidas e acrescentadas.
    Eu fiquei pensando, os jornalistas aprendem técnicas de ‘entrevista’ em manuais da Santa Inquisição? Será que eles não sabem que uma pessoa pode ser levada a dizer qualquer coisa se for pressionada? Por que em vez de expremer o delegado como um tubo de pasta, não foram os senhores jornalistas investigar? Por que não procuram pistas, consultam especialistas, buscam fontes, verificam informações?
    Fazer jornalismo será cercar um ser humano por todos os lados, enfiando microfones na boca dele durante uma hora repetindo enfadonhamente a mesma pergunta para que ele diga o que se quer que ele diga?
    Imagino que se o delegado dissesse: ‘não podemos declarar nada sobre o caso’, ele seria imediatamente taxado de não-colaborativo…

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