Quinta-feira, 20 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1042
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IMPRENSA EM QUESTãO >

O debate (há muito) escondido

Por Luciano Martins Costa em 22/05/2009 na edição 538

Os jornais de sexta-feira (22/5) foram extremamente modestos na cobertura da sessão de encerramento do 21º Fórum Nacional, evento organizado pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso para discutir grandes temas de interesse dos brasileiros. O tema do encontro era ‘A Imprensa/TV/Rádio (Mídia) e a Sociedade Ativa e Moderna’.


Mesmo com a presença de dirigentes destacados dos principais jornais do país, tanto o Estado de S.Paulo como a Folha e Globo apenas fizeram pequenos registros, cada qual destacando as declarações de seus representantes.


Aluízio Maranhão, editor de Opinião do Globo, observou que o modelo de negócio dos jornais está em xeque e que ‘jornal que não dá lucro não tem liberdade’. Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do Grupo Estado, defendeu a criação de um marco regulatório claro para proteger a imprensa e a sociedade contra os interesses de quem deseja ocultar informações da opinião pública. Eleonora de Lucena, editora-executiva da Folha, afirmou que, competindo pelo tempo do consumidor e pelas verbas publicitárias, os meios de comunicação estão desconfortáveis e se questionam sobre o seu verdadeiro e possível papel na sociedade.


Exposição evitada


Todos os três parecem ter razão.


De fato, um jornal economicamente dependente se torna refém de seus patrocinadores. Por outro lado, a imprensa precisa mesmo de um marco regulatório que cubra as lacunas deixadas pela extinção da ultrapassada Lei de Imprensa, mas que também defenda a sociedade da concentração da propriedade dos meios de comunicação. Finalmente, não apenas os meios de comunicação mas a própria sociedade gostaria de saber o que a imprensa considera como seu verdadeiro e possível papel, e como deveria fazer para cumpri-lo satisfatoriamente.


E, justamente porque todos têm razão, não seria impertinência observar que, para evento tão relevante, a cobertura da imprensa sobre os debates foram excessivamente tímidos.


Modéstia?


Não. Apenas o velho hábito da imprensa brasileira de não discutir seus problemas em público. É como se, evitando se expor, a imprensa pudesse escapar do controle da sociedade.

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