Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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O Estado de S. Paulo

09/05/2006 na edição 380

POLÍTICA & ESPETÁCULO
De comédias e bagatelas

Gaudêncio Torquato

‘No mundo contemporâneo, a política torna-se um exercício de fuga da realidade. E, às vezes, um espetáculo circense. Veja-se essa greve de fome de Anthony Garotinho. Mais que um reality show da política, é a prova cabal de que o velho Montesquieu estava certo ao dizer que ‘o tom do mundo consiste muito em falar de bagatelas como de coisas sérias, e de coisas sérias como de bagatelas’. O marido da governadora Rosinha perde a razão quando queima o manto de pré-candidato à Presidência da República para vestir a roupa de ator de circo mambembe. É um direito que lhe cabe protestar contra situações que considere injustas. Pode até pregar extravagâncias como a censura da imprensa brasileira por organismos internacionais. Cada louco com sua mania. Mas é um dever comportar-se como cidadão que pleiteia o cargo de mandatário da Nação. O poder banha-se de liturgia. E esta exige do político posturas adequadas e respeito a princípios do meio social onde atua. Quando o ator ultrapassa os limites do bom senso, cai no terreno baldio da incredulidade.

E assim, entre comédias e bagatelas, o Brasil expande a política-espetáculo. Até em espaços considerados sagrados os hábitos políticos penetram fundo. Veja-se o convite para o presidente da República discursar no altar de uma igreja, em São Bernardo, por ocasião da missa comemorativa do 1º de Maio. Lula fez campanha dentro da igreja. Antigamente, exagero como esse constituía sacrilégio. Hoje, é abençoado. Quem foi ali assistir a um ato religioso nem mesmo pôde queixar-se ao bispo. O sacerdote terá receio de pegar o chicote para expulsar os vendilhões do templo. E não venham com a história de que essa crítica revela posições conservadoras. Ou com o argumento de que a religião palanqueira é a da libertação do povo. Lugar sagrado precisa ser preservado da politicagem. Até porque é tarefa impossível distinguir valores morais entre os 30 partidos brasileiros.

Da mesma forma, o espaço asséptico da Justiça só deve ser ocupado por gente predestinada a conservar uma linha própria entre as pressões coercitivas da sociedade. A integridade é a virtude maior dos magistrados. Onde está a integridade de juízes que politizam decisões ou agem sob a influência de governos? Lembre-se que os ministros Nelson Jobim e Edson Vidigal, respectivamente ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, deixaram seus cargos com uma bagagem de críticas. Ambos voltaram para as lides políticas e o segundo vestiu rapidamente a camiseta de candidato ao governo do Maranhão. A Justiça seria alçada ao patamar mais alto da grandeza se a magistratura fosse povoada exclusivamente por perfis íntegros, incapazes de trocar a sóbria toga pelo terno vistoso da política. Não é de estranhar que os preceitos constitucionais da autonomia e independência dos Poderes sejam constantemente atropelados por injunções de toda ordem.

A quebra de normas cria buracos no tecido institucional e favorece a personalização da política. A sociedade afasta-se das instituições. As eleições reduzem-se a batalha entre rivais. A menos de cinco meses das eleições, não há uma idéia central, um projeto vigoroso que cause comoção na opinião pública. O que se ouve no cenário das andanças de pré-candidatos é uma toada de xingamentos, autolouvação e exibição do dom da dissimulação. Os gregos da Antiguidade usavam máscaras (persona) para representar as emoções, algumas com traços horripilantes – para caracterizar as tragédias -, outras com traços hilariantes – para simbolizar as comédias. Os nossos atores alternam as máscaras, seja medindo a perda de peso pela greve de fome, seja enxugando lágrimas de filhos.

Desse modo, a hilaridade se espraia nos desvãos da pré-campanha. É a buchada no Nordeste, um prato exótico que o pré-candidato tucano tem de enfrentar para atrair simpatia, enquanto é chamado de Geraldo ‘Alfinim’, um doce típico do cotidiano dos nordestinos. É Lula negando haver crise e manifestando apoio à soberania boliviana, esquecendo que os contratos com a Petrobrás foram feitos sob a mesma soberania. Evo Morales, o ‘irmão mais moço’, é mais que um justo. Livre da fogueira do mensalão, o nosso presidente apresenta o éden terrestre que acaba de ser descoberto. Maquiavel aconselhava o príncipe a divertir e reter o povo em festas e jogos. No Brasil, hábitat do Homo ludens, a diversão das multidões é estatizada e compartilhada com centrais sindicais, uma das quais é a porta-voz do governo lulista. Basta ver as festas do 1º de Maio, com milhões de pessoas mobilizadas para ver seus ídolos e participar de sorteios. O Império Romano, onde o povo pedia pão e circo, é café pequeno comparado ao Império de dom Luiz, Primeiro e Único, Pai dos Pobres.

O Estado-espetáculo, a despolitização da política, a pasteurização partidária, a comédia massificada, o pão ensopado no molho assistencialista, a intoxicação pela propaganda e a fuga da realidade: eis o apreciado menu destes tempos autistas. Não é de admirar que por falta de um sinal mais forte, uma luz mais brilhante, um caminho mais seguro, as pessoas acabem optando pela velha vereda, sinuosa, porém conhecida. Melhor qualquer bugiganga que nenhum presente.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP e consultor político. E-mail: gautor@gtmarketing.com.br



LULA NA MÍDIA
Editorial

Lula e a imprensa

‘‘A liberdade de imprensa é a razão pela qual eu cheguei à Presidência, é a razão pela qual as instituições brasileiras dão demonstrações mais sólidas de crescimento e sustentabilidade democrática.’

Esta curta observação, feita pelo presidente Lula na ocasião em que assinou a Declaração de Chapultepec – documento internacional que estabelece princípios fundamentais da liberdade de imprensa -, já pode ser considerada, por si, um dos mais lúcidos pronunciamentos do presidente da República, em seus 40 meses de gestão. Com efeito, corresponde inteiramente à verdade o fato de o inflamado sindicalista de São Bernardo dever à plena liberdade de expressão a carreira política que o levou ao topo do Poder. Diga-se o mesmo em relação a influência, dessa liberdade, no ‘crescimento e sustentabilidade’ das instituições democráticas brasileiras. Há que se dizer também, no entanto, que o comportamento do presidente e seu governo, no que diz respeito ao relacionamento com a imprensa, esteve bem longe de significar o grau de respeito e consideração contido nas palavras de quarta-feira.

Reconheça-se que neste campo tem havido uma evolução. Durante quase toda sua gestão – com exceção dos últimos tempos, já pré-eleitorais – o presidente Lula se recusou ao saudável hábito das rotineiras entrevistas coletivas, preferindo sempre as comunicações oficiais. Só muito raramente se permitia convidar alguns jornalistas para um ‘café-da-manhã’, mas nessas ocasiões fazia prevalecer mais um espírito de ameno congraçamento do que a intenção de passar informações realmente relevantes, do interesse da sociedade. Mas outros fatos marcaram um relacionamento tumultuado. Um deles foi a tentativa de expulsão do País do jornalista Larry Rohter, do New York Times, por este ter publicado matéria dando conta de hábitos etílicos do presidente.

Foi marcante, por outro lado, o envio ao Congresso Nacional da proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) – que tinha por objetivo expresso ‘orientar, disciplinar e fiscalizar’ o exercício da profissão. Por sobre ser um projeto gritantemente inconstitucional – já que a Constituição, por autodefesa histórica, em seu texto contém uma das maiores repulsas a qualquer espécie de censura -, a idéia do CFJ foi prontamente rechaçada pelos mais amplos setores da opinião pública e acabou – queremos crer – definitivamente sepultada. Embora não se referissem especificamente à imprensa – mas à liberdade de expressão, em gênero -, o famigerado projeto da Ancinav, tentando impor ‘orientações’ à produção cultural, assim como o que pretendia colocar alguma ‘mordaça’ no Ministério Público, foram outras tentativas, felizmente frustradas, de o governo Lula estabelecer cerceamento à livre manifestação de pensamento.

Se reconhecemos que houve uma boa evolução no relacionamento do governo Lula com a imprensa, nos últimos tempos – e esforcemo-nos para, de boa-fé, desvinculá-la de eventuais propósitos reeleitorais -, é porque se torna perceptível a tentativa de o presidente aproximar-se mais dos jornalistas e responder a perguntas, quando indagado. Mas também só quem tenha amadurecido sua percepção, quanto à capacidade de entendimento da sociedade, haveria de expressar com clareza aquilo que o presidente Lula disse, nestes termos: ‘Temos que acreditar que esse povo, por si só, consegue fazer uma diferenciação daquilo que é correto, daquilo que não é correto, daquilo que ele acha que é verdade e daquilo que ele acha que é exagero. Engana-se aquele político que acha que faz as coisas e pensa que o eleitor não faz o julgamento correto. E se engana, também, aquele que escreve alguma coisa sem imaginar ou sem acreditar que o povo tem capacidade de discernimento para saber o que é exagero, o que é verdade, o que é mentira.’

Neste ponto a reflexão do presidente parece extremamente precisa. Restaria apenas torná-la exemplar, no sentido de que o pensamento e a ação – ou as palavras e o comportamento – se tornem cada vez mais associados, a ponto de expressarem a mesma coisa.’



TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Ethevaldo Siqueira

As comunicações do futuro em três siglas

‘Na opinião de especialistas, as três grandes tendências atuais das telecomunicações são: 1) celulares de custo muito baixo; 2) integração entre comunicações fixas e móveis; e 3) multimídia total. Analisemos, então, essas tendências, decifrando nomes e siglas como: ultra-low cost handsets (ULCH), fixed-mobile convergence (FMC) e IP multimedia subsystem (IMS).

Num painel recente sobre celulares de baixo custo, no evento 3GSM, em Barcelona, a finlandesa Nokia e a americana Motorola anunciaram o desenvolvimento de modelos do celular de US$ 30 (R$ 62). Esse preço ainda pode cair mais e chegar, em 2008, ao patamar de US$ 15 (R$ 31).

Operadoras e fabricantes acreditam que telefones celulares assim tão baratos deverão permitir a inclusão de milhões de usuários de baixa renda em todo o planeta, em especial em países como a Índia, a China, o Brasil e a Rússia. De seu lado, as operadoras poderão criar novos modelos de negócio, oferecendo aparelhos celulares a custo zero às camadas de mais baixo poder aquisitivo.

A primeira experiência concreta sobre o impacto social dos ULCHs começa a ser avaliada na Índia, onde as operadoras têm a menor receita média por usuário pré-pago do mundo, por volta de US$ 3,50 (R$ 7,40) mensais. No jargão internacional, o indicador de receita média por usuário (average revenue per user) é conhecido pela sigla ARPU. No Brasil, o menor ARPU está por volta de US$ 7 (ou R$ 15).

O cientista brasileiro Jean-Paul Jacob, pesquisador da IBM há mais de 30 anos, prevê que num futuro próximo teremos celulares pré-pagos descartáveis, de papelão, com circuitos literalmente impressos, abastecidos com crédito para um tempo fixo de ligações locais ou de longa distância. Esses celulares poderão ser utilizados por pessoas de baixa renda e por executivos que viajam muito, seja para ligações urgentes, no último minuto, em aeroportos, em cidades ou países diferentes, ou outros locais.

FIXO-MÓVEL

Entre os benefícios práticos da convergência fixo-móvel ou fixed-mobile convergence (FMC), os especialistas prevêem que, em menos de três anos, nossos celulares poderão identificar a proximidade de um ou mais telefones fixos e assumir temporariamente o número dessas linhas fixas, em casa ou no escritório.

Com essa facilidade, logo ao chegar em casa, passaremos a receber em nosso telefone fixo todas as ligações dirigidas ao nosso celular. Se preferirmos, poderemos atender no celular todas as ligações dirigidas aos telefones fixos de casa ou do escritório. Se o telefone fixo toca cinco vezes e ninguém atende, a ligação é transferida automaticamente para nosso celular.

O mundo caminha para essa integração entre comunicações fixas e móveis, em que o telefone fixo e o celular passarão a se comportar como se fossem um só, somando suas vantagens. Muita gente gostaria de dispor das facilidades dessa convergência, integrando seus celulares e telefones fixos, segundo suas conveniências pessoais. Além de conforto e flexibilidade, poderemos economizar tarifas, quando o telefone fixo substitui o móvel.

As maiores corporações estão trabalhando nessa área de FMC e uma boa notícia é a disponibilidade de tecnologia brasileira, original, desenvolvida pela Flexiware, empresa nascida no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Ceitec), entidade que tem apoio do Sebrae, da Universidade de São Paulo (USP), do Ministério de Ciência e Tecnologia, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo e de outros organismos.

IMS: FUSÃO TOTAL

Num horizonte de três a cinco anos, a convergência fixo-móvel poderá estar tão avançada que nos levará aos ambientes típicos de IMS, com a fusão de todos os meios e serviços.

Em termos práticos, que poderão as futuras redes IMS fazer por nós, usuários? Como mostramos em coluna recente (26 de abril de 2006), essa integração total nos permitirá utilizar, entre outros dispositivos, uma espécie de celular de quarta geração (4G), capaz de conectar-se com qualquer outro serviço ou equipamento, em qualquer lugar, a qualquer hora.

Segundo especialistas, os usuários de redes IMS poderão dispor de qualquer serviço, a qualquer momento, em qualquer lugar, sobre qualquer rede, utilizando qualquer aparelho ou dispositivo. Ou, na expressão inglesa: any service, over any network, to any device.

Como toda inovação disruptiva, as redes IMS trazem desafios, perigos e oportunidades. Entre os desafios, estão a implantação da nova infra-estrutura e a fixação de padrões que lhe garantam interoperabilidade global. A maioria desses padrões, contudo, já foi estabelecida. Entre os perigos, o maior deles talvez seja a quebra de paradigmas, que poderá inviabilizar modelos de negócios tradicionais de grandes concessionárias e operadoras de telecomunicações, hoje dominantes.

Finalmente, quanto às oportunidades abertas pelos subsistemas de multimídia IP, o cenário é dos mais promissores, não apenas para empresas de comunicação eletrônica, como para novas operadores de telecomunicações e produtoras de conteúdo e de informação.’



TV DIGITAL
Sonia Racy

A Busca É Pelo Melhor Modelo No Longo Prazo

‘O ministro Luiz Furlan tem evitado falar mais explicitamente sobre TV digital. Nesta entrevista, concordou, pela primeira vez, em esclarecer alguns pontos, antes de viajar para a Europa, onde, entre outras, vai se encontrar, em Viena, com investidores interessados na TV digital.

O presidente Lula, aproveitando sua participação no seminário Mercosul-Comunidade Européia, também em Viena, deve participar dos encontros para discutir propostas já montadas em relação ao processo.

Furlan deixou claro, por exemplo, que diferentemente do que se propagou, jamais foi a favor de qualquer modelo. Esclarece também que não há acordo com os japoneses e sim um memorando de entendimento, que não é impositivo e que depende de decisões a serem tomadas pelo governo brasileiro. E ressaltou que a atração para implantação de uma fábrica de semicondutores está atrelada a medidas fiscais em estudo.

Aqui vão trechos da sua entrevista:

O senhor defendia o modelo europeu para a TV digital. O que aconteceu? Em momento algum defendi este ou aquele modelo. Minha posição desde o início foi de que deveríamos aproveitar este momento de escolha de uma nova tecnologia para atrair novos investimentos para o Brasil, adensando a cadeia produtiva eletroeletrônica, um dos pilares da política industrial, que até agora não conseguimos consolidar. Na escolha do modelo, poderemos conhecer e dominar uma nova tecnologia do HDTV, o que é importantíssimo.

Por que isso é importante? Possibilita que instituições de pesquisa e universidades brasileiras possam fazer adaptações e aprimoramentos para termos um sistema brasileiro de TV digital, baseado em tecnologia estrangeira, mas com melhorias e desenvolvimentos feitos por cerca de 30 instituições nacionais, que hoje já fazem experimentos nessa área. A minha posição é de negociar aquilo que for melhor para o Brasil, olhando um futuro de 20 anos e não apenas fazer o melhor negócio no momento.

Nessa viagem ao Japão, foram vários ministros. Quem foi afinal que negociou o acordo da TV digital? A viagem teve orientação do presidente Lula, que estabeleceu que os contatos com o governo seriam feitos e coordenados pelo embaixador Celso Amorim. E os contatos das empresas seriam coordenados por mim. Foi isso que aconteceu.

O governo brasileiro não optou pelo modelo japonês? Não. A opção será tomada oportunamente pelo presidente Lula. Houve análise técnica mostrando que, neste momento, o modelo japonês é tecnicamente melhor, por ser mais recente. Os americanos estão fazendo uma revisão do seu modelo, que é o mais antigo, e isso poderá dar-lhe um upgrade, superando até o modelo japonês. Tecnicamente, os três modelos existentes, ao longo do tempo, terão uma certa equivalência. Temos ainda outros atores que influem, como o tamanho do mercado. Enquanto o modelo japonês só existe no Japão, o modelo americano está na América do Norte e na Coréia e o modelo europeu é utilizado em 56 países.

Os japoneses vão fazer fábrica de semicondutores no Brasil? Por meio de uma proposta nossa, houve uma manifestação concreta de uma das empresas. Mas a atração de uma fábrica desse porte dependerá de um conjunto de estímulos por parte do governo brasileiro, inclusive na área fiscal. Essa sinalização foi dada pelo Ministério da Fazenda e pelo próprio presidente Lula nas reuniões que tivemos ao longo do tempo.

Por que é tão importante para o País uma fábrica deste tipo? Posso dar um exemplo. Quando se levou adiante o projeto binacional, Brasil-Itália, da Embraer, para a fabricação do jato AMX, uma das condições que foi colocada é que nós teríamos a abertura dos códigos, fonte dos sistemas eletrônicos. Por conta disso, foi possível fabricar na Itália e no Brasil uma série desses jatos militares, mas o aprendizado, com a absorção de tecnologia, possibilitou à Embraer fazer uma evolução e aplicar esta tecnologia em jatos comerciais. O mesmo deve acontecer com a absorção da tecnologia da TV digital.

É possível ‘desacoplar’ a escolha do modelo da TV digital da construção da fábrica? A construção da fábrica tem uma interdependência com o tamanho do mercado e a capacidade exportadora. Ninguém faz uma fábrica apenas para o mercado interno. O que está se discutindo é o sistema que vai ser adotado pelas emissoras de TV, para geração de conteúdo e para emissão do sinal. Quando estivemos no Japão, as indústrias japonesas informaram que estão produzindo aparelhos nas três tecnologias, ou seja, fabricam para os Estados Unidos, Europa e Japão. Eles nos mostraram as entranhas de um aparelho de TV de plasma e, na verdade, ele tem duas placas que se retiram e se substituem apenas de um modelo para outro. Não existe dificuldade de produção dos aparelhos. Agora, a fábrica é uma condicionante. A orientação do presidente Lula é que nós só vamos bater o martelo na hora que tivermos uma garantia de investimento.’



******************

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POLÍTICA & ESPETÁCULO
De comédias e bagatelas

Gaudêncio Torquato

‘No mundo contemporâneo, a política torna-se um exercício de fuga da realidade. E, às vezes, um espetáculo circense. Veja-se essa greve de fome de Anthony Garotinho. Mais que um reality show da política, é a prova cabal de que o velho Montesquieu estava certo ao dizer que ‘o tom do mundo consiste muito em falar de bagatelas como de coisas sérias, e de coisas sérias como de bagatelas’. O marido da governadora Rosinha perde a razão quando queima o manto de pré-candidato à Presidência da República para vestir a roupa de ator de circo mambembe. É um direito que lhe cabe protestar contra situações que considere injustas. Pode até pregar extravagâncias como a censura da imprensa brasileira por organismos internacionais. Cada louco com sua mania. Mas é um dever comportar-se como cidadão que pleiteia o cargo de mandatário da Nação. O poder banha-se de liturgia. E esta exige do político posturas adequadas e respeito a princípios do meio social onde atua. Quando o ator ultrapassa os limites do bom senso, cai no terreno baldio da incredulidade.

E assim, entre comédias e bagatelas, o Brasil expande a política-espetáculo. Até em espaços considerados sagrados os hábitos políticos penetram fundo. Veja-se o convite para o presidente da República discursar no altar de uma igreja, em São Bernardo, por ocasião da missa comemorativa do 1º de Maio. Lula fez campanha dentro da igreja. Antigamente, exagero como esse constituía sacrilégio. Hoje, é abençoado. Quem foi ali assistir a um ato religioso nem mesmo pôde queixar-se ao bispo. O sacerdote terá receio de pegar o chicote para expulsar os vendilhões do templo. E não venham com a história de que essa crítica revela posições conservadoras. Ou com o argumento de que a religião palanqueira é a da libertação do povo. Lugar sagrado precisa ser preservado da politicagem. Até porque é tarefa impossível distinguir valores morais entre os 30 partidos brasileiros.

Da mesma forma, o espaço asséptico da Justiça só deve ser ocupado por gente predestinada a conservar uma linha própria entre as pressões coercitivas da sociedade. A integridade é a virtude maior dos magistrados. Onde está a integridade de juízes que politizam decisões ou agem sob a influência de governos? Lembre-se que os ministros Nelson Jobim e Edson Vidigal, respectivamente ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, deixaram seus cargos com uma bagagem de críticas. Ambos voltaram para as lides políticas e o segundo vestiu rapidamente a camiseta de candidato ao governo do Maranhão. A Justiça seria alçada ao patamar mais alto da grandeza se a magistratura fosse povoada exclusivamente por perfis íntegros, incapazes de trocar a sóbria toga pelo terno vistoso da política. Não é de estranhar que os preceitos constitucionais da autonomia e independência dos Poderes sejam constantemente atropelados por injunções de toda ordem.

A quebra de normas cria buracos no tecido institucional e favorece a personalização da política. A sociedade afasta-se das instituições. As eleições reduzem-se a batalha entre rivais. A menos de cinco meses das eleições, não há uma idéia central, um projeto vigoroso que cause comoção na opinião pública. O que se ouve no cenário das andanças de pré-candidatos é uma toada de xingamentos, autolouvação e exibição do dom da dissimulação. Os gregos da Antiguidade usavam máscaras (persona) para representar as emoções, algumas com traços horripilantes – para caracterizar as tragédias -, outras com traços hilariantes – para simbolizar as comédias. Os nossos atores alternam as máscaras, seja medindo a perda de peso pela greve de fome, seja enxugando lágrimas de filhos.

Desse modo, a hilaridade se espraia nos desvãos da pré-campanha. É a buchada no Nordeste, um prato exótico que o pré-candidato tucano tem de enfrentar para atrair simpatia, enquanto é chamado de Geraldo ‘Alfinim’, um doce típico do cotidiano dos nordestinos. É Lula negando haver crise e manifestando apoio à soberania boliviana, esquecendo que os contratos com a Petrobrás foram feitos sob a mesma soberania. Evo Morales, o ‘irmão mais moço’, é mais que um justo. Livre da fogueira do mensalão, o nosso presidente apresenta o éden terrestre que acaba de ser descoberto. Maquiavel aconselhava o príncipe a divertir e reter o povo em festas e jogos. No Brasil, hábitat do Homo ludens, a diversão das multidões é estatizada e compartilhada com centrais sindicais, uma das quais é a porta-voz do governo lulista. Basta ver as festas do 1º de Maio, com milhões de pessoas mobilizadas para ver seus ídolos e participar de sorteios. O Império Romano, onde o povo pedia pão e circo, é café pequeno comparado ao Império de dom Luiz, Primeiro e Único, Pai dos Pobres.

O Estado-espetáculo, a despolitização da política, a pasteurização partidária, a comédia massificada, o pão ensopado no molho assistencialista, a intoxicação pela propaganda e a fuga da realidade: eis o apreciado menu destes tempos autistas. Não é de admirar que por falta de um sinal mais forte, uma luz mais brilhante, um caminho mais seguro, as pessoas acabem optando pela velha vereda, sinuosa, porém conhecida. Melhor qualquer bugiganga que nenhum presente.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP e consultor político. E-mail: gautor@gtmarketing.com.br



LULA NA MÍDIA
Editorial

Lula e a imprensa

‘‘A liberdade de imprensa é a razão pela qual eu cheguei à Presidência, é a razão pela qual as instituições brasileiras dão demonstrações mais sólidas de crescimento e sustentabilidade democrática.’

Esta curta observação, feita pelo presidente Lula na ocasião em que assinou a Declaração de Chapultepec – documento internacional que estabelece princípios fundamentais da liberdade de imprensa -, já pode ser considerada, por si, um dos mais lúcidos pronunciamentos do presidente da República, em seus 40 meses de gestão. Com efeito, corresponde inteiramente à verdade o fato de o inflamado sindicalista de São Bernardo dever à plena liberdade de expressão a carreira política que o levou ao topo do Poder. Diga-se o mesmo em relação a influência, dessa liberdade, no ‘crescimento e sustentabilidade’ das instituições democráticas brasileiras. Há que se dizer também, no entanto, que o comportamento do presidente e seu governo, no que diz respeito ao relacionamento com a imprensa, esteve bem longe de significar o grau de respeito e consideração contido nas palavras de quarta-feira.

Reconheça-se que neste campo tem havido uma evolução. Durante quase toda sua gestão – com exceção dos últimos tempos, já pré-eleitorais – o presidente Lula se recusou ao saudável hábito das rotineiras entrevistas coletivas, preferindo sempre as comunicações oficiais. Só muito raramente se permitia convidar alguns jornalistas para um ‘café-da-manhã’, mas nessas ocasiões fazia prevalecer mais um espírito de ameno congraçamento do que a intenção de passar informações realmente relevantes, do interesse da sociedade. Mas outros fatos marcaram um relacionamento tumultuado. Um deles foi a tentativa de expulsão do País do jornalista Larry Rohter, do New York Times, por este ter publicado matéria dando conta de hábitos etílicos do presidente.

Foi marcante, por outro lado, o envio ao Congresso Nacional da proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) – que tinha por objetivo expresso ‘orientar, disciplinar e fiscalizar’ o exercício da profissão. Por sobre ser um projeto gritantemente inconstitucional – já que a Constituição, por autodefesa histórica, em seu texto contém uma das maiores repulsas a qualquer espécie de censura -, a idéia do CFJ foi prontamente rechaçada pelos mais amplos setores da opinião pública e acabou – queremos crer – definitivamente sepultada. Embora não se referissem especificamente à imprensa – mas à liberdade de expressão, em gênero -, o famigerado projeto da Ancinav, tentando impor ‘orientações’ à produção cultural, assim como o que pretendia colocar alguma ‘mordaça’ no Ministério Público, foram outras tentativas, felizmente frustradas, de o governo Lula estabelecer cerceamento à livre manifestação de pensamento.

Se reconhecemos que houve uma boa evolução no relacionamento do governo Lula com a imprensa, nos últimos tempos – e esforcemo-nos para, de boa-fé, desvinculá-la de eventuais propósitos reeleitorais -, é porque se torna perceptível a tentativa de o presidente aproximar-se mais dos jornalistas e responder a perguntas, quando indagado. Mas também só quem tenha amadurecido sua percepção, quanto à capacidade de entendimento da sociedade, haveria de expressar com clareza aquilo que o presidente Lula disse, nestes termos: ‘Temos que acreditar que esse povo, por si só, consegue fazer uma diferenciação daquilo que é correto, daquilo que não é correto, daquilo que ele acha que é verdade e daquilo que ele acha que é exagero. Engana-se aquele político que acha que faz as coisas e pensa que o eleitor não faz o julgamento correto. E se engana, também, aquele que escreve alguma coisa sem imaginar ou sem acreditar que o povo tem capacidade de discernimento para saber o que é exagero, o que é verdade, o que é mentira.’

Neste ponto a reflexão do presidente parece extremamente precisa. Restaria apenas torná-la exemplar, no sentido de que o pensamento e a ação – ou as palavras e o comportamento – se tornem cada vez mais associados, a ponto de expressarem a mesma coisa.’



TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Ethevaldo Siqueira

As comunicações do futuro em três siglas

‘Na opinião de especialistas, as três grandes tendências atuais das telecomunicações são: 1) celulares de custo muito baixo; 2) integração entre comunicações fixas e móveis; e 3) multimídia total. Analisemos, então, essas tendências, decifrando nomes e siglas como: ultra-low cost handsets (ULCH), fixed-mobile convergence (FMC) e IP multimedia subsystem (IMS).

Num painel recente sobre celulares de baixo custo, no evento 3GSM, em Barcelona, a finlandesa Nokia e a americana Motorola anunciaram o desenvolvimento de modelos do celular de US$ 30 (R$ 62). Esse preço ainda pode cair mais e chegar, em 2008, ao patamar de US$ 15 (R$ 31).

Operadoras e fabricantes acreditam que telefones celulares assim tão baratos deverão permitir a inclusão de milhões de usuários de baixa renda em todo o planeta, em especial em países como a Índia, a China, o Brasil e a Rússia. De seu lado, as operadoras poderão criar novos modelos de negócio, oferecendo aparelhos celulares a custo zero às camadas de mais baixo poder aquisitivo.

A primeira experiência concreta sobre o impacto social dos ULCHs começa a ser avaliada na Índia, onde as operadoras têm a menor receita média por usuário pré-pago do mundo, por volta de US$ 3,50 (R$ 7,40) mensais. No jargão internacional, o indicador de receita média por usuário (average revenue per user) é conhecido pela sigla ARPU. No Brasil, o menor ARPU está por volta de US$ 7 (ou R$ 15).

O cientista brasileiro Jean-Paul Jacob, pesquisador da IBM há mais de 30 anos, prevê que num futuro próximo teremos celulares pré-pagos descartáveis, de papelão, com circuitos literalmente impressos, abastecidos com crédito para um tempo fixo de ligações locais ou de longa distância. Esses celulares poderão ser utilizados por pessoas de baixa renda e por executivos que viajam muito, seja para ligações urgentes, no último minuto, em aeroportos, em cidades ou países diferentes, ou outros locais.

FIXO-MÓVEL

Entre os benefícios práticos da convergência fixo-móvel ou fixed-mobile convergence (FMC), os especialistas prevêem que, em menos de três anos, nossos celulares poderão identificar a proximidade de um ou mais telefones fixos e assumir temporariamente o número dessas linhas fixas, em casa ou no escritório.

Com essa facilidade, logo ao chegar em casa, passaremos a receber em nosso telefone fixo todas as ligações dirigidas ao nosso celular. Se preferirmos, poderemos atender no celular todas as ligações dirigidas aos telefones fixos de casa ou do escritório. Se o telefone fixo toca cinco vezes e ninguém atende, a ligação é transferida automaticamente para nosso celular.

O mundo caminha para essa integração entre comunicações fixas e móveis, em que o telefone fixo e o celular passarão a se comportar como se fossem um só, somando suas vantagens. Muita gente gostaria de dispor das facilidades dessa convergência, integrando seus celulares e telefones fixos, segundo suas conveniências pessoais. Além de conforto e flexibilidade, poderemos economizar tarifas, quando o telefone fixo substitui o móvel.

As maiores corporações estão trabalhando nessa área de FMC e uma boa notícia é a disponibilidade de tecnologia brasileira, original, desenvolvida pela Flexiware, empresa nascida no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Ceitec), entidade que tem apoio do Sebrae, da Universidade de São Paulo (USP), do Ministério de Ciência e Tecnologia, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo e de outros organismos.

IMS: FUSÃO TOTAL

Num horizonte de três a cinco anos, a convergência fixo-móvel poderá estar tão avançada que nos levará aos ambientes típicos de IMS, com a fusão de todos os meios e serviços.

Em termos práticos, que poderão as futuras redes IMS fazer por nós, usuários? Como mostramos em coluna recente (26 de abril de 2006), essa integração total nos permitirá utilizar, entre outros dispositivos, uma espécie de celular de quarta geração (4G), capaz de conectar-se com qualquer outro serviço ou equipamento, em qualquer lugar, a qualquer hora.

Segundo especialistas, os usuários de redes IMS poderão dispor de qualquer serviço, a qualquer momento, em qualquer lugar, sobre qualquer rede, utilizando qualquer aparelho ou dispositivo. Ou, na expressão inglesa: any service, over any network, to any device.

Como toda inovação disruptiva, as redes IMS trazem desafios, perigos e oportunidades. Entre os desafios, estão a implantação da nova infra-estrutura e a fixação de padrões que lhe garantam interoperabilidade global. A maioria desses padrões, contudo, já foi estabelecida. Entre os perigos, o maior deles talvez seja a quebra de paradigmas, que poderá inviabilizar modelos de negócios tradicionais de grandes concessionárias e operadoras de telecomunicações, hoje dominantes.

Finalmente, quanto às oportunidades abertas pelos subsistemas de multimídia IP, o cenário é dos mais promissores, não apenas para empresas de comunicação eletrônica, como para novas operadores de telecomunicações e produtoras de conteúdo e de informação.’



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Sonia Racy

A Busca É Pelo Melhor Modelo No Longo Prazo

‘O ministro Luiz Furlan tem evitado falar mais explicitamente sobre TV digital. Nesta entrevista, concordou, pela primeira vez, em esclarecer alguns pontos, antes de viajar para a Europa, onde, entre outras, vai se encontrar, em Viena, com investidores interessados na TV digital.

O presidente Lula, aproveitando sua participação no seminário Mercosul-Comunidade Européia, também em Viena, deve participar dos encontros para discutir propostas já montadas em relação ao processo.

Furlan deixou claro, por exemplo, que diferentemente do que se propagou, jamais foi a favor de qualquer modelo. Esclarece também que não há acordo com os japoneses e sim um memorando de entendimento, que não é impositivo e que depende de decisões a serem tomadas pelo governo brasileiro. E ressaltou que a atração para implantação de uma fábrica de semicondutores está atrelada a medidas fiscais em estudo.

Aqui vão trechos da sua entrevista:

O senhor defendia o modelo europeu para a TV digital. O que aconteceu? Em momento algum defendi este ou aquele modelo. Minha posição desde o início foi de que deveríamos aproveitar este momento de escolha de uma nova tecnologia para atrair novos investimentos para o Brasil, adensando a cadeia produtiva eletroeletrônica, um dos pilares da política industrial, que até agora não conseguimos consolidar. Na escolha do modelo, poderemos conhecer e dominar uma nova tecnologia do HDTV, o que é importantíssimo.

Por que isso é importante? Possibilita que instituições de pesquisa e universidades brasileiras possam fazer adaptações e aprimoramentos para termos um sistema brasileiro de TV digital, baseado em tecnologia estrangeira, mas com melhorias e desenvolvimentos feitos por cerca de 30 instituições nacionais, que hoje já fazem experimentos nessa área. A minha posição é de negociar aquilo que for melhor para o Brasil, olhando um futuro de 20 anos e não apenas fazer o melhor negócio no momento.

Nessa viagem ao Japão, foram vários ministros. Quem foi afinal que negociou o acordo da TV digital? A viagem teve orientação do presidente Lula, que estabeleceu que os contatos com o governo seriam feitos e coordenados pelo embaixador Celso Amorim. E os contatos das empresas seriam coordenados por mim. Foi isso que aconteceu.

O governo brasileiro não optou pelo modelo japonês? Não. A opção será tomada oportunamente pelo presidente Lula. Houve análise técnica mostrando que, neste momento, o modelo japonês é tecnicamente melhor, por ser mais recente. Os americanos estão fazendo uma revisão do seu modelo, que é o mais antigo, e isso poderá dar-lhe um upgrade, superando até o modelo japonês. Tecnicamente, os três modelos existentes, ao longo do tempo, terão uma certa equivalência. Temos ainda outros atores que influem, como o tamanho do mercado. Enquanto o modelo japonês só existe no Japão, o modelo americano está na América do Norte e na Coréia e o modelo europeu é utilizado em 56 países.

Os japoneses vão fazer fábrica de semicondutores no Brasil? Por meio de uma proposta nossa, houve uma manifestação concreta de uma das empresas. Mas a atração de uma fábrica desse porte dependerá de um conjunto de estímulos por parte do governo brasileiro, inclusive na área fiscal. Essa sinalização foi dada pelo Ministério da Fazenda e pelo próprio presidente Lula nas reuniões que tivemos ao longo do tempo.

Por que é tão importante para o País uma fábrica deste tipo? Posso dar um exemplo. Quando se levou adiante o projeto binacional, Brasil-Itália, da Embraer, para a fabricação do jato AMX, uma das condições que foi colocada é que nós teríamos a abertura dos códigos, fonte dos sistemas eletrônicos. Por conta disso, foi possível fabricar na Itália e no Brasil uma série desses jatos militares, mas o aprendizado, com a absorção de tecnologia, possibilitou à Embraer fazer uma evolução e aplicar esta tecnologia em jatos comerciais. O mesmo deve acontecer com a absorção da tecnologia da TV digital.

É possível ‘desacoplar’ a escolha do modelo da TV digital da construção da fábrica? A construção da fábrica tem uma interdependência com o tamanho do mercado e a capacidade exportadora. Ninguém faz uma fábrica apenas para o mercado interno. O que está se discutindo é o sistema que vai ser adotado pelas emissoras de TV, para geração de conteúdo e para emissão do sinal. Quando estivemos no Japão, as indústrias japonesas informaram que estão produzindo aparelhos nas três tecnologias, ou seja, fabricam para os Estados Unidos, Europa e Japão. Eles nos mostraram as entranhas de um aparelho de TV de plasma e, na verdade, ele tem duas placas que se retiram e se substituem apenas de um modelo para outro. Não existe dificuldade de produção dos aparelhos. Agora, a fábrica é uma condicionante. A orientação do presidente Lula é que nós só vamos bater o martelo na hora que tivermos uma garantia de investimento.’



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