Domingo, 15 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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IMPRENSA EM QUESTãO >

O fim das casas de massagem

29/08/2006 na edição 396

Em sua coluna de domingo [27/8/06], a ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, anunciou o fim dos anúncios de ‘casas de massagens’ que vinham sendo publicados quase todos os dias na seção de esportes do jornal. ‘Os anúncios são pequenos e discretos em conteúdo, mas nem sempre imparciais: o dinheiro para a publicidade não vem de massagistas treinadas em massagem sueca, shiatsu ou drenagem linfática. E homens não vão lá para terem suas costas massageadas’, disparou Deborah.


Uma matéria de Laura Blumenfeld publicada no dia 15/12/05 deixou a ombudsman com uma pulga atrás da orelha. Desde então, ela começou a investigar os motivos que levam o Post a aceitar publicar tais anúncios. A apuração de Laura foi feita em uma casa de massagem administrada por um coreano, e a repórter entrevistou tanto o gerente como alguns dos clientes que iam ao local para sexo.


Bordéis disfarçados


Durante anos, matérias no Post e outros jornais revelavam que casas de massagens são muitas vezes lugares de prostituição disfarçados. Laura escreveu sobre uma campanha nacional contra a prostituição organizada por uma coalizão bipartidária para pressionar governos locais e estatais para investigar e condenar donos de bordéis e seus clientes.


No dia 17/8, o Post publicou uma matéria de Allan Lengel divulgando uma operação de agentes federais sobre uma organização de tráfico de mulheres na Costa Leste dos EUA, que supostamente convencia mulheres coreanas a trabalharem como prostitutas em casas de massagens. Dentre as 31 pessoas presas, quatro eram gerentes de casas de massagem de Washington; todas já haviam publicado anúncios no Post. Acredita-se que muitas mulheres foram forçadas a trabalhar como prostitutas. Em Washington, 23 coreanas serão entrevistadas para determinar se eram, ou não, vítimas.


Onde fica a ética?


De acordo com Deborah, muitos leitores haviam reclamado dos anúncios no passado, e a matéria do dia 17/8 gerou uma nova onda de reclamações. Steve Lundberg, leitor da Virgínia, observou: ‘É de conhecimento de todos que estes negócios são disfarces para prostituição. Por isso, por que o Post compromete sua integridade ao continuar a aceitar anúncios desta frente do crime organizado? Alguns centímetros de publicidade valem isto tudo?’. Brian C. Hamilton, de Pasadena, expressou a mesma opinião: ‘O Post continua a anunciar prostituição enquanto sacrifica sua integridade jornalística em troca de dólares. O Washington Post e seu departamento publicitário deveriam se envergonhar’.


O jornal defende-se. ‘Não aceitamos intencionalmente anúncios de negócios ilegais, mas temos de confiar nas licenças de autoridades e no cumprimento da lei para determinar se uma empresa não está operando legalmente. As casas de massagem e spas que anunciaram no Post estavam licenciadas para operar sob as jurisdições às quais estavam locadas, e o Post exige provas de uma licença de funcionamento. Se tomamos conhecimento que um negócio não está operando de acordo com a lei, como aconteceu com as recentes prisões, não publicamos mais os anúncios’, alegou Mary Ann Werner, vice-presidente e conselheira do Post. Mary Ann também informou que o Post não checa rotineiramente todos os anunciantes para saber se suas licenças continuam a valer. Somente depois da investigação de Deborah, iniciada há poucos meses, as casas de massagens começaram a ter suas licenças constantemente checadas pelo jornal.


Para a ombudsman, tais anúncios não deveriam ser aceitos pelo diário. ‘Alguns jornais de igual qualidade não aceitam anúncios de casas de massagem, como o New York Times, Los Angeles Times, Chicago Tribune e Boston Globe. O Post deveria se juntar a eles’, opina.


Produtos polêmicos


Mary Ann alegou que, com tais prisões, as políticas do jornal podem ser revistas. Outros anunciantes também são considerados controversos, como tabaco, álcool ou armas. ‘Desde que sejam produtos legais, aceitamos os anúncios, embora estabeleçamos algumas regras para o setor de armas, em termos do tipo de anúncio que aceitamos e como o produto é mostrado’, afirmou Mary Ann.

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