Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
Menu

ENTRE ASPAS >

OI na TV comemora uma década com novidades

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 22/05/2008 na edição 486

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


************


Comunique-se


Quinta-feira, 22 de maio de 2008


TELEVISÃO
Marcelo Tavela


OI na TV completa dez anos olhando para frente


‘Na ocasião que completa uma década de exibição – primeiro produzido pela TVE e agora pela TV Brasil –, o Observatório da Imprensa na TV presenteará seus admiradores. Até julho, o programa terá mudanças no cenário e no formato, com mais interatividade e participação dos espectadores por vídeos enviados pela internet. E a colaboração de seis correspondentes internacionais, dando uma visão de fora da imprensa brasileira.


Colaboradores mesmo, já que a participação dos jornalistas será voluntária. Três já estão definidos: Caio Blinder em Nova York, Silio Boccanera de Londres e Ariel Palácios em Buenos Aires. ‘Vamos ter alguém em Paris, e uma mulher também. O problema de Europa é o fuso horário. Uma vez o Silio participou ao vivo, e teve que ficar acordado até às 2h30min’, conta Alberto Dines, criador, editor e apresentador do OI na TV.


Mesmo para quem está no mesmo fuso, horário é problema, com o programa sendo exibido às 22h40 pela TV Brasil e às 0h10min na TV Cultura. ‘Estamos em uma emissora pública, de poucos recursos, em horário tardio. Os jovens já saíram e os velhos foram dormir. Mas o que me chama atenção é um retorno surpreendente. Eu pego táxi, o taxista me olha, diz que me conhece e fala do Observatório. Já me disseram na rua: ‘eu nunca mais li jornal do mesmo jeito’, relata, citando o slogan do programa. ‘A ponte-aérea é uma lâmina para isso’.


Rotina e produção


Dines divide sua semana entre Rio e São Paulo. Na terça-feira em que grava o programa já acontece a reunião de pauta para o próximo. Na quarta-feira de manhã, a produção já começa a preparar o VT que vai ao ar antes do debate. ‘Temos só a quinta-feira para gravar. Concebemos o quadro de convidados, sempre com duas alternativas para cada posição. Procuramos manter um quadro de equilíbrio nas três praças em que o programa é produzido’, diz Dines.


Na terça-feira (20/05), o tema foi a cobertura de meio ambiente, pautado pela saída da ministra Marina Silva. Os convidados foram o diretor de conteúdo do Estado de S. Paulo, Ricardo Gandour, de São Paulo; o colunista de O Eco Sérgio Abranches, do Rio; e o deputado federal José Sarney Filho (PV-MA), de Brasília. ‘Tentamos a Marina, mas ela não quis se expor’, lamenta Zezé Sack, produtora do programa. A próxima edição tratará do revival de maio de 1968.


A coordenação das três praças é feita de um switcher. Estagiários do programa atendem as ligações dos espectadores. ‘Isso vai mudar; será tudo por internet’, adianta Zezé. Alguns fãs ligam em todas as edições, e já são conhecidos da equipe de produção.


Mídia pela mídia


Dines concorda que há poucos espaços para discussão da mídia, mas acha que o Brasil está à frente em relação aos demais países do continente. ‘O País se destaca no panorama latino-americano. Já fiz apresentações na Argentina e não há nada parecido lá, com uma agenda de discussão da imprensa’, afirma.


O jornalista, que entra no seu 55º ano de carreira, começou a fazer análises da imprensa ainda quando trabalhava na Folha de S. Paulo. ‘Você já deve ter lido essa história. Em 1975, eu estava voltando dos Estados Unidos, onde se discutia muito imprensa por causa do Waltergate. O Frias – o velho Frias – me convidou para comandar a sucursal da Folha no Rio. Aceitei, mas propus fazer algo a mais: uma coluna, no caderno de cultura de segunda – o dia mais fraco –, sobre mídia. Consegui convencê-lo, mas ele botou a mão no meu ombro e disse: ‘Você vai arranjar muitos inimigos’. De fato, arranjei, incluindo gente na própria Folha. Mas os ombudsmen deles vêm sempre’.


Dines não dá nomes, mas há profissionais e veículos que recusam participação no programa. ‘Há muita gente zangada, que faz parte de uma curriola. Há um grande jornalista, amigo meu, que convido há dez anos, mas sempre arranja uma desculpa’, conta, rindo.


Avaliando o programa, Dines diz que o trunfo do OI na TV ‘não é ser um debate inflamado e acelerado, mas que todos tenham tempo de dizer o que pensam. É muito importante preservar a agilidade mas conciliar a densidade’. Para o futuro, espera que a co-produção entre TV Brasil e TV Cultura saia, para reforçar a estrutura do programa e sincronizar a exibição com São Paulo.


‘Vamos ver se há um diálogo institucional. Jornalismo não se constrói do nada, da noite para o dia. Mas eu tenho paciência. Não sou mais nenhuma criança, mas tenho paciência’, diz.


Mais comemorações


Ao longo dos próximos meses, o Oi na TV exibirá programas especiais sobre os 200 anos da imprensa brasileira como celebração do seu próprio aniversário. O primeiro, sobre o início da tipografia no Brasil, já foi ao ar. Os próximos serão sobre o Correio Braziliense e A Gazeta do Rio de Janeiro.’


 


 


************


Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 22 de maio de 2008


DOSSIÊ
Folha de S. Paulo


Sobrou para o sub


‘DILMA, que mandava em Erenice, que mandava em Aparecido, que mandava em Marcelo, que não mandava em ninguém. Pior para Marcelo. Pelo andar da carruagem governista, Marcelo Veloso, em terminologia presidencial ‘o sub do sub do sub’ na Casa Civil, é quem vai ter de explicar o dossiê com gastos palacianos de FHC.


Isso é o que se depreende do emaranhado narrativo produzido na CPI dos Cartões por José Aparecido Nunes Pires, o funcionário da Casa Civil que enviou mensagem eletrônica com o dossiê a um assessor do senador tucano Álvaro Dias. Nunes Pires diz que recebeu o arquivo de Veloso, subalterno cedido para a força-tarefa que produzia o ‘banco de dados’ sobre despesas presidenciais da gestão tucana.


O depoimento do ex-secretário de Controle Interno buscou evitar que as chamas da suspeita se propagassem morro acima. José Aparecido afirma que não tratou do tema nem com Dilma Rousseff nem com Erenice Guerra, braço-direito da ministra. Recebeu a planilha de seu subalterno e a repassou por engano, diz a quem queira acreditar, a seu ‘ex-amigo’ André Fernandes, funcionário do senador do PSDB.


Futricas de servidores de terceiro escalão à parte, o que restou de relevante dos depoimentos de Nunes Pires e de Fernandes já era conhecido. O governo petista, temendo o desgaste da possível revelação de despesas pessoais do presidente Lula, se armou para uma guerrilha contra a oposição em torno das compras palacianas.


O dossiê, ao mostrar a aquisição pela gestão FHC de artigos luxuosos -algo normal em se tratando de despesas da Presidência-, tinha objetivo dissuasório. Avisar a oposição de que o Planalto possuía informações privilegiadas, e que as poderia usar a qualquer tempo, viria a calhar para a intenção do governo.


O ‘banco de dados’ foi uma operação política, baseada em informações às quais apenas o governo Lula tinha acesso e motivada pelo espírito da chantagem. O depoimento de Erenice Guerra era o mínimo que se exigia para tentar chegar ao mentor do esquema intimidatório. Mas a CPI, ao que parece, será enterrada pelos coveiros do governismo sem esse depoimento-chave.’


 


CONECTIVIDADE
Cássio Schubsky


‘Big bug’, o grande caos


‘QUANDO HOUVE a virada do novo milênio, rondava entre nós, os conectados na internet, o medo do chamado bug.


Temia-se que os computadores entrassem numa espécie de catalepsia em rede, ocasionada por uma situação inusitada: os softwares não estariam programados para decodificar os dígitos do ano 2000. As máquinas como que parariam no tempo ou, pior, voltariam para trás, no fatídico 1º de janeiro de 00.


O risco era o de que a pane acarretasse reveses econômicos inestimáveis. Conjecturava-se que os bancos, coitados, sofreriam perdas medonhas -pela primeira vez! Parecia até sabotagem arquitetada por astutos hackers para promover, se não a redistribuição de renda, alguma perda econômica, que fosse, para os aquinhoados pelo destino (e pela herança).


Programadores acorreram de todos os lados, esbaforidos, para evitar o pior. E o pior não veio. Não veio?


Por outro lado, há muitos anos, contingentes expressivos de seres humanos vinham acalentando a perspectiva de que os avanços tecnológicos nos levariam a trabalhar menos: as máquinas nos serviriam, enquanto poderíamos despender o tempo extra resultante dessa servidão a nosso bel-prazer, para o lazer, em idílico ‘dolce far niente’. O melhor da festa viria.


Veio?


É fácil perceber que, em termos de previsões, nossos futurólogos da tecnologia são um fiasco. Nem bug, nem ‘dolce far niente’. O que veio -e parece que para ficar…- é uma espécie de ‘big bug’, ou, na língua de Machado de Assis, o grande caos.


As novas tecnologias estão fazendo muitos de nós trabalharmos sem parar. Se as férias já eram poucas, muitas vezes resumidas a parcos dias nas festas de final de ano, agora, ainda por cima (por baixo, por trás e pelo lado), são contaminadas pelo vírus da conectividade permanente: celular, iPhone, computador portátil, enfim, o escambau, que fica ligado, piscando, vibrando, zunindo, para acabar com nosso sossego. Adeus, fim-de-semana, oh! saudosas noites de luar! (ou de céu cinzento, que fossem).


O que dizer, então, do famigerado e-mail? ‘Uma maravilha! Agiliza tudo! Facilita a comunicação entre as pessoas’, dirão os incautos. Ora, além de não ter diminuído a jornada de trabalho, a tecnologia, por via do e-mail -para ficar apenas no nosso exemplo-, está fazendo com que trabalhemos mais horas. Muito mais!


Se alguém nos envia uma mensagem, antes de tudo, é preciso lê-la.


Muitas vezes, respondê-la. Fique-se um dia sem consultar a caixa de mensagens, e elas irão se acumulando como coelhos cibernéticos, com suas respostas, cópias e encaminhamentos para terceiros.


E as tão sonhadas horas extras para o lazer viram pó, ou melhor, viram bits, pois as ocuparemos, até o fim dos tempos, somadas a outras horas extras de mais trabalho, para responder os queridos e-mails, copiá-los e encaminhá-los. E, depois de tudo, talvez ainda sobre um tempinho para deletá-los ou deles fazermos ‘backup’.


E, se não sobrar, estaremos, como dizer… bem arranjados, porque, ou nosso computador dará uma pane qualquer por excesso de informação acumulada, ou então, para evitar o ‘big bug’ pessoal, teremos, fatalmente, de limpar as caixas de mensagens, de entrada e de saída, as lixeiras, a parafernália toda.


Já sei: já é possível deixar os e-mails em sites hospedeiros, com segurança e praticidade. Vai confiar…


Com tudo isso, o tempo tem se tornado um dos bens mais escassos de nossa era. Em outras palavras: já se foi o tempo em que se tinha tempo para discutir o tempo, digo, se dia de sol ou de chuva. Agora, basta um click de nada, a qualquer hora e em qualquer lugar, e todas as informações estarão disponíveis instantaneamente. O prazer da conversa e o esforço prazeroso da busca pela informação? Baubau.


Já não bastasse o trânsito, que cresce maligno, invadindo as ruas e todas as conversas (falta de assunto, viu?!), surrupiando o nosso precioso tempo, agora estamos escravizados pela tirania do e-mail. De repente, todo mundo acorda de uma longa letargia para olhar o caos urbano, a imobilidade instalada. E alguém ainda comemora a possibilidade de não perder tempo no engarrafamento, porque existe celular com e-mail. Que maravilha…


Onde é que nós vamos parar? Difícil dizer. O fato é que já estamos parando… De minha parte, alheio ao famigerado boom da indústria automobilística, tenho andado cada vez mais a pé. E tenho andado também com uma saudade danada de minha maquininha de escrever, de seu suave tec-tec-tec… tec-tec-tec… Agora, para completar, vou pegar um punhado de papel vegetal pautado, para escrever, de próprio punho, longas cartas aos amigos, tudo com muito vagar, apoderando-me do tempo e de mim mesmo… Adeus, pressa. ‘Bye, bug’!


CÁSSIO SCHUBSKY, 42, formado em direito pela USP e em história pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), é editor e historiador.’


 


GOVERNO
Andreza Matais e Adriano Ceolin


Filho de Hélio Costa é ‘fantasma’ no Senado


‘O filho do ministro Hélio Costa (Comunicações) Eugenio Alexandre Tollendal Costa é funcionário-fantasma no gabinete do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), em Brasília. Eugenio tem um cargo de assistente parlamentar no Senado há cinco anos, mas nem o próprio senador o conhece.


Flexa Ribeiro afirmou nunca ter falado com Eugenio, nem pelo telefone. ‘Nunca falei com ele. Não o conheço, não sei onde ele mora’, disse o tucano. Eugenio vive em Juiz de Fora (MG). A Folha ouviu várias pessoas no gabinete de Flexa Ribeiro que nunca viram o filho do ministro no local.


Como assistente parlamentar de Flexa, Eugenio ganha R$ 2.649,46 por mês. Conforme ato de nomeação, ele foi contratado em 13 de junho de 2003 para assessorar Duciomar Costa (PTB-PA). À época, Duciomar e Hélio Costa -que foi para o ministério em 2005- eram colegas no Senado.


O petebista foi eleito prefeito de Belém em 2004, quando deixou sua cadeira para seu suplente, Flexa Ribeiro, que manteve Eugenio no cargo até hoje.


Nos últimos anos, porém, Eugenio estudou e trabalhou em Juiz de Fora, em atividades que não têm nenhuma relação com o Senado ou o Pará.


Entre abril de 2007 e fevereiro de 2008, por exemplo, o filho do ministro trabalhou na afiliada da TV Globo mineira, emissora que pertence às Organizações Panorama. O departamento de recursos humanos da empresa confirmou que Eugenio foi contratado, com carteira assinada, como designer.


Eugenio disse, no entanto, que só ‘prestou serviços’ à afiliada da Globo. Ele contou que se formou, em dezembro de 2007, no curso de comunicação social da Faculdade Universo de Juiz de Fora. A instituição é da família do suplente de Costa, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG). Ele nunca se afastou da sua função de assessor parlamentar.


Versões


Flexa, Duciomar e Eugênio apresentaram versões diferentes para a contratação e o trabalho que ele exerce no gabinete.


O senador disse que o manteve no cargo a pedido do prefeito de Belém e que soube que o rapaz era filho de Hélio Costa há apenas um ano e meio.


‘O funcionário em questão está lotado no gabinete por solicitação do prefeito Duciomar’, disse o tucano. ‘São três ou quatro pessoas que ele me pediu que fossem mantidas.’


Em princípio, Flexa disse que o trabalho de Eugenio é prestar-lhe assessoria política. ‘No momento ele não está desenvolvendo nenhum trabalho direto, e sim um trabalho político, de assessoria política.’


Em seguida mudou a versão. Disse que, ‘na verdade’, Eugenio nunca fez nenhum tipo de trabalho para ele, mas sim para o atual prefeito de Belém. ‘Para mim, não [trabalhou]. Faz, segundo relato do Duciomar, para o Duciomar’, disse. ‘Não tenho informações sobre o que é esse trabalho’.


Por meio de sua assessoria de imprensa, o prefeito de Belém afirmou que nunca contratou nenhum funcionário com o nome de Eugenio no período em que foi senador e nem pediu para que seu suplente o mantivesse no cargo. ‘Não o conheço. Nunca trabalhou comigo.’


O ato de nomeação demonstra que foi o então senador Duciomar Costa que contratou Eugenio.


Eugenio contou que trabalhou para Duciomar e que, atualmente, serve ao senador Flexa Ribeiro. Em princípio, disse que era advogado e que prestava assessoria parlamentar. Depois, afirmou que atuava como assessor de comunicação. E, ao contrário de Flexa Ribeiro, que disse nunca ter conversado com o funcionário, afirmou que fala com ele freqüentemente. ‘Eu falo com ele [Flexa] pelo telefone, pela internet’, disse. ‘Eu cuido da divulgação da página do senador Flexa. As matérias que saem, eu ajudo a dar uma filtrada.’’


 


‘Faço coisa de internet’, afirma filho de ministro


‘O filho do ministro Hélio Costa Eugenio Costa disse que não é funcionário-fantasma do Senado. Ele contou que trabalha pela internet para o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). ‘Eu faço arte gráfica, coisa de internet.’


Confirmou que exerce outras atividades paralelamente à do Senado e, irritado, pediu que a mulher dele, Olivia, falasse com a reportagem.


Antes, porém, questionou: ‘Qual é o seu interesse em divulgar isso? Qual é o seu trabalho na Folha de S.Paulo?’. O repórter respondeu: ‘Sou um jornalista que faço a cobertura do Senado’. Eugenio disse: ‘Exatamente. Eu sou assessor parlamentar e trabalho na área de assessoria de comunicação’.


A Folha pediu, então, para que ele descrevesse o seu trabalho. ‘Ai, ai… [silêncio]. Eu não estou podendo falar agora, não. Não tenho nenhuma informação para dar a você’, disse, passando o telefone para Olivia.


A direção-geral do Senado afirmou que os senadores podem manter assessores de confiança em qualquer parte do país. Não há nada específico no regimento da Casa, apenas uma decisão da Mesa Diretora tomada sobre o assunto após uma reunião realizada em março de 1997.


Flexa disse que vai manter o filho de Costa no seu gabinete até ele concluir trabalho que ele estaria desenvolvendo para o prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB), que negou, no entanto, que o rapaz esteja realizando algum serviço para ele. O ministro não foi encontrado.’


 


Ministro passou rádio para assessor


‘O ministro das Comunicações, Hélio Costa, teve o nome citado em dois episódios recentes: ao levar os sogros e cinco assessores da pasta a uma feira sobre TV nos EUA em abril e na acusação de ter transferido uma rádio FM que estava em seu nome para seu chefe-de-gabinete.


No caso da feira em Las Vegas, os parentes de Costa viajaram em um pacote promocional da Aesp (Associação das Emissoras de Rádio e Televisão de São Paulo), exclusivo para emissoras de rádio, ao custo individual de R$ 2.700 a R$ 4.000, segundo a Aesp.


O ministério diz que os sogros de Costa custearam seus gastos. Já o ministro e os assessores tiveram as despesas pagas pelo governo (R$ 83.500).


Em relação à rádio Sucesso FM, de Barbacena (MG), Costa era seu antigo sócio majoritário, mas, ao ingressar no governo Lula, em 2005, foi aconselhado pela Comissão de Ética Pública a tomar medida que evitasse conflito de interesses. Em 2006, ele divulgou ter vendido sua participação na emissora.


A FM pertence ao chefe-de-gabinete do ministro, José Artur Filardi Leite, mas está registrada em nome de sua mulher, Patrícia Neves Moreira Leite. Ela é funcionária comissionados do Senado. Segundo o registro oficial do ministério, Leite não detém participação em emissoras.


A assessoria de Costa diz que ter uma rádio registrada em nome da mulher de seu chefe-de-gabinete não é ‘eticamente incompatível’. Para Leite, a aquisição não fere a lei.’


 


CAMPANHA
Folha de S. Paulo


Radialista retira candidatura em prol de ex-prefeito de Salvador


‘Na eleição para a Prefeitura de Salvador, o radialista Raimundo Varela (PRB) aceitou ontem retirar sua pré-candidatura para compor a chapa do ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB). Varela, que nunca disputou eleição, liderava pesquisas.


O acordo foi fechado em São Paulo anteontem à noite, e contou com as presenças de executivos da Rede Record -emissora ligada à Igreja Universal, onde Varela apresenta um programa na TV Itapoan (afiliada da Record).


Segundo políticos ligados a Imbassahy, o governador José Serra (PSDB) estimulou o acordo. Ex-prefeito de Salvador (1996-2004), Imbassahy disse que Serra não teve ‘nenhuma participação’.


‘Todos os detalhes foram acertados, mas preciso da bênção do vice-presidente José Alencar, o principal nome do PRB’, disse Varela.


‘A popularidade de Varela será muito importante na minha caminhada’, acrescentou Imbassahy, que fez sua carreira no grupo comandado pelo então senador ACM (1927-2007) -o rompimento aconteceu em 2005.


Pré-candidato do DEM à sucessão municipal, o deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto não quis comentar ontem o acordo entre o PSDB e o PRB.


No domingo, o PT faz prévias para escolher entre os deputados federais Nelson Pellegrino e Walter Pinheiro. Também são pré-candidatos a deputada Lídice da Mata (PSB) e a vereadora Olívia Santana (PC do B).’


 


TELECOMUNICAÇÃO
Folha de S. Paulo


Anatel adia decisão sobre mudança em lei


‘A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) adiou a decisão sobre a proposta de alteração na regulamentação do setor que permitirá a compra da Brasil Telecom pela Oi. O tema foi retirado de pauta porque não houve consenso entre os conselheiros.’


 


INTERNET
Folha de S. Paulo


Microsoft vai pagar para quem usar sua busca


‘A Microsoft anunciou ontem que começará a pagar aos usuários que começarem a usar o seu serviço de buscas na internet. A medida é uma nova tentativa da empresa de ganhar espaço no lucrativo mercado de publicidade on-line, que atualmente é dominado pelo Google, depois de não conseguir fechar a aquisição do Yahoo!.


O sistema da Microsoft, que só vale para residentes nos Estados Unidos, é bastante simples: ela pagará uma porcentagem do valor da compra dos usuários que utilizarem a sua ferramenta de comparação de preços (search.live.com/cashback). Quando acumular US$ 5, o usuário, que precisa se cadastrar no site da Microsoft, poderá pedir o reembolso. O percentual varia de acordo com o produto e o próprio site calcula o valor do reembolso.


‘Nós queremos fornecer o melhor resultado em buscas’, afirmou Bill Gates, o presidente do conselho da Microsoft. ‘Isso [a ferramenta] está dando [aos consumidores] um motivo para usar uma determinada busca e ganhar algo em troca.’


Segundo a companhia, 700 empresas, como Sears e Barnes & Noble, participarão da ferramenta e mais de 10 milhões de produtos serão oferecidos.


O mecanismo não é novidade. A companhia usa a tecnologia do site Jellyfish -adquirido pela própria Microsoft no final do ano passado-, que tem um sistema de comparação de preços semelhante ao do brasileiro BuscaPé, só que pagando comissão aos consumidores.


Com o novo serviço, a Microsoft pretende atrair mais consumidores para o seu serviço de buscas e, conseqüentemente, para a publicidade ligada a essas buscas, que é hoje a maior fonte de renda dessas empresas. Atualmente o Google tem cerca de 60% do mercado de buscas nos EUA, e a Microsoft é apenas a terceira maior do setor, com quase 10% -o Yahoo! tem pouco mais de 20%, segundo a consultoria comScore.


Como parte do programa, a Microsoft também vai permitir que os anunciantes paguem pela publicidade somente quando for realizada uma compra, em vez de quando o anúncio é clicado. Para a companhia, esse modelo permite um retorno mais preciso do investimento.


‘Nós acreditamos que o serviço de busca pode dar muito mais em troca para consumidores e anunciantes e enxergamos o reembolso pelo Live Search como uma importante oportunidade para oferecer algo mais’, disse Gates. ‘[O mecanismo] vai ajudar os anunciantes a conseguirem mais vendas on-line ao mesmo tempo em que dá aos consumidores uma nova maneira de ‘alongarem’ o seu dinheiro.’


Com agências internacionais’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Apresentador incorpora espírito na Rede TV!


‘Para salvar seu ‘Encontro Marcado’, o apresentador Luiz Gasparetto resolveu apelar a sessões de incorporação de espírito no programa, exibido pela Rede TV!, às 18h.


A primeira experiência ocorreu na última sexta, em edição gravada. A audiência, que oscilava entre um e dois pontos no Ibope, saltou para 2,5. Fez tanto sucesso que a Rede TV! está exibindo chamadas convocando a audiência para o ‘Encontro Marcado’ da próxima segunda, quando Gasparetto promete incorporar ao vivo e atender a telefonemas de aflitos. Ameaçado de sair do ar, o programa foi salvo pelo Além.


No programa de sexta, Gasparetto, que é psicólogo de formação e se define como médium psicopictográfico, incorporou Calunga, seu ‘espírito mentor’. Durante a sessão, o apresentador fechou os olhos e mudou a voz, falando com sotaque caipira. Ao final do bloco, Calunga se despediu: ‘Até uma próxima, se me permitirem’.


Filho de Zíbia Gasparetto, grande vendedora de livros de auto-ajuda, Gasparetto descobriu sua ‘mediunidade’ ainda na adolescência, quando teria incorporado espíritos de grandes mestres da pintura. Nos anos 90, rompeu com a doutrina espírita, porque Calunga, seu guia, seria um ‘preto-velho’, entidade da umbanda.


Até a conclusão desta edição, Gasparetto não havia atendido ao pedido de entrevista feito pela Folha.


BONDADE 1 A Globo liberou a Band a transmitir ontem Fluminense x São Paulo, pela Libertadores, embora a competição não faça parte do acordo entre as duas TVs. Foi para compensar a Band pela perda de Botafogo x Corinthians (Copa do Brasil).


BONDADE 2 O jogo da Copa do Brasil, inicialmente, seria ontem, mas a Globo articulou para que fosse antecipado para a terça. Dessa forma, deixou de correr risco de perder para a Band no Ibope caso a ‘parceira’ exibisse Corinthians e ela, São Paulo.


BONDADE 3 A Globo diz que a CBF mudou Botafogo x Corinthians para a terça para evitar dois jogos no mesmo dia no Rio. E que cedeu a Libertadores à Band para não prejudicar a parceria.


CLASSIFICADOS Um ‘head hunter’ está à procura de um executivo para comandar uma emissora paulista que fatura em torno de R$ 1 bilhão por ano. O nome da emissora até agora é sigilo.


FACTÓIDE Autor de ‘Caminhos do Coração’, Tiago Santiago nega que a novela da Record vá exibir um beijo entre dois homens antes de ‘Duas Caras’. O boato foi espalhado por Aguinaldo Silva, autor da novela da Globo, em seu blog. Silva tenta emplacar um ‘beijo entre iguais’ em sua novela, mas a cúpula da Globo tende a vetá-lo.


REPLAY A Record estuda reprisar ‘Prova de Amor’, sua maior audiência até agora, como forma de ‘aquecimento’ do terceiro horário de novelas.’


 


1968
Folha de S. Paulo


‘Continuo um otimista’, diz Zuenir


‘Renato Janine Ribeiro diz que protagonistas de 68 dão, hoje, a impressão de que ‘tudo o que havia para ser feito já foi feito’


O professor de ética e filosofia política da USP Renato Janine Ribeiro veio com a provocação: ‘Zuenir, achei seu livro novo um tanto melancólico’. Foi a deixa para o jornalista Zuenir Ventura, que acaba de lançar ‘1968 – O que Fizemos de Nós’ (Planeta), rebater: ‘Continuo um otimista incorrigível’.


Foi entre dois extremos de interpretação sobre o ano bissexto que se tornou sinônimo da rebeldia juvenil que transcorreu o debate realizado na última terça no auditório da Folha. Integraram a mesa ainda os jornalistas Roberto D’Ávila e Mário Magalhães (mediador).


Para Zuenir Ventura, ainda é um mistério aquela ‘sincronia’ que fez com que em um mesmo ano, em países diferentes como França, EUA, Tchecoslováquia e Brasil, os jovens deixassem o cabelo crescer, ouvissem as mesmas músicas, desconfiassem de todos com mais de 30. ‘1968 não desaparece e é lembrado como se fosse uma pessoa porque foi um ano com um caráter, dado pela rebeldia generalizada naquele momento.’


Segundo o professor Renato Janine, ‘a menina poder transar com o namorado na casa dos próprios pais tem a ver com o legado de 1968. Como também tem a ver, claro, a perda do recato -o piercing nos órgãos genitais, por exemplo’.


‘1968 – O que Fizemos de Nós’ é continuação de ‘1968 -0O Ano que Não Terminou’, do mesmo Zuenir, lançado há 20 anos (os dois livros são comercializados juntos, ao preço médio de R$ 75).


Janine vê uma nota de melancolia nos depoimentos dos ‘meia-oitos’ entrevistados por Zuenir no livro recente, em oposição à ‘vida’ que aparecia no de 20 anos atrás. ‘Achei o segundo livro pesado. No primeiro, as pessoas que fizeram 1968 ainda eram jovens, cheias de vida, a coisa toda era muito viva. Em 2008, parece que tudo o que havia para ser feito já foi feito. Os protagonistas de 68 dão a impressão, hoje, de que aquilo tudo foi arrematado.’


O jornalista Roberto D’Ávila discordou. Lembrou um almoço que teve um dia antes do ataque às Torres Gêmeas, no 11 de Setembro, com o arquiteto Oscar Niemeyer. ‘Eu reclamava de que nada mais acontecia, que estava tudo chato. E, no dia seguinte, no entanto…’ Segundo D’Ávila, ‘nada foi arrematado, e morreu aquele papo de que a história acabou’.


‘Desdobramentos vivos’


Zuenir Ventura disse ter ficado ‘chocado’ ao escutar que seu livro poderia ser lido por um registro melancólico. Segundo ele, os movimentos feminista, negro, homossexual e ambientalista são desdobramentos vivos de 1968.


‘São movimentos diferentes de 1968? São. Em 1968, a questão gay, por exemplo, não tinha nem sequer saído do armário’, disse Zuenir. A diferença, paradoxalmente, é que aproxima os movimentos, já que 1968 foi o ano em que se consagrou o princípio libertário, que implica o respeito ao diferente (lembre-se do ‘É Proibido Proibir’). ‘É como disse o Caetano [Veloso], quando questionei se 1968 poderia ocorrer de novo: ‘Para ser parecido, tem de ser completamente diferente’.’


‘Eu não acho que só tenha restado aquela coisa ‘carpe diem’, do êxtase imediato, do ecstasy nas raves’, afirmou.’


 


LUTO
Denise Menchen


ABL se despede de Zélia e cadeira já tem candidatos


‘Quatro dias após a morte de Zélia Gattai, a disputa pela cadeira de número 23 da Academia Brasileira de Letras foi aberta ontem e já tem três candidatos oficiais. O jornalista e crítico musical Luiz Paulo Horta, 64, o escritor Antônio Torres, 67, e o colunista Jeff Thomas -descrito pelos acadêmicos como ‘eterno perdedor’- apresentaram ontem a carta que oficializa a intenção de disputar a vaga. Nos bastidores, no entanto, fala-se em até 17 possíveis candidatos.


‘Muita gente levou a sério a questão da imortalidade’, brinca o acadêmico Carlos Heitor Cony, citando o período de mais de dois anos transcorrido desde a abertura da última vaga como um dos motivos para o elevado número de concorrentes para a cadeira deixada por Zélia, a mesma que pertenceu a Machado de Assis.


Segundo integrantes da ABL ouvidos pela Folha, entre os que já manifestaram interesse em disputar a vaga estariam Barbara Heliodora, Cláudio Murilo, Cleonice Berardinelli, Fábio Lucas, Isabel Lustosa, Octavio Alvarenga, Rosiska Darcy de Oliveira e Ziraldo.


O nome do jornalista e crítico musical de ‘O Globo’ Luiz Paulo Horta é apontado como favorito. ‘Ele é quem está reunindo o maior número de adesões’, diz Murilo Melo Filho, ocupante da cadeira 20. Segundo ele, Horta já teria ‘6 ou 7’ votos. No total, a ABL tem 40 membros.


O prazo de inscrição para postulantes à vaga é de 60 dias. Ao final, será marcada a data da eleição.


Cerimônia


Na presença de familiares e amigos, as cinzas da escritora foram enterradas ontem à tarde sob o pé de uma mangueira na casa do Rio Vermelho, em Salvador, onde ela e o escritor Jorge Amado (1912-2001) viveram 38 anos.


Colaborou a Agência Folha, em Salvador’


 


 


************


O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 22 de maio de 2008


ELEIÇÕES NOS EUA
Renato Cruz, New Haven, EUA


Campanha debate futuro da web


‘A expressão ‘neutralidade de rede’ talvez não seja familiar para muita gente, mas é o ponto mais importante das discussões sobre a política tecnológica do próximo presidente americano. A situação nos EUA pode, até mesmo, afetar o uso da rede mundial em outros países. Até agora, a internet tem sido uma rede neutra. Qualquer conteúdo é tratado da mesma maneira. A tecnologia disponível hoje permite, no entanto, que a empresa que oferece banda larga privilegie o conteúdo de parceiros comerciais ou companhias do mesmo grupo, prejudicando os concorrentes dessas empresas.


Ontem, representantes dos candidatos John McCain e Barack Obama participaram do evento Computers, Freedom and Privacy (Computadores, Liberdade e Privacidade), promovido pela Universidade Yale, em New Haven. Ambos concordaram que é importante manter a neutralidade de rede, mas apresentaram propostas bastante diferentes.


‘A neutralidade de rede é um valor fundamental, que deve ser protegido’, disse Daniel Weitzner, representante da campanha de Obama. ‘As forças do mercado não são suficientes para assegurá-la.’ Para ele, o Estado deve intervir para manter esse princípio. Chuck Fish, representante da campanha de McCain, foi na direção contrária e defendeu menos regras para as telecomunicações: ‘Somos favoráveis a uma regulamentação leve, combinada a mercados mais livres e abertos.’ Na visão dele, o governo só deve atuar se houver um problema concreto. ‘Há o risco de excesso de regulamentação, o que acabaria prejudicando o desenvolvimento do mercado.’


Na visão de Weitzner, a internet corre o risco de tornar-se algo muito diferente do que é hoje, com mais velocidade e conteúdo, mas sem liberdade. ‘Manter a rede aberta é mais importante do que tornar o acesso mais rápido’, disse o assessor de Obama. O representante de McCain prefere usar a expressão ‘segurança pessoal’ em vez de privacidade. ‘Precisamos analisar essa questão de maneira mais ampla.’


O repórter viajou a convite da Universidade Yale’


 


ANÁLISE
O Estado de S. Paulo


‘FT’ cita corte de cana em crítica a etanol brasileiro


‘As más condições de trabalho dos cortadores de cana e o impacto ambiental das plantações estão ‘manchando’ a indústria brasileira do etanol, segundo análise publicada ontem pelo jornal britânico Financial Times. O artigo destaca que a maior parte da cana ainda é colhida à mão, com facões, que não mudaram muito desde que foram criados. ‘Os intervalos para beber água são curtos e a comida é pouca e não apetitosa’, diz o jornal.


‘Essas condições provocaram uma série de críticas da União Européia (UE) de que o Brasil, o maior exportador mundial de etanol, é um ninho de práticas ruins de trabalho e ligadas ao meio ambiente.’ Segundo a análise, as críticas e a tarifa de US$ 0,29 por litro imposta pela UE ao etanol brasileiro prejudicam a indústria que o País tenta promover como alternativa ‘verde’ aos combustíveis fósseis.


Recentemente, o comissário ambiental da UE disse que as cotas de etanol planejadas pelo bloco devem levar em consideração ‘preocupações sociais e ambientais’. Em resposta, o governo brasileiro ameaçou entrar com ação na Organização Mundial do Comércio (OMC).


‘Os brasileiros afirmam que as críticas às práticas de produção do país são, freqüentemente, uma tentativa maldisfarçada de proteger a indústria doméstica’, afirma o FT, citando o ex-presidente do fórum Mercosul-UE, o brasileiro Ingo Plöger, que pergunta: ‘Quais as preocupações sociais e ambientais impostas pela UE aos atuais fornecedores de energia, como a Nigéria, a Venezuela, o Irã e o Iraque?’


O jornal afirma, no entanto, que o governo brasileiro está disposto a negociar com a UE e, em parte como resultado das críticas, o Estado de São Paulo – que responde por quase 80% da produção do País – está adotando leis para melhorar as condições de trabalho.


‘A mecanização, no entanto, não é bem-vinda pela maioria dos 300 mil trabalhadores da cana’, diz o FT. Segundo o jornal, esses trabalhadores, normalmente, têm pouca educação e chances reduzidas de obter outros empregos.


Aliviar o impacto ambiental, outra fonte de críticas, também é visto com controvérsia, afirma o FT. Ambientalistas temem que a expansão da cana ‘empurre’ outras culturas para regiões ‘sensíveis’, mas o governo diz que ‘está combatendo essas preocupações com medidas como um decreto proibindo a plantação em áreas da Amazônia e no Pantanal’.


‘Ainda há bastante espaço para expansão’, diz o FT. ‘O Brasil tem cerca de 7 milhões de hectares de terra com cana, dos quais 3 milhões são usados com etanol, em comparação com 200 milhões de hectares de pasto, 21 milhões de hectares de soja e 14 milhões de hectares de milho.’’


 


INTERNET
O Estado de S. Paulo


Microsoft pagará pelo uso do seu site de busca


‘Com as dificuldades que vem enfrentando na tentativa de compra do Yahoo, a Microsoft busca uma alternativa para fazer frente ao domínio do Google nas buscas da internet. Ontem, a empresa anunciou o lançamento de um serviço que dará um desconto aos usuários que comprarem produtos encontrados por meio de seu mecanismo de busca online Live Search.


Pelo programa, os consumidores que se inscreverem numa conta e realizarem compras usando o Live Search vão ser reembolsados com um percentual do valor da compra, que será depositado na sua conta. Quando o total atingir US$ 5, os consumidores podem resgatar o valor por meio do PayPal, da eBay. Segundo a Microsoft, esses reembolsos serão financiados com parte do dinheiro que a empresa arrecada dos anunciantes. Mais de 700 lojas já listaram seus produtos no site.


Em seu discurso, o presidente da Microsoft, Bill Gates, disse acreditar que o programa vai, no mínimo, aumentar o número de pessoas usando o Live Search para fazer compras. De modo mais abrangente, ele prevê que esse programa vai mudar o perfil econômico do mercado de publicidade de busca, à medida em que os anunciantes preferirão não mais pagar pelos cliques nos links, mas por ações concretas, como a efetivação de uma compra.


No geral, o mercado de propaganda online já está indo nessa direção, pois os anunciantes estão sendo cada vez mais pressionados para mostrar os resultados dos seus gastos.


Historicamente, a publicidade embutida nos mecanismos de busca normalmente é vendida com base nos cliques, e isso foi considerado algo revolucionário, em comparação com o método tradicional de pagamento pelo número de pessoas que viram o anúncio. ‘É emocionante. Acho que daqui a alguns anos você vai olhar para trás e dizer, ?uau! as buscas começaram a ficar mais competitivas?, e vai se lembrar desse anúncio’, disse Gates.


‘Ao reembolsar diretamente o consumidor, a Microsoft espera mudar o equilíbrio de poder’, escreveram as analistas de pesquisa do IDC Caroline Dangson e Susan Feldman. Elas prevêem que, se a tentativa da Microsoft for bem-sucedida, os anunciantes passarão a inserir a maior parte da sua publicidade nesses programas.


Não é a primeira vez que a Microsoft recorre à compra do tráfego de busca. A fabricante tentou oferecer, para grandes empresas, créditos na forma de serviços e software para todo funcionário que usasse no trabalho o seu mecanismo de busca. A empresa também desenvolveu, no ano passado, uma coleção de jogos gratuitos que, a cada jogada, levavam a uma busca na internet. Os jogadores marcavam pontos, que eram trocados por prêmios, como softwares.


Danny Sullivan, editor do site de notícias SearchEngineLand.com, disse em recente entrevista que recomendou à Microsoft pagar as pessoas para usarem o Live Search, como uma piada de primeiro de abril. No entanto, a Microsoft está sob forte pressão para encontrar um meio de aumentar sua participação no mercado de buscas pela internet.


Na falta de um plano consistente, a empresa teria de retomar as conversações com o Yahoo para um acordo mais limitado, mas os executivos mal pronunciaram a letra Y durante a conferência anual de dois dias para anunciantes e agências de propaganda, na sua sede em Redmond. O discurso de Gates deu a impressão de que o plano da empresa é, na verdade, melhorar o seu próprio mecanismo de busca nos próximos anos.’


 


BIOGRAFIA
Lauro Lisboa Garcia


A morte sob controle


‘Perder o controle do bem viver é uma ocorrência pontual na trajetória de alguns heróis do rock que partiram jovens e no auge: Kurt Cobain, Jimi Hendrix, Jim Morrisson. As conseqüências da angústia que causou o desaparecimento precoce de Ian Curtis, o misterioso líder do Joy Division, que só conseguiu controlar a morte a seu favor, parecem tão comuns quanto espantosas, como se pode ver em dois filmes complementares sobre ele e sua lendária banda. Control, que estréia hoje em circuito comercial no Brasil, é uma biografia ficcional de Curtis e marca o début do fotógrafo Anton Corbijn na direção cinematográfica. O segundo, Joy Division, que entra em cartaz no dia 6, é um documentário sobre a banda, dirigido por Grant Gee.


O ideal seria que fossem exibidos em programa duplo para facilitar a montagem do quebra-cabeças. De qualquer maneira, ambos são recomendáveis não apenas para os fãs da banda. Até porque, para estes , não há muita novidade além do que já se explorou em livros, biografias, vídeos e outros documentários. Mas, em princípio, cada um com sua linguagem, os novos produtos são bons como cinema. O personagem central é fascinante, em qualquer imagem que se pinte dele. A música e as performances são impactantes, seja da banda original ou dos atores que a representam convincentemente em Control.


Grande parte da qualidade desta biografia ficcional, aliás, está na escolha dos atores. Alguns até se parecem fisicamente com os personagens verdadeiros, principalmente o novato Sam Riley, que impressiona na reprodução detalhista dos trejeitos de Curtis no palco, se contorcendo em movimentos de marionete. Mas, sem um profundo conhecimento visual da banda, isto é uma das coisas sobre as quais o espectador comum só vai se dar conta ao comparar com o documentário. Excertos do livro de memórias Touching from a Distance, da viúva Deborah Curtis, no qual Control é baseado, são projetados entre os depoimentos do documentário. Outra coincidência da ‘ficção’ com a realidade é a casa onde Ian e Deborah moraram e que aparece nos dois filmes.


Foi ali que, atormentado pelos efeitos da epilepsia, Curtis se matou no dia 18 de maio de 1980. Tinha apenas 23 anos e o coração dilacerado pelo amor (como diz na célebre canção Love Will Tear Us Apart) dividido entre duas mulheres. Antes de se enforcar na casa onde vivia com Deborah (interpretada por Samantha Morton) e a filha pequena, ele colocou para rodar na velha vitrola um LP de Iggy Pop, intitulado Idiot. A reação imediata que se tem, ao acompanhar essa seqüência em Control, é que ele realmente bancou o estúpido, mas armou o desfecho com senso de humor negro. Tinha pedido para ficar só, bebeu muito, fumou tudo o que pôde. Quis morrer sozinho.


Se em Control o que ressalta é o jovem infiel, o mentiroso, o egoísta, o irresponsável, no documentário o prodigioso artista se recupera. Quem narra sua história em depoimentos e lembranças detalhadas são os que viveram com ele na outra margem: os demais integrantes da banda – Peter Hook, Bernard Sumner e Stephen Morris, que, como se sabe, viriam a formar o também influente New Order -, sua amante belga, Annik Honoré, o guitarrista Pete Shelley, dos Buzzcocks, o fotógrafo Anton Corbijn, o diretor da antológica Factory Records, Tony Wilson, o designer Peter Saville, criador das capas dos álbuns da banda.


Contam os amigos que Curtis nunca se drogava, era a música que o deixava em transe. Em Control nem se nota que eles se divertiam muito o tempo todo, como conta Hook no documentário. O único problema eram os ataques de epilepsia de Curtis, cuja descoberta o deixou irrecuperavelmente arrasado. No início da carreira, quando se dividia entre a música, como compositor e cantor do Joy Division, e o trabalho burocrático de atendimento num hospital, Curtis ficara sensibilizado ao ver uma mulher em situação que ele próprio viveria e escreveu a canção She’s Lost Control sobre isso.


Como Control parte da versão da viúva Deborah, que também é co-produtora do filme, as lentes se voltam mais para o ambiente familiar. Deborah é um pouco o protótipo da dona de casa recatada, às vezes bancando a sofredora, sempre à espera do marido que vive em estúdio, no palco e na estrada, no meio de uma gente estranha (como ele) e de futuro incerto. Piora muito a situação quando ela descobre que o marido estava amarrado em Annik, tratada com superficialidade no filme, por motivos evidentes, mas que dá depoimentos esclarecedores no documentário.


Ela sabia com qual intensidade Curtis se tornava outra pessoa no palco, ao mesmo tempo frágil e forte. Mas como seus outros amigos, ela não se deu conta a tempo de que toda a angústia das letras de Curtis era reflexo de profundos dilemas reais. Não era apenas arte com referências cultas de Kafka, Shakespeare ou Dostoievski. Da mesma maneira como não se decidia a abandonar ou continuar com a banda, o cantor tentou em vão terminar a relação paralela para salvar o casamento, para o qual não estava preparado. Aliança de ouro na mão esquerda não combina mesmo com rock nem poesia punk. Sem conseguir sustentar a farsa por muito tempo, deprimido pelo efeito dos vários remédios que tomava para controlar a epilepsia, fechado em sua caverna sombria e impenetrável, ele perdeu o controle da situação.


O documentário vai mais fundo na influência do cenário apocalíptico da Manchester, em meados do século passado, sobre o moral de seus habitantes. Na industrial, feia, fria e suja cidade britânica, que o Joy Division ajudou a colocar no mapa-múndi musical, uma criança pobre poderia demorar até nove anos para ver uma árvore. Isto é o que diz um dos entrevistados e explica por que não dava mesmo pra fazer música muito feliz ali. Os conterrâneos Morrissey e Johnny Marr, que formaram The Smiths dois anos depois da morte de Curtis, que o digam.


Serviço


Control (EUA-Reino Unido/2007, 121 min.) – Drama. Dir. Anton Corbijn. 16 anos.Joy Division (EUA-Reino Unido/ 2007, 93 min.) – Documentário. Dir. Grant Gee. Estréia no dia 6/6. Cotações: Ótimos’


 


ARTE
O Estado de S. Paulo


Manifesto do Surrealismo é leiloado


‘O único manuscrito completo que foi conservado do Manifesto do Surrealismo, assinado por André Breton, foi vendido ontem em um leilão em Paris, parte de um lote de nove peças do poeta, alcançando o valor de US$ 5,4 milhões. O comprador foi um dos criadores do Museu Privado de Cartas e Manuscritos de Paris, que planeja expor as obras. Breton (1896-1996) é considerado o principal fundador do movimento surrealista, cujas bases definiu no manifesto agora leiloado, escrito em 1924. Entre suas obras, destacam-se Nadja, O Amor Louco, Os Paraísos Perdidos e Os Vasos Comunicantes.’


 


TELEVISÃO
Thaís Pinheiro


Astros supera Ídolos


‘A audiência quer mesmo ver os jurados esculachando os calouros. É isso que mostra a comparação entre dados do Ibope do Ídolos, exibido pelo SBT no ano passado, e Astros, versão escrachada do original, transmitida pela rede de Silvio Santos desde abril.


Na segunda temporada do original, que foi ao ar em 2007, a média registrada foi de 6 pontos. As maiores conquistas aconteceram na estréia e na final: 6,88 e 6,84, respectivamente.


Já nesta nova versão, o SBT tem abocanhado pelo menos dois dígitos no Ibope. A estréia, quando o programa ainda nem tinha nome (a emissora foi proibida na Justiça de usar o título novosidolos), surpreendeu, com picos de 15 pontos. A média tem ficado na casa dos 10 pontos.


O diferencial é que Astros mantém seu ‘frescor’ com as constantes eliminatórias, parte em que o público mais se diverte. Os jurados ranzinzas tecem julgamentos ácidos e fazem a alegria do telespectador. No original, a tendência era que o público ignorasse as fases mais sérias.


Resta saber se o Ídolos de formato original, que estréia na Record em 19 de agosto, terá índices mais animadores.’


 


MEMÓRIA
Richard Brooks, The Sunday Times


Julie Andrews revela segredo guardado durante 58 anos


‘Julie Andrews, a síntese da formalidade britânica, revela no seu livro de memórias, Home: A Memoir of My Early Years, que é fruto de um breve caso amoroso da sua mãe que, na época, era casada com outro homem. A atriz, famosa pela sua imagem doce em filmes como Mary Poppins e A Noviça Rebelde, conta que foi concebida durante um relacionamento apaixonado que sua mãe teve com ‘um homem às margens de um belo lago nas proximidades de Walton-on-Thames’.


Na época do romance, sua mãe, Barbara, que era pianista, levava uma vida externamente respeitável em Surrey, como esposa de um professor de marcenaria, Ted Wells. Mais tarde, ela confidenciou à filha: ‘Naquela época, papai e eu não estávamos muito românticos.’ Assim, Barbara procurou um escoadouro para sua paixão em outro lugar. Julie Andrews, agora com 72 anos, manteve isso em segredo durante 58 anos. No livro, fala sobre o dia em que soube da verdade.


A cantora, atriz e autora de vários livros infantis recordou que ainda era pequena quando sua mãe se divorciou de Wells e casou-se com um artista de teatro de variedades canadense, Ted Andrews. Mas a jovem Julie Andrews continuou a amar Wells como seu pai.


No outono de 1949, quando já era uma jovem sensação como cantora, a mãe pediu que ela se apresentasse na casa de um amigo. ‘Ele era alto e bonito e eu o reconheci como o homem que freqüentemente vinha visitar-nos. Naquela noite, o homem aproximou-se e sentou-se no sofá ao meu lado. Lembro-me de ter sentido uma eletricidade entre nós que não consegui explicar.’


Quando voltavam para casa, a mãe perguntou-lhe se ela tinha gostado dele. Julie respondeu que ‘ele parecia agradável’. Então, a mãe soltou a bomba: ‘Aquele homem é o seu pai.’


Julie conta como seu cérebro ‘fechou-se numa atitude defensiva’, enquanto ela tentava lutar com o pensamento de que ‘papai’ não era o seu pai. A mãe explicou que não quis magoá-la, mas que o romance foi resultado de uma atração irresistível. Andrews poucas vezes falou com a mãe sobre essa revelação. ‘De alguma forma’, escreve ela, ‘consegui empurrar a notícia para um canto escuro da minha mente.’ E afirma na sua biografia que Wells continuou sendo o homem que ela amava como pai, mesmo que não o fosse verdadeiramente.


‘Isso não alterou o fato de que o homem que me criou era o homem que eu realmente amava. Sempre o considerarei como meu pai’, escreveu ela. Julie tem ‘lembranças maravilhosas’ de Ted Wells, que gostava de idiomas, gramática e poesia. ‘Ele decorou poemas durante a sua vida inteira, explicando que podia voltar a eles sempre que quisesse.’


Quando foi entrevistada para uma revista americana, em 2004, Julie falou sobre ele sem dar nenhuma pista de que não era seu verdadeiro pai. ‘Foi ele quem despertou em mim a verdadeira noção de realidade da vida. Foi também meu pai que me levou para caminhadas ao ar livre, para nadar e para a praia. Ele costumava escalar as colinas locais, e me deu o amor pelos livros. Costumava comprar livros para mim.’


Depois do divórcio dos pai, ela passou a vê-lo ‘ocasionalmente, em visitas de duas semanas nas férias de verão ou no Natal’. ‘Ou ele vinha visitar-me num fim de semana e nós andávamos de bicicleta.’ Ted Wells casou-se com uma ex-cabeleireira e estabeleceu-se em Hinchley Wood, em Surrey. Nas suas memórias, Julie disse: ‘Eu o amei com toda a força do meu ser.’


Emocionada, ela revelou que, após a morte da mãe, uma tia lhe contou que Ted sabia o tempo todo que ela não era sua filha. ‘E isso simplesmente me deixou pasma.’


TRADUÇÃO DE MARIA DE LOURDES BOTELHO’


 


 


************

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem