Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

IMPRENSA EM QUESTãO > NOTAS DE UM LEITOR

Onde Dirceu desapareceu

Por Luiz Weis em 17/02/2004 na edição 264

Entre sábado e domingo, os três principais jornais brasileiros deram ao todo 58 títulos sobre o vídeo e suas implicações, sem contar os que saíram em colunas assinadas e o de um único editorial a respeito.

Dos 24 títulos do Estado de S.Paulo, 6 citam o ministro Dirceu, pelo nome ou pelo cargo.

Dos 16 títulos da Folha de S.Paulo, Dirceu aparece em 7.

Dos 18 títulos do Globo, ele é mencionado em apenas 1 – ‘Não queiram arrastar o José Dirceu’, entre aspas, seguido do subtítulo ‘João Paulo Cunha e os líderes aliados defendem o chefe da Casa Civil’.

No sábado, quando saíram 42 títulos daquele total de 58, a Folha falou em Dirceu na manchete (‘Vídeo mostra corrupção e derruba assessor de Dirceu’); o Estado, no subtítulo (‘Homem de confiança do ministro José Dirceu teria aceitado suborno em 2002’) da sua manchete.

E o Globo? Nada de Dirceu na manchete, nada no subtítulo – e nada nas 20 linhas largas de sua chamadona, nem mesmo ao informar que, ‘no governo Lula, Waldomiro representava a Casa Civil da Presidência nas articulações com o Congresso’.

Nos títulos do Globo de domingo, Waldomiro é apenas ‘ex-assessor do Planalto’.

O Jornal Nacional, da Rede Globo, deu 6m07 na sexta-feira ao furo da Época, exibindo trechos do vídeo incriminador. Apenas uma vez, aos 3m38 da matéria, Dirceu é mencionado: ‘O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, não quis se pronunciar.’ Idem no JN de sábado, em reportagem mais breve: ‘Até a reforma ministerial deste ano, [Waldomiro] era subordinado ao ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.’

Na já citada entrevista do chefe da sucursal de Brasília da Época à CBN, nem entrevistador nem entrevistado encontraram alguma razão para se referir a Dirceu. O que mais perto chegou disso foi a referência a Waldomiro como elo ‘entre governo e Congresso’.

A Globopar, holding das Organizações Globo, lê-se na magistral matéria de Elvira Lobato, na Folha de domingo, sobre a crise da mídia brasileira, fechou 2002 com prejuízo de R$ 7 bilhões [leia a íntegra da matéria na rubrica Entre Aspas, desta edição].

Nesse mesmo ano, a dívida bancária do Grupo Globo estava em 6,275 bilhões de reais (74% do total do setor), o equivalente a 121% do seu faturamento. Oitenta por cento das dívidas da indústria da comunicação em geral são em dólar e 83,5% vencem a curto prazo.

Em outubro do ano passado, os principais grupos do setor pediram ao BNDES cerca de 5 bilhões de reais em empréstimos a serem pagos em 10 anos para saldar boa parte dessas dívidas. Pediram também 1,2 bilhão de reais para a compra de papel-jornal.

Jorge Nóbrega, um dos diretores da Globopar, é citado na matéria como tendo dito: ‘Achamos o empréstimo importante. (…) Não queremos subsídio, mas o alongamento da dívida’.

Carlos Lessa, presidente do BNDES, é citado como tendo dito que ‘o assunto foge à alçada do banco e exige decisão superior, da Presidência da República’.

Ora, direis, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Pode ser, pode não ser.

Você decide.

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