Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

IMPRENSA EM QUESTãO > A CRISE EM REVISTA

Os desafios da imprensa de papel

Por Luciano Martins Costa em 13/09/2011 na edição 659

Comentário para o programa radiofônico do OI, 13/9/2011

O 5º Forum da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), que juntou na segunda-feira, 12, em São Paulo os principais executivos do setor, repete, em termos comparativos, o dilema do 8º Congresso da Associação Nacional de Jornais, realizado no mês passado.

O principal desafio da imprensa de papel é definir um modelo de negócio no meio digital, e essa questão se torna cada vez mais crítica conforme se desenvolvem as possibilidades dos novos meios, por uma razão lógica: as perspectivas são de predomínio da leitura digital e redução de vendas de publicações de papel, mas o meio eletrônico não remunera da mesma forma que o modelo tradicional.

A circulação das revistas no Brasil se encontra, neste início da segunda década do século, próxima do patamar de janeiro do ano 2000 – quase 30 milhões de exemplares por mês. Além disso, as empresas seguem reforçando a tendência de produzir eventos e publicações especiais em torno de suas marcas mais conhecidas. No entanto, faltam criatividade e inovação.

Um dos raros exemplos, citado no encontro, segundo o relato do Estadão, foi dado pela revista Superinteressante, que fez um making of de uma reportagem, ou seja, descreveu o feitio de uma reportagem, em forma de jogo eletrônico.

Quem acompanha os debates de executivos de empresas jornalísticas desconfia de que a solução para o setor não será encontrada em manuais de gestão. Nem mesmo a renovação dos quadros de executivos parece capaz de arejar o setor.

O ingresso do especialista em telecomunicações Silvio Genesini na presidência do grupo Estado, por exemplo, não parece ter provocado grandes mudanças, e observadores se perguntam o que o banqueiro Fábio Barbosa foi fazer na Editora Abril.

Em recente encontro com editores, Barbosa disse que, como não conhece o setor, talvez seja capaz de fazer perguntas que os jornalistas já esqueceram. O ex-presidente do banco Santander, que se celebrizou à frente do banco Real, tem parte da razão. O dilema é: será que os donos dos negócios de comunicação aceitam certas perguntas?

Um dos problemas centrais do setor é o extremo conservadorismo de suas cabeças e a incapacidade de pensar fora do contexto tradicional. O conservadorismo se prende ao fato de que imprensa é poder, portanto concebe mudanças como ameaças. O setor não poderá criar estratégias inovadoras enquanto estiver preso a esse paradigma.

***

Observatório da Imprensa na TV*

Há mais de quarenta anos, em 1969, o jornalista José Hamilton Ribeiro publicava a primeira edição do livro O Gosto da Guerra. Contando suas experiências como correspondente na Guerra do Vietnã, José Hamilton mostrava que ser jornalista em conflitos armados nada tem de glamouroso. Cobrir o conflito custou a ele uma perna, que perdeu ao pisar numa mina.

Mas apesar dessa e de outras visões cuidadosas e críticas sobre esse tipo de cobertura, uma aura heroica ainda envolve a superexposta imagem do correspondente de guerra – tanto para o público, quanto para os jornalistas.

O Observatório da Imprensa desta terça-feira, 13, propõe desconstruir e debater a visão glamourizada do senso comum sobre o correspondente de guerra.

A importância dessa questão não tem a ver apenas com a violência e o sofrimento que o repórter é obrigado a testemunhar em coberturas desse tipo, mas também com o fato de que, cada vez mais, os jornalistas e o dever de informar têm se tornado alvos em potencial nos conflitos.

O que leva o jornalista a tornar-se vítima potencial? Como esse jornalista vê o valor da informação colhida in loco? Quais os riscos reais de um trabalho como esse?

Para discutir os limites da espetacularização e do bom jornalismo em conflitos, estarão no estúdio, acompanhando Alberto Dines, Antônio Scorza, fotógrafo da France Presse, que passou 72 dias no Iraque; Leão Serva, jornalista e autor do livro A Batalha de Sarajevo; e Samy Adghirni, repórter da Folha de S. Paulo que presenciou a Primavera Árabe no Egito.

O programa também contará com depoimentos de Diego Escosteguy, da revista Época, e do jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva. Os correspondentes internacionais Sílio Boccanera, de Londres, Deborah Berlink e Andrei Netto, de Paris, falam ao programa via web.

Excepcionalmente nesta terça, o Observatório da Imprensa na TV irá ao ar das 22h30 às 23h30, pela TV Brasil, ao vivo, em rede nacional. Em São Paulo, pelo canal 4 da NET e 116 da Sky.

* Com Tatiane Klein e Lucas Campos.

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