Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

IMPRENSA EM QUESTãO > O PAPEL DA MÍDIA

Os formadores de opinião estão frustrados

Por Luciano Martins Costa em 10/04/2006 na edição 376

Matéria da CartaCapital e pesquisa Datafolha publicada no fim de semana indicam que os chamados formadores de opinião da grande imprensa nacional andam frustrados porque, aparentemente, a opinião que eles supostamente influenciam não sofre influência deles.

Assim simples: a imprensa perde influência sobre parcelas importantes da população. O site Bluebus, que congrega uma vasta e ativa audiência de publicitários, relações-públicas e jornalistas, observava nesta segunda-feira que especialistas da área de comunicação vêm consolidando essa percepção desde janeiro deste ano. Este observador, modestamente, gostaria de remeter à série de comentários feitos neste sítio desde o segundo trimestre de 2005, no qual alertava para o risco que corria a credibilidade da imprensa por causa do noticiário tendencioso sobre a crise política.

Já em 12 de abril do ano passado era possível observar, como foi publicado, que ‘sem o suporte dos programas eleitorais gratuitos, as escolhas de edição têm um efeito menor sobre a opinião pública’ [ver remissões abaixo]. O comentário se referia à revelação, pelo Datafolha, de que, a despeito da cobertura favorável da imprensa, o então prefeito José Serra perdia popularidade no primeiro trimestre de seu governo.

Na seqüência das denúncias sobre corrupção envolvendo a direção do Partido dos Trabalhadores, que se iniciou em junho e avança ainda hoje, outra vez este Observatório registrou a constatação de que havia em curso um processo de ‘desconstrução’ do presidente Lula da Silva, e que talvez a imprensa estivesse passando a impressão de que se orientava por premissas pré-existentes, mais do que pelos fatos.

Cabo eleitoral

Em 6 de junho de 2005, observava-se uma queda de 10 pontos porcentuais na aceitação do presidente pela população pesquisada, mas a imprensa ignorou que nada menos do que 45% dos consultados preferia manter uma atitude neutra, considerando o governo ‘regular’, apesar do massacre no noticiário, nos editoriais e nos artigos de todos os dias. Este Observatório registrou a hipótese de esses 45% não estarem aceitando integralmente o viés da imprensa.

Agora, os ‘formadores de opinião’ se mostram frustrados porque, após um ano inteiro de bombardeio, o presidente segue dono de popularidade capaz de lhe proporcionar a reeleição, enquanto seu principal adversário se enrola em verbas de publicidade e vestidos de grife. Um desses príncipes da mídia vociferava nesta segunda-feira contra o ‘baixo nível de educação democrática’ dos brasileiros. Na sua opinião, o fato de as notícias sobre corrupção no governo não serem suficientes para demolir a reputação do presidente é sintoma de que estamos todos mergulhados em absoluto cinismo.

Pode ser verdade. Nesse caso, a sociedade brasileira estaria em maus lençóis. Mas também pode ser que os especialistas em mídia estejam certos, e que tudo não passe de uma fenômeno muito simples: depois de um ano agindo com cabo eleitoral, a imprensa acaba perdendo credibilidade, e seus formadores de opinião se descobrem pregando no deserto. O que pode até nem ser tão ruim assim para a sociedade.

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Jornalista

Todos os comentários

  1. Comentou em 16/09/2009 Politicida Plus

    jus esperneandi petralhada, está chegando a hora de deixar o melado. Voces se lambuzaram demais,até ao cérebro.Devassa nas contas públicas após a derrota de 2010 Já!

  2. Comentou em 13/04/2006 Odorico Carvalho

    A mídia muitas vezes se arvora em FORMADORA DE OPINIÃO. Noutras, vai além: se diz a própria OPINIÃO PÚBLICA. E não é, sabemos nós, nenhuma nem outra. A mídia é mera INFORMADORA DA OPINIÃO PÚBLICA, e esta, de acordo com o que lê, acredita ou não no que lhe é informado. A OPINIÃO PÚBLICA, na verdade, emerge das pesquias feitas com seriedade e critério. E nessas pesquisas, a OPINIÃO PÚBLICA, soberana e sábia, manifesta-se de forma inequivoca: Lula, mesmo com todos os percalços, é o melhor presidente que o país já teve em décadas. E, afinal, escândalo por escândalo, só a venda criminosa da Vale do Rio Doce supera centenas de vezes o chamado valerioduto, quando a mídia, hoje tão aguerrida, fechou-se em copas e permitiu àquela camarilha a pilhagem vergonhosa do patrimônio nacional.

  3. Comentou em 13/04/2006 Odorico Carvalho

    A mídia muitas vezes se arvora em FORMADORA DE OPINIÃO. Noutras, vai além: se diz a própria OPINIÃO PÚBLICA. E não é, sabemos nós, nenhuma nem outra. A mídia é mera INFORMADORA DA OPINIÃO PÚBLICA, e esta, de acordo com o que lê, acredita ou não no que lhe é informado. A OPINIÃO PÚBLICA, na verdade, emerge das pesquias feitas com seriedade e critério. E nessas pesquisas, a OPINIÃO PÚBLICA, soberana e sábia, manifesta-se de forma inequivoca: Lula, mesmo com todos os percalços, é o melhor presidente que o país já teve em décadas. E, afinal, escândalo por escândalo, só a venda criminosa da Vale do Rio Doce supera centenas de vezes o chamado valerioduto, quando a mídia, hoje tão aguerrida, fechou-se em copas e permitiu àquela camarilha a pilhagem vergonhosa do patrimônio nacional.

  4. Comentou em 13/04/2006 Luciano Martins Costa

    Sr. meteorologista, a observação da imprensa, como a observação de nuvens, guarda certo grau de subjetividade. Como diria Platão, o imponderável governa barcos e homens. Claro que a fonte das informações sobre perspectivas eleitorais é a imprensa. A notícia da imprensa. O que comentamos no artigo é o viés que se dá à notícia, ou seja, as escolhas de edição, as manchetes afirmativas que nascem de informações controversas. O observador comenda, citando fonte, a percepção de que os formadores de opinião se surpreendem com a pouca influência que produzem.

  5. Comentou em 12/04/2006 José Aroldo de Carvalho Queiroz

    Sr.Luciano Martins Costa,só uma pergunta ignorante,apenas uma:De onde o senhor tirou a informação de que o presidente segue dono de uma popularidade capaz de lhe proporcionar a reeleição? espero que não tenha sido de alguma pesquisa publicada em qualquer mídia,pois de acordo com o senhor mesmo, não existe credibilidade em nenhum orgão de imprensa,então nos ilumine com a sua sapiência e nos informe de onde tirou esta informação ,para que nós também possamos beber desta fonte da verdade. Grato.

  6. Comentou em 12/04/2006 Cristiana Oliveira Castro

    O que aconteceu é simples. O povo perdeu o medo e os formadores de opinião não. Ao invés de se juntarem ao país na tentativa de se libertar, optaram por arrastar um país a uma servidão que garante seus empregos mas não sua liberdade de expressão. Optaram por fazer sucesso entre seus contemporâneos, com salários garantidos no império do salário mínimo. Optaram por integrar as grandes equipes dos grandes jornais e assim garatindo o destaque de seus filhos e a falência de seus netos. A mídia extrapolou e perdeu toda a credibilidade, resta saber se os patrões que nossos jornalistas defendem ao tentar destruir um país, vão assumir para si a derrota ou vão impingí-la à sua incapacidade de formar opiniões.

  7. Comentou em 11/04/2006 Helenice Araujo

    É inacreditável o cinismo desses tais ‘formadores de opinião’. Não satisfeitos com a maneira desonesta com que tentam manipular o povo, ainda têm o cinismo de se mostrarem ‘frustrados’ porque não conseguiram ‘tanger’ o povo como gado. Tanto empenho em desqualificar o PT, em escorraçar do governo a ‘gente pobre’ e em transformar os oligarcas, corruptos de carteirinha de longas datas, em solução definitiva para governar o país, está lhes rendendo uma bela resposta.
    Embora não pareça, o povo não é gado.

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