Segunda-feira, 25 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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IMPRENSA EM QUESTãO > CASA BRANCA

Os informes que viraram espetáculos

Por Edição de Leticia Nunes (com Larriza Thurler) em 02/05/2006 na edição 336

Com as mudanças dramáticas causadas pela cobertura ao vivo e por análises instantâneas, o informe oficial da Casa Branca deixou de ser apenas um informe e transformou-se em show televisivo, opina Ari Fleischer, que foi secretário de imprensa do presidente George W. Bush de janeiro de 2001 a julho de 2003, em artigo no Washington Post [27/4/06].


Segundo Fleischer, os dias em que a sessão diária era um acontecimento sério, com perguntas e respostas importantes, já não existem mais. Hoje, ao contrário, o público é brindado com um espetáculo no qual a mídia e o porta-voz da Casa Branca apresentam suas melhores performances diante das câmeras.


Perguntas e respostas diretas


Antes dos canais a cabo 24 horas e da internet, nas coletivas os repórteres perguntavam questões espinhosas e geralmente recebiam respostas diretas. Como as informações só eram divulgadas nos noticiários televisivos noturnos e nos jornais do dia seguinte, secretários de imprensa não tinham de se preocupar com o fato de que cada palavra ou pensamento seria instantaneamente digerido por milhares de pessoas. ‘Havia apenas um ciclo de notícias, que durava 24 horas. Hoje, não se sabe ao certo quando um ciclo de notícias termina e outro começa’, alega Fleischer. Os repórteres estão sob constante pressão de editores para atualizar suas matérias dezenas de vezes ao dia.


Performance


Atualmente, os secretários de imprensa sabem que sua audiência não é composta apenas pelos correspondentes a sua frente, mas sim por milhares de pessoas que assistem aos informes pela televisão. Não muito tempo atrás, câmeras de televisão não eram permitidas para cobrir o informe ao vivo. Um dos secretários de imprensa do ex-presidente Bill Clinton, Mike McCurry, em um esforço para satisfazer os novos noticiários das emissoras a cabo 24 horas, permitiu que seus informes fossem abertos à cobertura televisiva. Ironicamente, a primeira transmissão instantânea foi ao ar no dia em que o caso Monica Lewinsky vazou para a imprensa. Desde então, os informes nunca mais foram os mesmos, afirma Fleischer.


‘É claro que os repórteres não são os únicos que se comportam de maneira diferente diante das câmeras. Eu agia de modo diferente também. Nos informes televisionados eu algumas vezes eu ia ao palanque, levantava minha mão e fazia o melhor para soar bem para o noticiário noturno’, conta ele. ‘O informe sempre tinha um ar teatral – de ambos os lados’.

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