Os riscos de um repórter em Mianmar | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Terça-feira, 14 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº999
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IMPRENSA EM QUESTãO > THE NEW YORK TIMES

Os riscos de um repórter em Mianmar

20/05/2008 na edição 486

A cobertura da devastação causada pelo ciclone em Mianmar foi o tema da coluna de domingo [18/5/08] do ombudsman do New York Times, Clark Hoyt. Nos dias 9 e 10/5, os artigos publicados no diário mostraram o sofrimento dos sobreviventes, sem comida e água potável, e convivendo com inúmeros cadáveres boiando nos rios e canais próximos. As matérias não estavam assinadas e isto foi notado por diversos leitores. ‘O NYTimes tem que explicar aos leitores se isto [a ausência de autoria] ocorre por conta dos riscos que os repórteres correm ou se estão obtendo as informações de outras fontes’, reclamou a leitora Jill Grossman.

Hoyt explica que o NYTimes tem boas razões para omitir nomes de jornalistas que cobrem áreas onde podem ser presos e expulsos caso sejam vistos em ação, como é o caso de Mianmar. O jornal enfrenta freqüentemente decisões sobre publicar ou não os nomes de repórteres e sobre identificar fontes que possam vira a enfrentar represálias. Outro artigo publicado recentemente sobre intérpretes iraquianos que ajudam militares americanos não explicou por que o personagem principal era identificado apenas como ‘Jack’. Havia um bom motivo: o homem chamado de Jack temia pela segurança de sua família. Este dado, entretanto, não foi exposto em nenhum momento da matéria.

Vulnerabilidade

Susan Chira, editora internacional, diz que o correspondente que está em Mianmar foi ao país com um visto de turista e tem mudado de hotéis para evitar que as forças de segurança o prendam. ‘Não gostamos de entrar em um país violando suas regras, pois isto deixa nossos repórteres vulneráveis. Mas é nosso papel divulgar as notícias, então corremos riscos calculados, consultando nossos repórteres’, afirmou.

Na quinta-feira passada (15/5), o diário finalmente explicou aos leitores sobre a situação de censura e repressão sofrida pela imprensa estrangeira em Mianmar. Em outro artigo também não assinado, o jornal contou que a junta militar no poder proibiu que jornalistas estrangeiros entrem nas áreas mais afetadas, que o repórter havia se escondido no fundo de um barco para chegar ao local da apuração e que o nome dele não seria revelado para evitar sua prisão.

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