Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

IMPRENSA EM QUESTãO > JORNALISMO DIGITAL

Para ler (boas) matérias longas

Por Brad Stone em 01/03/2011 na edição 631

Para os tradicionalistas da mídia, os eventos recentes vêm se mostrado bastante desencorajadores. A Demand Media, criada há cinco anos, abriu o capital no fim de janeiro e agora vale US$ 240 milhões a mais que a New York Times Co. A Demand Media atua no modelo conhecido como ‘fazenda de conteúdo’. Neste formato, profissionais freelance de todo o mundo são responsáveis pela criação de conteúdo, como vídeos educacionais que ensinam a economizar dinheiro em um encontro.

O Huffington Post, criado há seis anos agrupando notícias e artigos de opinião, muitos produzidos gratuitamente por blogueiros, foi comprado recentemente pela AOL, por US$ 315 milhões. A circulação das publicações impressas, em termos gerais, está em queda, enquanto a audiência mensal de sites, como o blog de fofocas Gawker, está em alta.

São mais evidências, caso alguém ainda precisasse delas, de que vivemos em uma cultura de mídia definida por artigos do tamanho de ‘canapés’ [curtos] e de conteúdo agrupado às pressas, tudo feito sob medida para ser encontrado pelas ferramentas de busca na internet.

Filtrar o lixo

Não escrevam ainda, no entanto, o obituário do jornalismo, pois isto requer longos períodos de atenção. Vá para ‘instapaper.com’ e baixe o aplicativo para seu navegador de internet. Depois, instale o aplicativo Instapaper em seu iPhone, iPad, Kindle, ou (em breve) em qualquer aparelho com o sistema operacional Android.

A próxima vez que seu chefe se afastar e sua navegação na internet, no meio da tarde, encontrar algum artigo interessante, basta clicar em ‘ler mais tarde’ na barra de ferramentas de seu navegador. O serviço funciona como um TiVo, mas para palavras. Ele copia a reportagem em um leitor digital ou tablet, para que ela possa ser lida mais tarde no trem, poltrona, ou onde quer que você se acomode para ler de verdade.

‘Permitimos que você guarde os textos por algum tempo, para que possa lê-los com atenção’, diz Marco Arment, criador e único funcionário do Instapaper. ‘Você pode deixar o mundo dos cliques e visitas de páginas para os Gawkers e HuffPosts.’ Arment cobra US$ 5 por uma versão do aplicativo que permite aos usuários armazenar até 250 artigos e compartilhá-los com outros usuários.

O Instapaper, que tem mais de 1 milhão de usuários e cresce rapidamente, enfrenta concorrência. O maior rival é o Read it Later, com mais de 3 milhões de usuários. O site Longreads, que compartilha recomendações de artigos de teor mais aprofundado, alimenta o Twitter com frequência e tem mais de 15 mil seguidores. Revistas como Wired, The Atlantic e The New Yorker começaram a especificar suas matérias como ‘Longreads’, quando as promovem no Twitter. ‘Estamos tentando ajudar a filtrar o ruído e o lixo da web’, diz Mark Armstrong, que criou a Longreads, há um ano.

Luz no fim do túnel?

Nate Weiner, designer de 26 anos residente em San Francisco, que criou o Read It Later, acha que esses serviços trazem de volta as promessas do jornalismo da velha escola. Jovens que podem ter cancelado a assinatura de uma revista ou jornal – ou que nunca tiveram uma – tendem a deparar-se com textos sérios quando estão on-line no trabalho. É precisamente quando eles têm menos probabilidade de ler uma matéria grande.

Recentemente, Weiner filtrou os dados de utilização do Read It Later e descobriu que a maior parte de seus usuários lê, entre 18h e 21h, as notícias que guardaram. Quando estão com aparelhos sem fio, os momentos de leitura aumentam durante o horário do rush e, depois, entre 20h e 22h. ‘Quando vi esses dados, fiquei esperançoso’, diz Weiner. ‘O iPad e iPhone e outros aparelhos móveis nos permitem levar a mídia para o horário em que realmente podemos consumi-la.’

Pode haver um problema para as empresas tradicionais de mídia. Serviços como o Instapaper e o Read It Later permitem que os usuários copiem as matérias em formato limpo, sem anúncios e outras marcações de navegadores. Isso pode custar às empresas alguma receita de publicidade.

‘A sensação que tenho das empresas jornalísticas é de elas estão mais interessadas em que as pessoas leiam seus artigos do que em receber a pequena parcela de receita que poderiam estar perdendo’, diz Mike Vorhaus, presidente da empresa de consultoria de mídia Magid Advisors. É possível que recursos como o Instapaper e o Read It Later ainda não sejam populares o bastante para representar uma ameaça às empresas jornalísticas. Ou, talvez, o pessoal das empresas tradicionais de mídia enfim tenha encontrado um lugar para o conteúdo de grande tamanho no mundo do tamanho curto.

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Da Bloomberg Businessweek, de San Francisco

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