Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Para jornalista, político sunita planejou seqüestro

25/08/2006 na edição 395

A repórter americana Jill Carroll, do Christian Science Monitor, revelou que suspeita que o político sunita Adnan al-Dulaimi ou alguém de seu escritório em Bagdá tenha armado seu seqüestro, noticia a AP [21/8/06]. Dulaimi, por sua vez, nega envolvimento na captura da correspondente e alega que pagou secretamente US$ 1,5 milhão para que ela fosse libertada. ‘Eu juro que paguei. Eu desafio qualquer um que prove que não paguei’, afirma o político. ‘Eu me recusei a falar publicamente na época porque eu queria o sucesso da operação – e erros poderiam levar ao assassinato de Jill’, defende-se Dulaimi. Os seqüestradores da repórter teriam contado a ela que Dulaimi teria se encontrado pelo menos duas vezes com o líder dos seqüestradores e teria pedido publicamente a eles que a libertassem.


Desde que a correspondente foi solta, especulou-se diversas vezes sobre pagamentos para a sua libertação, mas os editores do Christian Science Monitor e a família dela afirmaram não terem provas de nenhuma negociação em dinheiro. A versão de Dulaimi para os eventos relacionados ao seqüestro mudou diversas vezes. O político permitiu que sua equipe e seguranças fossem questionados por agentes do FBI, mas as respostas foram, em sua maioria, contraditórias.


Emboscada


Jill foi capturada em janeiro deste ano a metros de distância do escritório de Dulaimi em Bagdá, depois de ele não ter aparecido para uma entrevista. O intérprete iraquiano que acompanhava a jornalista foi morto. ‘Minutos após minha captura, eu desconfiei de Dulaimi’, escreveu a repórter em um dos capítulos de sua série sobre os 82 dias que passou em cativeiro, publicada pelo Monitor. ‘Os seqüestradores estavam esperando por nós quando deixamos o escritório dele. Eles deviam saber do meu encontro com ele com antecedência. Dulaimi conhecia pessoalmente Abu Nour’, lembra Jill. ‘Foi tudo muito organizado. Foi armado, uma perfeita emboscada’, observa Adnan Abbas, motorista da repórter na ocasião.


O Monitor publicou que uma das teorias para o caso é que Dulaimi tenha aprovado o seqüestro para aumentar sua credibilidade com extremistas sunitas, mas os eventos acabaram escapando de seu controle. Segundo o relato, Jill revelou que no início havia sido informada de que ficaria presa apenas por uma semana. De acordo com a repórter, seus seqüestradores geralmente ridicularizavam Dulaimi e outros líderes sunitas do governo quando eles apareciam na televisão. Dulaimi é visto como um traidor por insurgentes sunitas porque o Iraqi Accordance Front, do qual é líder, é o bloco sunita mais potente do Parlamento iraquiano.


Os seqüestradores exigiram a soltura de ‘quatro ou cinco’ mulheres presas da prisão de Abu Ghraib em troca da libertação de Jill. ‘Estava claro que dinheiro não era a questão central’, avalia a repórter. Entretanto, ela conta que, durante o primeiro mês de cativeiro, o tema sobre dinheiro veio à tona – ela lembra ter ouvido os seqüestradores falarem de um resgate no valor de US$ 10 milhões. Com informações de Scott Peterson [The Christian Science Monitor, 22/8/06].

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