Terça-feira, 19 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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IMPRENSA EM QUESTãO > MONOPÓLIO NA MÍDIA

Pela democratização das verbas públicas

Por Marcelo Salles em 09/05/2006 na edição 337

Na segunda-feira, 24 de abril, foi realizado debate sobre o mercado de trabalho no Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, com a presença de estudantes e profissionais da área. Os jornalistas Milton Coelho da Graça, colunista de O Globo, e Aziz Filho, presidente do sindicato e chefe da sucursal da IstoÉ no Rio, centraram suas críticas no Jornal do Brasil – em sua cobertura da cidade e em suas relações trabalhistas.


De fato, é verdade que o novo presidente do JB, Nelson Tanure, enxerga no jornal um negócio como outro qualquer e coleciona inúmeros processos trabalhistas. Em entrevista ao Fazendo Media, o ex-diretor de redação do diário Fritz Utzeri já havia comentado: ‘A idéia dele era fazer um jornal sem jornalistas, chupando [copiando] material da internet’.


Ponto-chave


As denúncias contra o JB procedem, todas elas. No entanto, enquanto integrante da mesa, ao lado dos jornalistas supracitados, tive a oportunidade de problematizar uma questão que agride ainda mais a categoria: o monopólio da Rede Globo. Se uma empresa detém 50% da audiência e 70% das verbas publicitárias, é evidente que se trata de uma violência contra os profissionais da área, para não dizer contra a democracia (se considerarmos o poder de influência da comunicação social). Além disso, e talvez mais grave, é preciso lembrar que o artigo 220 da Constituição brasileira veda a formação, direta ou indireta, de monopólios ou oligopólios da mídia.


Todos sabem que as pequenas e médias empresas são as que mais empregam. Nesse sentido, por que não mudar os paradigmas e imaginar a existência de 50, 100 jornais diários cobrindo o Rio de Janeiro? Por que não imaginar 50 jornais cobrindo São Gonçalo, outros 50 atuando em Duque de Caxias, Niterói, e assim por diante? O que impede que esse processo alcance também outros estados?


Isso não é impossível. Para que aconteça, no entanto, é preciso, entre muitas outras questões, que as verbas públicas sejam democratizadas – esse é o ponto-chave.


Sendo assim, em resposta ao convite do presidente Aziz Filho, que pediu maior participação de jornalistas e estudantes nas decisões políticas do sindicato, sugerimos que a entidade se engaje numa campanha contra o monopólio da Rede Globo e pela democratização das verbas públicas destinadas à comunicação social.

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Jornalista, editor do Fazendo Media

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