Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

IMPRENSA EM QUESTãO > MÍDIA NOS EUA

Pesquisa revela pessimismo com o futuro

19/02/2008 na edição 473

Em tempos de crise, a apreensão sobre o futuro do jornalismo é generalizada em diversos países. Os EUA não fogem à regra: pesquisa realizada pela Universidade de Maryland a pedido da American Newspaper Guild (sindicato de jornalistas dos EUA) e da National Association of Broadcast Employees and Technicians (sindicato de funcionários de emissoras dos EUA) revelou que a falta de perspectiva impera sobre qualquer resquício de esperança.

Foram entrevistadas 1.300 pessoas – mil delas jornalistas em atividade, metade do sexo masculino, com idade média de 46 anos. A maioria informou que o número de leitores, telespectadores ou ouvintes caiu mais de 60% nos últimos cinco anos nos locais onde trabalham. Quando se pergunta sobre o futuro, o otimismo é pequeno: ¾ responderam que é difícil acreditar em uma mudança positiva.

Cortes

Segundo artigo de Jeffrey Blyth [Press Gazette, 12/2/08], o número de demissões nos EUA só faz aumentar. Em 2007, houve cortes em diários como o San Francisco Chronicle, Seattle Times, San Jose Mercury News e até no USA Today – jornal mais vendido no país. As ações de muitos jornais, incluindo o New York Times, caíram, assim como os lucros. A publicidade – que sempre teve altos e baixos – parece que se acostumou a estar em baixa.

O panorama atual levou muitos dos entrevistados a duvidar se há espaço para jornalistas profissionais no futuro: 43% dos que trabalham na mídia impressa têm pouca confiança de que continuarão no emprego dentro de cinco anos. Esta insegurança acaba contribuindo para uma descrença na missão jornalística. Dos jornalistas pesquisados, 94% afirmaram que, no início de suas carreiras, a precisão era algo importante, mas que hoje, em meio ao clima de crise, não há mais a expectativa de ‘servir ao público’, e sim a de atrair uma grande audiência e conseguir lucros.

New York Times anuncia cortes na redação

O jornalão bem que tentou evitar cortes na redação, mas, em tempo de vacas magras na indústria jornalística, o New York Times terá que eliminar 100 cargos ainda este ano, informa Richard Pérez-Pena [The New York Times, 15/2/08]. Os cortes serão feitos em ‘vagas atualmente em aberto, que não serão preenchidas, demissões voluntárias e, se for necessário, demissões’, afirmou o editor-executivo Bill Keller. O NYTimes conta hoje com 1.332 funcionários na redação, o maior número em sua história. Nenhum outro diário nos EUA tem redações com mais de 900 funcionários.

O grupo New York Times Company fez cortes significativos em outros jornais de sua propriedade, como o Boston Globe, mas vinha, até agora, tentando poupar seu carro-chefe. O diário tem orçamento de mais de US$ 200 milhões na redação e é um dos poucos veículos de mídia que não reduziu sua cobertura sobre o Iraque – que chega a custar US$ 3 milhões por ano. As despesas também sofreram aumento recentemente por conta da longa e competitiva – além de atípica – campanha presidencial americana.

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