Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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IMPRENSA EM QUESTãO > MÍDIA NOS EUA

Pesquisas apontam perda de credibilidade do jornalismo

20/04/2004 na edição 273

O Projeto para a Excelência em Jornalismo da Universidade de Colúmbia publicou há um mês um significativo estudo sobre a mídia nos EUA. Intitulado ‘The State of the News Media 2004’, o estudo atestou que, enquanto a maioria dos jornalistas acredita estar cumprindo uma função cívica, grande parte do público vê o jornalismo como nada mais que um negócio em busca de lucro.

‘Os jornalistas acham que estão trabalhando em prol do interesse público, que estão tentando ser justos e independentes neste sentido’, concluiu a pesquisa. ‘Já o público acredita que estejam mentindo ou se enganando. O público acredita que as organizações de mídia operam em larga escala para fazer dinheiro, e que os jornalistas que trabalham para estas empresas são motivados por ambição profissional e interesse próprio’.

Andrew Kohut, diretor do Pew Research Center for the People and the Press, faz pesquisas regulares sobre a mídia, e os resultados que encontra não são exatamente agradáveis. Em pesquisa publicada no ano passado, por exemplo, 66% das pessoas questionadas afirmaram que as organizações de mídia costumam ser tendenciosas quando cobrem assuntos políticos e sociais; apenas 26% consideraram que elas são imparciais. 70% disseram que as notícias são influenciadas por pessoas e organizações poderosas, enquanto 23% crêem que a mídia é independente destas influências.

Há cinco anos, a Sociedade Americana de Editores de Revistas publicou um estudo sobre os problemas de credibilidade da indústria e descobriu que 59% do público achavam que os jornais estavam mais preocupados com seus lucros do que com os interesses da população, 56% acreditavam que os jornais eram tendenciosos na escolha do que noticiar e 50% afirmaram que os jornais permitiam que os anunciantes influenciassem as notícias. Dos jornalistas entrevistados para este estudo, 65% disseram que seus jornais não permitiam a influência dos anunciantes na escolha e no tratamento dado às notícias.

Em 2002, a escola de jornalismo da Universidade de Indiana perguntou a membros da mídia sobre sua profissão e obteve como resposta um alto nível de satisfação. ‘Quando você pergunta aos jornalistas sobre satisfação em seu trabalho e por que eles seguem a profissão, a maioria fala sobre a importância do serviço público que estão prestando’, conclui David Weaver, professor de jornalismo da Universidade de Indiana que ajudou a conduzir o estudo.

Mas para Jay Rosen, chefe do Departamento de Jornalismo da Universidade de Nova York, a mídia tem falhado em informar ao público sobre seu verdadeiro papel. A crescente presença dos jornalistas na notícia em si, com a manifestação de análises e comentários, levanta preocupações no público. ‘O jornalista aparece cada vez mais na notícia. Isso cria desconfianças e dúvidas’, afirma Rosen. ‘A imprensa tornou-se um jogador, mas nunca se importou

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