Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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ENTRE ASPAS >

Prêmio a blogueiro irrita governo chinês

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 24/10/2008 na edição 508

Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 24 de outubro de 2008


 


DIREITOS HUMANOS
Raul Juste Lores


Premiação de UE a dissidente irrita China


‘Um dos mais famosos presos políticos chineses, o blogueiro Hu Jia, 35, recebeu ontem o Prêmio Sakharov de Direitos Humanos do Parlamento Europeu. Hu está preso desde abril, condenado a três anos e meio de prisão por ‘incitar subversão contra o Estado’.


Conhecido pela defesa de causas tão diversas como os direitos dos pacientes soropositivos no país, a liberdade de expressão e o meio ambiente, Hu foi condenado depois de uma série de textos em seu blog, ‘A China Real e a Olimpíada’, co-escritos com o advogado Teng Biao, e de entrevistas a jornais estrangeiros criticando o aumento da repressão às vésperas da Olimpíada de Pequim.


O Parlamento Europeu o descreveu como ‘símbolo maior dos problemas de direitos humanos na China’. ‘Ele representa todos os cidadãos chineses e tibetanos que são reprimidos: advogados, jornalistas, peticionários, escritores e blogueiros’, diz a nota.


O governo chinês acusou ontem Hu Jia de ser um ‘criminoso’ e atacou a decisão do Parlamento Europeu como ‘interferência em assuntos domésticos e violação de normas internacionais’, segundo o porta-voz da Chancelaria Liu Jianchao.


Pequim abriga a partir de hoje o Encontro Ásia-Europa, com 43 países convidados. ‘Com tantos assuntos internacionais urgentes, é muito trivial que tenhamos que discutir Hu Jia’, disse o porta-voz.


Ao saber que ele era um dos finalistas ao prêmio, o embaixador chinês para a União Européia, Song Zhe, escreveu carta ao Parlamento dizendo que, ‘se Hu Jia for premiado, inevitavelmente vai ferir os sentimentos do povo chinês e trazer sérios danos às relações da UE com a China’.


A mulher de Hu Jia, Zeng Jinyan, 25, também ativista, ficou detida em um hotel em Dalian, a 463 km de Pequim, durante a Olimpíada. Há duas semanas, quando rumores apontavam que Hu Jia poderia receber o Nobel da Paz, seu telefone foi desligado. Ela vive sob vigilância policial com a filha de onze meses, Qianci.


Desconhecido


Hu Jia é famoso no exterior, mas absolutamente desconhecido na China. Ele começou seu ativismo em uma associação de pacientes soropositivos na Província de Henan, onde camponeses foram contaminados depois de terem vendido o seu sangue -ele foi preso em 2002 pela polícia local.


O blogueiro e a mulher ficaram sob prisão domiciliar de agosto do ano passado, quando ela ainda estava grávida, até abril, quando Hu foi julgado e condenado.


A família mora em um conjunto habitacional chamado Cidade Liberdade.


Em seu blog, ela narra as condições do marido, que tem cirrose hepática e raramente recebe qualquer tratamento médico na prisão. Dezenove cartas que ele escreveu para sua família desde que foi preso foram confiscadas, segundo Zeng.


‘Provavelmente ele não sabe que ganhou o prêmio’, disse à Folha o advogado Teng Biao, um dos melhores amigos de Hu. ‘O prêmio não é bom apenas para ele, mas também para todos que se preocupam com os direitos humanos na China. Pessoas que trabalham nessa área sofrem muito aqui. Sem a atenção de fora, a situação poderia ser pior’, diz Teng.


Batizado em homenagem ao dissidente soviético Andrei Sakharov, ganhador do Nobel da Paz em 1975, o Prêmio Sakharov é considerado o mais importante da UE. Entre os vencedores anteriores, estão nomes como Nelson Mandela, o cubano Oswaldo Payá e a birmanesa Aung San Suu Kyi.’


 


 


ELEIÇÕES
Eliane Cantanhêde


O pêndulo tucano


‘BRASÍLIA – Merecem atenção duas frases meio soltas, às quais a imprensa nem deu muita bola.


De Geraldo Alckmin, apesar de desvincular 2008 de 2010: ‘O governador de São Paulo e o PSDB se fortalecem. Estão muito bem’.


De Gilberto Kassab, jurando que, se eleito, vai cumprir os quatro anos de mandato: ‘Não votem em mim se eu sair [para se candidatar ao governo do Estado]’.


Com o devido desconto de que políticos falam o que convém falar, e não exatamente o que sentem e o que pretendem fazer, as duas frases sinalizam que a entidade PSDB-DEM está botando suas cartas na mesa para 2010 em São Paulo: Kassab quietinho na cadeira de prefeito, Alckmin para o governo (até por falta de outro/outros) e José Serra para presidente, livre para negociar com o PMDB.


A derrota desune, a vitória une.


Os tucanos paulistas engolem em seco velhas mágoas e tentam se acomodar diante da perspectiva de eleição de Kassab -pelo Datafolha, ele tem 54%. Só falta combinar com o ‘adversário’ que vem de fora.


Aécio Neves saiu cabisbaixo do primeiro turno em Belo Horizonte, onde lançou com o PT a candidatura Márcio Lacerda (PSB) e levou um susto atrás do outro. Primeiro, o estouro de Jô Moraes, mulher, paraibana e do PC do B. Depois, o do desimportante Leonardo Quintão, do PMDB, o azarão que chegou apenas dois pontos atrás de Lacerda, apesar de tudo e de todos.


Depois de um bom sacolejo na campanha, porém, Lacerda se recupera em todas as pesquisas e, segundo o Datafolha, tem cinco pontos a mais que Quintão (45% a 40%). Ao mudar de figura em Minas, a coisa muda de figura também no jogo tucano para 2010.


Serra foi a estrela do primeiro turno e é o grande personagem da eleição. Mas, se Lacerda dispara no final, os louros recairão naturalmente sobre Aécio. O que reequilibrará tendências -e ambições- dentro e fora do PSDB nacional.’


 


 


Plínio Fraga


Por que ganhar, por que perder


‘RIO DE JANEIRO – O ambiente eleitoral no Rio estava mais inclinado para Fernando Gabeira (PV) até a semana passada. Os ventos mudaram, e Eduardo Paes (PMDB) desponta agora como favorito.


Valendo-se disso, o programa eleitoral de ontem do PMDB na TV foi aberto mostrando as curvas ascendentes do candidato nas pesquisas. Já Gabeira dedicou parte do seu tempo a falar sobre sua preocupação com os animais domésticos.


Às vezes, o velho está travestido de novo, e o novo está escondido sob os escombros do velho.


Paes tem 38 anos, está cercado pelas estruturas políticas mais arcaicas do Rio, mas faz uma campanha profissionalíssima em termos de marketing político: ganhou espaço ao apontar seu adversário como candidato sem propostas, de elite, com desdém pelos subúrbios.


Gabeira, aos 67, pode não ser nada do que diz o adversário, mas tem dificuldade para mostrar por que a mensagem do oponente está errada. Paes é jovem, no entanto usa o que há de mais velho na política para vencer. Esta não é uma condenação, e sim uma constatação.


Num debate, Paes perguntou as propostas de Gabeira para a área de planejamento P-3. O verde chamou a questão do adversário de ‘pegadinha juvenil’ e afirmou não ter vergonha de dizer que não sabe tudo. No jargão, P-3 é a zona norte.


Em outro confronto, o peemedebista perguntou ao adversário qual a proposta dele para a MultiRio, que cuida do treinamento à distância na educação municipal. Muito sincero, Gabeira disse ainda não ter proposta para a empresa.


Na história do Rio, um candidato como Gabeira é novidade até na exposição aberta de seus pontos fracos. A sua concepção do exercício da política com utopia prevalece sobre o interesse eleitoral imediato. Talvez por isso esteja mais perto da derrota do que da vitória.’


 


 


SEQÜESTRO EM SANTO ANDRÉ
Painel do Leitor


Polícias


‘‘Fico impressionado com o enorme espaço que a mídia tem dedicado ao seqüestro em Santo André. Agora, os oportunistas de plantão são os personagens procurados para continuar dando audiência sobre o sofrimento de uma família, e o bandido agora virou ‘mocinho’. É o promotor da juventude entrando com ação -mas não compareceu para substituir a vítima; são os defensores dos direitos humanos processando -mas não compareceram para negociar; são o ex-disso e o ex-daquilo opinando -e sempre utilizando-se do replay das imagens, como comentaristas de futebol analisando se o impedimento foi bem ou mal marcado. Por que estes mesmos oportunistas nada falam das pessoas brutalmente assassinadas por meliantes em suas residências, como é o caso de Arthur Sendas?’


JÚLIO ATANASIO GEVAERD (Brusque, SC)’


 


 


JORNAL
Painel do Leitor


Folha


‘‘Concordo plenamente com o que escreveu a leitora Samantha Franco Maimone com respeito à decadência pela qual passa a Folha (‘Painel do Leitor’, 21/10). Alertado por amigos, tenho notado a perda da ‘decantada’ imparcialidade do principal jornal impresso do país. Prova disso são seus editoriais, as reportagens tendenciosas sobre os grampos no ‘supremo’ Gilmar e a cobertura parcial sobre as eleições em São Paulo. É uma pena. O senhor Frias faz falta.’


ADRIANO HENRIQUE PEREIRA BARBOSA (São Paulo, SP)’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Um rojão’


‘O comandante da tropa de choque, noticiou Fátima Bernardes, ‘admitiu pela primeira vez que o barulho ouvido pelos policiais antes da invasão ao apartamento de Eloá pode não ser de um tiro’. Diz agora o coronel que pode até ser de ‘um rojão’.


A história toda é confusa, na Globo. Seus telejornais sustentaram que os tiros foram depois da explosão -até anteontem, quando a escalada do ‘Jornal Nacional’ saiu bradando: ‘Exclusivo. O depoimento de vizinhos de Eloá coincide com o dos policiais. Eles dizem ter ouvido um tiro antes da invasão’.


A Globo havia obtido ‘acesso aos depoimentos à polícia’. Mas, meia hora antes do ‘JN’, anteontem, sites já destacavam que a amiga de Eloá desmentiu os policiais. Não houve tiro -o que o telejornal só foi registrar após toda a longa reportagem com o depoimento dos moradores, no final do programa.


No ‘JN’ de anteontem, o depoimento à polícia de um vizinho que ‘ouviu um disparo’ antes da invasão


‘UMA BOMBINHA’


A história é confusa também na Record, que domingo mostrou vídeo com um ‘estampido’ antes da explosão da porta pela polícia. O comentarista Percival de Souza chegou a dizer que foi ‘disparo de revólver’. Daniel Castro, ontem na Folha Online, ouviu o perito Ricardo Molina, que afirmou não ser ‘um tiro’ e sim um ‘sinal amplificado’ pela própria emissora. ‘Pode ser uma bombinha.’ A própria Record ‘suspeita que o suposto tiro, na verdade, foi um atrito num microfone de espuma’.


TEMPESTADE


A nova ‘Economist’, com borboletas voando para uma tempestade, se pergunta ‘O que vai acontecer aos mercados emergentes?’. Diz que a forma como reagirem ‘vai afetar a economia e a política mundial por longo tempo’.


Avalia que ‘a maioria pode evitar uma catástrofe’, que ‘os maiores emergentes estão em boas condições’. E que a China, até por sua ‘pouca conexão com os bancos estrangeiros’, deve desacelerar pouco, ‘talvez para 8%’.


Índia e Brasil ‘serão mais atingidos’. Diz a revista que ‘muitas empresas brasileiras têm grande exposição a moeda estrangeira. Mas a economia é diversificada e o país têm reservas de sobra para suavizar a mudança para um crescimento menor’. De todo modo, ‘chegou a hora de um programa similar, no mundo emergente’, àquele que evitou a ‘calamidade no mundo rico’.


ARTILHARIA


Na manchete da Reuters Brasil, ‘Governo resolveu abandonar a política de ‘matar um leão por dia’ e atacou em três frentes ao mesmo tempo, tentando mostrar força para estancar os efeitos da crise de crédito’ com Banco Central, Fazenda e Tesouro. Fim do dia e o dólar, manchete nos sites, caiu.


E O MEDO


Por outro lado, fim do dia e, manchete seguinte de UOL e outros, ‘Ações de bancos fazem a Bolsa cair’. No Valor Online, ‘entre as maiores baixas, Unibanco’.


No geral, o problema seria ‘o medo de dificuldades de instituições bancárias e empresas posicionadas em derivativos de câmbio’.


‘I MADE A MISTAKE’


Na manchete on-line do ‘Financial Times’, ontem, ‘Eu cometi um erro, admite Alan Greenspan’.


Mas o presidente por 18 anos do banco central americano não foi além da aceitação desse único erro, ontem em depoimento no Congresso, com transmissão pelos canais de notícias. Até defendeu os derivativos, uma vez mais, e afirmou que seu problema foi ‘presumir que os interesses próprios das organizações, especificamente dos bancos e de outros, eram o bastante para torná-los os mais capazes para a proteção de seus próprios acionistas’, sem a regulação.


MINI-BERLUSCONIS


De tempos em tempos, a ‘Economist’ opina sobre a imprensa na América Latina. Saudou há pouco o relançamento do ‘El Espectador’ na Colômbia, por romper o monopólio do ‘El Tiempo’. Ontem, escreveu contra a obrigatoriedade do diploma para jornalistas no Brasil, lembrando ser uma norma da ditadura.


E dizendo que o problema, como mostra o levantamento Donos da Mídia, é com o domínio das empresas de comunicação por políticos. Em especial, ‘curiosamente’, em São Paulo e Minas, com seus ‘mini-Berluconis’.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Record vende Olimpíada só para Globosat


‘A Record vai repassar os direitos da Olimpíada de Londres, em 2012, apenas para a Globosat, programadora de canais pagos da rival Globo. Isso quer dizer que na TV paga só a Globo terá o evento. Na aberta, a TV de Edir Macedo transmitirá os Jogos com exclusividade.


As negociações entre Record e Globosat, dos canais SporTV, foram concluídas anteontem. Faltam apenas a aprovação do COI (Comitê Olímpico Internacional) e a assinatura do contrato, o que deve ocorrer nas próximas semanas.


A Folha apurou que a Globosat pagará US$ 22 milhões à Record. Esse dinheiro equivale a mais de sete vezes o que a programadora pagou para ter Pequim-2008 (US$ 3 milhões). É mais do que a TV Globo investiu nos direitos da última Olimpíada: US$ 12 milhões.


A Record optou por repassar os Jogos para a Globosat, com exclusividade, por causa do dinheiro. Os concorrentes da programadora, Band Sports e ESPN Brasil, ofereceram menos de US$ 4 milhões. A primeira proposta da Globosat era de US$ 15 milhões.


Executivos da Record estavam em festa ontem. Avaliavam o acordo com a Globosat como um ótimo negócio. Como a emissora já acertou com o portal Terra os direitos de internet, por cerca de US$ 7 milhões, conseguirá amortizar metade do que investiu nos direitos de Londres-2012 (US$ 60 milhões).


SEXO À TARDE 1


O Ministério da Justiça ameaça reclassificar o ‘Melhor do Brasil’, que a Record exibe nas tardes de sábado. Detectou inadequações para o horário livre, como ‘linguagem metaforizada de conteúdo sexual’, ‘exposição de pessoas a situação humilhante/degradante’ e ‘valorização da beleza’.


SEXO À TARDE 2


A Record respondeu que ‘reafirma seu compromisso de zelar e contribuir com o Ministério da Justiça para conservação dos valores familiares para o crescimento desta nação’.


FIM DE TARDE


Nem a reprise de ‘Casa dos Artistas’ levantou o ‘Olha Você’, do SBT. Anteontem, o programa chegou a ficar atrás do culto que o pastor R.R. Soares apresenta na Rede TV!.


TUDO IGUAL


A Globo desistiu, pelo menos por enquanto, de adotar uma grade de programação para o Nordeste, em que o ‘Jornal Nacional’ passaria antes da novela das sete.


MICO


Uma clínica de São Paulo está divulgando fotos em que a atriz Fernanda Vasconcellos (Globo) aparece fazendo tratamento em aparelho que ‘promove quebra de gordura e enxuga as medidas’. Informa que ‘a ex-figurante do ‘Fantasia’ já perdeu ‘sete centímetros’. É o preço que artistas pagam para não gastar com beleza.


QUASE LÍDER


Com a história de uma menina encontrada morta dentro de um carro, a Band chegou a marcar 17 pontos, apenas um atrás da Globo, anteontem à tarde.’


 


 


Lucas Neves


Estréia sétima temporada de ‘Monk’


‘‘Monk’, série que mistura comédia e investigação criminal e chega agora à sua sétima temporada, aplica à polícia a fórmula que ‘House’ emprega na medicina.


Um protagonista carismático (e defendido por um ator talentoso) tem, a cada semana, um enigma a decifrar -crime no caso do primeiro, doença bizarra no caso do segundo. Depois de uma dúvida ou palpite furado aqui e ali, ele aponta o criminoso/diagnóstico irrefutável.


O problema dessa equação é que os tipos e suas idiossincrasias acabam chamando mais atenção do que o enredo. Resultado: com atores premiados ano após ano nos EUA, faltam às séries troféus pelo ‘conjunto da obra’ (melhor comédia/melhor drama, respectivamente).


Os roteiristas de ‘Monk’ tentam virar o jogo no episódio que abre o sétimo ano. Aqui, o detetive cheio de manias compra a casa em que um velhinho morreu há pouco, em circunstâncias obscuras -acidente ou assassinato?


Para reformar o lugar, chama um certo pedreiro Jake, que, logo se descobrirá, tem elos com a enfermeira do idoso. Acabará amarrado em sua própria sala de estar.


Antes disso, Monk conhece (e reprova) seu novo terapeuta, Neven -que assume o posto de Kroger, interpretado pelo ator Stanley Kamel, morto em abril passado.


MONK – ANO 7


Quando: neste domingo, às 19h


Onde: no Universal Channel’


 


 


REVISTA
Mônica Bergamo


Visionário


‘Greg Foley, diretor da revista modernete ‘Visionaire’, aproveitou sua palestra no Boom SP Design, ontem, para anunciar a vinda a São Paulo de uma mostra sobre a publicação, no próximo ano. As 50 edições que virão para a exposição deverão chegar ao Brasil em um baú gigante feito especialmente pela grife francesa Goyard.’


 


 


PRÊMIO
Carlos Heitor Cony


O fim do livro impresso


‘VENHO DE alguns dias em Lisboa, onde mal informados de lá me colocaram no júri que avaliou os originais concorrentes ao primeiro Prêmio LeYa -novo grupo editorial que destinou cem mil euros ao vencedor. O regulamento estabelecia que seriam julgadas somente obras inéditas, embora os autores pudessem ter publicados outros textos no mesmo gênero literário. O sigilo foi absoluto, somente após a decisão dos julgadores seria aberto o envelope com o nome do vencedor. Até então, todo o material do concurso correria com um pseudônimo. Um sistema bastante usual, levado a sério, sem tramóias ou pressões, funciona com a isenção desejada para este tipo de avaliação.


O prêmio tinha caráter internacional, abrangia Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau e Timor Leste. E o júri também o era, com representantes de países lusófonos, sob a presidência do escritor Manuel Alegre, poeta, romancista, vice-presidente do Congresso e ex-candidato à presidência da República.


Foi impressionante o número de concorrentes: 422. Numa época em que se discute o funeral do romance e o fim do livro impresso, a vitalidade do gênero, pelo menos em língua portuguesa, continua em alta. Oito originais foram selecionados pela própria editora e submetidos a um júri em que havia apenas um gato pingado que era eu próprio.


Predominaram brasileiros nas duas fases do prêmio. Dos oito finalistas, somente um era português. E por seis a um, ganhou um mineiro de 60 anos, Murilo Antônio de Carvalho, com um longo e bem elaborado romance, ‘O Rastro do Jaguar’. Ao comunicarmos a vitória, ele custou a entender do que se tratava, estava numa canoa, perdido num rio da Amazônia, a três dias de distância do povoado mais próximo. Informou que havia escrito o livro havia tempo, soube do concurso pela imprensa e mandara o original para ver no que podia dar. E deu.


Bem, esta seria a notícia em si, mas ela exige um comentário de minha parte. Continua-se escrevendo -ou, como dizem os portugueses, continua-se ‘a escrever’. Por isso ou aquilo, há dentro de cada ser humano um escritor potencial, ou seja, uma pessoa que tem o gosto ou a necessidade de transmitir aos outros a sua visão de mundo ou a sua história. Com o advento da comunicação eletrônica, nunca antes -como diria Lula- tanta gente está escrevendo na telinha dos computadores.


Não posso falar pelos outros, mas o meu caso não foi nem gosto nem a necessidade. Foi o instinto de sobrevivência não na posteridade mas na minha própria atualidade. Fui mudo até os cincos anos e quando comecei a falar, falava tudo errado, trocando letras e pronúncias. Já contei esta história por aí: fui falar que uma vizinha gostava de cozinhar e em vez de ‘fogão’ disse ‘fodão’.


Para evitar vexames, refugiei-me na escrita até que minha mãe me avisou que enquanto eu não aprendesse a dizer ‘lingüiça’, ela jamais faria meu prato então predileto. Eu dizia ‘lintiça’. Para ser devidamente abastecido, passei a escrever bilhetes para ela, fui talvez o primeiro cara do mundo que usou a porta de uma primitiva geladeira para deixar um aviso doméstico. Escrevia lingüiça corretamente, sem o trema que está para ser abolido pelo novo acordo ortográfico. Eu não sabia que estava à frente do meu tempo, embora atrasado no tempo dos outros.


Voltando ao Prêmio LeYa: o anúncio oficial foi feito na Feira de Frankfurt, semana passada. Na mesma feira onde editores de todo o mundo perceberam o ocaso do livro impresso, guttemberguiano, substituído pelos livros eletrônicos que começam a tomar conta do mercado cultural.


Homem terminal, escritor terminal, não estou muito preocupado com isso. Faço parte de uma cultura também terminal. Mesmo assim, se fosse avisado a tempo, talvez tivesse mandado o 423º original para Lisboa. Alegando minha suspeição, me dispensaria de atravessar o Atlântico, ida e volta, para avaliar os originais dos outros.’


 


 


ARTE
Fabio Cypriano


Bienal é aberta amanhã com ameaça de pichação


‘A Fundação Bienal de São Paulo preparou um esquema de segurança especial para os primeiros dias da exposição, que será inaugurada amanhã para convidados e no domingo para o público, por conta de uma ameaça de pichação.


A ação seria promovida pelas mesmas pessoas que picharam a galeria Choque Cultural, no mês passado. A ação dos pichadores está sendo convocada pela internet para ser feita no segundo andar da mostra, que permanecerá vazio durante o evento, e até mesmo em obras.


‘Estamos esperando esse tipo de ação e tomamos providências para evitá-la. Isso é um absurdo’, disse ontem o curador da 28ª Bienal, Ivo Mesquita, na entrevista coletiva de apresentação do evento.


‘Nós sabemos que eles estão convocando gente da periferia da cidade para fazer isso, e essas pessoas não sabem o que elas vão encontrar. Em geral, quem faz esse tipo de ação o realiza à noite, mas aqui eles não sabem no que vão estar se metendo. É um lugar público e que terá muita segurança’, afirmou a outra curadora da Bienal, Ana Paula Cohen.


Para ela, ‘o que quem lidera isso quer fazer é aparecer na imprensa. E ele está até mesmo violando um código de ética dos pichadores que é não pichar em cima do trabalho de outros, caso eles venham pichar obras aqui’.


Em junho passado, um grupo de 40 pichadores fez no Centro Universitário Belas Artes ação semelhante à pretendida na Bienal e à ocorrida na galeria Choque Cultural.


Planta livre


De resto, de acordo com o clima da coletiva de ontem, ao menos entre os curadores e o presidente da Fundação Bienal, Manoel Francisco Pires da Costa, não há o menor sinal de crise econômica ou moral na instituição.


‘Esta Bienal me satisfaz profundamente’, disse Pires da Costa. ‘Quando digo que há um problema de gestão na Bienal, eu não me refiro ao presidente mas à macrogestão, de como está estruturada a instituição.’


‘Nós aceitamos realizar essa Bienal não por conta de uma crise localizada, mas porque acreditamos que ela tem tido a capacidade de formar profissionais da área, como o Ivo e eu mesma, e pensamos então que o projeto seja em relação às grandes mostras e sua inserção na indústria cultural e no consumo’, afirmou Cohen. Já o segundo andar vazio, que marcou todo o debate inicial sobre a mostra, fazendo com que o título Bienal do Vazio se sobrepusesse a ‘Em Vivo Contato’, nome original da mostra, ganhou novo título: agora se chama ‘Planta Livre’.


‘O vazio foi mal-entendido desde o início. Com ele, queremos discutir o princípio da arquitetura moderna no pavilhão e, como ele está aberto, propostas podem surgir’, disse também a curadora.


De 41 artistas que tomam parte da mostra -a lista oficial apresenta 42, mas anteontem o brasileiro Rodrigo Bueno retirou-se do evento por discordar da curadoria-, apenas 23 apresentam obras no edifício. Os demais estarão presentes em performances e ações que ocorrerão na praça, localizada no térreo. Ontem, no percurso para a imprensa, não havia ainda nenhuma obra totalmente acabada, o que, contudo, não é incomum nas vésperas de exposições de grande porte. A diferença, entretanto, é que essa não é uma mostra de grande porte.


28ª BIENAL DE SÃO PAULO


Quando: abertura amanhã, às 19h (convidados); de ter. a dom., das 10h às 22h


Onde: pavilhão da Bienal (parque Ibirapuera, portão 3, tel. 0/xx/11/5576-7600)


Quanto: entrada franca’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 24 de outubro de 2008


 


ELEIÇÕES
João Domingos, Clarissa Oliveira e Ricardo Brandt


Na Globo, Marta atacará caráter de Kassab, que vai reagir com mensalão


‘Os candidatos a prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT), têm estratégias diferentes para o debate de hoje à noite, na TV Globo, na última oportunidade de usar a televisão para conquistar votos do eleitor para o segundo turno da eleição, no domingo. Kassab promete ‘confiança e alto-astral’; Marta, ataques, mas com o cuidado de não passar para o eleitor uma imagem arrogante.


A idéia, de acordo com aliados da ex-ministra, é investir novamente na tese de que Kassab diz uma coisa na propaganda eleitoral gratuita e faz outra na administração municipal. A base desse plano continuará sendo a associação entre Kassab, o ex-prefeito Celso Pitta e o hoje deputado Paulo Maluf (PP).


Kassab promete reagir. É Marta falar de Pitta e ouvir como resposta a palavra ‘mensalão’, referência ao maior escândalo do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, informaram assessores do prefeito. De acordo com a CPI dos Correios, de 2005, o PT pagava mensalidade a parlamentares de partidos aliados para que votassem projetos de interesse do Palácio do Planalto. O episódio ficou conhecido por mensalão.


Nos dois últimos debates, Kassab associou Marta a petistas que estiveram envolvidos no escândalo, como o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira. O prefeito afirmou ainda que foi em São Paulo que ocorreu o episódio dos ‘dólares na cueca’, quando um assessor do hoje deputado José Guimarães (CE) foi preso com moeda americana escondida na cueca. Guimarães é irmão de José Genoino (SP), então presidente do PT.


Como está muito à frente na preferência dos eleitores – 18 pontos, segundo o Datafolha, e 17, segundo o Ibope, ambos divulgados no dia 22 – o prefeito acredita que sua estratégia de atacar menos do que Marta tem dado certo. Por isso, ele só fará contra-ataques mais fortes se for agredido.


Os dois, no entanto, não deixarão de lado as cobranças. Kassab vai explorar novamente um dos pontos considerados por sua campanha como o mais vulnerável de sua adversária, a instituição de taxas de lixo e iluminação pública na administração petista. De acordo com pesquisas internas feitas pelo DEM, a criação de tributos é o tema mais verbalizado pelos entrevistados quando o assunto é a rejeição à ex-prefeita.


PROVOCAÇÕES


Já Marta tentará fazer provocações a Kassab, sem alterar o tom de voz e sem os conhecidos ‘chiliques’, em que costuma passar pitos no adversário. Pretende pedir ao eleitor que compare sua ética e sua moral com a de Kassab. Dirá que o prefeito não fala por si, porque é a voz que resta ao PFL, ‘que o Brasil varreu do mapa e insiste em tentar uma sobrevida em São Paulo’.


As duas coordenações de campanha afirmaram que o formato do debate da TV Globo pode favorecer um clima menos hostil entre os contendores. O debate será dividido em cinco partes. Em duas delas, o tema será definido por sorteio, para que cada um fale sobre educação, saúde, segurança, meio ambiente, habitação, trânsito, saneamento básico, relação com o governo federal, corrupção, creches e escassez de recursos para administrar. Um candidato pergunta, o outro responde, com direito a réplica e tréplica.


Em outros dois blocos o tema será livre. Haverá pergunta, resposta, réplica e tréplica, do mesmo jeito. Nestes, o debate pode desandar, porque é aí que os candidatos costumam partir para o ataque. Marta, por exemplo, pretende insistir em dizer que Kassab não tem ética nem moral. O prefeito, por sua vez, quer apontar as deficiências da gestão Marta como forma de apresentar suas realizações de governo.


Se o debate desandar para os ataques, os dois lados reservaram artilharia pesada. Kassab, por exemplo, afirmará que Marta deixou a prefeitura quebrada, que aplicou menos da metade do que ele gastou em saúde, que havia fraude nas catracas dos ônibus do sistema de bilhete único e que a ex-prefeita sempre tentou partidarizar a eleição, esquecendo-se da cidade. A seu favor, dirá que é aliado do governo do Estado.


Marta guarda como arma o argumento de que o prefeito nunca fez uma licitação para obras, que prometeu 25 CEUs e só fez 14, que ‘privatizará’ o transporte coletivo e cobrará pedágio nas ruas. Dirá que é aliada de Lula, o que favorecerá as obras na cidade.


O debate da TV Globo terá início às 22 horas e será encerrado à meia-noite, com as considerações finais de cada candidato. O programa será ancorado pelo apresentador Chico Pinheiro.’


 


 


Ana Paula Scinocca


Tempo na TV deu fôlego a Kassab


‘Terça-feira, 15 de julho, Liberdade. Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, faz corpo-a-corpo pelo bairro. Fernanda, uma jovem de 20 anos, pergunta a um jornalista: ‘Moço, quem é esse alemão aí?’ Ela, assim como milhares de paulistanos, mostravam as pesquisas, desconhecia que Kassab era prefeito de São Paulo havia pouco mais de dois anos.


Sábado, 18 de outubro, Liberdade. Líder isolado nas pesquisas, a uma semana do segundo turno da eleição, Kassab é esperado por cerca de 500 pessoas para um encontro com mulheres. Crianças fazem coleção de cartões de campanha que exibem o desenho do boneco ‘Kassabinho’, mascote da campanha, e jovens fazem fila para tirar foto com o prefeito. ‘Nossa, como ele é lindo!’, comenta Bianca, também de 20 anos.


Esses dois episódios retratam fielmente a campanha de Kassab. Ele passou da condição de prefeito desconhecido, em julho, para favorito, em outubro, sem sobressaltos. Foi crescendo nas pesquisas aos poucos e surpreendendo até mesmo integrantes de sua equipe.


Primeiro, ‘roubou’ o segundo lugar do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tinha um enorme recall por ter disputado, e vencido em São Paulo, a eleição presidencial em 2006.


Depois, ‘virou’ em cima da, até então favorita, ex-prefeita Marta Suplicy (PT). Na véspera do primeiro turno, em 4 de outubro, as pesquisas indicavam a ida ao segundo turno de Kassab e Marta. Mas a petista, mostravam os levantamentos, chegaria na frente. Não foi o que as urnas revelaram. O prefeito passou a ex-ministra, ainda que por margem apertada. Nem o próprio Kassab acreditava. ‘Olha! Eu estou na frente até aqui’, comentou o prefeito enquanto acompanhava, pela TV, a apuração da eleição.


Desde o início da corrida eleitoral, o principal desafio dos aliados de Kassab era torná-lo conhecido. A população aprovava o governo, diziam, mas desconhecia que o vice de José Serra (PSDB) havia assumido a Prefeitura de São Paulo com a eleição do tucano para o governo paulista, em 2006. Em contrapartida, a aprovação do governo só fazia crescer.


Com base nesse cenário, a equipe de comunicação e marketing se concentrou em apresentar a São Paulo seu prefeito. E deu certo. Kassab começou a campanha com parcos 10% das intenções de voto, segundo aferiu o Ibope em 18 de julho, apenas três dias depois de Fernanda perguntar sobre a identidade do ‘alemão’. A quatro dias da eleição, no dia 22, o mesmo instituto apontou vitória de Kassab com 53 % ante 39% de Marta.


A estratégia de campanha foi seguida criteriosamente pelo disciplinado Kassab. Na TV, com uma propaganda competente assinada pelo marqueteiro Luiz Gonzalez, o prefeito foi sendo apresentado aos eleitores. Logo de largada, nesse departamento, saiu com vantagem sobre os adversários porque possuía no primeiro turno tempo superior (fruto da aliança formada sobretudo com o PMDB) ao de Marta e ao de Alckmin.


Outra decisão acertada: o foco deveria ser Marta, e não Alckmin. A idéia sempre foi apresentar Kassab como o anti-PT e comparar a gestão do prefeito com a administração de Marta. A essa altura, mesmo em terceiro lugar nas pesquisas, Kassab começou a ganhar espaço no noticiário ao desafiar a ex-prefeita. ‘Ela (Marta) quer nacionalizar a eleição porque não tem discurso aqui na cidade. Quer quebrar a cidade de novo’, provocava Kassab ao falar da adversária, cada vez mais colada na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Devagarinho, o prefeito foi subindo alguns pontinhos. O maior salto registrado pelo Ibope ocorreu entre 30 de agosto e 12 de setembro. Ele saltou de 12% para 21%. Na época, Marta tinha 35%.


No dia 4 último, véspera da eleição, o prefeito tinha 10 pontos porcentuais a menos que Marta (25% ante 35%), mas terminou a primeira etapa do pleito à frente dela: 33,61% contra 32,79%.


VIDA PESSOAL


Embora em menor número, a campanha também teve momentos de estresse com a acusação de uso da máquina pública. Nada porém comparado ao tiroteio enfrentado no segundo turno. Tão logo foi dada a largada no horário de rádio e TV na segunda etapa da corrida à prefeitura, no dia 12, o PT partiu para cima do prefeito. Mas acabou errando na mão. Na tentativa do ‘tudo ou nada’, as inserções da petista ficaram mais agressivas e procuravam explorar a vida pessoal de Kassab. ‘Você conhece Kassab. Sabe se ele é casado? Tem filhos?’ Resultado: sobraram críticas para Marta, até de integrantes de seu próprio partido.


Kassab seguiu sem cair nas provocações. ‘Tem um monte de mulher querendo casar comigo. O importante em relação a um candidato e a um prefeito é o caráter das pessoas. Acho que se ele é solteiro, viúvo, divorciado, casado, tem filhos ou não, é uma questão de foro íntimo’, rebateu o prefeito. E, mais uma vez, deu certo. A campanha seguiu em frente. Guerra? Só na Justiça Eleitoral. E nada menos que 13 direitos de resposta obtidos no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) até aqui.


Depois de mais de uma semana em que a discussão central foi a vida pessoal, e não as propostas da cidade, a campanha retomou seu ritmo. Mas os números, segundo as pesquisas, se mantiveram praticamente os mesmos. Como cartada final, Marta trouxe de volta o principal cabo eleitoral da campanha, o presidente Lula. Kassab resolveu não entrar em ‘bola dividida’. E, na última semana, foi de carona no Sorria, jingle e bordão de sua campanha. Agora, no domingo, só espera sorrisos.’


 


 


MÍDIA ARRISCADA
O Estado de S. Paulo


S&P baixa nota de risco do ‘New York Times’


‘A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) rebaixou a nota de crédito do jornal New York Times em três pontos, de BB- para BBB- (grau especulativo), com perspectiva negativa. Segundo a agência, uma recessão nos EUA ‘exacerbaria de modo significativo’ a receita do jornal com publicidade. O anúncio foi feito horas depois de o jornal informar que seu lucro líquido no terceiro trimestre caiu 51% em relação ao mesmo período de 2007.’


 


 


TECNOLOGIA
O Estado de S. Paulo


Gates cria ‘empresa geradora de idéias’


‘Bill Gates, que em julho deixou oficialmente o dia a dia da Microsoft, criou uma nova companhia chamada bgC3. Rodeada de mistérios, a bgC3 já tem domínio registrado e deve se dedicar a ‘gerar idéias e produtos’ para a Microsoft e para a Fundação Gates. Segundo o ‘TechFlash’, blog sobre tecnologia assinado por três jornalistas veteranos do setor, no registro da empresa aparecem atividades como ‘serviços tecnológicos e científicos’, ‘análise e pesquisa industrial’ e ‘desenvolvimento e desenho de software e hardware’.’


 


 


***


Lucro da Microsoft sobe 2% no trimestre


‘A Microsoft Corp registrou um aumento de 2% no lucro líquido no terceiro trimestre, para US$ 4,37 bilhões. A receita cresceu 9% no trimestre, para US$ 15,06 bilhões, e ficou confortavelmente acima do esperado pelos analistas. Entretanto, devido à desaceleração do crescimento das vendas, a empresa reduziu suas previsões para o ano fiscal 2009. A projeção de receita foi rebaixada para US$ 64,9 bilhões a US$ 66,4 bilhões, ante uma estimativa anterior de US$ 67,3 bilhões a US$ 68,1 bilhões.’


 


 


INTERNET
Michelly Teixeira


Telefônica testa banda larga sem fio em São Paulo


‘Em parceria com a Motorola e a Intel, a Telefônica começa hoje, em São Paulo, a testar o serviço de banda larga sem fio com tecnologia WiMax. O projeto-piloto será feito com 150 clientes residenciais das regiões de Pinheiros e Jardins. A duração prevista dos testes é de três meses, mas eles podem ser prorrogados por mais três. Com o serviço, a Telefônica espera complementar sua rede de internet rápida. A concessionária também prevê fazer testes no Rio, em Curitiba e em Porto Alegre.


A Telefônica espera oferecer, com o WiMax, um serviço mais barato que o Speedy, que usa a rede de telefonia fixa, com tecnologia ADSL. O WiMax funciona na freqüência de 2,5 gigahertz, comprada da empresa de televisão por assinatura TVA. O serviço de MMDS (TV paga por microondas) usa a mesma freqüência.


O WiMax é uma tecnologia que começa a chegar ao Brasil – apenas a Embratel e a Neovia oferecem hoje comercialmente o serviço. Ela permite velocidades maiores que a telefonia celular de terceira geração (3G) e é mais barata de se instalar que o ADSL, o cable modem (que usa a rede de TV a cabo) e a fibra óptica. O WiMax tem cobertura maior que o Wi-Fi, tecnologia de rede local sem fio, podendo alcançar uma distância de 50 quilômetros entre o cliente e a antena.


Como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ainda não homologou os equipamentos WiMax que serão testados, fabricados pela Motorola, não há data marcada para o lançamento comercial. Mas o executivo de Desenvolvimento de Novos Negócios da Motorola, José Geraldo Alves de Almeida, disse que ‘é de se esperar’ que a aprovação saia até o fim do ano, ‘já que não há nenhum entrave regulatório’ e o processo tramita há bastante tempo no órgão regulador. No mês passado, o presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, se queixou, em entrevista ao Estado, da demora na homologação.


Se os testes em São Paulo forem bem-sucedidos e a Anatel der aval ao negócio, as vendas de banda larga WiMax podem começar ‘imediatamente’, informou o vice-presidente de Estratégia e Regulação da Telefônica, Maurício Giusti. Para ele, o WiMax abre caminho à venda de internet em alta velocidade no regime pré-pago, o que daria mais flexibilidade de uso, com preços menores.


Além de o investimento inicial em WiMax ser menor que em ADSL e fibra óptica, a tendência é que os computadores venham com essa tecnologia de banda larga sem fio já embarcada. Assim, a operadora fica dispensada de fornecer os dispositivos de acesso aos clientes, podendo repassar a economia ao consumidor. ‘Pelas características e evolução dos preços, o WiMax promete ser mais barato que o ADSL. Além disso, com o Speedy é mais difícil aplicar o modelo de negócios pré-pago, pois exige um aporte grande na casa do cliente’, afirmou o executivo.


Para o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Intel, Augusto Campos, os testes conduzidos por Telefônica, Motorola e Intel mostram que o intervalo entre lançamento e adoção de tecnologias pelo mercado está se tornando cada vez menor. A empresa é sócia-fundadora do WiMax Forum, que define padrões para essa plataforma, e desenvolve microprocessadores que deixam os computadores prontos para conectar-se à internet via WiMax.


O piloto, de acordo com a Telefônica, priorizará uma ‘velocidade de conforto’ ao redor de 2 megabits por segundo (Mbps), mas a tecnologia permite atingir picos de 7,5 Mbps. O alcance do sinal de cada antena é de 35 km, podendo chegar a 50 km.


A Telefônica planejava lançar o WiMax em escala comercial na cidade do Rio de Janeiro, também com a licença de MMDS da TVA. Mas, como a homologação dos equipamentos na Anatel ainda não saiu, a concessionária optou por testar a tecnologia na capital paulista, onde a infra-estrutura já instalada torna o trabalho mais fácil e rápido. Num segundo momento, a Telefônica vai testar o WiMax no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. ‘Conforme os resultados dos testes em São Paulo, podemos pular o piloto no Rio e, de cara, partir para o lançamento comercial naquela capital’, revelou Giusti.


OPÇÕES DE CONEXÃO


WiMax: Tecnologia sem fio que começa a chegar ao País. A Embratel já tem operação comercial. O WiMax atinge velocidades de até 70 Mbps


ADSL: Banda larga que usa a rede de telefonia fixa, como o Speedy, da Telefônica. A velocidade chega, no Brasil, a até 8 Mbps


Cable modem: Usa a rede de TV a cabo, como o Vírtua, da Net. A velocidade, no País, costuma chegar a 12 Mbps


Fibra óptica: A Telefônica oferece banda larga por fibra óptica nos Jardins, em São Paulo, com velocidade de 30 Mbps


3G: A tecnologia permite a oferta de banda larga pela rede de celular, com velocidade de 7,2 Mbps’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Maysa vai ao cinema


‘A minissérie Maysa, com estréia prevista para janeiro na Globo, já tem destino certo além da telinha. Diretor da obra e filho da cantora, Jayme Monjardim pretende levar a atração para o cinema, nos mesmos moldes do que foi feito com O Auto da Compadecida.


‘A minissérie vai muito além da exibição na TV. A produção renderá DVD, CDs, livros… Depois, unirei os capítulos em uma edição especial de um longa, lançado pela Globo Filmes’, conta Monjardim. ‘Por isso pretendo guardar arestas da edição, estou registrando parte dos bastidores disso tudo.’


Gravações musicais – algumas inéditas – da cantora estão sendo recuperadas por Marcos Viana, produtor musical da minissérie e parceiro do diretor desde Pantanal.


Maysa terá dois CDs: um inédito, com a gravação de um show dela nos Estados Unidos, e outro com letras e poemas transformados em músicas, gravadas por vários artistas.


Monjardim também prepara livros sobre a produção. Um deles será no mesmo estilo dos que fez na época de Terra Nostra e O Clone, com fotos e detalhes da execução da minissérie.’


 


 


 


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