Domingo, 21 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Primeira Página (São Carlos)

23/09/2008 na edição 504


CAMPANHA
Deonísio da Silva


Reviravolta nas pesquisas eleitorais, 21/9


‘Talvez o exemplo do Rio de Janeiro se aplique a outros municípios, por isso vou contar um pouquinho o que está havendo aqui na ‘cidade maravilhosa’.


Há algum tempo dirigi mesa redonda sobre sociedade e universidade, aqui no Rio, e Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo, era um dos palestrantes. Ambos se dizem ‘bispos’, denominação um tanto desarrumada, pois ‘bispo’ era tradicionalmente aplicado a autoridades da Igreja Católica. Até os protestantes usam a designação com parcimônia, preferindo a de ‘pastores’.


Na platéia, uma aluna segurava no peito uma revista ISTOÉ que trazia Marcelo Crivella na capa, dizendo que ele lavava dinheiro sujo. Ele começou a sua intervenção dizendo que os bancos que anunciavam naquela revista estavam caluniando, não apenas a ele, mas a todos os senadores e deputados federais que no Senado e na Câmara tentavam limitar os ganhos astronômicos da especulação financeira. E pediu à aluna que procurasse os seus discursos no Senado. Ela ia entender por quê a revista o colocara na capa daquele modo. Depois, pediu que ela fosse folheando e contasse quantos bancos anunciavam na revista.


Passado algum tempo, veio julho de 2008. Dada a partida, isto é, a campanha, Marcelo Crivella (PRB) aparecia lá em cima nas pesquisas. Muitos já diziam que ele era o novo prefeito do Rio, só faltava sacramentar seu nome nas eleições.


Mas, como dizia Garrincha, vocês combinaram com os russos? A pergunta do famoso ponta-direita tornou-se exemplo porque o técnico Vicente Feola explicava o modo de o Brasil enfrentar a então URSS, e dizia a Zito que desse a bola para Didi, este passaria a Garrincha, que, vindo pela direita, driblaria três e cruzaria para Vavá, que faria o gol.


Bem, não combinaram com os russos. Talvez o Marcelo Crivella não vá nem para o segundo turno.


Aqui no Rio, segundo o DataFolha, Eduardo Paes (PMDB) lidera as pesquisas, aparecendo embolados três outros: Marcelo Crivella (PRB), Jandira Feghali (PCdoB) e Fernando Gabeira (PV).


Eduardo Paes tinha 9%, quando começou a campanha. Hoje tem 26%. Deu-se o inverso com Marcelo Crivella. Começou com 26% e agora está com 18%. Provavelmente vai descer mais dois pontos e se fixar em 16%, dizem os analistas.


Jandira Feghali (PCdoB) começou com 17% e agora tem 13%. Fernando Gabeira (PV) saltou de 7% para 11%. Solange Amaral (DEM) caiu de 7% para 5%. Chico Alencar (PSOL), Paulo Ramos (PDT) e Alessandro Molon (PT) estão entre 1% e 4% desde julho até agora.


Se as eleições fossem hoje, como dizem os analistas, Eduardo Paes seria o prefeito, mas no segundo turno. Venceria Marcelo Crivella por 53% a 32%. Se Marcelo Crivella não for para o segundo turno, e Eduardo Paes enfrentar Jandira Feghali, vencerá com menos diferença: 48% a 37%. E se der zebra, e Marcelo Crivella for para o segundo turno com Jandira Feghali, a nova prefeita do Rio será do PCdoB, com 11% de vantagem da ‘comunista’ sobre o ‘bispo’.


Em São Paulo, Marta Suplicy (PT), que continua com o nome do ex-marido, o senador Eduardo Suplicy, partiu com 38%, foi a 41% e caiu para 37%. Assim, vai enfrentar Geraldo Alckmin ou Gilberto Kassab, ambos empatados, com 22%.


As eleições municipais parecem consolidar a presença da mulher. Marta em São Paulo, e Jandira no Rio, ainda que não vençam, irão para o segundo turno, sem contar que Marta já foi prefeita da maior cidade do país.


Bom domingo a todos. Ainda faltam duas semanas para as eleições municipais e, antes, se Deus quiser, terei chegado aos sessenta anos. Como sou colega de signo, entre outros, do jornalista Augusto Nunes (da Silva), meu editor há tantos anos em revistas e jornais, e meu querido amigo, vou comemorar fazendo o que tenho feito sempre: escrever. Mas é claro que um Marquês de Riscal, espanhol, será degustado, seguido de um charuto cubano e de um café árabe. Afinal, o Brasil por fim integrou-se ao mundo. De brasileiro da gema, este Da Silva, a língua em que escreve e seus escritos.(xx)


PS. Em 1992, Cesar Maia patinava em 6% nas pesquisas para prefeito do Rio. Ficou assim até a última semana. Marcos Coimbra, ouvido pelo O Globo, disse que Cesar Maia estava crescendo. O jornal destacou um jornalista de Esportes para acompanhar a possível mudança. Depois disso aquele repórter, Marcelo Moraes, mudou de área e se transformou em jornalista político. E Cesar Maia é o prefeito do Rio até hoje! Em São Carlos (SP) houve algo semelhante na eleição de Rubinho.’


 


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