Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

IMPRENSA EM QUESTãO > SEMANÁRIOS TENDENCIOSOS

Proposta de cinco megassoluções

Por Cláudio Rodrigues em 23/01/2007 na edição 417

Ser brasileiro é torcer apaixonadamente o tempo inteiro, seja por um time de futebol, uma escola de samba, uma ideologia, uma revista, um jornal ou um presidente da República. Não há nuanças para os brasileiros, de Miami ao Chuí. Não se admite que um corintiano admire o modelo de gestão do São Paulo, que uma boa reportagem da Veja seja discutida pela CartaCapital, que Fernando Henrique Cardoso reconheça alguns acertos de Lula, que o governo atual reconheça em público os próprios erros, que, enfim, existam mais cores além do branco e do preto.

Resultado: a proliferação de debates inócuos, acalorados, onde se discute quem roubou mais, quem engavetou mais processos, quem desviou mais recursos, quem fez mais pela economia do país, quem tem mais títulos, quem é mais popular, quem é mais culto, quem tem a primeira-dama mais elegante, quem é de esquerda ou de direita, quando se deve politizar um acidente ou não, quem tem mais samba no pé, entre outras pérolas do tipo.

Desta feita, o Brasil está sucumbindo ao derretimento indiscriminado de massas cinzentas de leitores, diante do superaquecimento de debates dicotomizados, causado pela emissão indiscriminada de notícias tendenciosas. O transbordamento de editoriais é fato e arrasa grandes extensões de área útil das publicações, deixando à vista apenas os espaços publicitários. Neste ritmo de degradação, a espécie de leitores pensantes brasileiros estará extinta em pouco tempo.

De forma a evitar tamanha catástrofe ambiental, apresento a seguir cinco megassoluções para resolver o megaproblema de tendenciosidade dos nossos hebdomadários.

1. Segregação do espaço publicitário em catálogo próprio

Muito se discute sobre a influência da publicidade no conteúdo jornalístico dos hebdomadários brasileiros. As estatais, por exemplo, são responsáveis por boa parte da verba publicitária dos nossos semanários. Eis que surge a questão: como manter a isenção nestas condições? A resposta não é fácil. Entretanto, cientistas comportamentais da Carolina do Norte pesquisam os efeitos da segregação das campanhas publicitárias, com boas perspectivas de sucesso. Inclusive, há relatos de pessoas dispostas a guardar apenas o catálogo dos anúncios, o que obrigará nossas publicações semanais a tornar o conteúdo menos descartável.

2. Publicação de notícias em situacionês e oposicionês

Esta simples e importante solução, sugerida por cientistas do Centro de Pesquisas Avançadas do Texas, endereça duas questões fundamentais: como divulgar fatos através de notícias tendenciosas e como gerar novos empregos diante da crescente automatização. Como naquelas revistas de bordo dos nossos aviões, com reportagens em português à esquerda e em inglês à direita, os noticiários sairiam com os vieses de ‘situação’ e ‘oposição’, publicados nas páginas pares e ímpares das revistas. Destacando os pontos em comum entre os dois textos, o leitor poderá chegar ao fato por trás da notícia. E, no lugar de um jornalista, dois jornalistas estariam empregados.

Esta idéia, contudo, terá vida curta, uma vez que nossos hebdomadários serão classificados ideologicamente de acordo com o conteúdo publicado nas páginas pares.

3. Aplicação de estenografia nos infográficos

Uma imagem vale por mil palavras. Contudo, uma imagem sem palavras parece valer muito pouco para nossos hebdomadários. Para resolver este problema, pesquisadores do Instituto de Engenharia Comportamental de Oklahoma publicaram recentemente um estudo sugerindo a utilização de estenografia para complementar a informação dos gráficos dos semanários brasileiros. Como a taquigrafia é de domínio restrito, o poder de indução dos chamados infográficos estaria mais limitado em nossa população. Por outro lado, valendo-se da técnica, muito mais palavras caberiam no gráfico, o que daria maior liberdade na redação de informações complementares.

4. Publicação de editoriais em esperanto

Para conter o avanço dos editoriais nos semanários brasileiros, antropólogos do Centro de Estudos Avançados de Hokkaido propuseram que opiniões dos órgãos jornalísticos fossem publicadas em esperanto, a linguagem universal que talvez seja a menos conhecida no universo.

Com isso, resguarda-se o direito sagrado de emissão de opinião da revista em qualquer canto da publicação, sem perigo de contaminar o julgamento do leitor.

5. Publicação de erratas como manchetes

Manchetes caluniosas, difamatórias, entre tantas, são veiculadas constantemente por nossos hebdomadários, despudoradamente. Recentemente, por exemplo, houve a divulgação precipitada e condenatória do caso da mãe que teria tirado a vida da filha misturando cocaína na mamadeira. Após comprovação do erro crasso, algumas publicações trataram de corrigir a ‘falha técnica’ com aquelas tímidas erratas à Britney Spears: Oops! I did it again!

Para resolver o problema, doutores do Centro de Ciências Humanas de Vaduz propuseram que, trocando a seção de errata pela manchete, os nossos semanários se tornariam mais humanos, menos suscetíveis a acertos. Manchetes como ‘Revista Monstro Condena Mãe Inocente Antes do Julgamento’ teriam um efeito mais positivo na população, sem privar os semanários do sagrado direito de publicar notícias sem necessidade prévia de averiguação.

Conclusão

O derretimento de massas cinzentas de leitores de semanários brasileiros tem solução, como diversas iniciativas científicas ao redor do mundo assim a comprovam. Algumas sugestões são mirabolantes demais para os tempos de hoje, mas não são impossíveis de serem aplicadas em futuro próximo. Ressalte-se ainda que nenhuma solução apresentada fere o direito de expressão; pelo contrário, várias destas propostas potencializam a livre apresentação de idéias, qualquer que seja a posição ideológica dos nossos hebdomadários.

Contudo, torço sinceramente para que nenhuma destas proposições ridículas precise ser empregada para melhorar a qualidade das principais publicações semanais brasileiras.

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Engenheiro, Rio de Janeiro, RJ

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/01/2007 Helena Marcondes

    Concordo plenamente com o colunista. Cada vez mais, a imprensa brasileira determina o que nós, leitores, podemos ou não podemos ter conhecimento. Será que estamos retrocedendo? Parabéns, Cláudio, pela demonstração de indignação!

  2. Comentou em 12/09/2006 Roque Lopes Lopes

    Grupo CG lança novo jornal diário
    Ler jornal é bom. Mas para a comunidade viamonense, ler um jornal local e diário será melhor ainda. Isso porque circula na quinta-feira, dia 14 de setembro, o primeiro exemplar do Diário de Viamão, terceiro jornal do Grupo CG, editor do Correio de Gravataí e do Diário de Cachoeirinha. O primeiro jornal diário viamonense será lançado nesta quarta-feira em um coquetel em sua sede, na Rua dos Operários, 84, centro de Viamão. O evento reunirá autoridades estaduais, regionais e locais, além de empresários e lideranças comunitárias. A circulação do primeiro exemplar do diário será apresentado por volta das 23h já com a cobertura do coquetel de lançamento.
    O jornal já nasce comprometido em se engajar pelo desenvolvimento de Viamão, uma das maiores e mais antigas cidades do Estado. A primeira edição do Diário de Viamão apresentará aos viamonenses, além de 16 páginas de notícias da cidade envolvendo política, cotidiano, atividade rural, polícia, esporte e variedades, um caderno especial de 16 páginas comemorativo aos 265 anos da cidade, onde serão apresentados um pouco da história de Viamão, sua economia, suas belezas e sua gente. O jornal circulará inicialmente com uma tiragem de três mil exemplares. As edições são de terça-feira a sábado. No sábado, a edição é especial de final de semana, com 20 páginas. O valor de capa das edições, para venda avulsa em banca, será de R$ 1,00.
    O editor do jornal é o jornalista Caros Roberto Dickow Júnior, ex-editor do Diário de Cachoeirinha, do mesmo grupo, e com passagem pelo Jornal do Povo, diário de Cachoeira do Sul, no centro do estado. O gerente de marketing do Grupo CG, Roque Lopes, será o encarregado do departamento comercial do Diário de Viamão. A área de circulação será coordenada em Viamão pelo supervisor, Elói Jung, e pelo gerente de circulação do grupo, André Vidal.
    Conforme o diretor do Grupo CG, Roberto Gomes de Gomes, a comunidade viamonense pode esperar do Diário de Viamão o mesmo empenho, a dedicação e o entusiasmo com que são feitos do Correio de Gravataí há 23 anos e o Diário de Cachoeirinha há três anos. “O foco do grupo é o Vale do Rio Gravataí pelos seus potenciais. E Viamão, por ser uma das maiores cidades do Estado, ocupando o 18º lugar na economia gaúcha, merecia um jornal diário. Viamão, além de Alvorada, é a única cidade do Estado que possui mais de 200 mil habitantes e não tem jornal diário”, ressaltou.
    O Diário de Viamão nasce gerando inicialmente 25 empregos diretos, 20 deles para moradores de Viamão. Além disso, os investimentos para a montagem da sede, na Rua dos Operários, valorizaram a contratação de serviços de empresas locais, assim como a confecção de materiais promocionais. Os dois novos carros do jornal foram adquiridos de empresas de Viamão. O mesmo aconteceu com os móveis, equipamentos de informática, fotografia e para a montagem do refeitório próprio.
    CIDADE – A cidade impressionou positivamente a direção do Grupo CG com a receptividade dispensada ao novo jornal. “Ficamos surpreendidos positivamente com Viamão. Nos pareceu que a cidade estava pronta e até desejosa para receber um diário seu”, vibra o diretor, Roberto Gomes. A área de planejamento estratégico do Grupo CG vislumbrou em Viamão muitas possibilidades, o que foi decisivo para a criação do novo veículo de informações. “Viamão já fazia parte dos planos de expansão da empresa por tudo o que poderá ocorrer na cidade. As lideranças da cidade, incluindo políticos, líderes comunitários, empresários e representantes de entidades, passam por uma renovação e pensam em desenvolver o município através de ações específicas. Pode se dizer que a cidade está desabrochando para o desenvolvimento. Isso é bom para Viamão e queremos participar desse crescimento. Estamos entrando de corpo e alma para participar da vida da cidade e queremos contribuir com nossas ações e nossa presença para o crescimento dessa comunidade. Acreditamos que, com um jornal diário, os assuntos de Viamão poderão ser conhecidos pela comunidade mais facilmente e também serão muito mais debatidos”, destaca o diretor Roberto Gomes.

    Saiba Mais – As bandeiras do Grupo CG
    O Grupo CG desenvolve projetos de engajamento comunitário nas cidades em que atua. Entre eles, o projeto pela duplicação da RS-118, uma necessidade das cidades do Vale do Gravataí, que garantirá mais segurança para moradores das áreas lindeiras e agilidade para usuários da via. A situação do Rio Gravataí, principal manancial hídrico das cidades da região inspirou a criação do projeto Salve o Rio Gravataí, que desenvolve ações de preservação junto à comunidade. As ações dos dois projetos deverão ser desenvolvidas também em Viamão.
    Outra ação comunitária a ser liderada e implantada pelo Diário de Viamão em sua terra será o projeto Vamos Ler , atualmente desenvolvido em Cachoeirinha junto a escolas públicas. Através de uma parceria com as direções das escolas, os estudantes, na maioria carentes, são incentivados para desenvolverem o hábito da leitura. Eles recebem o Diário de Cachoeirinha em sala de aula e também têm despertado o interesse por livros. O projeto existe há dois anos. No primeiro ano, foram beneficiados 224 alunos. Neste ano, são 454 estudantes atingidos.

    Para mais informações, contatar
    Roberto Gomes de Gomes – Diretor do Grupo CG
    (51) 3042.3372
    (51) 8414.2966

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