Quem pagou? Quem está por trás? | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
Menu

IMPRENSA EM QUESTãO > ANÚNCIOS DA TFP

Quem pagou? Quem está por trás?

Por Alberto Dines em 16/12/2008 na edição 516

O centenário de nascimento de Plínio Corrêa de Oliveira foi uma festa: nos jornalões paulistas, Folha e Estado, anúncios de página inteira na edição de sábado (13/12). No auge da temporada natalina de 2008 – talvez a última dos tempos de vacas gordas – anúncios no primeiro caderno não são baratos. O apelido ‘informe publicitário’ garante que não foram oferta da casa.


Quem era Plínio Corrêa de Oliveira? De uma família de senhores de engenho, formou-se em direito, fundou a Ação Universitária Católica e participou da criação da LEC (Liga Eleitoral Católica). Eleito deputado constituinte, participou da redação da ‘Polaca’ (a Constituição de 1937, inspirada na carta promulgada pelo homem forte da Polônia, o marechal Józef Pilsudski).


Em 1960, Plínio criou a TFP – Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade ‘para organizar a contra-revolução’. Opunha-se a qualquer iniciativa modernizadora do Vaticano, combatia a infiltração progressista na igreja católica, lutava contra o divórcio e o aborto. Foi um dos esteios da mobilização civil contra o governo de João Goulart.


Reportagem no capricho


Era amigo pessoal de Octávio Frias de Oliveira, falecido publisher da Folha de S.Paulo, que o recebia para almoçar no jornal. Nada demais: Plínio Corrêa de Oliveira era culto, educadíssimo, agradável, e, sobretudo, sabia evitar azedumes durante uma refeição.


A Folha liderou as comemorações do seu centenário. Na sexta-feira (12/12), publicou na seção ‘Tendências/Debates’, na página A-3, um artigo assinado por Bertrand de Orleans e Bragança (com o título de dom, abreviado – argh!), que se apresenta como herdeiro dos princípios defendidos por Plínio. Nada demais: a Folha gosta de provocar os leitores, tanto assim que no dia seguinte pelo menos dois – um candentemente contra e outro devotamente a favor – manifestaram-se no ‘Painel do Leitor’.


Como naquele dia o outro freqüentador da página de opinião era o chefe do lobby da indústria do diploma, o imortal Arnaldo Niskier, o leitor mais avisado considerou que a nobre página 3 estava suspensa – ou em liquidação, ocupada pelos saldos.


No dia 13, sábado, a Folha publicou o informe publicitário pago pelo Instituto Plínio Correa de Oliveira (pág. A-9); três páginas adiante (pág. A-12), ocupa outra, praticamente inteira, com uma caprichada reportagem sobre a TFP, no momento falida e corroída por uma acirrada disputa entre os herdeiros políticos e espirituais do fundador da entidade.


Pergunta que não cala


Aqui a Folha excedeu-se: revelou que a escolha das matérias que publica não obedece aos paradigmas jornalísticos. A TFP não existe, a direita católica hoje é claramente dominada pela Opus Dei. Bertrand de Orleans e Bragança, o trineto de D. Pedro II, não tem um centésimo do valor intelectual do seu trisavô. Gosta de dizer que não é nazista, mas de direita. Na verdade é um clone do monarquismo fascista dos anos 1930 e 40. É um neocon brazonado que deveria viver na França e militar na Action Française, aquela que entregou a França a Hitler. Jean-Marie Le Pen para ele é moderno demais.


O Estado de S.Paulo, tradicionalmente mais católico, não embarcou nessa piada política. Octávio Frias de Oliveira tinha bons amigos em todo espectro político, não os beneficiava com matérias de favor, por isso era respeitado. Se vivo fosse não permitiria esse carnaval.


E como Frias dizia, com muita graça, que não se importava em pegar um clipe caído no chão, tal o seu horror ao desperdício, somos obrigados a perguntar e os dois jornalões têm obrigação de informar: quem pagou pelos anúncios? A falida TFP? O que há por trás desta nostalgia comemorada exatamente no dia do 40º aniversário do AI-5?

Todos os comentários

  1. Comentou em 18/12/2008 Alberto Santana

    AI-5 e FSP… tudo a ver. FSP, Estadão, Veja, Globo e TFP… tudo a ver. Octávio Frias de Oliveira, também conhecido como o Senhor das caminhonetes, tinha bons amigos em todo espectro político, não os beneficiava com matérias de favor, por isso era respeitado. Se vivo fosse não permitiria esse carnaval? A quem querem enganar?
    Seo o tal de Frias fosse vivo o Plínio ocuparia as manchetes da primeira página…

  2. Comentou em 17/12/2008 Thomaz Magalhães

    Quem está por trás da TFP? A ala moralista e conservadora da Igreja Católica, oras. Assim como por trás do MST e dos ‘movimento social’ está a ala amoral e progressista da mesma Igreja. São as alas que estão por trás desses baluartes ideológicos, da direita e esquerda. Que novidade… Concluir que tem coisa aí, nos dois casos, é redundância. É fazer estilo. E os jornais alinhados com a direita têm a mesma obrigação de comentar suas mumunhas que os da esquerda as dela. Essa coisa de não aceitar que a liberdade de imprensa se passa, é garantida constitucionalmente no campo da coisa privada, de achar que imprensa é sacerdócio, dá sempre nessas pieguices.

  3. Comentou em 16/12/2008 Ivan Moraes

    ”Nunca em toda história se roubou e vilipendiou o povocomo agora nesta ‘democracia’, que se assemelha a um ‘sindicato de ladrões”: o Brasil, que jamais chegou a ser ‘democracia’, que sempre se assemelhou a ‘sindicato de ladroes’ principalmente no governo FHC, e aonde sempre se roubou e vilipendiou o povo, nao dependeu jamais do governo presente pra chegar aonde esta, se dependesse estaria bem pior: os bancos e o judiciario sao os culpados. Pode ir bater na porta deles.

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem