Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

IMPRENSA EM QUESTãO > NOME AOS BOIS

Quem são os vilões da crise

Por Luciano Martins Costa em 28/01/2009 na edição 522

A Gazeta Mercantil publica na primeira página da edição de quarta-feira (28/1) a reprodução de uma reportagem curiosa do jornal britânico The Guardian sobre a crise financeira internacional.


O texto, que foi praticamente ignorado pela chamada grande imprensa brasileira, traz o resultado de uma pesquisa sobre os vinte e cinco principais responsáveis pela crise financeira que abala o mercado global. Entre investidores, governantes e ex-governantes, autoridades monetárias dos Estados Unidos e da Inglaterra, destacam-se banqueiros e executivos de Wall Street. Não há qualquer citação às responsabilidades da própria imprensa.


Se, entre os critérios para julgar as responsabilidades, foi incluída a omissão, como no caso das autoridades que acompanhavam o crescimento explosivo dos investimentos em fundos sem lastro, os jornais deveriam se incluir entre os culpados. Se pretende apresentar-se como fonte credenciada para a formação de opiniões e a tomada de decisões de seus públicos, a imprensa também precisa assumir, como contrapartida, o risco dos diagnósticos mal formulados e dos climas emocionais que o noticiário produz.


Afinal, quem toca o berrante produz o chamado efeito-manada nos mercados?


Boa pergunta


Se a imprensa não deu repercussão à pesquisa sobre os culpados pela eclosão da crise, pelo menos os jornais de quarta-feira (28) apontam alguns dos responsáveis pelas dificuldades em reduzir os seus efeitos, ao menos no Brasil.


Está nas primeiras páginas dos principais diários: os bancos brasileiros aumentaram pela sexta vez seguida o spread cobrado nas operações de crédito.


O spread é a diferença entre o custo do dinheiro captado pelo banco e o valor que cobra para emprestar a seus clientes.


O sistema financeiro foi beneficiado por um pacote de medidas recentes do governo, mas não repassou esse benefício aos clientes. Pelo contrário: os bancos estão aproveitando a crise para rechear seus cofres e reduzir seus próprios riscos, transferindo-os para a clientela.


A imprensa noticiou na quarta-feira os dados divulgados pelo Banco Central, mas, curiosamente, não se localizam editoriais e artigos indignados contra a atitude dos bancos, como acontece normalmente quando os jornais discordam de decisões do governo.


Por que será?

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/01/2009 Heitor Rodrigues

    A crise financeira na mídia ocorreu no início do Governo Lula com a perda, pela Editora Ática, da venda de material didático para o ensino público federal. E da alienação, pela Globo, de boa parte do seu patrimônio por não honrar empréstimos contraídos no exterior para manter a liderança de mercado no advento da chamada convergência digital. Ela nunca imaginou o Lula presidente e apostou no modelo americano, que estava em negociação no governo FHC, apesar das vantagens, pelos menos aparentes, dos modelos europeu e japonês, que ela supôs já estivessem descartados.

  2. Comentou em 28/01/2009 Luiz Fernando de Freitas Junior

    Gostaria apenas de deixar uma observação em forma de uma pergunta:
    -Alguém ainda se lembra da jornalista da TV CULTURA,Salete Lemos, que foi demitida depois do brilhante comentário que fez aos desfalques feitos por bancos?
    Bem, para aqueles que se lembram, é uma boa reflexão sobre o assunto…

  3. Comentou em 14/10/2008 Gabriela da Rocha

    Olá.

    Meu nome é Gabriela Dias, sou estudante de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.

    Estou realizando uma matéria sobre ‘Gonzojornalismo’ e gostaria de saber a disponibiliade em ceder uma entrevista – essa podendo ser pessoalmente, por telefone ou e-mail.

    As questões seriam as seguintes:

    1) Quais são as principais questões éticas que o repórter que se utiliza desse gênero deve estar sempre atento? (em relação ao envolvimento com a matéria; existe algum limite?)

    2) Muitos consideram que o gonzojornalismo não é uma forma de se fazer jornalismo, devido ‘à total parcialidade e certa falta de objetividade, fugindo das regras básicas do jornalismo’. O que o senhor pensa sobre isso?

    3) Quais seriam as principais caracteríticas do gonzojornalismo, ao seu ver?

    4) Qual a aceitação e/ou rejeição do público e dos próprios jornalistas a essa linguagem?

    5) Acredita que no futuro a linguagem do gonzjornalismo seja mais utilizada nos meios de comunicação? Por quê?

    Fico muito grata pela atenção e disponibilidade

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