Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ENTRE ASPAS > QUINTA-FEIRA, 2/08

RCTV consegue adiar saída do ar

Por Luiz Antonio Magalhães em 02/08/2007 na edição 444


Leia abaixo os textos de quinta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


************


O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 2 de agosto de 2007


VENEZUELA
O Estado de S. Paulo


Justiça suspende retirada da RCTV do ar


‘A Suprema Corte venezuelana suspendeu a ordem do governo para que a RCTV Internacional e outros canais a cabo se registrassem como produtores nacionais até a meia-noite de ontem. Com isso, a RCTV, que se nega a registrar-se para não ter de transmitir discursos de Hugo Chávez, ficará no ar, enquanto o Supremo decide o que são canais nacionais.’


GRAMPOS ILEGAIS
Vannildo Mendes


Grupo sugere mudanças no grampo telefônico


‘Controle rígido da interceptação telefônica, restrições ao uso de algemas nas operações e um novo tipo de camburão estão entre as medidas a serem entregues na próxima semana pelo Grupo de Trabalho criado pelo Ministério da Justiça para propor mudanças nos métodos de investigação policial.


A informação foi dada ontem pelo diretor-geral da Polícia Federal, delegado Paulo Lacerda, em entrevista à imprensa.


Criada há dois meses, a comissão é formada por três delegados federais, três procuradores da República e um assessor do Ministério da Justiça.


Segundo Lacerda, os relatos de excessos feitos na imprensa por advogados e outros setores da sociedade foram apreciados pela comissão e o relatório deve propor aperfeiçoamentos nos métodos de investigação policial. As sugestões serão entregues na próxima semana ao ministro da Justiça, Tarso Genro, em dia ainda a ser definido.


NOVO VEÍCULO


Entre as medidas será sugerido um novo protótipo de viatura para condução de presos, no lugar do velho camburão. ‘A pessoa fica ali em condição vexatória’, disse o delegado. Ele admitiu que a medida coincide com a pressão de políticos e pessoas influentes, alvos das operações da PF e usuários dos camburões nos últimos anos, mas ressaltou: ‘Temos que atentar para a dignidade da pessoa humana, seja ela pobre ou rica’.


Segundo Lacerda, a interceptação é uma ferramenta importante da investigação, mas não é a única e nem mesmo a predominante, como afirmam advogados e críticos da atuação da PF. Ele reconheceu, todavia, que a lei do grampo precisa de aperfeiçoamento para evitar abusos.


Algumas mudanças virão por instrução normativa da própria PF, mas outras dependem de projeto de lei a ser votado pelo Congresso.’


 


DOW JONES VENDIDA
O Estado de S. Paulo


Com aquisição da Dow Jones, Murdoch muda cenário da mídia


‘Nova York – O magnata da mídia Rupert Murdoch finalmente realizou o sonho de se tornar dono do grupo Dow Jones e, conseqüentemente, do Wall Street Journal, um dos jornais de maior prestígio em todo o mundo. Após mais de três meses de negociações, a família Bancroft, controladora da Dow Jones, sucumbiu à oferta de mais de US$ 5 bilhões feita por Murdoch.


A compra é a jóia da coroa na carreira de Murdoch, um empresário agressivo que começou a construir seu império no jornalismo em Adelaide, na Austrália – seu país natal -, ao herdar, ainda muito jovem, duas pequenas revistas. Na década de 60, começou a comprar jornais na Inglaterra – é hoje dono do The Times, entre outros – e, na década de 70, chegou aos Estados Unidos, ao comprar o New York Post. Hoje, é dono de 175 jornais em todo o mundo, além de controlar empresas de televisão, cinema e internet.


A aquisição da Dow Jones muda, de certa forma, a correlação de forças na mídia mundial. Murdoch prepara para outubro, por exemplo, o lançamento de um canal de notícias econômicas, o Fox Business Network, que vai concorrer diretamente com a Bloomberg Television e a CNBC, da NBC Universal, que é controlada pela General Electric. Obviamente, com a força da marca Dow Jones por trás, o novo canal de Murdoch nasce com um potencial muito maior de causar estragos na seara dos concorrentes.


O empresário também pretende mudar o Wall Street Journal. A ambição de Murdoch é transformá-lo em rival direto do New York Times como o jornal que dita a agenda diária nos Estados Unidos. A chegada de Murdoch ao Wall Street também coloca mais pressão sobre o britânico Financial Times, do grupo Pearson – os dois dividem o posto de jornal de economia mais influente do mundo. O Financial Times tem hoje uma influência maior, por exemplo, na Ásia e na Europa, continentes em que o Wall Street Journal, por questões de redução de custos, teve de dedicar menos esforços. Mas Murdoch não esconde o interesse que tem nesses locais.


ACORDO


O acordo entre a News Corp., de Murdoch, e a Dow Jones foi fechado na noite de terça-feira. Em comunicado conjunto divulgado ontem, as duas empresas disseram que membros da família Bancroft que detêm cerca de 37% do total de votos da Dow Jones apoiavam o negócio. O nível de apoio representa mais da metade dos 64% dos votos detidos pela família na companhia.


Os outros acionistas da Dow Jones ainda precisam aprovar a operação. Mas, segundo analistas, essa é uma etapa que está praticamente garantida, dado o ágio de 65% oferecido por Murdoch na compra da companhia.


Segundo os termos do acordo, os acionistas da Dow Jones receberão US$ 60 em dinheiro por ação ordinária ou classe B que possuam. A Dow Jones divulgou recentemente que tinha cerca de 85,4 milhões de ações em circulação, o que valoriza a operação em US$ 5,1 bilhões.


Um membro da família Bancroft ou outra pessoa ‘mutuamente aceitável’ será indicada para o conselho da News Corp., informaram as empresas. Elas também concordaram com a criação de uma comissão composta por cinco membros que vai supervisionar a independência editorial das operações de notícias da Dow Jones.


A Dow Jones também discute um plano para a News Corp. cobrir as custas legais registradas pela família Bancroft e que somam pelo menos US$ 30 milhões, segundo uma fonte.


IMPÉRIO DE MURDOCH


>>Jornais: Divisão, que tem títulos como The Times e New York Post, faturou US$ 4,2 bilhões em 2006


>>Revistas: Divisão que faturou US$ 1,1 bilhão tem como destaque a The Weekly Standard


>>Livros: A editora Harper Collins faturou US$ 1,3 bilhão em 2006


>>Cinema: A 20th Century Fox, teve receita de US$ 6,7 bilhões


>>Internet: As operações na web, que têm como destaque o MySpace, faturaram US$ 1,7 bilhão


>>Televisão: Com a rede Fox, receita foi de US$ 5,4 bilhões


>>TV a cabo: Receita da Fox News Channel foi de US$ 3,6 bilhões


>>TV por satélite: Com a DirecTV e a BSkyB, faturou US$ 2,8 bilhões’


***


Editorial do ‘Wall Street’ defende Murdoch


‘Reuters, Nova York – O acordo de Rupert Murdoch para comprar a Dow Jones & Co. ganhou apoio ontem nas páginas de seu cobiçado Wall Street Journal, que defendeu o novo chefe e o incumbiu da tarefa de cuidar de mais de um século de princípios jornalísticos.


O Wall Street disse que não havia dúvidas sobre quem estava no comando da Dow Jones, apesar do acordo assinado com a família Bancroft para manter uma supervisão independente das notícias.


‘Esse acordo não tem o objetivo de criar um escudo para proteger os editores do Wall Street de seu novo dono,’, disse o editorial do jornal, escrito pelo conselho de administração, referindo-se ao comitê de cinco membros incumbido de proteger a independência editorial. ‘Nós sabemos o bastante sobre o capitalismo para saber que não há propriedade e controle separados.’


O acordo de compra de US$ 5 bilhões seguiu-se a três meses de disputa entre a News Corp., de Murdoch, e a família Bancroft, que questionou as intenções do magnata de 76 anos em relação a uma das mais valorizadas publicações de negócios dos Estados Unidos.


O editorial do Wall Street Journal apontou o New York Times e o Financial Times – dois rivais que devem sentir a pressão de uma Dow Jones controlada por Murdoch – como ‘especialmente agressivos’, e duvidou de sua habilidade em separar a cobertura das notícias de seus próprios interesses. ‘Os leitores podem julgar se as lágrimas que os jornais e seus redatores dizem derramar pelo futuro do Wall Street são reais ou se são da variedade dos crocodilos,’, disse o editorial.


Muitos repórteres do Wall Street e outros empregados da Dow Jones se opuseram ao lance de Murdoch, com medo que ele poderia sujar a imagem e a reputação do jornal.


Em um esforço para acabar com essas preocupações, o editor do Wall Street Gordon Crovitz também publicou uma carta, distribuída como uma peça editorial.


‘Como dono, o sr. Murdoch terá responsabilidade total pela companhia,’ escreveu ele. ‘Essa é uma forte proteção aos leitores porque é a reputação do nosso jornalismo que está por trás de boa parte do valor da Dow Jones.’


MUDANÇA DE DINASTIA


A News Corp anunciou o acordo ontem pela manhã, somando o poderoso jornal ao seu enorme império de mídia, que vai dos canais de TV Fox à rede de relacionamentos online MySpace e ao jornal Times, de Londres.


Murdoch disse ainda que as novas operações da Dow Jones, que também incluem a agência de notícias Dow Jones Newswires, o jornal de negócios semanal Barron’s e o site financeiro MarketWatch, também vão fortalecer um novo canal de negócios da Fox, cujo lançamento está marcado para o mês de outubro.


A News Corp. não deu indicações do futuro da Dow Jones e de seus executivos. Em entrevistas, Murdoch levantou idéias, como oferecer o jornal de graça na internet, reforçar sua cobertura da política americana e recrutar agressivamente os melhores jornalistas de negócios do mundo.’


MEMÓRIA / INGMAR BERGMAN
& MICHELANGELO ANTONIONI
Luis Fernando Verissimo


Bergman e Antonioni


‘Em Porto Alegre havia um cinemeiro, fã de filmes classe B, que dizia ‘Como é bom ver filmes ruins!’ Era o seu lema, e ele tinha até uma escala de diretores preferidos, numa ordem de lamentável a horroroso. Naquela época a gente também tinha um lema, nunca declarado mas tácito, que era ‘Como é bom ver filmes deprimentes’. Íamos ao cinema para sermos arrasados pela inviabilidade da condição humana e o vazio existencial da vida moderna, e voltávamos no dia seguinte para ser arrasados de novo. No topo da nossa escala de diretores deliciosamente depressores estavam Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, que acabam de morrer quase ao mesmo tempo.


O grande paradoxo, e a grande arte, de Bergman e Antonioni era esta, a de nos maravilhar com a nossa própria desgraça. Bergman ainda fez algumas comédias mas Antonioni só repetiu em seus filmes que nenhuma criação humana importava muito diante da indiferença do mundo natural e o silêncio das estrelas – inclusive os seus filmes. Antonioni filmando os grandes espaços mudos que separam as pessoas, a estranheza com o outro e a impotência dos sentimentos – sempre com muita elegância – e Bergman suas parábolas sombrias sobre culpa, redenção e morte, repartiram entre si a crise de consciência da segunda metade do século 20, pós-Hiroshima e pós-Holocausto, e definiram a estética do desespero de que gostávamos tanto. Os cenários usados pelos dois, que no caso de Bergman podia ser apenas rostos humanos, eram os de um mundo desprovido, espaços tristes representando a ausência de significado, de Deus ou de solução. Bergman fugiu para a comédia, para uma extasiante evocação da infância e exaltação da vida em Fanny e Alexander e até para a redenção pelo calor materno, como no final de Gritos e Sussurros em que a atormentada protagonista encontra a paz nos vastos e nada complicados peitos de uma antiga ama. Antonioni fez menos filmes e, talvez por isto, não encontrou nenhuma solução. Não nos traiu, foi deprimente até o fim.


Uma cena arquetipal do Bergman é aquela de O Sétimo Selo, do jogo de xadrez com a Morte. Woody Allen reeditou a cena medieval: na sua versão um nova-iorquino moderno recebe a Morte em casa, propõe um jogo de biriba em vez de xadrez – e ganha. Pode ser uma das cenas inaugurais do pós-modernismo, ou um mote para a redenção sem depressão. Afinal, parodiando a célebre frase dostoievskiana, só porque Deus não existe não é razão para ficar de cara feia.’


TELEVISÃO
Jotabê Medeiros


Cultura defende torre


‘A torre de transmissão da TV Cultura, na Rua Heitor Penteado, foi incluída pela Aeronáutica entre 118 obstáculos ao bom tráfego aéreo em Congonhas e deverá baixar sua altura. Segundo portaria de 5 de julho, ela causa transtornos ao tráfego aéreo.


O acidente com o avião da TAM aconteceu no dia 17. Hoje, a TV Cultura divulgou nota em seu blog. O comunicado informa que a emissora pretende questionar a decisão. O texto diz o seguinte: ‘A torre está a 973 m de altura em relação ao nível do mar, e tem 159 metros de altura do solo ao topo. A torre está de acordo com todas as análises de referência na zona de proteção de aeródromos conforme a portaria nº26/2EM, do Ministério da Aeronáutica, de 21 de maio de 2001. Adicionalmente, em 19 de outubro de 2005, o Comando da Aeronáutica já havia deferido um pedido de extensão desta torre de transmissão em 16 metros adicionais (para uma altura de 175 metros), conforme ofício nº 1672SERENG-4/4322, com a única ressalva de que a torre apresentasse luzes de alta intensidade no topo, baixa intensidade no segmento intermediário e pintura contrastante com o meio ambiente, o que foi atendido.’


Tudo azul


Por conta das invenções de Rebeca, sua personagem em Sete Pecados, Elizabeth Savala tem aparecido com os mais diferentes visuais. Na cena que vai ao ar na terça-feira, ela aparece toda de azul na festa da escola e encontra Marcelo (Ricardo Duque), sua mais nova paixão.


Notas


>>Pesquisa da consultoria britânica Brand Finance apontou a Globo como a empresa que detém o maior índice de força de marca no Brasil, fator importante para estimar o valor de uma marca. Participaram 5 mil brasileiros em sete Estados.


>>A Record rufa tambores para anunciar que Lance Henriksen (quem?), um americano que atuou em filmes como Alien, fará participação na novela Caminhos do Coração.


>>Vale rever: chega às lojas esta semana DVD de Armação Ilimitada. Além de seis horas com episódios da série, o lançamento traz extras com entrevistas do elenco e da direção.


>>Vai bem a audiência da velharia Família Dinossauro, na Band. A série atingiu média de 4,5 pontos anteontem.


>>E por falar em Band, boa a participação de Patrícia Maldonado no Atualíssima. A ex-Record já está à vontade.


>>O escritor peruano Mario Vargas Llosa fala ao programa Umas Palavras, do canal Futura, amanhã, às 22 horas.


>>Avesso à imprensa, o SBT convida jornalistas para apresentar sua próxima novela nacional, Amigas e Rivais. O ator Raoni Carneiro está tão empolgado que convida ‘elenco, amigos e equipe para comemorar sua participação na novela’.


>>A MTV avisa que o canal pago Fiztv nada tem a ver com a marca MTV. É um braço 100% da Abril.’


************


Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 2 de agosto de 2007


VENEZUELA
Fabiano Maisonnave


Juíza adia decisão de Chávez de tirar RCTV a cabo do ar


‘DE CARACAS – Uma decisão de última hora do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu temporariamente a decisão do governo Hugo Chávez de tirar do ar novamente a emissora oposicionista RCTV. O novo fim das transmissões estava marcado para as 23h59 de ontem.


Com sentença da presidente do STJ, Luisa Estella Morales, a decisão divulgada no início da noite declarou procedente um recurso judicial apresentado horas antes pela Câmara Venezuelana de Assinatura por Cabo (Cavetesu). A ação tem como objetivo suspender a saída do ar da RCTV e solicitar o esclarecimento do termo ‘produtora nacional’.


‘Como não sabemos o que é um produtor nacional, estamos pedindo ao principal órgão judicial mais importante do país que suspenda a medida e que a partir daí promova que a Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações) e nós nos sentemos para definir esse termo’, disse o presidente da Cavetesu, Mario Seijas, à Unión Radio.


Em decisão preliminar, o STJ determinou à Conatel que defina o que são ‘serviços de produção nacional audiovisual’ para avaliar a decisão do órgão estatal sobre a RCTV.


Depois que a RCTV voltou a transmitir por TV paga, há 17 dias, a Conatel exigiu que a emissora se registrasse no órgão como ‘produtora nacional’, sob de perder novamente o direito estar no ar. O objetivo declarado do governo é que a emissora seja obrigada a transmitir as constantes cadeias de TV de Chávez, que costumam dura até quatro horas e ocorrem até três vezes por semana.


A RCTV, que agregou ‘internacional’ ao nome, diz que não é obrigada a exibir as cadeias porque sua sede agora é nos EUA e porque transmite a outros três países. Logo, deveria ser tratada como qualquer outra emissora internacional, apesar de toda sua produção ser feita na Venezuela.


Ontem, Chávez ironizou o segundo fim das transmissões da RCTV: ‘Se tiveram com quê, agora não têm mais’. ‘Cada vez que tentarem nos desestabilizar, vão se chocar contra a dura realidade, um povo que despertou, uma nação que está viva, consciente do que está acontecendo aqui’, disse.


Ao contrário da época em que a emissora RCTV deixou de transmitir por sinal aberto, praticamente não houve protestos na Venezuela. O principal deles ocorreu diante da Conatel, no bairro Las Mercedes, zona nobre da capital. Às 15h, a reportagem da Folha contou 47 manifestantes, vigiados por cerca de 40 policiais. A maioria era estudantes -alguns deles haviam se acorrentado numa árvore diante do prédio do órgão estatal que regula as telecomunicações.


Em entrevista à TV Globovisión, o presidente da RCTV, Marcel Granier, disse que o STJ é controlado pelos chavistas e que a medida a favor de seu canal não durará. Para ele, o novo fim das transmissões ‘é um atropelo de poder disfarçado com o presente de dar uns dias mais de vida à RCTV’.’


***


Suplicy espera e aparece com Chávez na TV


‘DE CARACAS – Às 9h30 da manhã de ontem, a visita do senador petista Eduardo Suplicy (SP) à Venezuela se dirigia ao fracasso. O painel do qual participaria na 6ª Cúpula Social pela União Latino-Americana estava atrasado havia meia hora. Numa sala do hotel Hilton, apenas ele e meia dúzia de gatos pingados.


‘Era para ter cinco ministros de Estado na mesa comigo, mas até agora só cheguei eu’, disse à Folha, resignado. Enquanto esperava, Suplicy não perdia tempo em sua cruzada sobre renda mínima: assinava e distribuía livros que escreveu sobre o tema. Até que restaram só os exemplares que reservara para entregar pessoalmente ao presidente Hugo Chávez.


Depois de mais meia hora de espera e com o horário do vôo se aproximando, Suplicy teve de se decidir entre fazer uma apresentação para uma sala quase vazia e a promessa de ser recebido por Chávez em pessoa, no Palácio Miraflores. Preferiu a segunda opção.


Na saída do hotel, Suplicy teve a segunda decepção: em vez de carro oficial, o senador embarcou num microônibus com outros participantes da cúpula para assistir a um evento público com Chávez. Já eram 10h30.


Pouco mais tarde, em contato telefônico, o senador disse que a cerimônia estava para começar e que havia conseguido cumprimentar Chávez. ‘Pelo menos foi atingido o objetivo de entregar o livro’, disse, novamente sem demonstrar um pingo de irritação.


Mas a recompensa veio em seguida, durante a cerimônia, quando Chávez entabulou uma conversa com Suplicy, transmitida ao vivo pela emissora estatal VTV. O presidente venezuelano mostrou o livro de Suplicy às câmaras e se ofereceu para traduzi-lo ao espanhol. Aproveitou para dizer que a Venezuela quer ser membro pleno do Mercosul e que ‘as dificuldades são produto das ações do império’.


De Suplicy, que estava acompanhado do embaixador brasileiro João Carlos de Souza-Gomes, Chávez ouviu que havia ‘muitos senadores’ brasileiros apoiando a entrada da Venezuela no bloco. ‘O livro foi mostrado para todo país e será traduzido. O resultado da viagem foi ótimo’, disse um animado Suplicy, a caminho do aeroporto.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


O diálogo e o teatro


‘Do blog de Helena Chagas no iG, ela que é do SBT:


– Ao vivo, as primeiras duas horas da sessão da CPI foram uma lição de como funcionam políticos nestes tempos midiáticos. A maior preocupação era com o vazamento dos diálogos na Folha. ‘Quem vazou, quem desmoralizou a comissão, não fomos nós’… até chegar ao básico, ‘o que temos?’. Ninguém sabia.


Um brigadeiro informou que, para ouvir o diálogo, era preciso um software que eles não tinham. Tinham só o texto em inglês -e lá foi Luciana Genro. Ela não se limitou a traduzir. Interpretou, ‘oh, meu Deus, oh’.


Para os ‘atores’, no dizer da blogueira, o interesse era ‘ficar bem diante das câmeras’. E ter outra versão, para Fátima Bernardes dizer, depois, ‘os deputados acreditam que houve falha mecânica’. Na verdade, os deputados ouvidos pela Globo News diziam que era falha do piloto ou do avião. Como citou antes o ‘furo cuidadoso’, segundo Chagas, de Fernando Rodrigues.


O TERROR


A dramaticidade do diálogo, ainda que impresso, ocupou os sites de busca de notícias sobre Brasil, como Yahoo News, e os sites de jornais em inglês, como ‘New York Times’. O que mais ecoou foi um despacho da Associated Press, sob o título ‘Gravador da cabine revela o terror dos pilotos no acidente no Brasil’. Os trechos estavam todos lá, revertidos então para o inglês.


O DESESPERO


Não foi diferente nos sites de busca das notícias em espanhol e outras línguas. No site do jornal ‘El País’ e em outros, o despacho da agência espanhola Efe trazia como título um trecho do diálogo vertida para o espanhol, entre aspas, ‘Mira Eso. Desacelera, desacelera’. As gravações da caixa-preta, no destaque do texto, ‘mostram o desespero dos pilotos’ do avião da TAM.


ESTRAGOU


O blog Tô Cansadinho foi criado para fazer piada do Cansei, mas já nasceu lamentando o furo de Márcio Aith na ‘Veja’, sobre o manete, que tirou a pista do foco. ‘Queimou nosso filme. Perdeu um pouco a graça.’


‘ACONTECEU AGORA’


Na CNN e no que foi possível assistir da ABC, on-line, a transmissão do colapso em Minneapolis não tardou a especular, em ambas, sobre a ‘causa potencial, terrorismo?’, logo negada por Washington.


UM TALENTO


A ‘Economist’ (ilustração à dir.) adiantou texto ontem no site para louvar Rupert Murdoch pela demonstração de ‘seu grande talento para negócios’. Foi a razão, desde quatro meses atrás, para a revista dizer que ele era a coisa certa para o cambaleante ‘Wall Street Journal’. Foi ‘uma mão difícil’ que ‘jogou brilhantemente’. Primeiro, ao identificar a divisão entre os controladores; depois, por aceitar salvaguardas que pouco importam, mas aquietaram suas ‘consciências’; por fim, pelo ‘timing astuto’, quando se evidenciaram os ‘grandes problemas estratégicos’ no grupo Dow Jones.


O preço foi até US$ 2 bi além do que valia, o que indica mais ‘o desejo’ que ‘o valor do dinheiro’, para a revista. Mas a liberal ‘Economist’ evitou questionar tal heresia.


TELECOM GRANDE


No site do ‘WSJ’, ‘Brasil vai formar painel para estudar a união entre Oi [Telemar] e Brasil Telecom’. É para ‘criar telecom grande o bastante para competir com Telefônica e America Movil [Telmex]’. Noutra reportagem, ‘Brasil Telecom tem ganhos fortes’.


APARENTEMENTE


Por aqui, o site Teletime foi mais comedido, sob o título ‘Minicom fala em criar grupo para discutir tele nacional’. Hélio Costa ‘aparentemente conseguiu dar o primeiro passo concreto’ para criar a ‘grande’ telecom. Ele ‘disse que recebeu aval de Lula’.’


MEMÓRIA /INGMAR BERGMAN
Carlos Heitor Cony


Bergman


‘RIO DE JANEIRO – Poucos cineastas obtiveram um consenso crítico favorável como Ingmar Bergman. Nos anos 50 a 70 do século passado, cada um de seus filmes marcava um momento bom do cinema mundial, fenômeno que só acontecia com Fellini. Bem verdade que nunca chegou a ser popular, apesar dos muitos prêmios importantes que ganhou e na influência que exerceu em cineastas como Woody Allen, de trânsito internacional, e Walter Hugo Khouri, no Brasil. E, até certo ponto, Michelangelo Antonioni, também de trânsito internacional, que morreu nesta semana.


Bergman deu ao cinema um patamar novo, além da diversão e da mensagem, foi ao mesmo tempo um mestre da imagem e da palavra. Ao contrário de John Ford e Eisenstein, que faziam filmes para fora, ele fazia filmes para dentro, exigia que o espectador metabolizasse cada cena, cada diálogo. Sobretudo, cada silêncio.


Sua obra não é vital como a de Fellini. É até mesmo sombria, uma pauta vazia em que ele escrevia gritos e sussurros, cavando fundo na matéria da alma de seus personagens, basicamente das mulheres que refletiam o seu mundo interior.


O primeiro filme, ‘Monica e o desejo’ (1952), passou aqui no Rio numa sala dedicada ao cinema pornô. Nada tinha de pornográfico, apenas mostrava uma adolescente em seu estágio de mulher e desejo.


Seu melhor filme, entre os melhores, em minha opinião, seria ‘Morangos silvestres’ (1957), mas o que me marcou foi ‘Sorrisos de uma noite de verão’ (1955), do qual tirei uma frase para a epígrafe de um dos meus romances (‘Matéria de memória’): o amor é horrível ocupação. O livro é de 1963, dei o crédito a Ingmar Bergman, mas os resenhistas acharam que eu me enganara e atribuíram a frase a Ingrid Bergman.’


DOW JONES VENDIDA
Richard Siklos


Murdoch quer leitores do ‘Times’ e ‘FT’


‘DO ‘NEW YORK TIMES’ – Desde que a oferta da News Corp. pela Dow Jones foi revelada, três meses atrás, a carreira empresarial de Rupert Murdoch, seu caráter e os motivos que o animam foram dissecados, em um esforço para prever o que ele faria se assumisse o ‘Wall Street Journal’.


A despeito de seu antigo interesse pelo jornal, é possível que ele não tenha um plano estabelecido, de acordo com entrevistas e conversas mais recentes com pessoas próximas a ele, que pediram para não serem identificadas. ‘Há uma probabilidade muito pequena de que ele tenha um grande plano’, disse uma pessoa próxima.


Mas, com base em seus antecedentes, existe pouca dúvida de que Murdoch tentará atrair diretamente leitores e anunciantes do ‘New York Times’ e do ‘Financial Times’, os rivais mais próximos do ‘WSJ’.


Sua estratégia provavelmente incluirá uma redução agressiva no espaço publicitário e investimento pesado em conteúdo editorial, especialmente na cobertura de política em Washington e nas notícias internacionais, absorvendo prejuízos, inicialmente, a fim de vencer a guerra no longo prazo.


Em seus momentos mais ambiciosos, a visão de Murdoch para a Dow Jones transformaria o ‘Journal’ em concorrente do ‘New York Times’, no que tange a estabelecer a agenda noticiosa dos EUA.


Ao ampliar a influência do ‘Journal’ para além dos leitores de negócios, Murdoch pretende reposicionar o jornal não só como principal diário financeiro mundial mas também como principal fonte mundial de jornalismo empresarial para leitores comuns.


O jornal já tentou essa abordagem com cadernos de serviços menos concentrados em notícias econômicas e por meio de sua edição de sábado. Orientar o jornal mais aos leitores individuais do que aos de negócios se enquadraria bem a duas outras das aspirações de Murdoch. Uma delas é transformar a Fox Business Network, sua TV de negócios, que começará a ser transmitido a 30 milhões de lares americanos em outubro, em concorrente viável da TV Bloomberg e da CNBC, que dispõem de mais assinantes nos EUA e no exterior.


O ‘Journal’ já assinou um contrato de fornecimento exclusivo de notícias à CNBC, e a News Corp. descobriu que não será possível reverter esse acordo antes de seu fim, em 2012. Qualquer esforço para integrar o jornal ao novo canal de negócios Fox vai requerer que essa dificuldade seja resolvida.


A segunda e mais ampla visão de Murdoch tem por objetivo promover o renascimento do setor de jornais por meio da integração de mídia impressa, on-line e vídeo, e da construção de marcas fortes globalmente.


Parte disso envolveria aproveitar as propriedades da Dow Jones na internet -as versões on-line do ‘Journal’ e da revista semanal de investimento ‘Barron’s’, a Dow Jones Newswires e o Market Watch.com, um serviço on-line de notícias financeiras para investidores individuais- para criar uma plataforma on-line que inclua todas as operações noticiosas da empresa pelo mundo. Outra parte do plano envolveria fazer mais uso das divisões de TV do grupo, Fox e Sky News, como fontes de conteúdo em vídeo para todos os sites de notícias.


Uma mudança mais imediata poderia ocorrer nas operações na web, em que o ‘Journal’ se destaca entre os jornais, atraindo mais de 900 mil assinantes.


Os executivos da News Corp. estão ansiosos por explorar a possibilidade de oferecer mais conteúdo do ‘Journal’ gratuitamente, a fim de atrair mais audiência e publicidade, enquanto mantêm os assinantes ativos com a oferta de serviços e conteúdo adicionais.


A aquisição por Murdoch poderia significar mudanças mais imediatas no lado de negócios da Dow Jones. Ao voltar a tomar o controle do ‘New York Post’, em 1993, o foco foi elevar a circulação do tablóide por meio de diversos cortes de preço e distribuição gratuita.


Murdoch acreditava que expandir o número de leitores permitiria que ele conquistasse anunciantes do ‘New York Times’ e do ‘Daily News’. E lutou ferozmente para conquistar mais leitores também pelo lado noticioso, transformando o jornal em fonte de fofocas obrigatória para profissionais de Wall Street, da moda e da mídia.


E ainda que a circulação do ‘New York Post’ crescesse, Murdoch optou por manter os preços da publicidade no jornal. Executivos de publicidade dizem que o ‘Post’ continua a promover vendas de anúncios com a mesma agressividade que Murdoch exibiu em seu esforço para adquirir a Dow Jones, com pacotes criativos de anúncios envolvendo oportunidades de envolvimento dos anunciantes em promoções e eventos e destaque em folhetos distribuídos junto com o jornal.


Diversos executivos de publicidade disseram que seria interessante dispor de uma central única para adquirir anúncios no ‘Journal’, seu site e na rede de TV de negócios do grupo.


Quando o assunto são os seus jornais, Murdoch costuma investir e ser paciente. E freqüentemente aceita longos períodos de prejuízos, desde que as demais porções de seu império de mídia dêem lucros suficientes.


O ‘Australian’, um jornal nacional que Murdoch fundou em seu país de origem em 1964, levou mais de duas décadas para sair do vermelho. O ‘Times’ de Londres, adquirido em 1982, deve registrar seu primeiro lucro como parte da empresa no ano que vem. O ‘Post’ também sofreu prejuízos desde que a empresa voltou a controlá-lo, em 1993.


Em termos gerais, apesar dos prejuízos nesses títulos conhecidos, os 110 jornais da empresa, ancorados pelos lucrativos tablóides de Murdoch na Austrália e no Reino Unido, produziram margens sólidas de lucros nos primeiros nove meses do ano fiscal, encerrados em 31 de março, atingindo 14%, bem acima das margens do ‘Wall Street Journal’, que não chegam aos dois dígitos.’


Denyse Godoy


Editorial do ‘Journal’ defende venda e promete manter linha


‘DE NOVA YORK – ‘Pretendemos sustentar os mesmos princípios e padrões que temos há mais de cem anos.’ Essa foi a primeira manifestação do corpo de profissionais que elabora o ‘The Wall Street Journal’ após a compra, acertada anteontem, do grupo Dow Jones, que o controla, pelo barão das comunicações Rupert Murdoch. Publicada em editorial ontem, é uma resposta aos questionamentos de leitores e jornalistas sobre eventuais mudanças editoriais.


O editorial defende os membros da família Bancroft, que aceitou vender o controle da Dow Jones para a News Corp. de Murdoch numa transação que envolve US$ 5,6 bilhões.


‘Eles foram maravilhosos diretores. Estão sendo acusados de pensar apenas no dinheiro, mas nós que trabalhamos aqui sabemos quantas vezes eles apoiaram o que escrevíamos apesar dos riscos de perda de propaganda ou redução da circulação’, disse o editorial.


Frisando que o sucesso comercial é de vital importância para a independência jornalística, o editorial comenta que o novo dono deve fazer investimentos que possibilitem inovações necessárias para garantir seu futuro em tempos de acirrada disputa com a internet. E diz que a saúde financeira da empresa é também um dos pilares que sustentam a credibilidade de um jornal.


‘Nenhum empresário em sã consciência paga um prêmio de 67% sobre o valor de um ativo que pretende destruir’, diz. E atribuiu ao medo da concorrência as críticas ácidas que o ‘The New York Times’ e o britânico ‘Financial Times’ fizeram recentemente à transação. ‘O leitor julgue se as lágrimas que eles dizem ter vertido pelo ‘Journal’ são verdadeiras ou de crocodilo.’’


***


MERCADO AQUECIDO: ‘GUARDIAN’ AFIRMA QUE ESTUDA NOVAS AQUISIÇÕES


‘O Guardian Media Group, proprietário do jornal britânico ‘Guardian’, afirmou estar procurando novos negócios para adquirir. De acordo com a principal executiva do grupo, Carolyn McCall, a companhia irá ‘buscar ativamente’ novas oportunidades até o final do ano. Em março, o grupo vendeu sua divisão de classificados por US$ 1,4 bilhão.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Ministério dá ‘voto de confiança’ à Rede TV!


‘Apesar de dever mais de R$ 50 milhões ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), a Rede TV! receberá do Ministério das Comunicações um ‘voto de confiança’ e manterá seu canal digital em São Paulo.


No último dia 9, venceu o prazo para a Rede TV! apresentar certidão negativa de débito no INSS, uma das exigências legais para a emissora obter o canal digital. Sem o documento, não terá autorização do ministério para colocar o canal no ar.


Em reunião anteontem com o ministro Hélio Costa, o presidente da Rede TV!, Amilcare Dallevo Jr., pediu prazo para regularizar sua situação. Ele contou que a dívida de R$ 54,712 milhões que aparece na última lista de devedores do INSS já fora negociada e está em dia. O problema agora é uma fiscalização do INSS, que deve resultar em uma cobrança de mais de R$ 30 milhões.


O Ministério das Comunicações deve publicar nos próximos dias ato de Hélio Costa dando mais 90 dias para a Rede TV! apresentar certidão negativa ou decisão judicial favorável.


A consultoria jurídica do ministério acha ‘razoável’ dar ‘voto de confiança’, uma vez que a emissora ‘está tomando providências’ para resolver a pendência no INSS.


A Rede TV! informa também que já encomendou à japonesa Nec um transmissor digital, que deve receber em outubro. Assim, deve estrear as transmissões digitais em dezembro.


SEM ESTRELISMO Profissionais da Record que gravam ‘Caminhos do Coração’ em Miami ficaram impressionados com a humildade do americano Lance Henriksen, três vezes indicado ao Globo de Ouro. Ele almoçou com os técnicos brasileiros, dispensou dublê em cena em que é assassinado e se ofereceu para vir ao Brasil lançar a novela.


SEGMENTAÇÃO A Sky anuncia hoje o lançamento de canais inéditos no Brasil e ‘supersegmentados’.


CAMISINHA O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, grava segunda o programa de Márcia Goldschmidt (Band). Falará sobre controle da natalidade. A apresentadora é defensora da idéia _tenta vingar campanha pela ‘gravidez responsável’.


GLOBAL 1 Apesar da má campanha no Campeonato Brasileiro, o Corinthians será o time com mais jogos transmitidos pela Globo neste mês. Incluindo a Copa Sul-Americana, serão quatro jogos para São Paulo (um já foi exibido ontem) e um outro só para o Rio Grande do Sul (contra o Grêmio, dia 12).


GLOBAL 2 O Corinthians terá mais jogos na TV do que o Flamengo (três) e o rival Palmeiras (quatro). O Santos não terá um único jogo exibido na capital paulista _onde tem boa torcida.


SOCIAL ‘Amigas e Rivais’, próxima novela do SBT, concorrerá com as da Globo em merchandising social. Fará campanha pró-soropositivos e pela adoção de crianças já crescidas.’


************

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem