Terça-feira, 22 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

IMPRENSA EM QUESTãO > JORNALISMO DE VERÃO

Redundâncias e a sensação de vazio

Por Alberto Dines em 04/01/2007 na edição 414

A festa da posse teve algo de fim de festa, bem que a imprensa se esforçou em criar alguma animação e expectativa. As férias do presidente e de alguns de seus ministros anunciadas para os próximos dias criaram um clima de intervalo justamente quando se esperam novidades, surpresas, ação. E, como se não bastasse, os ministros sentados à espera da confirmação ou substituição dão a impressão de que a sessão de cinema ainda não começou, ainda estamos nos trailers e comerciais. Ou então comprando pipoca.


O jornalismo de verão, em qualquer parte do mundo, costuma ser um jornalismo de banalidades, frívolo. Ou, para escapar da modorra, inclinado para o agito e o sensacionalismo.


Ao montar a sua estratégia política para o início do segundo mandato, o governo não levou em conta a inevitável sensação de reprise, o conhecido dèjá-vu. Aldo Rebelo, que passou metade do primeiro mandato disputando com José Dirceu o comando da coordenação política do governo, inicia o segundo mandato disputando novamente, desta vez a presidência da Câmara Federal com Arlindo Chinaglia. A solução de dar um ministério ao candidato que desistir, em vez de oferecer algum suspense, só aumenta o cansaço.


A imprensa não pode ser culpada por esta redundância generalizada nem por eventuais tentativas de animar a festa com algum sacolejo ou denúncia. Em qualquer parte do mundo, os cem primeiros dias de um novo governo são planejados de modo a marcar a sua imagem para sempre. Faltam 97, mas parece que os 100 dias já passaram.

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