Sábado, 22 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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IMPRENSA EM QUESTãO > NOTAS DE UM LEITOR

Reportagem, o retorno

Por Luiz Weis em 27/04/2004 na edição 274

Entre a sexta e o domingo passados, a Folha embocou duas senhoras reportagens de encher os olhos cansados de tanto jornalismo declaratório.

A primeira, de Sílvia Corrêa e Fabiane Leite, ocupando todo o espaço disponível em três páginas do caderno ‘Cotidiano’ – como se fazia nos bons tempos com matérias meritórias – conta o que estaria por trás das mortes por envenenamento de pelo menos 73 animais do zoológico de São Paulo, nos últimos três meses.

‘A implantação de controles que passaram a dificultar de pequenos desvios a grandes fraudes é a explicação mais provável’, informa a reportagem. Os novos procedimentos permitiram uma economia de R$ 1,4 milhão. ‘Alguém decidiu se vingar’, lê-se no antetítulo.

Ao mesmo tempo em que disseca essa história, a matéria aproveita para mostrar o que é e quais são os problemas do Zôo paulistano, com 4 mil espécimes, 426 funcionários e R$ 13,3 milhões de orçamento.

A segunda matéria, também em três páginas e manchete do jornal, revela que documentos aprendidos pela polícia na Telefônica mencionam um alegado acordo entre ela, a Brasil Telecom e a Telemar – que se consorciaram com a Geodex Communications a fim de comprar a Embratel da MCI americana – para alinhar as ‘tarifas pelo teto’.

O nome do consórcio é Calais. O codinome, Projeto Carnaval, alude indiretamente ao mês (fevereiro) em que se formou o consórcio.

Dos repórteres Mario Cesar Carvalho e Elvira Lobato, a reportagem descreve o que seria um plano de ‘união das teles’ para eliminar ou diminuir os descontos concedidos pela Embratel. Com isso – um possível atentado à livre competição no setor, mediante suposta formação de cartel – a Telefônica ganharia R$ 750 milhões.

No dia seguinte, o Calais publicou na própria Folha uma palavrosa matéria paga de cerca 3/4 de página, em que ‘repudia as insinuações de que estaria agindo de forma ilegal e reafirma seu compromisso de atuar preservando (sic) a competição no mercado telecomunicações’.

Se, no leilão marcado para esta terça-feira, o Calais conseguir tirar a Embratel da favorita Telmex, a maior operadora do México, o furo da Folha ainda vai dar o que falar.



Cadê a causa mortis?

A Folha noticiou em 25 linhas de coluna a extinção do seu Jornal de Resenhas, suplemento mensal em formato tablóide, bem produzido em parceria com a Discurso Editorial, a USP e a Unesp.

Quinze das 25 linhas fazem o elogio fúnebre da publicação. As duas últimas informam que o suplemento poderá ressuscitar em versão eletrônica.

Ficou faltando dizer do que morreu o JR – omissão surpreendente numa publicação de ‘rabo preso com o leitor’.



Cadê o chef?

O Estadão tratou da demissão do presidente da Eletrobrás em duas matérias, apresentadas lado a lado.

A primeira começa assim: ‘O físico Luiz Pinguelli Rosa foi exonerado da presidência da Eletrobrás, depois de alguns meses de fritura’.

A segunda começa assado: ‘Chamar o que aconteceu com Luiz Pinguelli Rosa na Eletrobrás de ‘fritura’ seria adotar o verbo culinário incorreto. A lentidão do processo que culminou com sua saída da estatal remete mais para um cozimento em banho-maria, em fogo baixo’.

Ficou faltando um editor – ou um chef – para acertar o ponto da iguaria. [Textos fechados às 14h20 de 26/4]

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