Domingo, 13 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Repórter do Journal conta detalhes da espionagem

20/10/2006 na edição 403

Em artigo em primeira pessoa publicado na quinta-feira (19/10) na primeira página do Wall Street Journal, a repórter Pui-Wing Tam conta detalhes do processo de espionagem da Hewlett Packard a jornalistas americanos. Segundo ela, a HP teria contratado uma firma de segurança que, entre outras ‘táticas’, chegou a vasculhar o lixo de sua casa.


As informações teriam sido passadas pela própria empresa em um encontro com a jornalista no dia anterior. ‘Eu soube disto – e mais – enquanto estava sentada em uma sala de reuniões da firma de advocacia que cuida da HP em São Francisco, onde o advogado John Schultz percorreu uma longa lista de táticas de espionagem que os agentes da HP usaram contra mim como parte do esforço para identificar quais diretores da empresa estariam vazando informações para a imprensa’, escreveu Pui-Wing.


Durante um ano, a empresa teria tentado, em pelo menos cinco ocasiões, acessar os registros de ligações dos telefones de sua casa, da redação e de seu celular. Os investigadores teriam conseguido, por diversas vezes, listas com ligações feitas pela repórter.


‘Os agentes da HP tinham minha foto e revisavam imagens de vídeo feitas de mim’, diz Pui-Wing. ‘Eles me ‘vigiaram’ para ver se eu apareceria em certos eventos para encontrar algum diretor da HP (o que eu não fiz)’.


Sem mais detalhes


A jornalista afirma que, ainda que tenha fornecido estas informações para ela, Schultz não pôde responder a algumas questões, entre elas como os agentes conseguiram seus números de telefone, quando a filmaram, e se vigiavam sua casa à noite.


Segundo o advogado, não é possível saber de todos os detalhes porque a firma de segurança contratada para a investigação não está cooperando com os pedidos para entregar informações sobre o caso. Os agentes, a mando da HP, teriam investigado pelo menos 10 jornalistas de veículos como o portal CNet, o New York Times e a BusinessWeek.


A espionagem de jornalistas teve início depois da publicação de uma matéria com informações da HP que não deveriam ter sido divulgadas. Os repórteres, que cobriam a empresa, foram investigados na tentativa de dar à então presidente Patricia Dunn pistas sobre quem estaria vazando informações para a imprensa. A revelação do escândalo levou à saída de Patricia. Junto com o chefe de ética da companhia, Kevin Hunsaker, ela é acusada de pelo menos quatro delitos.

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