Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

IMPRENSA EM QUESTãO > PRIMAVERA NEGRA

Repressão continua forte em Cuba

20/03/2007 na edição 425

Passados quatro anos da ‘Primavera Negra’ de Cuba, quando 75 dissidentes políticos foram detidos e receberam penas de até 27 anos de prisão, a ilha de Fidel ainda mantém encarcerados hoje 270 ‘prisioneiros de consciência’, incluindo 25 jornalistas. Segundo ranking da organização Repórteres Sem Fronteiras, o país é a segunda maior prisão do mundo para profissionais de imprensa, atrás apenas da China.

Não houve melhoria desde que Fidel Castro, enfermo, entregou os poderes sobre Cuba ao irmão Raúl, em 2006. Na verdade, a repressão piorou, com aumento no número de ataques, buscas e detenções de jornalistas independentes, afirma a RSF. Diante deste panorama, a organização realizou na semana passada um protesto em frente ao estande de Cuba na feira de turismo de Paris. Usando camisas pretas com os dizeres ‘Cuba = prisão’, os 30 ativistas presentes pediam pela libertação dos 25 jornalistas que continuam atrás das grades em Cuba.

A RSF, que tem como mote a liberdade de imprensa, e outras organizações pela defesa dos direitos humanos reclamam das péssimas condições em que os presos são mantidos em Cuba. Pelo menos 20 jornalistas detidos na Primavera Negra, em março de 2003, continuam a ser mal-tratados pelos guardas e sofrem com problemas de saúde.

Personagens da repressão

Juan Carlos Herrera Acosta, da Agencia de Prensa Libre Oriental, uma pequena agência de notícias independente, costuma apanhar dos guardas na prisão na cidade de Camagüey. Em 7/3, ele deu início a uma greve de fome em protesto às condições carcerárias.

Normando Hernández González, chefe do Colegio de Periodistas Independientes de Camagüey, não come desde 4/3. Ele tem tuberculose mas não recebe o tratamento adequado na prisão.

Héctor Fernando Maseda Gutiérrez, co-fundador da agência de notícias Grupo de Trabajo Decoro, foi transferido de maneira ‘sádica’, segundo sua mulher, Laura Pollán Toledo, da penitenciária para um hospital onde seria operado. Ele tem 64 anos.

Ricardo González Alfonso, editor da revista De Cuba e correspondente da RSF, continua na ala de recuperação do hospital militar da prisão Combinado del Este, em Havana, depois de passar por três cirurgias em dezembro de 2005. Ele cumpre sentença de 20 anos de prisão.

Ramón Velázquez Toranso, da agência Libertad, detido em janeiro deste ano, foi transferido para um campo de trabalhos forçados na província de Las Tunas, no início de março. Nenhuma explicação foi dada a sua mulher e filha sobre a transferência. Ele enfrenta três anos de prisão sob acusação de ser um ‘perigo social pré-criminal’.

Ahmed Rodríguez Albacia, da agência Jóvenes sin Censura, foi preso no início de março quando ia com outros jovens a uma exposição em Havana. Em setembro do ano passado, ele ficou detido por 24 horas, e foi preso novamente de 4 a 12 de dezembro pela Segurança do Estado.

Guillermo Fariñas Hernández, editor da Cubanacán Press, foi agredido em 2/3 por oficiais de Segurança do Estado e membros da Associação de Combatentes da Revolução Cubana. Ferido, ele ficou brevemente detido em uma delegacia após o ataque. Informações da RSF [15/3/07].

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