Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1047
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Rescaldos do réveillon

Por Alberto Dines em 04/01/2008 na edição 466

O Ano Novo parece velho, estamos no dia 4 de janeiro e o que aconteceu à zero hora do dia 1º parece coisa do passado.


Este envelhecimento precoce não se deve à velocidade dos nossos tempos, a culpa é dos grandes buracos no noticiário que deixam a visão da realidade ultrapassada e incompleta.


Como já foi mencionado [ver ‘Pobre Quênia, pobres jornais‘], os jornalões não saíram na terça-feira porque foram antecipados para a véspera. Por essa razão o noticiário das festanças populares saiu dois dias depois, atrasado, muito atenuado e visivelmente incompleto.


O caso mais flagrante foi o do Globo, com a baita manchete no melhor estilo oba-oba: ‘Bailão da Paz abre 2008’. O tal ‘bailão’ pode ter acontecido, mas ‘paz’ é força de expressão. No dia 2 de janeiro, o jornal era obrigado a reconhecer que seis pessoas foram baleadas nas areias de Ipanema e Copacabana – uma morreu e cinco ficaram feridas.


É pouco, é muito? Depende dos paradigmas adotados, mas não são dados irrelevantes. Uma coisa é certa: o jornalismo de adivinhação é muito perigoso. Na sexta-feira (4), quatro dias depois, a polícia carioca admite que mesmo a expressão ‘bala perdida’ parece indevida porque pressupõe tiroteios indiscriminados que aparentemente não aconteceram. E isso é grave.


Como os jornalões paulistanos não adotaram o clima de oba-oba pouparam-se de gafes, mas o seu leitor até hoje não sabe com exatidão o que aconteceu na Avenida Paulista no mega-réveillon. Não sabe nem vai saber. É notícia velha.

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