Sábado, 17 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Revista de arte provoca polêmica com nudez infantil

08/07/2008 na edição 493

A fotografia de uma menina de seis anos nua na capa de uma conceituada revista de arte australiana gerou polêmica no país. A publicação Art Monthly Australia estampou a imagem da menina, sentada e com um mamilo à mostra, para protestar contra a censura sofrida por uma outra foto – também de uma criança nua – em uma exposição.

O editor Maurice O´Riordan afirmou esperar que a edição de julho traga ‘dignidade ao debate’ sobre representações de crianças e de pessoas em geral. Em maio, a polícia confiscou imagens de autoria do artista Bill Henson de uma galeria em Sydney. A imagem da capa foi tirada em 2003 pela fotógrafa Polixeni Papapetrou, que clicou sua filha, Olympia, hoje com 11 anos.

Inocência

O primeiro-ministro, Kevin Rudd, classificou a ação da revista de ‘repugnante’. ‘Não agüento este tipo de coisa. Estamos falando da inocência de crianças pequenas. Uma criança pequena não pode decidir se gostaria de ser representada desta maneira’, afirmou. Membros do governo declararam que irão reavaliar a verba da revista, financiada com o dinheiro dos contribuintes.

A Fundação Australiana para a Infância afirmou que os pais não têm o direito ético de consentir com fotografias de seus filhos nus, já que isso poderia ter um impacto psicológico na criança anos mais tarde. A menina Olympia e seu pai, o crítico de arte e professor Robert Nelson, entretanto, defenderam a foto em uma coletiva de imprensa em frente a sua casa em Melbourne. ‘Eu amo muito esta foto. Acho que a foto que minha mãe tirou de mim não tem nada a ver com abuso, e acho que a nudez pode fazer parte da arte’, disse Olympia.

Campanha

A polêmica no mundo da arte chega após o país testemunhar casos chocantes de negligência e abuso infantil. Na semana passada, Rudd teve um encontro com governantes dos seis estados australianos e afirmou que criaria um sistema nacional de proteção à criança.

Martyn Jolly, chefe do departamento de fotografia da Universidade Nacional Australiana, afirmou que as fotografias da exposição de Henson foram revisadas e aprovadas pelos censores do governo. ‘Não vamos deixar que políticos determinem o que podemos ou não mostrar’, defendeu. Informações de Rob Taylor [Reuters, 7/7/08].

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