Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

IMPRENSA EM QUESTãO > BENITO MUSSOLINI

Revista italiana questiona suposto diário de ditador

19/02/2007 na edição 421

Cinco diários atribuídos ao ditador fascista Benito Mussolini seriam falsos, afirmou na semana passada a revista italiana L’Espresso. Os documentos, que teriam sido escritos na escalada da Segunda Guerra Mundial, foram oferecidos para publicação pelo senador Marcello Dell’Utri em novembro de 2004. ‘Há nomes errados, erros gramaticais, discrepâncias cronológicas e inconsistências’, afirmou o historiador Emilio Gentile, contratado pela revista para verificar os diários, sobre os textos. ‘Há boas razões para se duvidar que o autor destes diários seja Benito Mussolini’.

Dell’Utri, por sua vez, insiste na veracidade do material. Segundo ele, se os livros fossem publicados, mostrariam ao mundo a face humana do homem que levou a Itália à desastrosa aliança com Adolf Hitler. ‘Os diários são autênticos. Haverá mais checagens, historiadores farão mais estudos e nós veremos quem está certo’, afirmou o político. Ele disse ainda que entre as editoras interessadas no material estava a Mondadori, controlada pela família do ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi.

Os diários teriam sido conseguidos por um soldado italiano depois que a resistência prendeu e depôs Mussolini do poder, em 1945. O ex-ditador foi morto e seu corpo foi pendurado em uma praça de Milão.

Rosto humano

Em um trecho publicado na imprensa italiana, Mussolini aparentemente se mostra apreensivo sobre a decisão de participar da Segunda Guerra. ‘Nós não podemos e não devemos pegar em armas, que, em todo caso, nós não temos’, o ditador é citado no texto. Dell’Utri afirma que não há nada nos livros que possa ‘mudar a história’ ou ‘reabilitar [a imagem de] Mussolini’. Mas, segundo ele, os diários ‘mostram o homem e sua mente; colocam um rosto humano em Benito Mussolini’.

De acordo com a L’Espresso, diversas partes dos diários parecem ter sido copiadas, palavra por palavra, de descrições de jornais da época sobre os acontecimentos que rodearam Mussolini. Há também erros ortográficos e confusão entre nomes de figuras políticas e históricas importantes. ‘Os diários de Mussolini o apresentam como um homem romântico, sentimental, quase dominado’, afirma o historiador Gentile. ‘E isso é o oposto do personagem histórico que tem a imagem pública de um homem que incorporou a máxima de ‘viver perigosamente’’. Informações de Robin Pomeroy [Reuters, 14/2/07].

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